quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Ritual de Cura e Poder para Mulheres

   Este ritual pode ser feito por qualquer mulher que deseje ter mais contato com a Deusa, por motivos de cura, proteção, empoderamento, ou apenas para senti-la mais em sua vida. Não vejo problemas em você ser homem e desejar fazê-lo, utilizando os mesmos chakras, e mudando apenas as frases, ajustando-as para sua necessidade.
 
   Você pode seguir um cronograma de datas - por exemplo, toda quinta feira durante a madrugada, ou todo início de ciclo menstrual -, de acordo com as fases da Lua, ou sempre que desejar despertar sua magia e seu poder pleno. Pode-se abrir um círculo mágico ao fazer este ritual, ou utilizá-lo como aproximação à Deusa antes de alguma festividade, ou preparação de poções, divinação, etc.

O Ritual:

   Acenda uma vela e um incenso de sua preferência. Cores e aromas dos incensos são à sua escolha, mas é uma boa dica dar preferência à incensos e velas que remetam à espiritualidade e magia.
   Dicas de incensos ou ervas: calêndula, girassol, canela, lavanda. Para cura, use eucalipto, rosa, sálvia, canela, sândalo, lavanda. As cores da vela podem ser o branco, roxo, lilás ou azul.

   Molhe seu dedo indicador em óleo de alguma dessas ervas; ou, em seu sangue menstrual, água do mar, da chuva, ou de algum rio. Qualquer coisa provinda da natureza. Caso deseje fertilidade e auto-conhecimento, dentre todas as outras propriedades já citadas, seu sangue menstrual é a maior ligação com a Deusa que você pode utilizar. Lembre-se de visualizar as coisas que você deseja, sejam elas apenas a ligação fortificada com o poder da Deusa, ou proteção, cura, enfim.

Com o dedo embebido no que você for utilizar, toque o topo de sua cabeça, e diga em voz alta:
"Abençoa-me, Mãe, porque sou tua filha."

Toque, com o dedo molhado novamente, o centro de suas sobrancelhas, e diga:
"Abençoa minha visão, para que eu Te veja em minha vida."

Toque sua garganta, e diga:
"Abençoa minha voz, para que eu propague Teu amor por todos."

Toque o centro de seu peito, perto do coração, e diga:
"Abençoa meu coração, para que ele se abra e se encha de amor, por mim mesma e por todos."

Toque o pleixo solar, logo abaixo das costelas, ao centro, e diga:
"Abençoa minha energia vital que vem de Ti e do teu amor."

Toque logo abaixo do umbigo, por uns dois centímetros, e diga:
"Abençoa meu útero e meus ovários, para que meu cálice sagrado seja amado, respeitado e reverenciado."

Toque seu clitóris, ou genital, tanto faz o local específico, e diga:
"Abençoa minha vulva, portal de vida e de morte, e de amor para Contigo."

Toque a planta de seus pés, e diga:
"Abençoa meus pés, para que possam percorrer o Teu caminho e o meu."

Toque a palma de ambas as mãos, e diga:
"Abençoa minhas mãos, para que elas façam a Tua vontade, que é a minha vontade neste mundo."

Toque novamente o topo de sua cabeça, e diga:
"Abençoa-me, Mãe, porque sou tua filha, e sou uma parte de Ti."

   Agradeça por quaisquer bençãos que tenha pedido, e, caso tenha aberto um círculo mágico, desfaça-o, despedindo-se da presença da Deusa.

   Encontrei este ritual por intermédio de uma amiga em uma rede social, e o link de origem é este. Fiz algumas modificações durante o percorrer do texto, pois creio que são mais amplas para todas as tradições pagãs. Copie-o para seu Book of Shadows, para que nunca o perca, e possa utilizá-lo precedendo celebrações de Sabbaths, Esbaths, e outras atividades mágicas.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Faces da Deusa: Deusa Mãe

   A Deusa Mãe é a face criadora, que dá a vida e prossegue as coisas iniciadas. É uma face protetora, que ama incondicionalmente e é ligada à fertilidade. Essa face é representada pela Lua Cheia, e é a própria natureza em seus aspectos. Ela se volta para a nutrição, para as colheitas, fertilidade e justiça. A Deusa Mãe era cultuada desde o neolítico e o paleolítico, onde encontramos estátuas da Vênus de Willendorf, por exemplo.

   O Esbath para a Deusa Mãe é relacionado à prosperidade e à fertilidade em todos os sentidos. Ela protege e ama, mas também pune, caso assim seja necessário. É representada grávida, ou com o Deus criança em seus braços. Ainda assim, é jovem, forte, e bela. Sua sexualidade é exuberante.

   Os rituais favorecidos pela Deusa Mãe são os de proteção, para trazer-lhe direções e sentidos, para decisões e escolhas, intuição, continuidade em aspectos da vida, bem como força para finalizar assuntos ou situações. A Deusa Mãe é protetora e é quem dá a vida, quem continua o ciclo, mas é firme com seus filhos, sabendo guiá-los com sabedoria. Ela nos auxilia com conflitos familiares e protege as casas de desavenças, bem como abençoa os relacionamentos amorosos e traz a eles prosperidade.

   Os animais relacionados à Deusa Mãe são os gatos, leões, lobos, animais poderosos e que tem aspecto maternal e protetor. Suas cores são mais fortes que a da Donzela, como o verde, o azul, o roxo, e o vermelho. Ervas para proteção são usadas para cultuá-la. Deusas com a face Mãe predominante: Danu, Brigit, Gaia, Ísis, Bast, Freya, Lakshmi, Tiamat, Inanna, Deméter.

Faces da Deusa: Deusa Donzela

   A Deusa Donzela é a face jovem, pura, que é liberta e indomada, com seus sentimentos aflorados. É a Lua Crescente, o início do ciclo. Ou seja, esta fase da Lua é ótima para começar projetos, trabalhos, e todas as coisas que você deseja trazer para sua vida. O Esbath da Lua Crescente deve ser cultuado com uma deusa na face donzela, que possua as características da juventude.
 
   A Donzela é a deusa que, apesar de pura, não é virgem, pois isto não é algo realmente importante, mas que tem a inocência da juventude, os sonhos e as esperanças. A Deusa é dona de si mesma, e tem toda a liberdade para ser e fazer o que desejar. Ela é criativa, impetuosa, tem sua sexualidade e beleza livres, sem repressão, e é responsável por si mesma.
   Uma forma interessante de ligar-se à esta face da Deusa, e/ou de cultuar Esbaths, ou até mesmo apenas prestar culto à deusas que possuam essa face mais aflorada, é explorar sua criatividade, iniciar novos projetos e planos, inciar ou retomar amizades e relacionamentos. A Deusa Donzela demonstra que precisamos ser livres, e que temos que preservar um pouco de nossa inocência e pureza da juventude.

   Seus animais são os cervos e quaisquer outros animais silvestres. As cores representantes são os tons claros, como o branco, o amarelo, e tons pastéis. Além disso, flores são muito utilizadas para representá-las, visto que na roda do ano, a face da deusa donzela é vista na época da primavera, do florescimento. Deusas com sua face Donzela predominante: Perséfone (como Core), Ártemis, Diana, Eostre, Aine, Bast, Branwen, Parvati.

Ostara

   Ostara é o festival do Equinócio de Primavera. É celebrado em 22 de setembro no Hemisfério Sul, e em 21 de março no Hemisfério Norte. A partir do Ostara, os dias passam ser mais longos do que as noites, e é a época em que a vida se renova. Ou seja, um momento propício para rituais de fertilidade.

   O Ostara leva este nome devido à deusa anglo-saxã Eostre, deusa da aurora, que tinha como símbolos a lebre, os ovos coloridos, todos relacionados à fertilidade e ao ciclo de renovação da vida. Por isto, é tradição que se decore o altar ou a casa com ovos coloridos, e com símbolos de animais como a lebre ou o coelho. Também decora-se o altar com flores e muitos elementos coloridos. Este sabbath foi apropriado pelo catolicismo e tornou-se a Páscoa cristã.

   Na Roda do Ano, o Ostara é a época em que a Deusa, em sua face donzela, conhece seu consorte, o Deus Cornudo, e eles apaixonam-se. É entre o Ostara e o Beltane que ela engravida, e eles namoram por este período. Por este motivo, o Ostara marca uma época de flores, de temperatura agradável e de cores. É um período ótimo para rituais de prosperidade, amor, e fertilidade - não só fecundidade, mas também fertilidade nas áreas da criatividade e da vida num âmbito geral.

   O Ostara coincide com os festivais paralelos de culto à Ísis e Osíris, Cibele e Attis, e do retorno de Perséfone para sua mãe, Deméter. Deusas como Gaia, Oxum, Tiamat são cultuadas também. Todas as faces de deusas donzelas podem ser cultuadas, bem como deuses cornudos.

Incensos: Jasmim, Violeta, Morango e Rosa.
Cores para as velas: Dourada, verde, amarelo, branco.
Pedras: Ametista, Água-marinha, Hematita, Jaspe Vermelho, Quartzo Rosa, Ágata, Lápis-lazúli, Citrino.
Ervas: Cinco-folhas, Narciso, Jasmim, Íris, Rosa, Morango, Violeta, Madressilva, Bálsamo, Lilás, Limão, Lavanda, Verbena, Cravo, Tulipa, Manjerona, Lírio, Margarida.
Comidas: Bolos de mel, frutas, ponches, ovos, waffles. Quaisquer formas de doces e chocolates também, pois é uma época de alegria e de doçura.

Ovos de Ostara:

   É possível encontrar em bazares, principalmente na época do Ostara do Hemisfério Norte, ovos em plástico para preenchermos de ervas. Caso você não goste da ideia, ou, não os encontre, então a forma tradicional é utilizando cascas de ovos de galinha. Geralmente, como cozinhamos alguns bolos e alimentos deste tipo, você pode utilizar as cascas dos mesmo para confeccionar seus ovos. Fure apenas um pequeno pedaço em uma das extremidades, limpe-os, e depois preencha com ervas relacionadas ao Ostara (alguns exemplos no guia acima). Para pintá-los, há uma relação de cores e de coisas que você pode querer trazer para sua vida com a confecção deles.

Verde: prosperidade e esperança.
Vermelho ou cor-de-rosa: união e amor.
Roxo: crescimento e desenvolvimento espiritual e pessoal.
Amarelo: sucesso e fortuna.
Azul: paz e serenidade.
Laranja: poder e energia.

   Caso você queira preenchê-los com ervas e/ou cristais específicas relacionadas à cor, então utilize este guia:

Ovo verde: louro, canela e uma pedra de citrino.
Ovo vermelho ou cor-de-rosa: damiana, pétala de rosa, violeta e uma pedra de quartzo rosa.
Ovo roxo: papoula, sândalo, manjerona e uma pedra de ametista.
Ovo amarelo: lavanda, pimenta, bálsamo e uma pedra de quartzo.
Ovo azul: camomila, jasmim, margarida e uma pedra de lápis-lazúli, ou água-marinha.
Ovo laranja: canela, laranja, cravo e uma pedra olho-de-tigre.

   Para selar seu ovo, utilize cera de vela - com cores que sejam relacionadas aos desejos que você quer trazer. Pode utilizar uma única cor para o fundo, e pinturas coloridas por cima; a cor predominante no ovo será a que terá mais poder. Após algum tempo em seu altar, passada a festividade, você pode enterrá-los, ou retirar as ervas e pedras e então enterrar apenas a casca. Use-as, também, como adubo, para que as bênçãos retornem para sua casa.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Tiamat

   Tiamat é uma deusa babilônica, que significava o oceano primordial que deu origem à todas as coisas. Ela, juntamente com seu filho e consorte Apeu, que era o deus das águas doces, criaram não só a vida na Terra, mas a própria Terra e todo o universo. Da mesma maneira, deram origem à todos os outros deuses.
   Ela é identificada como sendo metade serpente do mar, ou dragão. Ela é o caos que havia na criação, enquanto Apeu era a ordem.
   É uma deusa-mãe, pois não apenas dá a origem e rege diversas criaturas, mas também o caos do próprio universo.

  A história de Tiamat conta que Apeu sentiu-se incomodado por alguns de seus filhos - que, no caso, seriam os humanos - serem maléficos e estarem distanciando-se dos deuses e da harmonia. Interveio, então, à Tiamat, pedindo que desfizessem-se deles para que voltasse a tranquilidade. Porém, Tiamat recusou a ideia veementemente, mas Apeu prosseguiu. Então, o deus Ea é enviado pelos humanos para matar o deus-primordial.
   Após a morte de seu consorte, a deusa passa a lutar contra os deuses que planejaram sua morte, encontrando dentre eles um outro companheiro, Kingu. Com ele, Tiamat dá à luz diversas criaturas - dentre eles, dragões, serpentes do mar, sereias, dentre inúmeras outras. Assim, ela batalha contra seus filhos revoltosos. Em uma versão posterior do mito, Marduk batalha com Tiamat, mas não a mata. As lágrimas dela criaram o rio Eufrates e Tigre.

   Tiamat é a deusa dos dragões, do caos, da vida e da criação. É uma deusa protetora, e que pode ser invocada caso você deseje se aproximar e talvez ter laços com algum dragão. Mas você deve ser respeitoso, pois Tiamat, apesar de maternal, é uma deusa muito poderosa.

domingo, 24 de agosto de 2014

Nut

   Nut é a deusa egípcia do céu, e mãe de todos os deuses. Geralmente é relacionada ao céu noturno e estrelado. É mãe de Isis, Osíris, Hórus, Seth e Néftis, e uma das primeiras deidades a serem criadas. Ela é relacionada à morte, pois para os egípcios, a ressurreição acontecia durante todas as noites, quando ela deixava os céus e então retornava. Nut auxilia os que partem, consolando-os acendendo uma estrela em seu corpo, para que sirva de guia. Isto é demonstrado nos sarcófagos, onde sua imagem era pintada na parte superior da tampa, cobrindo a pessoa com seu abraço materno. É dito que Nut cobre a superfície do céu, como se assim abraçasse seu amado deus Geb. Esta deusa é fortemente ligada à face Mãe, pois todos os dias dá a luz a Rá, bem como guia os mortos para o renascimento, e protege gravidezes. Por este último motivo, pode ser ligada à face Anciã também, pois é uma deusa relacionada à morte.

   Ela geralmente é representada como uma mulher negra, de pele azulada ou arroxeada, ou ainda dourada, com estrelas a ornamentar seu corpo e cabelos. Também era mostrada como uma deusa belíssima segurando uma jarra repleta de água - que é uma alusão ao seu poder de verter chuvas, bem como ao fato de que, de suas lágrimas por ter sido separada de Geb, seu irmão gêmeo e amante, criou o rio Nilo. Ela podia ser relacionada à uma vaca, amamentando seus filhos, ou como uma moça dando pão e e água aos falecidos.

Nut era representada desta forma, como um arco, pois era a deusa que criava o céu ao redor da terra. Logo abaixo dela, geralmente se representa o deus Geb, que é o deus da terra, seu amante e irmão. Assim como estes deuses, era costume dos faraós egípcios casarem-se em família.
   Nut separa a ordem e o caos do universo, e todos os astros vagam por seu corpo, como seus filhos efêmeros, que morrem e renascem em si. Ela é chamada também de A que Cobre os Céus; Aquela que Protege, pois ela protege os mortos, Ra, que é seu filho, e também Geb. Da mesma maneira, ela divide o caos e a ordem. Pode ser chamada de Senhora de Tudo, ou Aquela que Carrega os Deuses, por ter dado à luz cinco (ou quatro, algumas vezes Hórus não é considerado seu filho) dos principais deuses do panteão egípcio. E, por último, Aquela que Carrega Milhares de Almas, pois Nut guia os mortos, bem como dá a luz todos os dias ao seu filho Ra.

   A história acerca da ressurreição para os egípcios é que, caso a pessoa tivesse seu coração pesado por Maat, e fosse merecedora de voltar à vida, ela seria enviada para Nut e ela a guiaria em seu corpo até a hora de renascer. Assim, essa pessoa seria uma estrela brilhando na deusa. Caso a pessoa não fosse digna, ela seria aprisionada por Geb, o deus da terra - e isto é uma alusão ao fato de sermos enterrados, e de nosso corpo se degradar na terra.

Hécate

   Hécate (também grafado como Hekate) é uma das deusas mais cultuadas do panteão grego. É conhecida como deusa do submundo, da magia, da bruxaria em si, da encruzilhada, da noite e do fogo. Ela reina sobre a terra, o céu e os mares, e também é identificada como alma do mundo cósmico.
   É uma deusa trina, que geralmente é representada segurando tochas, uma chave, e com seus animais-símbolos, a serpente e o cão. Apesar disso, todos os animais são consagrados à Hécate, e ela pode ser retratada como uma deusa com faces de animais. Estes animais podem ser o cavalo, a vaca, o porco, além do cão e da serpente.
   Algumas vezes, pode ser considerada uma trindade com Perséfone, na face donzela, e com Deméter na face mãe - sendo Hécate a face anciã, que costuma ser mais relatada entre a antiguidade. Pode ser associada à deusa Trivia, que é cultuada em Roma. Também é associada à Diana, mãe da Stregheria (Bruxaria Hereditária Italiana). Hécate é muito cultuada como uma deusa protetora da casa, que traz prosperidade e harmonia para a família.

   É uma deusa ctônica, relacionada ao submundo, e por isto tem sua face Anciã mais aflorada. Ela guia as almas após a partida, é a guardiã dos portais e da barreira entre a vida e a morte. Hécate usa uma tiara de estrelas que guia e ilumina as noites de escuridão, bem como nos auxilia no reconhecimento de nosso inconsciente pessoal.
   Haviam rituais e festivais feitos à ela, pelos gregos, na noite de Lua Negra (ou Lua Nova), quando não se pode observar sua presença no céu noturno. Esse esbath era celebrado para que Hécate apaziguasse as almas que procuravam por vingança, para purificar as casas, e também para desculpar-se caso alguém a houvesse ofendido. O esbath da Lua Negra, então, pode ser celebrado para ela; é chamado Deipnon.

   Apesar de ser relacionada fortemente à morte e ao submundo, Hécate também é guardiã da passagem das almas para que renasçam, sendo, assim, uma deusa invocada para proteção e segurança nos partos, para que cuide e dê longa vida às crianças. Sua foice ilumina os caminhos, sua chave abre as portas e os mistérios, a corda que utiliza em sua cintura conduz as almas e representa o cordão umbilical, e sua foice corta ilusões e medos.
   O contato com Hécate deve ser cuidadoso, pois como uma face da Deusa Negra, Hécate lida com seus medos e temores conscientes e inconscientes; ela é uma deusa que nos auxilia em nosso auto-conhecimento, mas pode lhe apresentar desafios que você talvez não esteja pronto para preparar. Então, esteja pronto caso realmente queira pedir a ela que o ajude a enfrentar seus medos. Ela é poderosa de maneiras inimagináveis, e lhe conhece profundamente, de formas que talvez nem você saiba. Mas, quando você compreender seus limites, desejos e capacidades, terá todas as bênçãos de Hécate para a magia pura.

Pequeno Ritual para Bastet

   Este é apenas um pequeno ritual que pode ser feito antes ou depois de meditação, caso você deseje aprofundar seu contato com a deusa, precisa de cura para algum animal ou familiar enfermo, ou deseja ajuda vinda dela. Esse ritual pode ser feito fora de seu altar.

O Ritual:


   Faça um círculo ao redor de si com flores brancas e/ou camomila. Encha uma tigela com leite, e coloque-a na frente de alguma representação da deusa. Pode ser um desenho, uma estátua, ou qualquer coisa do tipo. Acenda um incenso de verbena, ou de alguma erva ligada à magia. Pode queimar um bocado de erva-gato também, caso você tenha. Acenda uma vela branca, dourada, ou prateada (variações de cinza ou amarelo também servem), e chame-a para seu círculo mágico.
 
   Convide-a com amor - pois ela é uma deusa ligada ao amor em todas as suas formas - e diga-a o motivo pelo qual está ali, seja ele apenas conhecê-la, curar um animal, pedir por amor ou prazeres em sua vida, enfim. Converse com ela, sinta sua energia ao seu redor, se deixe tocar pelo carinho da deusa. Ela é uma deusa muito relacionada à família também, então, abra seu coração e peça o que deseja com gentileza.
   Caso não tenha pedidos, apenas explique-a os motivos de querer aproximar-se dela. Peça-a para que lhe guie nos caminhos do amor, da felicidade e dos prazeres, invoque sua proteção maternal, e quando sentir que deve, despeça-se dela, agradeça sua presença e sua proteção, apague a vela e o incenso. Desfaça o círculo no sentido contrário que traçou, e queime as flores/ervas que utilizou. Ao queimar, visualize o amor e a felicidade entrando em sua vida, sinta o olhar protetor de Bast lhe cuidando.
   Deixe a tigela com leite por um dia e uma noite em seu altar, ou em algum outro local de sua preferência - caso algum gato ou outro animal possa beber esse leite, sinta-se honrado e não o afaste - e depois retorne o leite para a natureza de alguma forma; jogue-o em um gramado ou regue alguma planta com ele.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Ritual Xamânico para Animal Totem

   Esta é uma forma de meditação e de visão relacionada ao xamanismo. Se você não souber o que é um animal totem, aqui há um link para lhe ajudar; e se você não conhece muito sobre xamanismo, este aqui pode lhe ajudar também.
 
   Você pode utilizar esse ritual tanto para descobrir seu animal de poder quanto seu animal guardião. Ou, ainda, para tentar saber se há algum outro que esteja ligado a si, caso você tenha sonhos recorrentes com um animal, é possível que ele seja seu animal de poder, e esta meditação pode lhe ajudar nisso.
   Mas tenha disciplina e calma, pois você pode não descobrir diretamente na primeira tentativa. Além disso, caso você se distraia, terá que recomeçar; então tente deixar todos os problemas de lado, bem como evitar distrair-se com quaisquer pensamentos.
   Deixe sua mente livre para interpretar os sinais que lhe serão dados, simplesmente permita que sua mente viaje e entregue-se somente àquele momento que você estará presenciando.

   Existem duas variações deste ritual; um deles utiliza um espelho (que deve ser pelo menos purificado e consagrado antes de utilizar), ou seu caldeirão cheio de água, como uma técnica de scrying (uma forma de oráculo através de visões em espelhos e em reflexos na água).
   Caso você não consiga ou não tenha muita afinidade com essa forma de oráculo, então pode utilizar uma vela. E ainda, se você acha que medita melhor sem nada disso, funciona da mesma maneira. Um incenso relacionado à percepção e à clarividência é perfeito para a preparação para essa meditação. Veremos, então separadamente as técnicas.
   Dica: noites de Lua Cheia são boas para esse tipo de meditação!

Meditação com visualização:


   Disponha o espelho em sua frente, ou o caldeirão. Caso você tenha um altar, então deixe-o bem ao centro, e fique confortável neste local. Coloque a vela entre você e o espelho/caldeirão. Apague as luzes, ou tente manter o escuro, sendo iluminado apenas pela luz da vela.
   Segure-a - preferencialmente com um castiçal ou pires, para que você não se queime - e então aproxime-a de seu rosto, para entre seus olhos, mas não desvie o olhar do reflexo da água ou do espelho.
   Circule-a na frente de seu rosto, e deixe sua mente viajar, deixe-se identificar naquele reflexo. Se você passar a ver um animal, ou características de algum em seu reflexo, tente entender de qual animal se trata, e prossiga até quando desejar.
   Assim que você conseguir identificar qual animal você viu em si, medite (a próxima técnica que falarei pode servir para este propósito) e chame este espírito ancestral para saber se ele é seu animal de poder.
   Caso você não consiga meditar, ou ele esteja arisco e demonstre hostilidade, então talvez não seja este animal ainda.

Meditação da floresta


   Acenda uma vela, e um incenso, e deixe-os queimando na sua frente. Se puder, vá a um local calmo e que haja natureza. Se não, e caso isso não lhe atrapalhe, coloque uma música ambiente com sons naturais, que lhe remetam à uma floresta. Então feche os olhos e se deixe levar para uma floresta, uma clareira, um bosque, algum lugar natural, onde você encontraria com animais. 
   Visualize cada detalhe, e adentre cada vez mais por entre as árvores, até que você esteja em uma mata completamente fechada, com poucos raios do sol atravessando-a, mas que a iluminam bem. Sinta a terra por entre seus pés, e ouça os sons dos animais aproximando-se.
   Caminhe lentamente, como se estivesse desbravando a si mesmo - pois é o que você estará fazendo neste momento. Sinta sua respiração leve e compreenda que isto é você mesmo. Não tenha medo dos animais que se aproximarem com curiosidade, pois eles nada lhe farão. 
   Você, em algum momento, chegará a uma clareira, ou uma cabana, ou em algum local ao ar livre. Não posso lhe dizer com certeza porque creio que cada qual terá sua própria experiência. Então, não sinta medo em momento algum, e sempre seja sincero consigo mesmo.
   Caso você note que está influenciando nos fatos, pare, e recomece em outro momento. Como disse no início, é uma meditação que necessita calma e paciência. Desprenda-se de todos os pensamentos e não tenha medo ou receio caso você não consiga continuar na primeira vez. Tente novamente em outro momento, ou em outro dia.
   Ao chegar nesse local, você provavelmente encontrará mais de um animal. Talvez sejam todos os seus animais de poder - afinal, você pode ter inúmeros animais de poder -, mas talvez não sejam. Observe-os, respeite-os, e ouça-os. Eles lhe conhecem e compreendem suas atitudes mais do que você mesmo. Apenas aproveite esse momento, e entenda o que eles lhe disserem, ou o que eles tentarem lhe mostrar.
   Quando você estiver pronto para isso, um deles lhe levará a outro local. Isso pode demorar, e você pode passar bastante tempo com eles na clareira, ou no local que seja. Compreenda o que lhe levou até ali, o que você quer realmente saber, aceite-se sem mentiras ou enganações consigo mesmo. Seja sincero.
   Seus animais de poder lhe conhecem, pois eles são seus mais profundos mestres, e mentir para si mesmo é tentar enganá-los. Demonstre que você deseja conhecer seu animal de poder, ou seu animal guardião, e não tenha medo de possíveis conselhos ou represálias.
   Eles são uma parte de você, e, como mestres, lhe guiarão e dirão o que for preciso. Quando algum deles levá-lo para uma caminhada, talvez ele seja silencioso, ou talvez converse sobre diversos assuntos. Cada animal tem sua personalidade e suas preferências. Compreenda suas atitudes e seus silêncios, pois isso é conhecer a si mesmo.

O Xamanismo

   O Xamanismo (ou Shamanismo) é uma das religiões mais antigas que temos conhecimento. Em diversos povos, como os indígenas brasileiros, ou os celtas, no norte da Ásia e também entre os nativos do norte da América, há relatos de tradições xamânicas.
   Também são chamados pajés, curandeiros, ou médicos e feiticeiro. Da mesma maneira que os druidas, os xamãs agiam como líderes, conselheiros e como médicos de suas tribos; tem uma profunda ligação com os espíritos animais e com os ancestrais, tendo a natureza como intermédio e como meio.
   É um culto animista, que vê nos animais a manifestação de guardiões e de ancestrais; eles influenciam em nossas atitudes, como é o caso do Animal de Poder. É uma forma de tradição muito ampla, e que pode ser adaptada a qualquer tipo de crença, pois têm como base apenas a canalização da sabedoria da terra e dos ancestrais.

   É uma forma pura de paganismo e de amor à natureza. Não há xamã se não houver a natureza fluindo por seu corpo, assim como não há um pagão da mesma maneira.
   O xamanismo se baseia no equilíbrio entre o auto-conhecimento, no poder de comunicar-se com os espíritos animais e ancestrais, e na relação do homem com o planeta, servindo de instrumento de cura, de guia espiritual e também material.

  Em seus rituais, os xamãs não apenas usam as danças ou tambores; utilizam também ervas para clarear e abrir as percepções - da mesma maneira que fazemos ao acender um incenso, ou ao beber um chá para a clarividência.
   Assim, ele tem conhecimento de seus limites, e pelas visões que recebe, têm uma orientação a respeito da realidade. É uma tradição de muita dedicação, pois exige amplos conhecimentos a respeito de plantas, bem como de formas para atingir seu nível próprio de clareza. O pajé é caracterizado por ser um profundo conhecedor da natureza, e compreende os aspectos da parte física e mental de um ser humano.

Como incorporar o xamanismo em meu culto bruxo/pagão?


   Assim como na bruxaria, você não precisa ser propriamente iniciado para praticar. Então, por que não começar com a visualização e identificação de seu Animal Totem? É uma forma de auto-conhecimento que não só lhe ajudará com qualquer forma de magia que você pratica, mas que principalmente lhe conecta com os ancestrais, e seu animal de poder lhe guiará em possíveis experiências futuras ao praticar o xamanismo.
    Você pode incorporar tambores e danças aos seus rituais; celebrar deuses telúricos, como Gaia, que tem uma ligação direta com a natureza. Estude mais sobre as plantas e tente meditar para conversar com os ancestrais; compreenda o que pode lhe ajudar em suas visões e aumente sua percepção para com a natureza.
   Perceba os elementos ao seu redor, e utilize-os em seus rituais, compreendendo sua importância e o que cada um deles significa. Os elementos também são parte do domínio de xamãs, pois são manifestações da Terra. Combine isso com seu culto, e com seu cotidiano, e você se aprofundará cada vez mais nessa arte ancestral.