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quinta-feira, 17 de março de 2016

Vegvisír

   O Vegvisír é um símbolo islandês utilizado para trazer boa sorte em viagens. Seu nome, em tradução livre, significa "sinal guia". Por vezes é conhecido como "bússola viking" ou "bússola rúnica".
   Essa runa traz a boa ventura em viagens, afasta tempestades e mau tempo, e também evita que a pessoa que a utiliza se perca. Originalmente, o Vegvisír era empregado para viagens marítmas, porém seu propósito pode ser adaptado para práticas mágicas atuais.
   A utilização do Vegvisír, tanto na antiguidade quanto nos dias presentes, pode ser feita através de amuletos ou talismãs, ou desenhado no corpo. Os povos islândicos entalhavam em seus navios para que sempre encontrassem seu caminho, e desenhavam com sangue na testa dos viajantes que partiam em longas viagens.
   Esse símbolo aparece, no Manuscrito Huld (1860 d.C), um livro de sigilos, encantamentos e selos islândicos, juntamente com vários outros símbolos similares. Também é visto em outros dois outros manuscritos: Galdraskræður (1940 d.C) e Galdrakver (Séc. XIX). Porém, o Vegvisír também é citado em inúmeros grimórios datando do século XVII, tendo possivelmente influência antiga germânica.

Imagens do Vegvisír em manuscritos. São eles, respectivamente: Manuscrito Huld, Galdraskræða e Galdrakver.

   No Manuscrito Huld, a seguinte frase acompanha o desenho rúnico: "Quando esse símbolo é carregado, a pessoa nunca perderá seu caminho em tempestades ou em tempo ruim, mesmo que o caminho não seja conhecido".
   É visto como um quadrado no Manuscrito Huld, porém também é desenhado em formato circular. Porém, não deve ser simplificado, e todas as linhas devem ser desenhadas ao ser utilizado em magia rúnica. O motivo para evitar as versões mais simplificadas é o fato de que, como é um símbolo rúnico, todos os traços e runas tem sua importância. Assim, empregar magicamente um Vegvisír sem todos os seus detalhes pode surtir pouco ou nenhum efeito.

Na imagem acima, dois Vegvisír encontrados na internet.

   Pode-se observar nas imagens acima dois Vegvisír. O símbolo da esquerda é o simplificado, que deve ser evitado em usos mágicas. Circulei em vermelho os locais aonde faltam detalhes.
   Na direita, um Vegvisír fiel ao descrito no Manuscrito Huld. Circulei em azul o detalhe opcional, que nem sempre é visto em todos os símbolos.
Fontes: Galdrastafir
A viajar tranquilamente,
   Alannyë Daeris Aiodunn.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

As Nove Virtudes Nórdicas


   O paganismo nórdico, conhecido como Ásatrú Vanatrú, é uma religião reconstrucionista que busca a conexão com o culto aos Deuses nórdicos antes da intervenção cristã. Esse culto constrói-se sobre um conjunto de nove virtudes, as quais devem ser observadas, seguidas e vividas no cotidiano dos pagãos que queiram honrar com suas atitudes os Deuses.
   Não é necessário ser um Asatruar para compreender e seguir essas nove virtudes, pois elas contemplam a todos os pagãos que desejam ter sua vida dedicada a cultuar e honrar os Deuses verdadeiramente.

☽❍☾

   ☾ Coragem.
   A coragem não refere-se somente às situações de batalha ou luta. É toda a ousadia de viver, de tomar a iniciativa, de fazer o que é certo, de não se curvar ou se submeter. Ter coragem é ter bravura de realizar o que é certo. 
   É preciso coragem para que todas as outras virtudes sejam realizadas, ou seja, a coragem é essencial para qualquer Asatruar. Com a coragem, há o conhecimento sobre os limites, medos, defeitos e qualidades; e assim, através desse conhecimento, pode-se ir mais longe e melhorar em todos os aspectos.

   ☾ Verdade.
   É a virtude de ser sincero, e honesto mesmo nos momentos mais difíceis ou complicados. Ser justo também encaixa-se nessa virtude, pois justiça é agir com verdade e com clareza. Ter uma palavra cujo valor seja reconhecido entre as pessoas e os Deuses é essencial; se você não é alguém honesto, quem poderá confiar em você? 

   ☾ Honra.
   Ser honrado é ter coragem de manter sua palavra, de conhecer a si mesmo e compreender seus defeitos e qualidades. Também está relacionado com ter a capacidade de respeitar o próximo, assim como respeita-se a si mesmo. É ser sincero, ter nobreza de caráter, agir com verdade e coragem - não mentir, e ter força para enfrentar as consequências.
  
   ☾ Lealdade.
   A principal força de um Asatruar é sua família, seu clã - que não necessariamente está diretamente ligado aos laços sanguíneos -, assim como os Deuses. Um pagão honrado presta sua lealdade aos Deuses, ao seu clã, suas crenças, suas tradições, bem como à si mesmo e à sua própria palavra. Sem lealdade, não existe honra, e vice-versa. Também está relacionada a não negligenciar as responsabilidades ou quebrar tratos e promessas.

   ☾ Disciplina.
   É o esforço necessário para atingir quaisquer que sejam seus objetivos. Sem disciplina, não pode haver qualquer outra virtude. Com ela, se tem foco, e pode-se obter os benefícios a longo prazo através do esforço e do sacrifício no momento atual.
   Essa virtude não aplica-se somente ao próprio Asatruar, mas também deve ser cobrada daqueles com os quais ele convive, para que todos possam ter os melhores resultados possíveis em tudo o que estiverem envolvidos.

   ☾ Hospitalidade.
   A hospitalidade tem consigo a verdade e a honra como base. É a capacidade de ajudar, de ser gentil e de compartilhar de boa vontade o que é seu para aqueles que tenham necessidade. Inclui ser um bom anfitrião, ajudar aqueles que precisam, ter atitudes sinceramente humildes e amigáveis para com os outros.
 
   ☾ Laboriosidade.
   Determinação, esforço para realizar o que é desejado. A laboriosidade depende da disciplina, bem como da coragem para que se faça o que for preciso em busca de obter o que se quer, seja algo material ou não. Trata de trabalho, empenho, e do orgulho pelo que se faz quando existe a dedicação.

   ☾ Independência/Autossuficiência.
   Inclui o auto-conhecimento necessário para que se tenha liberdade, para que se tome as rédeas da própria vida. É a não-dependência de ninguém, mesmo do próprio clã ou família, em nenhum sentido. 
   A autossuficiência também requer a capacidade de lidar com as consequências de suas atitudes, de haver disciplina, honra, laboriosidade, verdade e coragem para viver. Um Asatruar não culpa ninguém pelo que ocorre em sua vida, pois sabe que tudo são consequências ou acasos; portanto, a independência ajuda a lidar com os retornos que provém da liberdade.

   ☾ Perseverança.
   A coragem para persistir lutando pelo que se almeja. Força, coragem, foco nos objetivos, superação de limites e de restrições. Sem persistência, nada pode ser alcançado ou realizado; desistir não é uma opção enquanto exista a possibilidade de lutar.

A vivenciar a sabedoria dos Deuses,
   Alannyë Daeris Aiodunn.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Hino de Odin

Eu sou o ímpeto da guerra, o acender e a fagulha.
Sou os ânimos que se exaltam e se espalham em um campo de batalha.
O ribombar dos tambores, o bater dos machados nos escudos,
Sou o crocitar dos corvos, o olhar de Hugin e Munin através dos nove mundos.
Estou além da memória e do pensamento, pois trago a vitória ao sedento.
O sacrifício que emprego me atinge como os mais fortes ventos,
E cada gota do meu sangue é uma dádiva aos que testemunham.
O silêncio da Yggdrasil faz ecoar meu sofrimento,
Mas a sabedoria é válida sobre qualquer lamento.
Assim, uma vez mais eu perco uma parte de mim,
E meus olhares, embora limitados, têm o alcance dos corvos que me acompanham.
Eu sou o sangue que flui em seus desejos,
Sou a sabedoria que procuras através de ensejos.
Viva sob os nove virtudes, tenhas a nobreza em seu ser,
A coragem para que conheça a verdade;
Que, sobretudo, lhe norteiem a honra e a fidelidade
De manter sua palavra e os juramentos perante mim.
Seja a disciplina seu elemento de ordem,
A hospitalidade mantida para com os seus,
E a independência para com você mesmo.
Tenha a laboriosidade e a perseverança como guias,
E eu estarei ao seu lado até os últimos dias.
Lutaremos juntos, e nosso suor se misturará pelo abismo.
O medo deve ser domado, e o ódio, libertado.
Ouça minhas palavras, guerreiro, e saiba que não te abandono
Enquanto a Valknut, com orgulho, tu carregares contigo
Terei teu futuro no Valhalla para que festejes comigo.
Não temas o que não conheces; luta, e sacrifica-te, para que, tão logo, disso não esqueças:
Tudo o que puderes, domines, conquistes, e saibas. Conheças!
Como eu, por nove noites na Yggdrasil, estive sozinho
Em minha busca de sabedoria e de conhecimento, em nada permiti empecilhos.
E hoje desfruto do florescer de todo o meu empenho.
Faça-me de exemplo, e busque seu caminho
Pois, ao decorrer do mesmo, eu estarei contigo.
Sou Odin. Sou o ar pesado do conflito, e o silêncio agradável do estudo.
Sou a magia das runas, sou o conhecimento adquirido.
Sou quem lhe acompanhará em cada batalha,
E quem lhe apoiará ao quebrar todas as muralhas.
Estou contigo desde sua primeira luta até o último suspiro do Ragnarök.
Os bravos e corajosos viverão para sempre.

A lutar com honra em nome de Odin,
   Alannyë Daeris Aiodunn.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Hino de Freyja

Eu sou a Senhora do Ouro, pois sou Mardoll.
Sou a ganância que não se cala, mas que não se corrompe
Sou o brilho do ouro reluzindo no fundo do olhar,
E todo aquele que deseja, que sente o querer, tem uma prova do que sou.
Porque sou muito mais do que apenas o amor,
Ou do que somente os conflitos que se enfrenta pelos caminhos da vida.
Sou bem mais do que o ardor da paixão, ou o calor do desejo,
E também não existo somente na fúria da guerra, dos campos de batalha.
Eu sou o orvalho da manhã, que derrete com o brilho dourado do sol.
Sou o filhote que irrompe do útero da mãe, ávido por viver.
Minhas lágrimas trazem consigo o mais puro ouro,
Pois nelas tudo o que há é sentimento, um amor transbordando imaculado em sua pureza.
Eu sou a saudade do amante, sou a busca incessante que continua através dos séculos.
E, sobretudo, sou a Senhora da Magia, Aquela que manipula os tecidos do tempo,
Aquela que traz consigo as maldições e as bênçãos,
Que conhece o poder imanente de um beijo, bem como em sussurros ao vento.
Eu sou Freyja. Conheça-me e sinta-me com todo o amor que há em você,
Pois tudo o que é feito de amor, tem minha essência, tem minha imanência.
Conheça-me com seu desejo, não cale seus instintos, sinta o prazer até o último suspiro,
E assim compreenderá os segredos que não são ditos, aqueles que não posso lhe mostrar sem que você vivencie com todo seu êxtase.
Permita-se sentir o prazer na vida, e eu presenciarei cada momento de sua felicidade.

A amar plenamente na presença de Mardoll,
Alannyë Daeris Aiodunn.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Cozinha da Bruxa: Hidromel Caseiro (sem álcool!)

   Inaugurando uma nova série de posts, trago-lhes uma receita bem simples para uma bebida muito apreciada, especialmente entre o panteão nórdico! É o hidromel - mas aqui, sem álcool!
   O hidromel, entre os nórdicos, é considerado a bebida sagrada, a qual os Deuses em Asgard e Folkvangr se alimentam. Também é a única coisa que Odin, o líder de Asgard, ingere como alimento.
   Sem mais enrolação, vamos aprender a fazer esta bebida tão deliciosa de uma forma bem simples e rápida?

Ingredientes:


☽❍☾ 2 litros de água mineral, ou que não contenha muita química, ou excesso de cloro;
☽❍☾ 2 limões fatiados;
☽❍☾ 1 colher de chá de noz moscada moída bem fininha;
☽❍☾ 2 xícaras de mel
☽❍☾ 2 pitadas de sal, o equivalente a meia colher de sopa
☽❍☾ 1 limão em suco.

Como preparar:


   Junte a água, os limões em fatias, a noz moscada e o mel em um recipiente de barro. Se não tiver de barro, use uma panela de ferro, mas aquelas anti-aderentes ou inox não servem! Dê preferência à panela de barro; se não possuir uma muito grande, diminua os ingredientes e faça o hidromel aos poucos. O gosto muda bastante dependendo da panela, por isto é melhor não arriscar.
   Deixe tudo ferver, e vá retirando a nata que irá se criando com uma colher de pau. Sim, a panela de barro e a colher de pau são os segredinhos especiais para manter o gosto especial do hidromel! Chegará um momento que não haverá mais nata, e neste momento você adiciona o sal e o suco do limão.
   Mexa bem e desligue o fogo, deixe esfriar e guarde-o em temperatura ambiente. Está pronto o hidromel!

   Nota: Sim, existem receitas originais que levam álcool - pois assim é o hidromel tradicionalmente. No entanto, nem todos podem ingerir álcool, e a fermentação é um processo que demora muito tempo, é bastante trabalhoso, e nem todos podem reproduzi-la em casa.
   Ou seja, caso você não possa comprar, ou não possa beber nada alcoólico, o hidromel caseiro sem álcool é uma ótima solução! Também é ótimo para rituais e Sabbaths com Deuses nórdicos, para libações e oferendas.

A beber com os Deuses,
   Alannyë Daeris.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Freyja e seus encantos...

Dourado em teus olhos 
A beleza do ouro de tua posse,
A enfeitar teu seio, ou ainda tuas ancas
Com o Brisingamen a brilhar.

Longos e radiantes, em ondas como o mar
São teus cabelos a esvoaçar
Espalhando teu icônico perfume
de rosas vermelhas pelo ar.

Tua voz é como música
De forma doce a soar...
Que encanta até os mais longínquos cantos
De todo os universos que teus gatos possam alcançar.

Eu, solenemente agradeço
Por toda tua existência em minha vida
Que eu possa sempre ter tua sabedoria
Tuas runas, tua graciosidade, tua magia
O toque das tuas mãos 
A mudar os rumos dos acasos
Que andam a me afortunar.

A me encantar pelos mistérios de Freyja,
Alannyë Daeris.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

As Eddas: para salvar e estudar!

Yggdrasil, a Árvore que sustenta os nove mundos.
   As Eddas são o conjunto de escritas dos mitos nórdicos, que relatam os principais acontecimentos envolvendo os Deuses e heróis da mitologia nórdica. São divididas em dois principais conjuntos de textos: a Edda em Prosa, e a Edda Poética.
   Ambas foram escritas em meados do século 13, embora tratem de histórias que remontam à época viking. A Edda Poética é uma das principais fontes para estudos e leitura a respeito da mitologia nórdica, citando, entre tantos outros mitos, a narração da criação do universo de acordo com os povos do norte da Europa. Além da criação, também trata de acontecimentos como o Ragnarök, o crepúsculo dos Deuses, assim como diversos contos sobre importantes deidades do panteão.
   A Edda em Prosa é um conjunto de textos tratando-se principalmente de mitos e histórias sobre o folclore islândico e nórdico em geral.

   Embora possuam termos e palavras de difícil compreensão sem um estudo mais detalhado, as Eddas são uma ótima fonte para compreensão do panteão nórdico, da cosmologia e a compreensão destes povos a respeito dos Deuses e do que os cerca. Recomendo a todos os amantes de mitologia, especialmente os que se interessem por esta cultura tão rica e detalhada, que dediquem-se a estudar e compreender os mitos.
   Você pode encontrar alguns textos das Eddas traduzidos, com bastante explicações nos rodapés em meu perfil no Google Drive: clique aqui para ser redirecionado ao meu perfil. Além das Eddas, esta pasta possui muitos outros textos e livros que você pode fazer download a respeito de mitologias e também sobre paganismo, bruxaria e afins.
   Clique aqui para ser enviado diretamente para a pasta das Eddas, onde encontrará muitos textos pertencentes à mitologia nórdica. Estão traduzidos e com notas de rodapé para explicar melhor alguns termos.

A estudar,
   Alannyë.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Uma visão pagã da morte.

Na Wicca e em muitas vertentes do paganismo,
o inverno e a neve são os maiores símbolos
da morte.
   Em muitas civilizações, incluindo a atual em que vivemos, a morte é vista como algo ruim, de mau agouro, que nos traz uma ideia muito forte de dor, tristezas e perda. A egrégora da morte, em um sentido geral, é sentida assim: interrupções, injustiça, lamentações. Entretanto, não são todas as pessoas nem crenças que veem a morte desta maneira.
   O paganismo, em um sentido mais amplo, vê a morte como uma passagem, um portal para a continuação da nossa jornada. Claro que existem exceções, e nem todos os pagãos possuem esta visão sobre a morte. No entanto, como pode-se visualizar em conceitos como o renascimento, é esta a ideia que impera entre os que creem em Deuses antigos e trazem suas características para a vida cotidiana.
   Muitas das culturas pagãs possuem visões de renascimento, o que é resgatado por religiões neopagãs como a Wicca, ou reconstrucionistas como o Kemetismo. Todas estas religiões baseadas em povos antigos possuem submundos, que não são locais de sofrimento e de torturas, mas sim de aprendizado e preparação para retornar à vida. Em alguns casos, durante a passagem pelo submundo, há uma aprendizagem através das consequências do que se fez em vida, uma forma de pagar pelos erros, mas não é uma visão compartilhada por muitas crenças pagãs. Esta é uma ideia mais cristã, de inferno e de sofrimento, que muitos aos deixarem para trás esta religião, também deixam suas doutrinas bem distantes de si.
   A morte faz parte da natureza, faz parte do ciclo da vida. Ao estudar e conhecer o paganismo, as diferentes vertentes e visões pagãs, este é um conhecimento que sempre será dividido e compartilhado, talvez com diferentes atribuições e algumas idiossincrasias, mas nunca há uma aversão! A vida necessita da morte, e vice-versa. Nós conhecemos a morte e a difícil transição quando passamos por invernos rigorosos, quando a natureza perece em sua grande maioria, os alimentos ficam escassos, os animais hibernam ou perecem. Da mesma maneira, sabemos que após cada inverno, as sementes brotam mais fortes, a natureza renasce com todo o seu poder e esplendor.
   Desta forma, não deve haver temor, medo ou tristeza em relação à morte. Deve-se compreender que é necessária para a perpetuação da vida, e que não haverá lugar para sentimentos ruins além da vida, apenas o aprendizado para que retornemos e aprendamos cada vez mais. Muitos Deuses da morte e do submundo são bastante temidos - como Hécate, Hades e Perséfone -, embora não haja o que ser temido, apenas respeitado e honrando como os poderosos Deuses que são.
   Enquanto algumas pessoas temem e rejeitam a ideia de morte, de abandonar seu corpo e realizarem a transição, outras culturas - especialmente pagãs - realizam o oposto. Entre os nórdicos, e não apenas estes povos, havia muitas celebrações quando alguém falecia. Isto ocorria porque, para esta cultura, morrer significa ir de encontro aos Deuses, especialmente quando se morre de forma honrosa. Os astecas, que realizavam sacrifícios humanos aos Deuses, se sentiam honrados e especiais ao se ofertarem para partir em busca do encontro com os Deuses. Assim, há esta visão entre uma grande quantidade de pagãos, que acreditam que esta transição que ocorre além da vida será alegre e deve ser comemorada, não um motivo de tristeza e luto.
   Muitos Wiccanos acreditam no conceito de Summerland, que seria um submundo, um reino para o qual todos os Wiccanos que desejassem partiriam após a morte. No mito da Roda do Ano, o Deus parte para Summerland, onde morre e renasce do útero da Deusa. Assim, no Summerland, o Deus está em sua face Senhor das Sombras, que guarda os portões que transitaremos após nossa morte, e é quem nos acolhe, juntamente com a Deusa.
   Há muitas discrepâncias sobre Summerland, pois alguns sacerdotes acreditam que lá permaneceremos com o Deus e com a Deusa até sempre, tornando-nos parte das energias primordiais, enquanto outros acreditam que é um local de transição para que retornemos à vida. De qualquer maneira, é geralmente descrito como um local onde a natureza está em seu auge, bela e intocada, com verões agradáveis e aromas a deliciar a quem lá está.
   Como o paganismo no geral pode acabar sendo uma junção de diversas visões e crenças, é bastante aceito que o que ocorrerá conosco após a morte - renascimento, permanecimento em algum submundo específico, ida temporária para Summerland ou apenas passagem por outro submundo - será de escolha pessoal. Seja por culto específico de determinadas deidades - por exemplo, um pagão que participe de uma religião reconstrucionista provavelmente terá uma transição como as da sua cultura -, por maior afinidade com algum submundo específico, por concordar com as visões de um povo, ou por simplesmente expressar seu desejo ao panteão que cultua.
   Particularmente, acredito que cada pagão crê e escolhe no submundo, ou na ideia de morte e renascimento que melhor acredita ser para si. Minha visão para submundo será a de que partirei ao Folkvangr, unindo-me à Freyja e aos escolhidos para irem a este salão, e optarei por renascer se assim o quiser. Conheço visões de pessoas que simplesmente acreditam que retornarão ao útero da Deusa para renascerem, como também conheço ideias que diferem disto. Logo, a crença em relação à morte varia de acordo com a pessoa, sendo bastante pessoal.

A celebrar o ciclo da vida,
   Alannyë.

sábado, 15 de novembro de 2014

Mito da Criação: Mitologia Nórdica

   No início de tudo, havia o nada. Este nada era conhecido como Ginungagap. Além do grande vazio, haviam dois mundos: Niflheim, o mundo das névoas, e Musphelheim, o mundo do fogo. No Ginungagap, o nada, o fogo e a névoa, depois de muitas e muitas eras, passaram a se encontrar lentamente e acabaram criando um bloco de gelo de proporções colossais.
   Como o fogo era mais mais forte e eterno, este bloco de gelo acabou por se derreter. Ao derreter, o gelo revelou então um dos gigantes primordiais, conhecido como Ymir. Ymir dormiu por inúmeras eras, e o calor que subia de Musphelheim o fazia suar.
   O suor debaixo de seus braços criou o primeiro casal de gigantes, e o suor entre suas pernas criou o terceiro da mesma espécie, chamados Thrudgelmir, os três primeiros gigantes. O gelo também deu origem a uma vaca, Audumbla, e seu leite alimentava Ymir através de quatro grandes rios. A vaca se alimentava lambendo o gelo, e isto libertou o primeiro deus, Buro, pai de Borr.

  Ymir, um ser totalmente instintivo, travava batalhas com seus filhos, demonstrando ódio de todos. Assim, Borr casou-se com uma giganta de nome Bestla, que deu a luz a Odin, Vili e Ve. Liderando seus irmãos, Odin disse-lhes para que derrotassem o gigante Ymir. E assim foi feito, com ajuda de Borr.
   A maior parte dos gigantes que existiam acabaram morrendo afogados no sangue do gigante primordial, restando apenas dois, Bergelmir e sua consorte, que fugiram em um barco em direção a Jotunheim. Jotunheim, então, foi povoada por gigantes, tornando-se sua terra natal, marcando assim o ódio mútuo entre gigantes e deuses.
   Odin e seus irmãos utilizaram, então, os restos mortais do gigante Ymir para criar Midgard. A terra foi feita da carne de Ymir; os ossos e dentes do gigante criaram as pedras e as montanhas que prevalecem na Terra Média. O sangue que restara do gigante deu origem ao grande rio que cerca o universo.
   Mantiveram a caveira de Ymir no céu, dividindo-a em pequenos pedaços, de onde surgiu o Sol, a Lua e todas as estrelas e planetas do universo. O cérebro de Ymir deu origem às nuvens que permeiam o firmamento de Midgard.

   Ao caminharem pela terra recém criada e que ainda descansava, Odin e seus irmãos perceberam que havia um ninho de vermes formado ali. Sentiram pena das pequenas criaturas, chamadas de anões, e realocaram então estes anões para Svartalfheim, nos locais mais submundos de Yggdrasil. Outras criaturas mais nobres, chamadas de elfos, foram colocadas no mundo conhecido como Alfheim, onde havia luz.
   Durante uma de suas caminhadas por Midgard, Odin, ao observar dois troncos que se encontravam com o oceano, teve a ideia de criar uma raça para povoar a Terra Média. O homem foi chamado de Freixo, e a mulher, de Olmo.
   Odin lhes deu vida e proteção, Vili lhes deu inteligência e emoções, e Ve lhes deu a audição, visão, tato e olfato. Estes humanos povoaram Midgard, e os deuses então perceberam que também precisavam de uma morada para si. Assim, decidiram que criariam Asgard, e esta seria a morada divina, liderada por Odin.
   Asgard ficava longe dos olhos humanos, e um grande rio que era infinito e não se congelava - chamado de Iffing - separava o mundo dos deuses de todos os outros. Odin, no entanto, não queria que os deuses ficassem isolados de toda a criação, e para isto, criou a ponte Bifrost, o arco-íris feito de água, fogo e mar.
   Heimdall seria o encarregado de vigiar e proteger a ponte arco-íris, para que nenhuma raça adentrasse Asgard sem prévio aviso. Com seu trompete, Heimdall avisava quando os deuses cruzavam a ponte Bifrost.
   Em Asgard, haviam vários palácios, cada qual habitado por um deus. O maior e mais importante era o de Odin, conhecido como Gladsheim, onde seu trono mágico foi posto.
   Neste trono, chamado de Hlidskialf, os deuses podiam observar tudo que ocorria em todos os nove mundos, e Odin era agraciado também pela informação de seus dois corvos, Hugin (o pensamento) e Munin (a memória), que percorriam todos os cantos de cada mundo para contar-lhe o que haviam visto durante o dia, mesmo nas profundezas mais remotas dos reinos mais longínquos.

   Abaixo de Midgard, havia Niflheim, o reino dos mortos, onde Hel - filha de Loki -, reinava sobre todos eles. O palácio de Hel em Helheim, no interior de Niflheim, chamava-se Elvinder, a mesa era feita de fome, a faca com a qual cortava os alimentos era feita de inanição, seu criado era o atraso, sua criada era a vagareza, a porta que fechava seu palácio era o precipício. Sua cama era composta de preocupação, e as paredes de seu palácio eram feitos de sofrimento.
   Entretanto, Hel possui metade de seu corpo de uma bela mulher, e a outra metade, de um corpo em decomposição - e isto demonstra que ela não é má, apenas justa, assim como a morte. Com Hel, mora uma serpente de nome Nidhogg - que alimenta-se ao roer as raízes da árvore Yggdrasil -, a qual vive em batalha de injúrias com uma águia que sobrevoa os pontos mais altos da árvore que interliga todos os mundos, a Yggdrasil. Um pequeno esquilo, de nome Ratatosk, corre desde a copa até as raízes da Yggdrasil, levando os insultos de águia para a serpente, que vivem infinitamente em sua batalha.

   Yggdrasil é a árvore da vida, que atravessa todos os mundos, ligando-os, mas também os separando, de certa forma. Na base da árvore da vida, existem as três nornes, que não são deusas, mas algo superior - e até mesmo os deuses precisam se curvar a elas. As nornes vigiam e protegem a Yggdrasil, fazendo chover hidromel sobre suas raízes para irrigá-las. As nornes são: Urd, o passado, representado por uma senhora muito velha, que vive olhando para trás; Verdandi, o presente, uma jovem que observa atentamente as situações ao seu redor; e Skuld, que vive com um capuz em sua cabeça, e possui um pergaminho em seu colo, que contém os segredos do futuro. Enquanto a Yggdrasil estiver forte e vívida, os mundos estarão também sempre firmes em si. Os ramos da Yggdrasil atravessam o universo, e a partir deles, pode-se conhecer todos os nove mundos:

Niflheim, o mundo do gelo.
Helheim, juntamente com Niflheim, o mundo dos mortos.
Musphelheim, o mundo dos gigantes de fogo.
Alfheim, o mundo dos elfos luminosos.
Svartalfheim, o mundo dos anões e elfos escuros.
Midgard, o mundo dos humanos e dos trolls.
Jotunheim, o mundo dos gigantes de gelo.
Asgard, o mundo dos deuses.
Vanaheim, o mundo dos deuses Vanir e também de alguns elfos.

Por: Alannyë Daeris.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Sacrifícios de Odin

   A primeira jornada de Odin a fim de obter sabedoria foi a perda de seu olho. Mimir, o deus da sabedoria e do conhecimento, possui uma fonte, chamada de Mímisbrunnr, da qual Mimir bebe durante todas as manhãs um pouco. Esta fonte contém em suas águas toda a inteligência, e situa-se em Jotunheim, o reino dos gigantes de gelo.
   Para que pudesse beber um gole desta água sagrada, Odin precisou sacrificar um de seus olhos, tornando-o digno de levar a água da sabedoria à boca, concedendo-o então parte do conhecimento que aquelas águas continham.

   Após sacrificar seu olho, durante nove dias e nove noites, afoito por descobrir os segredos do Seidr e das runas, Odin precisou novamente sacrificar a si mesmo a fim de descobrir os significados das runas. Dessa maneira, ele pendurou-se em um dos galhos da Yggdrasil, sendo atingido por ventos fortes que atravessavam o ar, durante os nove dias e nove noites.
   Com a carne cortada por sua própria lança, solto à própria sorte, nada teve de comer ou beber durante todo o tempo que esteve ali, sozinho, sangrando no ar.
   Após a última noite, pôde ver que o sangue que caía formou cada uma das runas, e então, caiu, gritando, e tomou-as, sendo assim digno de conhecê-las e utilizá-las para magia. Ensinou seu povo a utilizar as runas também, como escrita e oráculo, mas deve-se atentar para o detalhe que Odin não as criou, apenas pôde ter acesso ao conhecimento das runas através do sacrifício; elas já existiam, e já eram usadas pelos Vanir, sendo Freyja a senhora da magia Seidr e das runas.
   Depois desse sacrifício, Odin tornou-se também um senhor da Magia, da mesma forma que Freyja, e conhecedor de magia xamânica, de alguns mistérios da magia Seidr nórdica, e também tornou-se um deus sábio e conhecedor dos segredos das runas.

Contos escritos originalmente em poesia nas Eddas.

Valknut

   O Valknut, consistente de três triângulos entrelaçados, é um símbolo nórdico que pode ser conhecido também como Nó dos Escolhidos, ou Nó dos Caídos.
   Isto se deve pela etimologia do nome: "Valr" significa morte (da mesma maneira que Valkyr, as Valquírias, deidades que capturavam os mortos em batalha), e "Knut" significando nó.
   O Valknut pode ser representado tanto como três triângulos traçados uma única vez (como é o caso da imagem ao lado), ou três triângulos separados, o que é chamado de Anel de Borromeu.

   Este símbolo tem significados variados, e pode representar tanto a morte em batalha - que era algo muito apreciado, já que os combatentes seriam levados para Valhalla ou Folkvang, os palácios de Odin e Freyja, respectivamente -, ou também pode ser considerado um símbolo ligado ao três num sentido amplo, como o Triskele.
   Pode significar os mistérios envolvendo a morte, ou simplesmente o desconhecido, a passagem e a transição, Odin e os palácios em Asgard. Também pode ser tomado como símbolo das três faces do Deus, ou das três faces da Deusa. Como uma representação de morte, vida, renascimento, ou de todas as outras atribuições de símbolos trinos.
   Além disso, se considerarmos Yggdrasil e os nove mundos, o Valknut pode tomar uma característica de símbolo dos nove reinos, já que três multiplicado por três representaria então todos os nove mundos, unidos pela Árvore da Vida.
   O Valknut pode também ser relacionado e ter as mesmas atribuições do Aegishjálmr, capaz de inspirar medo e confusão nos inimigos, e de dar poder e coragem a quem o carrega consigo. Assim, torna-se um amuleto, um talismã a ser carregado sempre junto.
   Usar o Valknut em si  demonstra a Odin e Freyja que você está disposto a viver e morrer por eles, sendo então um alvo das Valquírias no momento de sua morte, que o levarão para Folkvang ou para Valhalla, onde você viverá com os Deuses, festejando até o Ragnarök.

Aegishjálmr

   Também conhecido como "Capacete do Terror", o Aegishjálmr era um símbolo muito utilizado pelos povos nórdicos. Geralmente, utilizado pela magia Seidr, ensinada pelas sacerdotisas de Freyja e dos Vanir.
   Não representa exatamente um capacete físico, embora fosse gravado entre as sobrancelhas de quem fosse para as batalhas, como um símbolo que representava a força, coragem, aumento de percepção e dos reflexos, e também acreditava-se que este símbolo inspirava o terror, alucinações e perturbações visuais nos inimigos, através da magia Seidr.
   Há algumas passagens que citam que o Aegishjálmr também conferia invisibilidade ao portador, e que este símbolo possuía mais poder quando estava em presença da bruxa ou praticante de Seidr que o traçou. Diz-se que as bruxas, chamadas de Völva, traçavam-no na testa dos combatentes, entoando encantamentos para a coragem e a força deste indivíduo, o qual diria ao final: "Ægishjálmr eg ber milli bruna mjer!", que significa "Eu porto o Ægishjálmr entre as minhas sobrancelhas!".
   O Aegishjálmr, então, é um símbolo tanto de batalha e proteção quanto uma representação de força física e mental. Foi muito encontrado em objetos, armas, armaduras e outros utensílios nórdicos, geralmente os utilizados em batalha, pois é um ótimo amuleto de proteção. O Aegishjálmr também representa todo o alfabeto Futhark - as runas nórdicas -, representando a magia Seidr de Freyja e Odin.

sábado, 1 de novembro de 2014

Oração de Odin

As florestas sibilam, os oceanos clamam
Os corvos planam através de todos os céus
No interior dos cantos de Asgard
Onde Odin ouve a incisão, mesmo que longe.
No Sleipnir, ele cavalga através dos céus,
Observa o sangue derramado em sua frente
Comanda as Valquírias para levá-lo para casa,
Para que sente-se e observe no trono de Odin!

Ouça meu chamado,
Minha alma também pertence a si
Para que eu possa descansar com você!


Odin's prayer

The forests sing, the oceans cry.
The ravens soar through every sky.
Into the corners of Asgard.
Where Odin hears the score, thus far.
On Sleipner, he rides on through,
Surveys the bloodshed before you
Commands Valkries too fly you home,
Too sit and serve by Odin’s throne!

Hear my call,
My soul belongs too thee
So I may rest with you!



   Encontrei esta oração - não me recordo a fonte - e traduzi-la, então, adaptando algumas coisas.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Freyja

   Freyja, Freya ou Mardoll é uma das principais deusas dos Vanir. Originalmente fazendo parte deste panteão, após a guerra entre os Vanir - deuses mais ligados à natureza, fertilidade - e os Aesir - deuses da guerra -, foi juntamente com seu irmão Freyr e Niord para morar junto dos Aesir em Asgard. Também era conhecida como Vanadis.
   Freyja é uma deusa da fertilidade, do amor, do sexo e da sensualidade, mas também da guerra, da magia, do ouro, da morte, da beleza, da música e das poesias. É uma deusa fortemente ligada à sabedoria, visto que possuía o conhecimento das runas, e era relacionada à divinação. Freyja lidera o palácio conhecido como Folkvang, bem como as Valquírias que carregam os caídos em batalha para seu castelo, dividindo os heróis com Odin e o Valhalla.
   Essa deusa é descrita como sendo de beleza incondicional, é caracterizada por ter tido muitos amantes, possui olhos claros, sardas, e suas lágrimas transformam-se em ouro, as quais chorava por falta de seu marido Od, misteriosamente sumido. Diz-se que Od pode vir a ser Odin, e Frigga seria a mesma deusa que Freyja.
   Possuía um manto de penas que permitia-na transformar-se em um falcão para que voasse através dos nove mundos; diz-se também que podia tomar a forma de um corvo ou de uma coruja. Freyja comandava uma carruagem que era puxada por dois gatos selvagens e, com ela, podia viajar entre qualquer lugar da Yggdrasil. Possuia também um colar mágico conhecido como Brisingamen, que podia ser usado como colar ou como cinturão. Para consegui-lo, deitou-se com os quatro anões que o forjaram, e assim obteve um dos artefatos de maior beleza que se pode citar.
   Existem histórias que divergem a respeito do roubo de sua joia. Uma delas conta que Loki roubou-o, e o escondeu em Dreun, para que ela não o encontrasse. Em prantos, a deusa chorou por todos os momentos, e Hearhden, o ferreiro dos deuses, disse-lhe onde o colar estava. Ao ir recuperá-lo, Hel não deixou que partisse do reino dos mortos sem que lhe desse algo em troca. Então, fez um acordo, onde Loki ficaria com o colar durante metade do ano, e Freyja durante os outros seis meses. Durante os meses em que o colar estivesse com Loki, o mundo decaía no inverno e na tristeza; quando retornava para as mãos da deusa, tornava-se novamente alegria, as flores desabrochavam e o calor retornava.
   A outra história diz que Odin, irritado com sua volúpia ao deitar-se com muitos homens, ordenou que Loki furtasse seu colar. Heimdall, o guardião da Bifrost, viu o roubo e perseguiu Loki até que retornasse o colar para sua dona. Travaram uma intensa disputa, que marcou o início de um ódio mútuo entre Heimdall e Loki. Há uma versão que diverge aqui também que cita que Odin apenas aceitou que o Brisingamen fosse devolvido à Freyja caso uma guerra fosse iniciada em Midgard, no reino dos humanos.
   Como os Vanir por natureza possuíam forte ligação com artes xamânicas e mágicas, Freyja é atribuída por deter os conhecimentos da Seidr, a magia essencialmente praticada pelos nórdicos. A Seidr abraçava também o conhecimento das runas como oráculo, como forma de influenciar no destino, e como alfabeto também, e por este conhecimento, Odin sacrificou-se por nove dias na Yggdrasil, para então ensinar aos humanos como utilizá-lo. Quem geralmente mantinha este conhecimento eram as Völvas, sacerdotisas de Freyja. Diz-se que Freyja (entretanto por vezes diz-se que era Frigga) fia os fios a serem tecidos e trançados pelas Nornes, que são as deusas do destino (passado, presente e futuro), e ela pode então interferir através de sua magia seidhr, ou através das runas, bem como todos os outros deuses e nossas próprias ações modificam a teia de fios do universo.
   Seus elementos são o fogo, a água e a terra; seus animais totêmicos são o gato, o falcão, a porca; suas cores são o dourado, o vermelho-escuro e o verde; as plantas relacionadas à Freyja são a macieira, a cerejeira, a valeriana e a verbena, a rosa e a mandrágora; suas pedras são o olho-de-gato, o âmbar, pedra do sol, esmeralda, safira, granada, ouro e cobre; seus símbolos são o colar Brisingamen, o manto de falcão, luvas de pele de gato, a carruagem solar conduzida por seus gatos, joias, mel, caldeirão, linho, seda e veludo. Runas de Freyja são a Fehu, Kenaz, Wyn, Peorth, Berkana, Laguz, Inguz e Cweorth. Rituais dedicados para esta deusa: amor, fertilidade, sexo, sensualidade, poder mágico, divinação, sabedoria, iniciação, poder feminino, sedução, runas, e magia seidhr no geral.

Algumas informações foram adaptadas do livro Mistérios Nórdicos, de Mirella Faur, que está nos livros recomendados com link para leitura online.

domingo, 26 de outubro de 2014

Odin

   Odin, ou Woden, é o líder de Asgard, pai de muitos deuses da mitologia nórdica, e possui um papel central no panteão. É associado a muitas coisas, como a sabedoria, a guerra e a vitória, o xamanismo, a morte, a magia, o aprendizado, a poesia, a caçada e aos céus.
   Diz-se que Alfadur, um dos nomes pelo qual Odin é conhecido, costuma mudar de forma para um senhor muito idoso e cego de um olho, ou para um corvo, de maneira a observar os acontecimentos em Midgard (Terra).
   Ele possui dois lobos, chamados Geri e Freki, que dormem aos seus pés no trono em Asgard, que o acompanham em batalhas, e alimentam-se dos cadáveres caídos, bem como o alimento que Odin não come durante os banquetes - alimenta-se apenas de Hidromel. Também possui dois corvos, Munin e Hugin, que reúnem-se durante a noite para contar-lhe o que viram em todos os cantos do universo. Além disso, Loki presenteou-o com Sleipnir, o cavalo de oito patas, que pode cavalgar em qualquer terreno mais velozmente que qualquer outra montaria.
   Utiliza como armadura além de seu elmo de ouro, a lança Gungnir, que possui as runas entalhadas no cabo, e nunca erra seu alvo. Em seu trono, Odin pode observar todos os nove reinos, e é dito nas Eddas* que é o primeiro e mais poderoso dos filhos de Bestla e Bor. Juntamente com seus irmãos, Vili e Ve, derrotou o gigante Ymir e a partir de seu corpo os nove reinos foram moldados.
   Odin, para ganhar a sabedoria das Runas, pendurou-se na Yggdrasil, a árvore do universo, empalado por sua lança, durante nove dias e nove noites. Assim, ele trouxe essa sabedoria para os homens e ensinou-os a utilizar as Runas como instrumento de conexão com os deuses, como talismãs e também alfabeto.
   Seus filhos mais conhecidos, com sua esposa Frigg, são Thor, Baldur, Vidar, Vali. As Valquírias, semideusas que recolhem os mortos em batalha, levam-nos para o castelo de Odin em Asgard, chamado Valhalla. No Valhalla, os deuses e os heróis que tiveram uma morte honrosa durante combate festejam, bebendo hidromel que provêm da cabra Heidrun - que nunca cessa a produção de hidromel - e alimentando-se do javali Sæhrímnir que durante todos os dias renasce, e, durante o dia, divertem-se em lutas e batalhas entre si, até que o Ragnarok aconteça. Estes heróis, então, lutarão ao lado dos deuses. Nesta última batalha, Odin morre, através do filho de Loki, o lobo Fenrir.
   Costumava-se ofertar sacrifícios em festivais a Odin alguns sacrifícios que remetiam à sua jornada pelo conhecimento das Runas. Muitos dos cultos como o equinócio de outono eram dedicados a ele. Dezembro era conhecido como Dezembro da Caça Selvagem (Wild Hunt December), e durante o dia 20, caçava-se em honra a ele. O Walpurgis, que se iniciava em 22 de abril, marcava o início de um festival de nove dias e nove noites para honrar o sacrifício feito pelo deus na Yggdrasil.
   O símbolo que representa Odin é o Valknut, composto de três triângulos entrelaçados. As Runas, a lança, os lobos e os corvos também são símbolo deste deus, bem como um ancião pode representá-lo.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Runas Nórdicas

O link é do antigo endereço do blog.
   As Runas Nórdicas são um dos oráculos mais complexos e também extensos para o estudo. São um alfabeto, mas também muito usadas para fins mágicos, em encantamentos, para talismãs, ou como arte divinatória - que é como utilizamos - pelos povos germânicos e, principalmente, pelos vikings.
   As runas foram encontradas entalhadas em armas, em cálices ou chifres utilizados para bebidas, escudos e armaduras, representando o que cada guerreiro gostaria de ter como dádiva.
   As runas são citadas na Edda Maior - um conjunto de poemas relacionados às lendas do panteão nórdico - como sendo o mistério da sabedoria, a forma pura de ter o conhecimento.
   Odin sacrificou-se se pendurando com a cabeça para baixo na Yggdrasil, e com um corte feito por sua espada no estômago, seu sangue formou os símbolos rúnicos, um por um.
   Após ter sido ressuscitado através de magia, Odin trouxe para a humanidade esta forma de escrita e de oráculo, que então seria aplicada em poemas, em inscrições e em adivinhações, pois cada qual possuía seu nome e som significativo aos povos germânicos.
   É importante ressaltar que Odin não criou as runas, apenas pôde alcançar o conhecimento sobre elas através de seu sacrifício, e então trouxe aos homens para que eles pudessem utilizá-las com sabedoria.

   As runas são bastante utilizadas para adivinhações de diversas naturezas. Alguns dos métodos abaixo - que já foram citados no post sobre Runas da Bruxa. Elas podem ser usadas também para divinações aos outros, caso a pessoa esteja presente com você no momento, e acredite veementemente no que você está fazendo.

  • Runa de Odin: consiste em mentalizar sua pergunta ou dúvida, e então retirar apenas uma runa do saquinho consagrado de suas runas. Essa runa será a resposta para sua pergunta.
  • O Comentário das Nornes: é o mesmo processo do anterior, porém, a primeira pedra que você retirar será a situação vivida neste momento; a segunda pedra será a atitude que você deverá tomar, e a terceira, a situação que se seguirá. Cada pedra se refere à uma Norne, então, eu considero uma boa ideia chamá-las para seu ritual de divinação.
   Além destes dois, existem métodos mais amplos que consistem em jogá-las em um tablado e, retirando as runas viradas para baixo, lê-las do centro para fora. Em alguma outra oportunidade, mostrarei as formas de jogar runas (tanto Nórdicas como Runas da Bruxa ou quaisquer outros tipos) em tablados, toalhas ou mesas.

   É tradicional que se carregue as runas em um saquinho confeccionado especialmente para elas, com símbolos que lhe sejam pertinentes - Ex: pentagramas, triskeles, ou mesmo as runas que lhe convirem para a proteção/divinação do oráculo. Particularmente, eu criei minha bolsinha, feita de uma espécie de couro liso e fino, onde desenhei dois sigilos para proteção e para a clarividência. Costurei-a nas bordas, e trespassei uma fita por entre o topo do saco para amarrar.
   A utilização de uma bolsa além de guardá-las de forma organizada, é boa para que não haja influência de energias externas em seu oráculo. Consagre suas runas juntamente com seu saquinho, para que eles possuam a mesma forma de energia. 
   Caso você decida fazer suas runas também, há diversas formas de criá-las. Entretanto, é recomendado que utilize elementos naturais, como cristais, madeira, sementes ou pedrinhas mesmo. Então, grave-as com tinta, fogo, ou com ranhuras feitas por facas - você pode utilizar seu athame ou boline para isso. Isso as torna mais ligadas à você, e facilitará seu uso. Mas, claro, caso você as compre, ainda deve consagrar, da mesma maneira que faria caso produzisse seu próprio oráculo. 



Logu - Água: Representa a mulher, aspectos inconscientes, intuição e vidência. Ela define um crescimento de nossas forças inconscientes.
Invertida: medo e impedimentos.
Mensagem: Como a água, a intuição é fonte de vida. Libere sua criatividade.



Jara - Colheita: Justiça, karma, final do ciclo. Significa boas colheitas, bons resultados, o ciclo da natureza. É uma runa muito benéfica, runa da esperança, que traz paz, plenitude e prosperidade.
Invertida: Não tem.
Mensagem: Que o martelo de Thor gire sobre nossas cabeças, segundo as designações do grande deus Odin.


Thorn - Deus Thor: Quebra de dificuldades, representa a defesa e a proteção, atitude de alerta. Também a regeneração e a fertilidade. Está associada à sexualidade. Significa o ritual de passagem para uma outra situação.
Invertida: Perigo de traição, deslealdade e tédio.
Mensagem: Às vezes, a melhor ação é parar. Não agir também é reagir.

Hagal - Granizo: Interrupções, limitações naturais, forças superiores ou inferiores. É a runa da estrutura, da harmonia cósmica. Representa os fatos que estão fora do nosso controle, que podem nos favorecer ou não. Fala também de quebras, rompimento, de algo repentino.
Invertida: Não tem.
Mensaegm: Precisamos aprender a conviver com as limitações naturais da vida. É tempo de rompimento e separação.
Peorth - Revelação: Revelações, mistérios, poderes ocultos. Favorece investimentos e jogos. É a runa da sorte.
Invertida: Grandes perdas em jogos, mistérios que não serão desvendados e confusão.
Mensagem: As revelações serão agradáveis; é preciso ousar para encontrar.
Eolh - Alce: Proteção e defesa, abnegação, espiritualização. Significa a busca do homem e seu poder de atração. A retirada dessa runa indica que haverá ajuda divina.
Invertida: Falta de proteção e perigo.
Mensagem: Ajoelhe-se e receba as bênçãos. Controle suas emoções.
Is - Gelo: Congelamento, adiamento, preservação. Nos fala de resistência a mudanças. Previne sobre obstáculos logo a frente, e pede cautela e revisão de planos. No amor e nos negócios, é uma runa desfavorável.
Invertida: Não há.
Mensagem: Atrasos podem ser providenciais. Aprenda com a adversidade.
Ansur - Boca: Conhecimento, comunicação, nutrição. Representa a consciência, a inteligência e a comunicação. É a runa do poder espiritual e da sugestão através das palavras.
Invertida: Demagogia, manipulação, desilusão e incompreensão.
Mensagem: Toda aprendizagem vale a pena. É tempo de meditar.
Sigel - Sol: Vitória incondicional, derrota de adversidades, integralidade. É a grande força diretriz da evolução individual. Runa de grande poder; fala da força vital colocada à nossa disposição. Com ela, incorporamos novas energias.
Invertida: Não há.
Mensagem: A vitória é incondicional. Receba a força vital.
Daeg - Dia: Esperança, fim de dificuldades, retorno da perfeição. Símbolo do crescimento em qualquer área da vida. Designa também um aumento de conhecimento e prestígio, bem como de dinheiro. Pode falar de mudança de opinião e de atitude.
Invertida: Não há.
Mensagem: A escuridão está prestes a terminar. Esteja de olhos abertos para não perder uma chance.

Mann - Humanidade: Altruísmo, ajuda, posturas imparciais. Significa a independência da humanidade como um todo. Define uma ajuda na resolução de dificuldades.
Invertida: Depressão, conflitos e cegueira.
Mensagem: O homem como um ser social, mantenha a modéstia.

Othiel - O Velho: Conservadorismo, legados materiais e morais, separação. Representa ganho de dinheiro através de esforço e trabalho. Pode também designar algo que chega em consequência de uma separação.
Invertida: Não se prenda a velhos condicionamentos e autoridades estabelecidas.
Mensagem: É preciso envelhecer com sabedoria. Faça sem fazer.


Tyr - Guerreiro: Homem, coragem para lutar, bom desempenho sexual. Runa da justiça, da ordem e da vigilância, mas também da morte e da fertilidade.
Invertida: Injustiça, desquilíbrio e auto-sacrifício.
Mensagem: Coragem para prosseguir a luta. Cultue a paciência.
Feoh - O Gado: Dinheiro, nutrição, fertilidade, riqueza, criação. É a runa dos bens materiais, móveis, dos investimentos. Em geral, a tirada desta runa é boa. Determina prosperidade e também um recomeço.
Invertida: Avareza, perdas e discórdia.
Mensagem: Aproveite o enriquecimento e viva seu sucesso.
Geofu - União: Associações, compromissos afetivos, uniões com equilíbrio. É a runa indicadora da generosidade, do amor, do dom de dar e receber. Favorece as parcerias, uniões e casamentos. É também a runa da harmonia.
Invertida: Não há.
Mensagem: União sem anulação. Associe-se, mas em harmonia.
Eoh - Cavalo: Mudanças rápidas, notícias, pequenas viagens. É o símbolo da lealdade e nos fala de mudanças, transformações e auxílio.
Invertida: Desarmonia e conflitos.
Mensagem: O cavalo de Odin atravessa qualquer obstáculo. É tempo de mudar.
Nied - Necessidade: Carências e déficits, atrasos, doenças. Acima de tudo, essa runa pede paciência. Sua retirada diz que tudo virá a seu tempo, o que pode significar dificuldades. Pode trazer perda de liberdade e restrições. Cuide as dívidas. No amor, é favorável.
Invertida: Não há.
Mensagem: Atrasos podem ser providenciais. Aprenda com a adversidade.
Yr - Teixo: Reflexão, abnegação, espiritualização, ação. Representa a espinha que sustenta todo o corpo da iluminação espiritual. Pede força mental e flexibilidade.
Invertida: Não há.
Mensagem: A reflexão deve ser o alicerce da ação. Saiba aguardar o momento.
Ur - Bisão: Teste de força. Novas responsabilidades, maturidade. Esta runa fala da energia ativa da criação. É o impulso necessário para o início de novas atividades. Fala justamente de mudanças na vida de quem a retira em um jogo.
Invertida: Uma força mal direcionada que traz fraqueza e doença.
Mensagem: Não tenha medo de enfrentar o novo! Renove-se.



Wynn - Alegrias: Vitórias e júbilo, racionalidade, não-passionalidade. Representa alegria, felicidade e força de atração entre seres de mesma energia. Harmonia entre famílias, clãs e sociedades. Runa de energia aglutinadora.
Invertida: Falta de prosperidade, inimizades.
Mensagem: É necessário calma para se atingir a vitória. Deixe a felicidade invadir.
Ken - Tocha: Abertura, claridade, criatividade. Esta runa é ligada ao fogo criador. É a regeneração através do sacrifício e da morte. É a runa dos artistas, pois designa a capacidade de gerar e criar. Também significa as paixões, a sensualidade, boa saúde, habilidade e muitas vezes para a mulher, gravidez.
Invertida: Doenças e pouca inspiração.
Mensagem: Os caminhos estão abertos. Revigore-se com as novas energias.
Ing - Herói: Pendências, fechamento do círculo, términos e reinício. Essa runa prenuncia um novo acontecimento, um novo começo, até mesmo um nascimento. Mas também pode definir certa aridez.
Invertida: Não há.
Mensagem: Nenhuma ousadia é fatal; aproveite para recomeçar.
Beorc - Gestação: Fertilidade, crescimento, concretizações. Runa muito favorável às mulheres, e à resolução de problemas femininos. Promete crescimento nos negócios, em assuntos familiares e relacionamentos.
Invertida: Esterilização e estagnação.
Mensagem: Os sonhos serão realizados, olhe para seu interior.
Wird - O Nada: Destino, situação em aberto, sem comentários. Essa runa é chamada de "Runa Branca". É a runa da confiança total e do começo.
Invertida: Não há.
Mensagem: Assim é, e assim será.

   As runas podem ter significados diferentes caso você pesquise em outras fontes. Ou seja, geralmente, são parecidas, mas não dizem as mesmas coisas. É de sua escolha seguir este ou qualquer outro conjunto de significados para seu oráculo. As minhas são sempre com esse estilo, e funcionam muito bem. O que importa é sua intenção ao utilizá-las, pois as Nornes, Odin, ou qualquer outro deus que você pedir por respostas, saberão o que lhe dizer.

Minhas runas com três folhas de louro, para a clarividência.
   Lembre-se de abrir seu círculo mágico sempre que desejar uma leitura específica, e de invocar deidades que possam lhe ajudar com o que você deseja.
   Quando se usa as runas, geralmente convidamos deuses do panteão nórdico, principalmente Odin, Freyja, Hagal, ou as Nornes, que possuem a sabedoria do passado, do presente e do futuro.
   Você pode acender um incenso para purificar o ambiente e para lhe ajudar com a intuição que lhe trará respostas, bem como preparar um chá ou uma poção para estes momentos.