Mostrando postagens com marcador Ancestrais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ancestrais. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Conhecendo o Oráculo - Osteomancia (Oráculo dos Ossos)

   A Osteomancia, prática de divinação por meio do lançar de ossos, é uma das artes oraculares mais antigas de que temos registro. Foi praticada ao longo da história por diversos povos ao redor do mundo, dentre eles os Chineses, Egípcios, Gregos, Romanos, Babilônicos, e numerosas tribos Africanas, nas quais boa parte dos sistemas de leitura dos ossos praticados atualmente se baseiam.
   Diferentemente de outras ferramentas de divinação ou previsão, o Oráculo dos Ossos é um instrumento de comunicação e conexão direta com os Ancestrais, sendo creditada a Eles a movimentação das peças sobre a mesa do osteomante durante uma leitura. É um oráculo que passa por purificação, consagração e apresentação, necessita ser alimentado e energizado com regularidade, e o oraculista deve manter uma devida relação com os próprios Ancestrais para que possa fazer uso da ferramenta.
   Há diferentes formas de utilizar, interpretar e lançar os ossos, denominados "sistemas". Alguns sistemas de leitura empregam somente ossos de uma mesma espécie animal (galinha, gato e cachorro estão dentre os que eu conheço), outros sistemas usam ossos de espécies animais diferentes, e há também os sistemas que elaboram conjuntos de ossos adicionando a eles outros itens variados, como conchas, penas, dados, moedas, cristais, sementes, curios e objetos similares.
   Além do conjunto de ossos, um elemento central na leitura de osteomancia é o tablado, a superfície em que os ossos serão lançados e que determina maiores informações, podendo indicar a área da vida que se analisará, conceitos e ideias simbólicas (como os quadrantes, que são relacionados aos quatro elementos e que tratam de temas pertinentes a cada um deles), ou o passado, presente e futuro. Esses tablados podem ser peles de animais, tábuas de madeira, ou tecidos circulares com as marcações correspondentes.
   A osteomancia serve para responder a perguntas objetivas e específicas, fornecer conselhos, ou para abrir panoramas gerais sobre a vida do consulente. É ideal para revelar as mensagens e orientações dos Ancestrais para a pessoa em questão e o momento em que ela vive e viverá em breve. Portanto, é uma ferramenta versátil que funciona para divinação, leitura de sorte, aconselhamento, ou para previsões de futuro. Tudo depende das peças que caem, a posição em que param sobre o tablado, e o sistema de leitura.
   É importante esclarecer que os ossos usados pela maioria dos praticantes tem origem natural, sendo encontrados na natureza e posteriormente higienizados pelo osteomante, ou adquiridos de outras pessoas que fazem esse serviço de procura, coleta e higienização, como taxidermistas. Grande parte dos osteomantes não sacrifica animais para retirar seus ossos, pois se usam para fins oraculares os restos de animais que falecem de causas naturais ou acidentais, sem causar danos a nenhum ser vivo. Obviamente, há indivíduos que fogem a essa regra, mas são uma exceção. E também noto que sob hipótese alguma se usam ossos humanos, pois isso configura crime e é passível de punições legais em solo brasileiro.

A consultar os Luminosos,
   Alannyë Daeris.

terça-feira, 31 de maio de 2022

As Cartas Egípcias para os Mortos

   A expressão Cartas para os Mortos/Ancestrais (Akhu) é uma denominação moderna conferida a um conjunto de escritos egípcios dedicados aos espíritos dos entes falecidos, que abrangem fragmentos arqueológicos datando desde o final do Império Velho (aproximadamente 2686 a.C - 2181 a.C), até o Império Novo (1550 a.C - 1069 a.C). A prática de escrever cartas ao mortos tinha a intenção de rogar para que os ancestrais amados - mais próximos dos Deuses e, portanto, aptos a interceder em causas humanas - operassem favores, bênçãos e ajuda espiritual ou material a quem os pede.
   Os propósitos mais frequentes nas petições tinham como finalidade a cura de doenças, questões de fertilidade, fortuna e heranças. Homens e mulheres podiam ser remetentes e recipientes de Cartas, contudo, há uma maior representação do gênero feminino nelas. Além de terem sido inscritas em papiros, os principais achados arqueológicos são compostos de tigelas de cerâmica, e também em pedaços de linho, estatuetas, estelas de pedra e ostraca (fragmentos de barro). Quando usadas como cartas, é provável que as tigelas de cerâmica também contivessem oferendas alimentícias para os recipientes falecidos.
   A escrita era primariamente hierática, e a disposição das inscrições no objeto podia se dar em colunas ou em círculos no caso das tigelas, começando na borda e espiralando para o centro. Não há como determinar com certeza se eram os próprios remetentes que escreviam suas cartas, mas é certo que algumas foram feitas por escribas profissionais, contratados para isso. O Brooklyn Papyrus - uma Carta para os Mortos extensivamente estudada pelos arqueólogos -, sugere pela presença de uma linha de texto, que elas eram recitadas em voz alta na hora de "entregar" ao ancestral correspondente.
   Os locais de depósito das Cartas eram as tumbas dos falecidos citados na petição. Quando não era possível enterrar junto ao falecido que estava sendo peticionado para ajudar, os egípcios enterravam as Cartas em outras tumbas, com a crença de que o próprio ato de enterrar cria uma conexão entre a terra e o divino, permitindo a comunicação. Poucos egípcios sabiam ler e escrever, mas isso não parecia ser capaz de impedir o entendimento entre vivos e mortos - provavelmente, o ato de se tornar um Akhu (espírito luminoso) concede capacidades ao falecido, que passa a poder entender as cartas direcionadas a si, mesmo que não soubesse ler enquanto vivo.
   São consideradas de cunho íntimo e emocional, pois essas cartas tratavam de súplicas honestas em situações de angústia, em que só restava a ajuda dos mortos, ou problemas que somente eles poderiam resolver. Os egiptólogos consideram difícil determinar a quantia existente de Cartas devido às características particulares que variam entre si. Entretanto, elas costumam seguir um padrão, uma combinação dos componentes a seguir:

1. Citação do falecido pelo nome, geralmente incluindo seus títulos e a relação que esse ancestral tinha com a pessoa que está realizando a petição. Sempre eram indivíduos que haviam morrido recentemente e de um parentesco próximo.
2. Saudação do falecido, que assumia a forma de uma fórmula de oferenda (Hetep di Nisut), de boas intenções, ou outro tipo de invocação.
3. Constatação do problema que a pessoa enfrenta. Geralmente são explicações vagas, mas elas fazem menção a uma injustiça que entende-se ter sido gerada por forças espirituais.
4. Petição pelo resultado desejado para a situação. Às vezes, esse desejo é bem articulado e a pessoa relata inclusive o que fará em troca da ajuda do ancestral.

   A elaboração desses artefatos foi perdendo a popularidade com o passar das dinastias, como evidenciado pela diminuição de itens conhecidos contendo Cartas para os Mortos. Doze são conhecidas do Primeiro Período Intermediário e Império Médio, quatro do Segundo Período Intermediário e Império Novo, nenhuma do Terceiro Período Intermediário e apenas uma do Período Tardio. A possibilidade levantada por historiadores é que as Cartas tenham sido substituídas por outras práticas religiosas, como as estelas votivas para Deuses locais e ancestrais deificados (Akhu), ou cartas diretamente para os Deuses.

Referências

A escrever para meus Akhu,
   Alannyë Daeris

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Ingredientes Mágicos: Terra de Cemitério (e suas substituições!)

   Eis um ingrediente que gera bastante polêmica e uma grande variedade de opiniões, muitas vezes acaloradas. Hoje é sabido que esse material já fazia parte de práticas mágicas desde o Egito Antigo, juntamente com o uso de ossos. Entretanto, foi na tradição do Hoodoo e de vertentes folclóricas das Américas que esse ingrediente tomou grandes proporções de uso e de popularidade.
   Ainda que seja uma matéria prima mágica controversa, existem muitos aspectos que devem ser esclarecidos sobre a terra de cemitério. Ela não é usada somente para finalidades nefastas ou mal intencionadas, e deve sempre ser coletada de forma respeitosa, oferecendo algo em troca ao espírito e também aos espíritos do local. Três moedas são o pagamento tradicional, mas flores e outras oferendas também servem. Sob nenhuma circunstância colete terra de um túmulo que você não conhece! A energia do falecido estará presente em seus trabalhos, e você deve no mínimo entender um pouco de sua personalidade, seus gostos e como foi a vida dessa pessoa, pois só assim saberá se a terra desse túmulo e sua energia serão adequadas dentro do seu paradigma e propósitos.
   No geral, a terra de cemitério, também conhecida como "graveyard dirt" na língua inglesa, serve para atividades mágicas que envolvam proteção, atamentos (binding spells), banimentos, encerramento ou renovação de ciclos, magia de encruzilhadas, trabalho de vidas passadas, e para a quebra ou o lançamento de maldições. É uma oferenda ideal para entidades e divindades do submundo e que regem a morte, e faz toda a diferença em rituais de Samhain ou de conexão com os ancestrais. Em algumas tradições, a terra de cemitério é usada em feitiços de amor e sorte, especialmente em jogos de azar.

   Existem três tipos de terra de cemitério, cujos nomes abaixo são meramente ilustrativos para indicar suas diferenças.

Terra de Ancestrais: aquela que foi coletada diretamente de um túmulo de um antepassado seu. Não importa a ligação, nem se você não o conheceu, desde que exista uma conexão sanguínea. É uma das mais recomendadas, especialmente para quem está começando, pois a ligação ancestral fornece um certo nível de proteção e intimidade (mas cuidado mesmo assim; caso seu antepassado tenha sido uma pessoa horrível em vida, cometido vários crimes ou atos maléficos, não vale, né?). A terra colhida de túmulos de animais de estimação também se enquadra nessa categoria, e pode ser usada para várias finalidades relacionadas a amor, lealdade, proteção, enfim.
- Correspondências: comunicação ou interação com espíritos e ancestrais, comunicação com o espírito do túmulo escolhido, proteção em geral, banimentos, quebrar hábitos ou desfazer emoções, quebrar maldições e feitiços, necromancia.

Terra de Túmulo: aquela que foi coletada de um túmulo de um falecido que não é seu parente. Você deve conhecer um pouco da vida dessa pessoa, pois a terra do túmulo carrega a energia do falecido, portanto a energia deve estar de acordo com sua intenção. Se um grande escritor faleceu no cemitério próximo à sua casa, por exemplo, a terra do túmulo dele pode ser usada para inspiração, criatividade, favorecer a escrita... Se sua intenção tem a ver com sucesso profissional, escolha a terra do túmulo de algum empresário bem sucedido de sua cidade, que tenha aplicado valores similares aos seus.
- Correspondências: comunicação com o espírito do túmulo escolhido, ou requerer auxílio em uma intenção que tenha a ver com esse espírito.

Terra de Cemitério: aquela que foi coletada de qualquer parte de um cemitério, desde que esteja dentro dos limites ou bem próximo, como a terra de uma das encruzilhadas em volta do cemitério. Essa terra é mais segura e versátil de ser utilizada, pois não está diretamente relacionada com nenhum espírito. Entretanto, carrega a energia "bruta" do local, e pode apresentar uma densidade energética demasiadamente forte para alguns praticantes, especialmente iniciantes.
- Correspondências: comunicação ou interação com espíritos, proteção contra ataques espirituais, banimentos, quebrar hábitos ou desfazer emoções, desapegar, encerrar ciclos, necromancia, vidas passadas, projeção astral, comunicação e interação com divindades e entidades relacionadas à morte.

   E por último, mas ainda importante de ser mencionado, é um material que costuma ser confundido com a terra de cemitério: o pó de túmulo (grave dust). O pó de túmulo é extraído raspando a lápide de um falecido, é usado de formas similares à terra de cemitério mas é considerado mais poderoso e concentrado. As propriedades do material da lápide, geralmente mármore, também são somadas ao pó de túmulo, fornecendo uma energia extra que deve ser levada em consideração.

Alternativas à Terra de Cemitério


   Para quem é pessoalmente contra o uso desse ingrediente, ou por qualquer motivo não consegue obtê-lo de uma fonte ou local confiável, não se desespere! Existem ingredientes que podem substituir a terra de cemitério em alguns feitiços e rituais, mas esteja ciente de que você deve analisar bem a atividade que será desempenhada e a sua intenção, para concluir qual será mais adequado como substituição. Nenhum ingrediente listado aqui desempenhará o mesmo papel da terra de cemitério, mas podem se aproximar bastante dependendo da situação, e podem ser combinados para maior efetividade de acordo com sua intenção. São eles:

Terra de plantas mortas. Sabe aquela plantinha que você deixou morrer sem querer? Retire e guarde a terra na qual ela pereceu, pois ela é uma opção simples e acessível à terra de cemitério. Esse ingrediente pode ser acrescentado aos outros, para melhorar o rendimento e intensificar o resultado final.
Pó de café. Se possível, moa os grãos você mesmo, mas se não for, opte por um café de boa qualidade. Atente para o fato de que o café possui suas próprias correspondências e energias, que serão acrescentadas ao seu feitiço ou ritual.
Folha de patchouli (Pogostemon cablin) moída. É a alternativa mais tradicional e aceita para substituir a terra de cemitério, mas o ponto negativo é que pode ser difícil encontrá-la em grande quantidade.
Verbasco (Verbascum thapsus) moído. Essa planta não é tão comum aqui no Brasil, mas no exterior, o pó extraído de suas flores e folhas é muito usado como substituto da terra de cemitério. Atenção, pois é uma planta tóxica.
Canela (Cinnamomum verum) em pó. Assim como a folha de patchouli, pode ser um desafio obter em grandes quantidades, mas quando o feitiço pede apenas um pouco, a canela em pó é um quebra-galho. Fique atento para comprar uma de boa procedência, verifique o nome científico da especiaria no rótulo, e use máscara facial ao manusear, pois uma grande quantidade de canela em pó pode irritar suas vias respiratórias.
Farinha de trigo. Essa é uma opção menos tradicional, mas mesmo assim muito adequada, ainda que sua cor possa deixar à desejar em algumas situações. A farinha de trigo está bastante relacionada com ancestrais e espíritos, o submundo e tudo que ocorre entre os planos, e é ideal para criar encruzilhadas mágicas.
Farinha de ossos. Simples e efetiva, a farinha de ossos é um ingrediente fácil de encontrar em floriculturas e lojas de jardinagem, pois é utilizada como fertilizante. Entretanto, sua energia pode ser muito forte quando usada sozinha, então busque mesclá-la com as outras opções listadas aqui.

• ☾ •

Quer complementar suas práticas com ingredientes artesanais consagrados?
Edição de janeiro da Revista A Folha da Íbis já disponível no site!

• ☾ •

A trilhar encruzilhadas com as adagas do Chacal,
   Alannyë Daeris.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Oração aos Ancestrais

Minha celebração pessoal aos Akhu.
Ó Ancestrais,
Venham em paz!
Saberes primordiais,
Intercedo a vós!
Recebam a luz
Que ilumina os Astrais.
Ó Iluminados do após,
Transcendem os véus
Entendimento se induz...
Sentir a verdade visceral,
Em energias se traduz.
Nunca estou a sós!
Amor essencial, pelo qual
Agradeço aos céus
E aos Deuses.
Partam em paz,
Agradeço feliz.

   Pode ser usado na abertura e no encerramento de uma atividade com os Ancestrais, como uma invocação; basta dividi-lo após o verso "Em energias se traduz", e falar os últimos 6 versos no fim do ritual, ao se despedir.
   Oração que criei sob a influência do meu rito de Eclipse Lunar (05/07) em honra aos Akhu, na presença de Yinepu e Djehuty.

A honrar os Luminosos,
   Alannyë Daeris.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Magia Capilar e Penteados Mágicos

Fonte, editada pela autora.
   O cabelo é uma parte muito importante da nossa aparência e detém grandes simbologias, pois contém nossa essência, e pode falar muito sobre nosso estado emocional e físico. Representa a energia vital, intenção, e em algumas tradições, nossas habilidades e dons. O cabelo está associado com poder e proteção psíquica, e quanto maior o fio, mais potente nesses aspectos citados.
   O próprio ato de cortar o cabelo é muito poderoso, sendo feito em momentos de mudança, representando novos ciclos. Você já percebeu que é normal que uma mulher quando acaba de ficar solteira, tenha o ímpeto de cortar suas madeixas ou mudar o visual? O cabelo não só é um grande símbolo do poder, mas também de sexualidade, beleza e autoridade. Por fim, cabelos podem ser usados para fortalecer ou simbolizar conexões ancestrais, e a ancestralidade em geral. Nesse aspecto, representam nossas raízes. Pode ser ofertado em várias ocasiões, como ao coletar algo da natureza (basta arrancar alguns fios e deixar no lugar).
   É mais conhecido seu uso tradicional, como link mágico e taglock, fazendo a conexão entre o dono do cabelo usado e o feitiço. Quando adicionado em feitiços, esse ingrediente pode curar, empoderar, personalizar, comandar ou amaldiçoar. Algumas formas de usar os cabelos como ingredientes mágicos (seja em magia com o cabelo de outras pessoas ou o seu) são:

Ferver, para encontrar o dono do fio (vivo ou morto).
Trançar, para controlar, direcionar ou atar. Também pode ser trançado para sacrificar, ou fazer um voto/juramento.
Queimar, para encerrar um ciclo e começar um novo. Ou para trazer dor e sofrimento para o dono do fio.
Pentear, para ativar a magia nos fios e para ser feito em feitiços de manifestação. Quando feito no próprio cabelo, pode servir para induzir estados alterados de consciência.
Cortar, para encerrar ciclos, gerar mudanças, refletir uma nova fase, ambição, desejos.

   O estado do cabelo também influencia na sua correspondência, especialmente em atos mágickos:

Despenteado, para permitir que seu poder flua livremente através de você, sem bloqueios ou restrições.
Solto, para manter um fluxo normal de energia criativa e regenerativa.
Trançado, para conter o poder e manter suas energias sob seu controle.
Alisado, para calma, gentileza e paz.
Cacheado, para leveza, criatividade, intuição, movimento.

Penteados Mágicos


   Mas o cabelo também abriga um potencial bem interessante para a prática mágica: penteados como o próprio feitiço. Nesse caso, basta um cabelo de tamanho apropriado. O próprio ato de pentear pode ser um ato mágico, com intenção de gerar transe e induzir estados alterados de consciência, facilitando meditações ou projeções astrais.
   Geralmente, penteados são feitos de forma silenciosa, mas se você quiser, pode criar um encantamento para a situação e repeti-lo durante o momento de estilizar seu cabelo. As associações e correspondências mágicas pessoais aqui são muito importantes, pois você colocará sua intuição no ato de mexer no seu cabelo, com aquele penteado tendo alguma relação ou significado apropriado.
   Listo abaixo algumas correspondências minhas para penteados, adapte-as ou modifique conforme seu gosto. Não é uma lista universal, são apenas ideias baseadas em alguns estilos comuns de arrumação. Para fazer qualquer um de maneira mágica, é só se concentrar na sua intenção enquanto produz o penteado; tente visualizar seu objetivo já concretizado.

Tranças de três mechas: Correspondem a feitiços de trançamento e de nós, portanto, servem para basicamente todas as intenções e correspondências, exceto maldições.
Coques bagunçados: Banir pensamentos indesejáveis, concentração, motivação.
Coques arrumados: Seriedade, dedicação, habilidade, responsabilidade.
Coroas de tranças: Honrar divindades, glamour, confiança, autoconfiança, pureza.
Ondas feitas com bobs e outras técnicas: Cura emocional, assuntos relacionados aos sentimentos e emoções, fluidez, amor, inspiração, conexão com o elemento água.
Rabo de cavalo: Motivação, juventude, energia, foco, liberdade.

   Sempre que for fazer um penteado mágico, considere incluir fitas de cores apropriadas ou presilhas que tenham a ver com sua intenção. Você também pode acrescentar beads, penas, flores, e outros acessórios decorativos. Quando o penteado for desfeito, deve ser de uma forma ritualística para direcionar a energia (similar a um cone de poder), e assim o feitiço está livre para atuar na realidade.
   Outros acessórios não podem ser deixados de fora nesse texto, como os turbantes, que foram amplamente utilizados em todos os cantos do mundo por eras. Turbantes são espiritualmente protetores, e ajudam a criar uma barreira energética, separando seu poder do mundo material. Dessa forma, trazem clareza, aumentam o foco, intensificam o aterramento, ajudam na comunicação com espíritos e também geram uma aura de poder e autoridade. A cor ou estampa do tecido também podem acrescentar suas características à magia.

Feitiço de Proteção com Penteado


   Esse feitiço pode ser feito com qualquer tipo de penteado, desde os mais simples como um rabo de cavalo até coques complexos. É ideal para o cotidiano, pois é prático e serve para lhe proteger de negatividade, servindo como um escudo protetor temporário.

Você precisará de:
• Acessórios para fazer o penteado (presilhas, elásticos, enfim).

   Fique de frente para o espelho, e respire fundo. Comece a fazer seu penteado, mas concentre-se na proteção que deseja. Fale o encantamento abaixo, ou crie um que seja apropriado:

"Eu prendo meu cabelo de forma decorativa,
Para me proteger de toda energia negativa.
Nada de prejudicial irá me atingir,
Pois meus fios de cabelo irão banir.
Meu feitiço eu faço com muito esmero,
Que assim seja, e assim será."

   Quando estiver terminando, visualize uma barreira protetora lhe envolvendo, que tenha uma textura como a do seu cabelo. Está feito. Se quiser acrescentar gel, laquê fixador ou outros produtos, pode fazer sem medo, não afeta no feitiço.

Algumas informações daqui.

• ☾ •

Gostou do texto? Quer ajudar o blog e ganhar alguns mimos especiais?

A manter meu poder fluindo,
   Alannyë Daeris.

quarta-feira, 11 de março de 2020

Culto aos Ancestrais - Voltando às Raízes

"The Obsequies of an Egyptian Cat", por John Weguelin. 1886, óleo sobre tela. Editada pela autora.

   O culto aos ancestrais é presente em muitas culturas pagãs e era parte essencial do cotidiano religioso de civilizações antigas. Em nosso mundo moderno, poucas pessoas levam em consideração a proteção e o auxílio que os ancestrais nos fornecem, e todas as formas em que podem nos ajudar no nosso cotidiano - tanto quanto divindades ou entidades em geral.
   Ancestrais não são apenas as pessoas de nossa linhagem sanguínea que vieram antes de nós, mas também amigos e companheiros animais que já passaram para o outro lado. Retornar às raízes é muito importante, pois através delas conseguimos compreender muito mais profundamente o que nos faz sermos o que somos hoje! O culto aos ancestrais traz orientação, compreensão e um senso de entendimento do nosso lugar no universo.
   Se você tem interesse em recuperar seus laços com os ancestrais, saiba que esse é um processo que requer esforço e paciência, pois pode ser um pouco complicado estabelecer uma conexão logo de cara. O motivo para isso é simples: estamos tão distantes da natureza e das nossas origens que, depois de anos de negligência, é como tentar acordar um vulcão dormente. Considere suas motivações e o seu estado mental e emocional ao interagir com os espíritos, pois eles certamente conseguem ver além do que você aparenta por fora.

Como Começar - Montando um Altar Ancestral


   Simples: monte um altar, mesmo que simples. O mais recomendado é que seja na sala ou na cozinha, em algum lugar mais público da sua casa. A cozinha é o coração da casa, e a sala é onde nos reunimos com nossos entes queridos; portanto, ideais para um cantinho especial aos ancestrais. Evite fazer no quarto. Tradicionalmente, o altar ancestral fica na direção do Oeste, que é considerada a direção dos portões para os submundos, e também é onde o sol se põe.
   O mais importante é que seu altar seja bonito, mesmo que contenha apenas um vaso de flores e uma vela branca. Seja criativo e adapte da forma que funcionar melhor; tenha em mente a praticidade, pois é melhor um altar bem pequeno do que um enorme que você vai ter preguiça de tirar o pó e utilizar. Tenha pelo menos uma vela para ser acesa regularmente, deixe sempre um copo com água fresca, decore com imagens de seus ancestrais - mas nunca coloque fotos de pessoas ou criaturas vivas.
Altar de Samhain para homenagem aos
ancestrais, com Hekate ao centro.
   Você pode acrescentar outros objetos que tenham sido de parentes ou amigos falecidos, como joias da família, acessórios, relógios, enfim; se não tiver nada disso, use coisas que lhe façam se sentir conectado com a terra e com sua linhagem. Ossos, vasos de flores, pedras simples ou cristais, etc. Esses itens naturais representam que viemos da terra, e são nossos ancestrais mais antigos.
   Se você costuma prestar culto a divindades, é uma ótima ideia acrescentar estátuas ou referências de entidades psicopompas, para facilitar a comunicação e a interação com os espíritos. Algumas sugestões são Anúbis (Yinepu), Hekate, Hermanubis, enfim.
   Depois de pronto, basta consagrar o altar e convidar seus ancestrais para que sejam honrados por você. Não há necessidade de honrar ou convidar aqueles ancestrais que você não se dava bem, pois a energia deles não será compatível com a sua mesmo após a morte. Não se sinta culpado por deixá-los de fora; é melhor assim, para que não acabem influenciando em sua vida negativamente.

Oferendas


   Faça oferendas aos ancestrais com regularidade. Não precisa ser todo dia, mas é bom que oferte com uma certa frequência, pois é uma forma de fortalecer seus laços e nutri-los com a energia das coisas que está ofertando. 
   Escolha comidas e coisas que eles gostavam em vida. Se sua tia sempre usava o mesmo perfume, borrife sobre a foto dela; se sua vó tinha uma receita tradicional marcante, cozinhe e oferte a ela! Você pode colocar a música preferida de algum parente para tocar, ou ofertar presentes da cor preferida deles, enfim.
   Se você estiver trabalhando com sua linhagem em geral, ou com espíritos de pessoas que não chegou a conhecer, oferte coisas que você goste, desde que seja feito com generosidade genuína. Depois que você estabelecer laços, é possível perguntar diretamente aos ancestrais quais suas preferências para oferendas. É melhor ter a aprovação do espírito na hora de substituir uma oferenda do que ofertar algo que ele pode não gostar.
   Não precisa ser nada muito elaborado, pois a intenção vale muito mais do que uma oferenda caríssima e rebuscada. Você pode deixá-las no altar de um dia para o outro, ou por alguns dias a mais. No caso de oferendas não-perecíveis, você pode deixar por tempo indeterminado.
   Embora comida seja uma oferenda prática e acessível, existem muitas outras coisas que podem ser ofertadas aos ancestrais. Espíritos geralmente são atraídos por cheiros, então comidas quentinhas com um aroma marcante ou incenso funcionam muito bem. Outras ideias gerais para oferendas são:

Fonte. Altar nórdico para Odin,
e para culto aos ancestrais.
• Velas
• Flores e ervas
• Café, bebidas alcoólicas
• Poemas e hinos
• Arte (desenhos, pinturas)
• Chás
• Objetos artesanais variados
• Ações de caridade, trabalhos voluntários
• Leite
• Mel
• Sobremesas
• Frutas
• Música (você tocando, cantando ou assoviando)
• Água de fontes naturais
• Moedas, dinheiro
• Tabaco/cigarro 

   As oferendas alimentícias feitas aos ancestrais podem ser ingeridas ou não - isso é uma prática bem pessoal. Há espíritos que se ofendem, outros não. Há pessoas que consideram ofensivo, outras consideram que é mais ofensivo desperdiçar alimento. Reflita sobre o que você acha "mais certo", e não tenha medo de consultar diretamente os seus ancestrais para saber o que eles também acham sobre isso. Pode ser que eles nem se importem...
   Algumas maneiras de descartar oferendas para ancestrais:

• Enterre no seu jardim ou em um lugar bonito;
• Faça uma composteira e misture, no caso de alimentos;
• Faça libação, no caso de líquidos;
• Deixe na natureza, desde que seja biodegradável;
• Coloque em encruzilhadas;
• Deposite em um cemitério;
• Jogue no lixo. Pode parecer ofensivo, mas não é!

Datas Propícias para Lidar com os Ancestrais


   É claro que você pode fazer isso nos dias em que estiver mais disposto, mas há momentos em que a interação com os falecidos se torna mais facilitada e intensificada. Para começar um altar ou um culto ancestral, a melhor época se dá entre o Equinócio de Outono (Mabon) e o Samhain, quando o véu entre os mundos está mais fino. No geral, tente estabelecer e conciliar suas práticas nas seguintes ocasiões:

• Na Lua Nova, durante a noite. 
• Sábados, nos horários de Saturno.
• Terças à noite, em horários de Saturno.
• Na época do Samhain (ou em festivais similares, como o Día de Los Muertos)
• Qualquer feriado ou data voltada para a família, como o Yule (Natal) ou Mabon. 
• Datas de nascimento ou aniversário de morte dos seus ancestrais.
• Seu próprio aniversário, ou no aniversário dos seus familiares vivos.

Construindo Laços


   Como qualquer tipo de relação, nada acontece de uma hora pra outra. Depois de convidá-los para seu altar, mantenha uma rotina de orações e meditações, pois é a única maneira de conhecê-los de fato. Você também pode fazer um travesseiro de sonhos com ervas para lhe auxiliar a se conectar com eles durante seu sono. Pode levar um tempo, mas não desista, pois é muito recompensador!
   Construir um relacionamento com os ancestrais é de fato incrível, e num sentido geral, fará sua vida fluir mais suavemente - quando são bem "alimentados", ou seja, quando você se dedica a honrar o espírito dos seus ancestrais, eles podem fazer inúmeros favores que não foram solicitados, como prevenir coisas ruins de acontecerem com você, proteger seus filhos e o resto da sua família, evitar danos à sua casa, agir como wards, comunicar coisas importantes através de sonhos ou presságios, aumentar sua sorte, lhe dar conselhos construtivos e comentários honestos sobre o que você está fazendo de certo ou errado em sua vida, ou seja, vão querer o seu melhor.
   Por isso, não tenha medo! Não há motivo algum para se sentir amedrontado perante seus ancestrais; eles são parte de sua história, e parte de você também, pois foi a partir dos genes e células deles que você foi formado e está vivo hoje. Ou seja, gratidão é um dos sentimentos que você deve sentir perante sua linhagem. Mas é claro, prudência e pesquisa são aliados essenciais de qualquer tipo de trabalho mágico. Nem todos os seus ancestrais podem ser bem-intencionados, ou compatíveis com sua energia; como dito antes, há espíritos que não valem a pena serem convidados, e é melhor que fiquem apenas no seu passado.
   No geral, os ancestrais só querem de você um pouco de atenção e serem reconhecidos, portanto, não costumam ser tão exigente quanto divindades ou outras entidades, e podem se satisfazer com pouco, não se ofendem tão facilmente, enfim. Além disso, considere que entidades famosas e requisitadas possuem mais poder para interferir ao seu favor, mas também são mais ocupadas do que os seus ancestrais.
   Dessa forma, se você se dedicar regularmente ao seu relacionamento com seus ancestrais, eles continuarão sempre olhando por você, pois além de não terem muito o que fazer para se ocupar, vão se interessar pelo andamento de sua vida e por facilitar as coisas pra você, em troca da interação e do carinho que você ofertá-los.
   Considere as três perguntas abaixo, e reflita sobre elas. Se possível, medite e busque o conhecimento que está dentro de você mesmo.

- Qual minha motivação para conhecer e refazer os laços com meus ancestrais?
- Em qual base desejo construir esses relacionamentos? 
- Qual espero ser o resultado da conexão com meus ancestrais?

Ritual Simples de Honra aos Ancestrais


   Por último, como de costume, uma ideia de ritual bem simples para facilitar um pouco sua vida. É claro que você pode criar suas próprias formas de lidar com os ancestrais, e desenvolver suas práticas baseadas nas suas crenças. Essa estrutura abaixo é bem maleável, e você pode omitir algumas passagens ou partes de acordo com seu foco no momento. Leia tudo pelo menos uma vez e depois adapte para suas necessidades.

1. Preparação e Abertura


   Você pode se ungir com óleos ou sprays aromatizadores que tenham relação com purificação, aumentar suas capacidades psíquicas e sensitivas, ou específicos para conexão com os mortos. O incenso também pode ser escolhido para alguma dessas finalidades.
   Acenda a vela principal e o incenso a partir da chama da vela. Se você tem velas específicas para familiares individuais, espere até o momento de convidá-los para acender a vela. Sente-se por um momento, se concentre, fique receptivo. Não há necessidade de convidar um psicopompo para auxiliar, mas facilita muito, portanto, se não quiser, pule o passo 2.

2. Convidando seu Psicopompo


   Esse momento depende muito da divindade com a qual você trabalha; recite algum hino relacionado a ela, ou crie uma invocação própria para suas práticas ancestrais. O melhor que você convide entidades que já conhece e trabalha, mas se não tiver contato com nenhum psicopompo, considere começar agora!
   Segue abaixo um exemplo de invocação para Hermanubis (sincretização de Hermes com Anúbis). Certifique-se, porém, de que suas palavras sejam sinceras.

"Hermanubis, Hermanubis, Hermanubis, Eu lhe chamo, Trismegistos!
Venha até mim, nesse espaço em que ocupo, que servirá como uma encruzilhada e ponto de encontro para mim e meus ancestrais. Aja como uma porta e como a luz que guiará aqueles que busco encontrar. Rasgue o véu entre esse mundo e o dos falecidos, o Duat/Amenti. Busque aqueles por quem chamo, de onde quer que estejam, e certifique-se de que receberão minhas palavras, presentes e intenção.
Aceite essas oferendas de fogo, luz, incenso, (nome da comida que está ofertando dentre outros presentes), por seus serviços. Dissemine essas oferendas para os falecidos que convido e compartilhe com eles, e não permita que nenhum intruso que não tenha sido convidado encontre o caminho para meu altar.
Louvado seja Hermanubis! Dua!"

   Se você tiver alguma imagem de seu psicopompo, banhe-a na fumaça do incenso e unja-a com óleo, ou borrife um aromatizador sobre ela. Coloque as oferendas sobre o altar, envolvendo-as na fumaça do incenso antes. Faça um gesto indicando que as oferendas estão postas (por exemplo, com as duas palmas estendidas em sua frente voltadas para cima).

3. Convidando os Ancestrais - Chamado Matrilinear


   Independentemente da relação que você tinha com sua mãe ou avó, geralmente inicia-se pela linha matriarcal, visto que é a elas que devemos mais honras ancestrais. Elas nos carregaram fisicamente em seu corpo, sofreram no processo do parto, e provavelmente foram as pessoas que mais lhe cuidaram.
   Você pode fazer uma invocação simples, como "Convido os espíritos de minha linhagem matrilinear", ou fazer algo mais complexo - e efetivo. A invocação simples funciona no cotidiano, mas para as primeiras vezes ou para rituais mais elaborados, é melhor que você invista um pouco mais na interação.
   Comece pelos que faleceram mais recentemente, e pule quaisquer pessoas que estejam vivos, ou que você não queira convidar por quaisquer motivos. Se você souber os nomes completos, use-os, ou identifique-os pela relação que tinha. Vá no mínimo até 3 gerações anteriores, e no máximo 7. Se tiver velas representando essas pessoas, acenda-as enquanto chama seus nomes ou indica seu relacionamento. Agora sim, vamos ao exemplo:

"Eu chamo, aqui e agora, as honradas e bem-intencionadas mulheres de minha ancestralidade. Minha mãe, de nome ________ (se for falecida), minha avó, de nome ________ (se for falecida), minha bisavó, minha tataravó, a mãe dela, e assim por diante!
Toda mulher que pariu uma mulher que pariu uma mulher que pariu uma mulher, cujo sangue corre em minhas veias!
Venham a esse altar, e aceitem meu agradecimento de coração pelos sacrifícios que fizeram pela nossa família. Aceitem essas oferendas de (indique as oferendas que está fazendo - fogo, luz, incenso, alimentos), juntamente com meu amor e gratidão sincera. Que elas tomem a forma que mais lhe agradar!"

   Faça uma reverência em apreciação e novamente um gesto indicando que as oferendas estão postas. Passe o tempo que achar necessário conversando com elas e se conectando com elas, tudo que tiver que fazer com o lado feminino de seus ancestrais.

4. Convidando os Ancestrais - Chamado Patrilinear


   Você pode falar "Convido os espíritos de minha linhagem patrilinear", ou, como anteriormente, algo mais complexo. Igualmente, se tiver velas representando algum ancestral masculino, acenda a vela conforme chama cada um dos seus familiares.

"Eu chamo, aqui e agora, os honrados e bem-intencionados homens de minha ancestralidade. Meu pai, de nome ________ (se for falecido), meu avô, de nome ________ (se for falecido), meu bisavô, meu tataravô, o pai dele, e assim por diante!
Todo homem que gerou um homem que gerou um homem que gerou um homem, cujo sangue corre em minhas veias!
Venham a esse altar, e aceitem meu agradecimento de coração pelos sacrifícios que fizeram pela nossa família. Aceitem essas oferendas de (indique as oferendas que está fazendo - fogo, luz, incenso, alimentos), juntamente com meu amor e gratidão sincera. Que elas tomem a forma que mais lhe agradar!"

   Faça uma reverência em apreciação e novamente um gesto indicando que as oferendas estão postas. Passe o tempo que achar necessário conversando com eles e se conectando com eles, tudo que tiver que fazer com o lado masculino de seus ancestrais.

5. Convidando os Ancestrais - Chamado Estendido


   Aqui você chamará os outros familiares falecidos, que não foram diretamente responsáveis por sua concepção, como tios, irmãos, primos e parentes em geral.

"Eu chamo agora os honrados e bem-intencionados falecidos de minha família, cujo sangue corre em minhas veias!
Venham a esse altar, e aceitem meu agradecimento de coração pelos sacrifícios que fizeram pela nossa família. Aceitem essas oferendas de (indique as oferendas que está fazendo - fogo, luz, incenso, alimentos), juntamente com meu amor e gratidão sincera. Que elas tomem a forma que mais lhe agradar!"

   Se você estiver fazendo uma veneração ancestral exclusiva de laços sanguíneos e familiares, vá diretamente para o encerramento, pulando os dois passos seguintes.


6. Convidando os Ancestrais Escolhidos


   Sim, você pode escolher honrar ancestrais de qualquer área específica, como os patronos de sua profissão, ancestrais com mesmos interesses, magia, esportes que pratica, hobbies que você tem, amigos, vizinhos, enfim. Esse é o momento em que você os convida para seu altar. Se achar desnecessário, basta ignorar esse passo.

"Eu chamo agora (nome das pessoas que você conhecia em vida), e os simpatéticos, honrados e bem-intencionados falecidos da área de (sua profissão/astrologia/bruxaria/magia natural/etc)! Aqueles que passaram suas vidas honrando seus ofícios, e que tem tanto para ensinar!
Venham a esse altar, e aceitem meu agradecimento de coração pelos sacrifícios que fizeram pelo seu (ofício, profissão, paixão, interesse, hobby, arte, enfim). Aceitem essas oferendas como um símbolo de minha apreciação por seus esforços e conhecimentos. Que elas tomem a forma que mais lhe agradar!"

7. Anima Sola (Almas Solitárias) - Caridade aos Falecidos


   Os Anima Sola são almas solitárias, que ainda não encontraram seu caminho. Espíritos que se perderam em seu caminho para o submundo, que estão presos em nosso mundo, vagando em confusão. 
   Esse ato é uma caridade, pois seus espíritos serão alimentados e você pedirá que o psicopompo interceda por suas almas, para que encontrem seu caminho e possam finalmente descansar. Além das oferendas, você pode ofertar algumas moedas (pelo menos duas, de qualquer valor) para isso, como um tipo de "pedágio" ou pagamento pelo favor. E sim, isso pode gerar muitas bênçãos para você, pois é um ato de caridade - e como todo ato de caridade, deve ser feito com honestidade e intenção sincera.

"Eu chamo agora os Anima Sola bem-intencionados. Qualquer alma falecida desventurada, que ainda não encontrou seu caminho para seu descanso final, desde que me queiram bem, estão convidados para compartilhar das oferendas para meus entes queridos falecidos.
Venham a esse altar, e aqueçam-se próximos da chama da vela. Deixem que o fogo revigore seus espíritos, e que ilumine seus caminhos. Saciem sua sede com essa água, e alimentem-se com esse pão. Estejam confortados pela conexão humana que nos une, e sejam guiados por Hermanubis (ou outro psicopompo) até seu destino. Fiquem bem, fiquem em paz!"

8. Encerramento


   Passe quanto tempo se comunicando com os falecidos quanto achar necessário. Medite, faça orações, cante, enfim. Os mortos apreciam oferendas de tempo e atenção tanto quanto qualquer outra. Você pode conversar com eles, falar sobre seu dia, suas ambições e preocupações, como conversa com pessoas vivas. Ouça música, escreva, desenhe, faça arte na presença deles, e deixe que compartilhem de seu tempo e espaço com você. Você também pode tentar métodos divinatórios, especialmente aqueles que estejam em áreas de necromancia.
   Quando estiver pronto para encerrar, fale o encerramento abaixo, ou algo similar:

"Muito obrigada a todos os meus ancestrais e falecidos que vieram comungar comigo nesse momento tão especial. Eu espero que tenham desfrutado das oferendas e se saciado! Continuem a me auxiliar e proteger em minha vida e trabalhos, e saibam que sou muito grata.
Eu lhes dou licença para que partam. Retornem para seus locais de descanso aos quais pertencem, não demorem indevidamente, e venham rapidamente na próxima vez que forem chamados. Meu amor e gratidão estão com vocês, sempre!
Hermanubis, assegure-se de que as almas de todos os que foram chamados hoje aqui sejam levados até onde devem estar, e ajude os perdidos a encontrarem seus caminhos. O rito agora está fechado."

   Bata palmas ou toque um sino. Apague a vela. Você pode borrifar algum aromatizador de banimento, ou fazer algum outro tipo de banimento, se considerar que o encerramento foi insuficiente e ainda há alguém por perto.
   Remova as oferendas antes que elas apodreçam. Não há necessidade de retirar coisas não-perecíveis.

Cuidados pós-ritual


   Interações com os mortos podem ser cansativas, pois suas energias são um tanto pesadas (não-intencionalmente, é claro) e podem sugar muito de você. Se sentir que está cansado ou drenado, troque de roupas, tome um banho, ou purifique-se de alguma maneira. Se ainda se sentir meio cansado, coma alguma coisa, faça um aterramento, beba um chá energizante.

Ritual de Honra aos Ancestrais adaptado daqui.

• ☾ •

Gostou do texto? Quer ajudar o blog e ganhar alguns mimos especiais?

A honrar minha ascendência,
   Alannyë Daeris.