quarta-feira, 5 de abril de 2023

Feitiço para Revelar a Verdade com Ma'at

   Esse feitiço se destina para ocasiões em que há algo sendo ocultado de você, para revelação de mentiras e descoberta da verdade. É um feitiço kemético com as bênçãos de Ma'at, a Deusa da justiça, da ordem e da verdade. O melhor momento para efetuar esse feitiço é ao amanhecer, ou no período da manhã, mas pode ser realizado em outros horários do dia se for necessário.
   Observação: tenha muito cuidado ao realizar esse pedido de intervenção para a Senhor da Pena Branca, esteja irrevogavelmente certo de que você está com a razão e tem agido com ética e honestidade desde o início da questão em que o feitiço atuará, pois toda a verdade será desenterrada, e isso pode incluir questões que você tem tentado ocultar ou verdades que está escondendo e distorcendo. Creio não ser necessário, mas igualmente reitero que essa prática não é recomendável em situações imorais, amorais, ou com propósitos duvidosos.

Você precisará de:
• Uma vela branca, azul royal ou dourada.
• Uma pena branca, preferivelmente natural.
• Papel.
• Um pote de tinta guache ou nanquim.
• Um recipiente que comporte fogo.

🕒 Horas e dias de Sol, Saturno ou Júpiter.
🌕 Lua cheia ou nova.

   Purifique o espaço em que o feitiço será efetuado e a si mesmo, com um método de sua preferência. Caso seja de seu costume lançar o círculo, faça-o agora. Acenda a vela e escreva sua intenção nela, acendendo imediatamente.
   Molhe a ponta da pena no pote de tinta e escreva o nome da pessoa que está lhe ocultando informações ou mentindo para você. Você pode cortar o raque da pena com uma tesoura antes, para que a ponta fique mais fina e facilite na escrita.
   Espere a tinta secar, limpe o excesso da ponta da pena, e diga:

"Ma'at, deusa da Ordem e da Verdade,
Peço que traga a justiça para a pessoa citada,
Eu tenho posse de seu símbolo, a pena branca,
Eu a uso em sua honra, e sua ajuda é bem vinda."

   Pegue a pena novamente e escreva abaixo do nome da pessoa, o hieróglifo de Ma'at (𓆄, H6) e as palavras "Para revelação imediata da verdade". Depois disso, repita o encantamento acima. Coloque a pena dentro do papel, dobre-o, e queime na chama da vela. Deixe queimar até o fim em um recipiente resistente a fogo, para coletar as cinzas. Agradeça a Ma'at, finalize o ritual, e leve as cinzas que sobraram para fora de casa, soprando-as sobre um jardim. Está feito.

A instaurar ordem no lar,
Alannyë Daeris 

segunda-feira, 27 de março de 2023

Muuet - Os espíritos falecidos hostis no Kemetismo

   Quando falamos em pós-vida no Egito Antigo, imediatamente nos remetemos ao conhecidíssimo processo de julgamento presidido por Anúbis e Thoth, diante dos 42 Juízes. Nele, os espíritos dos indignos e injustos são obliterados por Ammit. Entretanto, nem todos os espíritos se dirigem ao Salão das Duas Verdades para seu julgamento após a morte; aqueles que por ventura se esquivam da pesagem do coração, acabam se tornando muuet, e não podem se tornar akhu, os espíritos transfigurados e abençoados que renascem nos Campos de Juncos para a vida eterna. Acabam presos entre os mundos, eventualmente vagando pelo Duat - que segundo as tradições, é um plano enorme e repleto de cavernas, salões e espaços onde um espírito poderia eludir os Netjeru.
   O termo "muuet"/mw.t significa "morto" (no plural, "muuetu", e no feminino, "muutet"), e é usado para se referir a espíritos que não receberam um funeral apropriado, ou as devidas oferendas e veneração dos familiares após seu falecimento, o que os torna agressivos, hostis e maliciosos. Também serve para definir os espíritos de pessoas que foram malignas em vida, ou que morreram de maneira injusta e violenta, não estando aptas para sua transfiguração e renascimento nos Campos de Juncos, transformando-se em obsessores, poltergeists, ou fantasmas, como popularmente denominamos na modernidade. Os egípcios acreditavam que os mortos malignos eram responsáveis pelos desastres que ocorriam na humanidade, desde os desastres naturais como períodos de secas e pragas, até abortos, pesadelos, desordem mental e emocional, e mortes prematuras de indivíduos.
   Enquanto os Akhu são citados nos livros do submundo (para citar alguns: Amduat, Book of Gates, Book of Caverns, Books of the Sky) como seguidores de Ra e adoradores do Deus Sol, os muuetu são tidos como seus inimigos, forças do caos e da desordem que se opõem à criação. Os Netjeru se empenham em eliminá-los do plano material e do Duat, e há descrições variadas das punições que eles recebem dos Deuses, como serem decapitados, queimados em braseiros e fornalhas, resultando em seu extermínio na intenção de que não possam perturbar os vivos e criar isfet na Terra.
   Nos textos que se referem ao Duat e elucidam como é o submundo na perspectiva kemética, podemos designá-lo como um ambiente confuso e altamente perigoso, repleto de obstáculos e dificuldades, e habitado por muuetu e Netjeri (entidades e divindades de caráter duvidoso ou mesmo nocivo, que não devem ser confundidos com Netjeru, os Deuses). Sendo assim, a travessia até o Salão das Duas Verdades onde ocorre o julgamento final não é nem um pouco fácil, como atestado pelos numerosos feitiços, amuletos e rituais que os egípcios elaboravam para seus falecidos, a fim de assegurar que conseguiriam chegar diante dos Netjeru sãos e salvos. Praticamente todo o conteúdo dos Textos dos Sarcófagos e do Livro dos Mortos está relacionado a esse processo de passagem pelo Duat, o que fazer e dizer para garantir o renascimento.
   Ou seja, é muito válido que exista uma quantia enorme de espíritos perdidos vagando entre os planos, que tenham se perdido na travessia, ou que nem tenham compreendido seu falecimento, atônitos e em choque - especialmente no caso de quem parte de maneira súbita e violenta, como citado no Papiro Edwin Smith. Muitos Netjeri guardam os portões e pórticos necessários para a passagem no Duat, e os espíritos que não conhecem as respostas e reações corretas a esses seres mitológicos são barrados de prosseguir até seu destino de descanso final.
   Muuet podiam ser empregados em magia nociva por meio de evocações, que tinham por propósito comandá-los para que amaldiçoassem locais, objetos ou pessoas, causando danos e prejuízos conforme a intenção do usuário da magia. Sendo assim, os vivos também faziam uso de inúmeras práticas mágicas, principalmente feitiços e amuletos, destinados a proteger dos mortos e de sua influência maligna. Execrações também se destinam a eliminar muuet e suas influências, pois se configuram como inimigos da criação e da humanidade, geradores de isfet.

Referências
- Death and the Afterlife in Ancient Egypt - John H. Taylor
- Magic in Ancient Egypt - Bob Briar
- Living with the Dead - Ancestor Worship and Mortuary Ritual in Ancient Egypt - Nicola Harrington

A execrar obsessores e encaminhar sofredores,
   Alannyë Daeris 

terça-feira, 21 de março de 2023

Resenha: Magia de Sigilos, de Laura Tempest Zakroff

   Sinopse: Sigilos são símbolos mágicos projetados para influenciar a nós mesmos, as outras pessoas e o mundo ao nosso redor. Rastreando essa prática através da história, arte e cultura, este livro ilustrado oferece uma abordagem inovadora e moderna para a prática da magia de sigilos de maneira acessível e intuitiva. Você aprenderá como manifestar sua vontade por meio de seus próprios designs e ainda vai poder explorar os significados tradicionais e modernos das formas, símbolos, números, letras e cores, enquanto aprende sobre como adicionar significado pessoal a seus sigilos. Este livro ajudará a melhorar suas técnicas de desenho, usando exercícios para desafiá-lo a obter uma visão metafísica e uma inspiração mais profunda – tudo para guiá-lo a desenvolver seu próprio poder pessoal com a arte vigorosa de fazer magia, usando diferentes tipos de sigilos. Inclui métodos de aplicação, dicas para escolher materiais e considerações importantes para criar sigilos mágicos temporários e permanentes.

Ficha Técnica


   Autora: Laura Tempest Zakroff
   Editora: Alfabeto
   Ano: 2018, edição brasileira de 2021
   Páginas: 256
   
   Se você já é um apreciador, ou tem interesse em conhecer mais sobre os sigilos mágicos, eis aqui um livro que certamente lhe será útil em sua jornada de aprendizado. Com uma linguagem simples, extremamente acessível e bem humorada, a autora introduz aspectos históricos e artísticos e ensina em detalhes suas técnicas para a criação de sigilos. Quem torce o nariz para a magia de sigilos, talvez possa mudar sua percepção sobre essa ferramenta após a leitura, devido ao fato de que o estilo de sigilação de Laura é único e se diferencia em gênero, número e grau dos que são conhecidos na atualidade. Enquanto a magia de sigilos contemporânea está atrelada à Magia do Caos, a autora sugere uma maneira mais intuitiva, livre, simbólica e estética de criar sigilos, enraizada no processo criativo dos nossos ancestrais - que casa muitíssimo bem com caminhos mágico-espirituais como a Bruxaria e a magia natural.
   Há uma seção logo no início investigando a respeito das marcas e símbolos mais comuns em diversas culturas, explorando seus significados e contexto histórico. Em seguida, o livro aborda os formatos e símbolos que usamos cotidianamente, que conhecemos e reconhecemos - triângulos, círculos, espirais, quadrados, corações -, e sugere dicas para desenhá-los. Longe de ser uma leitura cansativa, as informações são organizadas de forma clara e compreensível, não tem "enrolação", e o conteúdo escrito é sempre complementado com imagens, exemplos e exercícios úteis para a prática da sigilação. A estética visual do livro é muito bonita, apropriadamente decorado, com letras grandes e confortáveis.
   Além de desenvolver um sistema de criação de sigilos à parte do popularmente difundido que se baseia nos estudos de Austin Osman Spare, Laura incentiva o leitor a colocar a mão na massa e praticar, inserindo linhas abaixo de cada símbolo para a adição de significados, e uma seção formada por palavras-chaves sugeridas e espaços em branco para que preencha com seus próprios padrões simbólicos. Eu particularmente achei essa seção genial, e gostei bastante de poder traçar minhas marcas e correspondências pessoais. Durante todo o livro, ela instiga a ampliação do repertório simbólico de quem lê, o exercício da autonomia, e a liberdade de criar sua magia seguindo seus parâmetros criativos, em vez de ser um ato mecânico e repleto de parâmetros a serem seguidos.
   O processo artístico e criativo para elaboração de sigilos é ensinado na teoria com uma simplicidade satisfatória, e junto da parte ritualística, Laura oferece orientações sobre como ativá-los e utilizá-los das mais diversas formas - tanto as mais comuns como desenhar e untar, como algumas mais diferentes, como plantar ou bordar seu sigilo, fazer tatuagens definitivas ou de henna, sigilos corporais/de movimento, etc. São oferecidas sugestões valiosas sobre qual o melhor método de utilização de cada tipo de sigilo, de acordo com a finalidade ou intenção, e inclusive, um capítulo no final orienta a respeito de suprimentos artísticos, para quem deseja adquirir alguns e praticar.
   A autora acrescenta exemplos de diferentes intenções, baseadas em um determinado contexto, e propõe a ponderação de como poderiam ser elaborados os sigilos para cada um desses propósitos apresentados. Ela incentiva que o leitor crie sigilos para as intenções fornecidas nos exemplos, como um exercício de fixação do conteúdo, e depois mostra quais foram suas criações para cada situação, explicando os elementos utilizados e como chegou no resultado final.
   É um guia altamente informativo de leitura rápida, objetivo e de fácil assimilação sem deixar a desejar no conteúdo, e que fornece ferramentas incríveis para que qualquer pessoa, iniciante ou experiente, possa adentrar no mundo da magia de sigilos sem precisar de nada além de materiais simples e a própria imaginação. É importante notar que há variações significativas entre o sistema de Laura e de outros autores, como o fato de que ela não trabalha com o conceito de "energizar/carregar" o sigilo, pois a própria criação artística substitui essa etapa. Considero um livro interessantíssimo para quem deseja ampliar seu repertório na magia de sigilos, expandir as possibilidades, ou ter novas referências e ideias para essa prática tão acessível e contemporânea.

A traçar linhas e curvas,
   Alannyë Daeris

sábado, 18 de março de 2023

Conhecendo o Oráculo - Aleuromancia, Divinação com Farinha

   A aleuromancia é um método divinatório que utiliza a farinha de trigo para a divinação. O termo provêm do grego - "aleuron", farinha. A divinação com farinha está atestada em tabuas cuneiformes que datam do segundo milênio a.C, mas a tradição infelizmente se perdeu com o passar do tempo, e hoje temos pouquíssimos registros ou referências para a prática.
   Ainda assim, são citados vários métodos diferentes de praticar a aleuromancia, podendo-se utilizar apenas a farinha, ou a farinha combinada com outros ingredientes ou objetos. Esse texto tem uma finalidade de informar e sugerir ideias, pois os métodos exatos de como era efetuada a interpretação divinatória não são conhecidos, e podemos apenas imaginar e adaptar para o contexto moderno - e nesse caso, acredito que cada praticante possa fazê-lo conforme seu gosto. Evidentemente, a intuição é essencial para o desenvolvimento de um sistema oracular inteiramente novo, mas há outras mancias que se familiarizam com a aleuromancia, como a acutomancia.
   Acredita-se que apenas a farinha de trigo era utilizada com finalidades divinatórias, mas é possível empregar outros tipos de farinha, com resultados diferentes devido à consistência do material, e pode-se atentar para as propriedades mágicas da farinha escolhida caso você queira empregar a mais ideal para sua intenção. Por exemplo, polvilho fino, amido de milho, farinha de arroz, e fubá da menor granulometria podem ser usados para substituir.

Em Receitas


   Um dos métodos mais antigos de aleuromancia era realizado com bolos ou biscoitos. Pedaços de papel escritos com reflexões eram colocados dentro de bolos, que eram assados e distribuídos aleatoriamente dentre as pessoas que desejavam descobrir sua fortuna. Os biscoitos da sorte modernos são uma variante desse método divinatório.
   Outro método similar requer que um anel ou moeda seja acrescido na massa do bolo, e este seja dividido entre as pessoas presentes. Quem encontrar o presente, é a pessoa mais afortunada no momento, ou aquela cujo desejo se realizará. Outros objetos de tamanho pequeno podem ser usados, cada qual com um valor oracular pré-determinado - por exemplo, o anel para sorte no amor, um pequeno cadeado para azar, uma chave para sucesso profissional.
   É um estilo de divinação perfeito para ser realizado por covens, ou rituais em grupo, pois ambos os métodos apresentam um elemento social e interativo, exigindo um número de participantes de pelo menos dois, e a adaptação do tamanho do bolo para que seja distribuído adequadamente. Só se devem usar objetos devidamente higienizados e resistentes ao calor, e os presentes precisam ser orientados a "despedaçar" as fatias antes de comer, ou usarem garfos, na intenção de evitar um acidente.

Com Água


   Nesse método, é necessário uma tigela com água, de tamanho médio a grande, que pode ser de qualquer cor, menos branco - pois não se consegue discernir bem a farinha se o fundo é claro. Segure um punhado de farinha em mãos enquanto formula seu questionamento, e solte sobre a tigela. Agora, observe os padrões e interprete a resposta de acordo com os formatos que se criaram.
   Em outro método, bem parecido com a Teimancia/Cafeomancia, você deve misturar água e farinha na tigela - mais água do que farinha -, e depois jogar essa mistura fora (ou trocar de recipiente e usar para preparar uma receita, que pode ser o próprio bolo divinatório do qual falamos acima). A tigela com os restos é interpretada de acordo com os formatos e padrões criados pela mistura.

Farinha como Base Oracular


   Esse é o modo mais simples, e requer apenas farinha e um chão plano e liso, sem coisas que possam atrapalhar, como grama ou pedras. Segure um punhado de farinha em mãos enquanto formula sua dúvida, e solte sobre o chão a mais de 20cm, de preferência lançando para cima e retirando a mão rapidamente. Então, interprete de acordo com os formatos ou padrões que se criaram.
  E por fim, a farinha pode ser usada como uma base para que outras ferramentas oraculares sejam lançadas, gerando rastros que são interpretados pelo oraculista. Especificamente, podem ser citadas a acutomancia (objetos pontiagudos e agulhas), cleromancia/dadomancia (dados) e a osteomancia (ossos).

Algumas informações daqui.

A assar brownies para o Filho Justo de Wesir,
   Alannyë Daeris

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Identificando Correspondências Mágicas Intuitivamente

Originalmemte publicado na revista digital A Folha da Ibis, de Alannyë Daeris.

   Correspondências podem ser tratadas como a essência energética contida em praticamente qualquer item de origem natural, e que são empregadas em atividades mágicas. Ou seja, cores, ervas, horários, dias da semana, planetas, estrelas, minerais, fases da Lua, óleos, símbolos, runas... Você certamente conhece as propriedades de vários elementos naturais usados na magia, mas já considerou encontrar as suas próprias associações, e descobrir a partir da sua própria intuição como usar esses elementos?
   Há inúmeros livros, blogs e afins tratando sobre as correspondências, e são muito úteis para começar a  praticar e entender a energia de cada um desses elementos. Porém, quanto mais alguém se aprofunda em seu ofício, mais percebe que algumas associações podem não funcionar tão bem para si, ou descobrir algumas que nunca foram citadas em local algum antes. Se isso já aconteceu com você, fique tranquilo – isso é normal e esperado! Desenvolver esse sentido é um exercício muito bom para treinar sua intuição e sua conexão com o universo.
   É importante deixar claro que nenhuma correspondência é universal e funcional sempre; há casos e casos, e há situações em que uma erva não é tão adequada, mesmo que suas propriedades vão de acordo com a sua intenção, num primeiro momento. Portanto, é necessário escolher com muito cuidado os elementos que você emprega. Sempre que houver dúvida, recorra para sua intuição, e ela lhe guiará da melhor forma possível. Igualmente, não é porque funciona para outra pessoa que funcionará para você.
   Por exemplo: muitas pessoas usam velas brancas para purificação, e muitas outras usam velas pretas para a mesma finalidade, considerando que a cor preta funciona melhor para a limpeza energética. Quem está mais correta? Ambas! As correspondências não afetam somente a atividade mágica em questão, mas afetam ao praticante também, e isso tem muita relevância na hora de fazer um feitiço, ritual ou um banho mágico que seja.
   Existem correspondências que são arbitrárias, criadas sobre conceitos humanos, como a divisão do tempo em dias e horas. Não quer dizer que não funcionam, até porque já estão estabelecidas há tempo o
suficiente para essa egrégora ser muito poderosa, mas sim que foram atribuídas por pessoas. É por isso que existem dois tipos, ou até mais, de tabelas de horários planetários diferentes, e ambas são funcionais, bastando escolher a que mais se conecta com você. Para criar suas próprias correspondências, é necessário seguir alguns passos que facilitam esse processo. Use as perguntas para se guiar, e certifique-se de se perguntar muitas outras para averiguar com carinho.

1. CONSIDERE A ENERGIA DO ITEM.
De onde ele vem? Do que é feito? Quais suas características aparentes, e quais são menos visíveis? Para exemplificar, compare a água coletada de um rio, de um açude na sua casa, e da chuva. São todas H2O, mas suas origens geram correspondências e utilizações diferentes. A água do rio pode ser usada magicamente para movimentação. A água do açude pode ser usada na proteção da sua casa. Já a água da chuva, na limpeza.

2. CONSIDERE SUA ASSOCIAÇÃO PESSOAL COM O ITEM.
Nem sempre há uma, mas se houver, ela é importante na sua relação com ele, e afetará a forma como a energia do item funcionará pra você. Por exemplo, pessoas que foram punidas na infância sendo  forçadas a se ajoelhar no milho não terão boas memórias ou correspondências acerca desse grão num
primeiro momento, e pode não ser tão interessante para elas usá-lo em feitiços para felicidade. Mas da mesma forma, elas podem usar esse grão para maldições, já que carregam em si essa associação com a
punição e a dor. Então, esse é um dos aspectos que é muito importante, e que faz com que criemos e trabalhemos de forma diferente com cada erva ou ingrediente.

3. SINTA.
Você é sua maior fonte de aprendizado e de magia, portanto, aprenda consigo mesmo! Pense no que cada correspondência que você já leu acerca daquele item significa pra você, e o que parece fazer mais sentido, ou menos. Depois, sinta a energia diretamente, segurando-o em mãos, tocando, observando. Medite com o ingrediente, deixando sua consciência fluir e lhe guiar para que sinta suas propriedades, suas características e entenda melhor como funciona sua energia. Anote em seu grimório e depois tente usar em feitiços para ver como se sai, pois a prática é necessária para confirmar as correspondências que foram geradas naturalmente.

Exercício Intuitivo para Correspondências Herbais


   Esse exercício é perfeito para descobrir as propriedades de qualquer tipo de erva ou planta sobre a qual você tenha curiosidade, e pode ser facilmente adaptado para qualquer outro tipo de ingrediente natural – óleos, cristais, cores, enfim. Antes de fazer o exercício, é interessante beber um chá que ative sua intuição, e se purificar de alguma forma simples, para evitar influências energéticas.

   Sente-se, em frente a planta, e trace um círculo mágico em volta de você e dela, para evitar influências externas. Respire fundo e faça um aterramento; quando você se sentir equilibrado, se alinhe com as energias da planta. Feche os olhos e visualize a energia dela. Como você sente suas propriedades? Que mensagem ou sentimento você percebe a partir dessa planta? Ela ativa alguma área do seu corpo, ou gera alguma emoção em você? Surge alguma memória em sua mente? Pode ser que você veja cores ou imagens, ouça sons, enfim, há muitas maneiras de sua intuição se manifestar. Anote tudo em seu grimório, em uma área reservada apenas para as suas próprias correspondências pessoais. Faça isso ainda dentro do círculo, pois pode ser que você seja capaz de perceber mais alguma energia ou propriedade. Quando terminar, agradeça à planta, e regue com muito carinho ou fertilize para retribuir a ajuda.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Epítetos de Heqat

   Epítetos são títulos dados a divindades, que servem para representar certas faces específicas deles, e invocar determinadas características. Para saber mais, veja esse texto que trata sobre o assunto.
   Hoje, apresento uma lista de epítetos keméticos tradicionais conferidos a Heqat e Heqat-Nut traduzidos e adaptados para nossa língua. Podem ser usados em orações, rituais, meditações e em quaisquer situações que você queira evocar ou invocar esse aspecto de Heqat que está retratado no epíteto escolhido.
   Essa lista não contém todos os títulos associados com essa deusa, havendo muitos outros que podem ser encontrados, ou desenvolvidos na sua própria interação e culto a Heqat. Agradeço à Shemsu W'ab Tanebet da Kemetic Orthodoxy pela tradução dos epítetos para o inglês com base no guia Lexikon der ägyptischen Götter und Götterbezeichnungen.

Epítetos Tradicionais 


• A grandiosa no céu
• Senhora do Céu
• O céu oposto
• Ela que dá ar para permitir que a garganta estreita respire
• Senhora da inundação
• Mestra da inundação
• A grandiosa na terra
• A poderosa na terra
• Ela que preenche a terra com felicitação
• Ela que estabelece a terra com o que emerge dela
• A grandiosa do Duat
• Ela que dá à luz ao grandioso em Qus
• Senhora de Abydos
• Senhora de Kom Ombo
• Senhora de Neferusi (local no 16º Nome do Alto Egito)
• Senhora de Her-Wer (local no 15º Nome do Alto Egito)
• Senhora da Casa do enterro (Qus)
• Ela que está dentre Hermópolis
• Ela que está dentre Edfu
• Ela que está dentre Hibis
• Ela que está dentre Dendera
• A branca de Hierakonpolis
• A música em Hermópolis com essas 8 faces
• Chefe de Edfu
• Chefe da cidade do escaravelho (Abydos)
• Senhora das Duas Terras
• Mestra das Duas Terras
• Ela que cria as Duas Terras
• Ela que dá à luz aos seus filhos no Egito para ser o rei de toda a terra
• Senhora de Per Nefer
• Ela que está dentre o templo de Sethos I
• Chefe da casa onde se chora por Wesir
• Chefe da casa de Heru, após ele conquistar a Coroa Branca (Atef)
• Chefe da Casa das Duas Udjat
• Chefe da casa da ama de leite
• Ela que funda os templos com seus filhos
• Senhora da Necrópolis
• Ela com muitos nomes em cidades e nomes
• A mãe primeva
• Ela do início primevo
• Ela que cria Wennefer o justificado
• Criadora do grande leão
• Ela que cria o protetor esplêndido
• Ela que dá luz a Deus
• Ela que dá luz aos Deuses
• A grande unificadora/assimiladora
• Ela que cria todas as coisas
• Ela que cria ambas as terras
• A mãe
• Filha/Menina de Ra
• Senhora da Vida
• Ela que prediz os eventos
• A esplêndida
• A útil
• A Cobra
• Olho de Ra
• Ela que corta o mal em sua protuberância/caroço
• Todos vivem pelo comando de seu nome
• Ela que dá ar para permitir que a garganta estreita respire
• Ela que dá ar ao seu filho
• Ela que faz com que o pilar (Wesir) esteja são e salvo
• Ela que faz com que Heru esteja são e salvo para seu pai
• Mestra da Alegria
• Mestra de ambas as terras
• Ela que dá vida ao seu filho
• Ela que dá vida a Aset
• Ela que dá luz às Deusas
• Ela que dá luz ao seu filho para apoiar seu irmão
• Ela que parece dançar com seu filho após o tormento
• Mãe do regente
• Ela que cria seu filho Heru com seu bom leite
• Ela que se une com seu irmão
• A grande filha do par de leões
• Filha de Hapi
• Mãe do grande leão
• A feliz mãe do dourado dos Deuses
• Mãe do protetor
• Mãe divina do grande leão
• A grandiosa
• A grande Deusa
• A grande nobre
• A esplêndida e poderosa
• Deusa feliz
• Ela com grandes conquistas
• Chama do Leão
• Mestra de todos os Deuses
• Mestra de todas as mulheres
• Ela que se une com Khnum
• A esplêndida perna do grandioso
• Ela que nutre seus filhos
• Ela que mantém as crianças vivas com seu leite
• A parteira
• Nut
• Nut, a Grande
• Tefnut

A ouvir o coaxar das rãs,
   Alannyë Daeris

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Método Oracular para Oraculistas, Tarólogos, Cartomantes e Runólogos


   A estrutura que montei para mim e que compartilho nesse post serve para oraculistas, tarólogas, cartomantes, e para análises de outras carreiras profissionais, como terapeutas holísticas, bruxas, e diversas áreas de atuação que prestem serviços a terceiros - inclusive as que não possuem relação direta com o campo esotérico, bastando para isso fazer algumas adaptações.
   Escolha seu oráculo preferido para essa tirada, e oriento que use pares de cartas ou peças em cada posição, a fim de responder apropriadamente a ambas as perguntas que são apresentadas nas casas sugeridas dessa leitura. É um método ideal para combinar oráculos diferentes, aqueles que você mais emprega em seus atendimentos ou tem maior afinidade.

O Método 


1. Essência. O que me define como oraculista. Características principais do meu ofício.
2. Abordagem. Qual meu estilo como profissional? De que maneira exerço melhor meu trabalho com os oráculos?
3. Talento. No que sou bom? Quais são meus pontos fortes e minhas facilidades naturais?
4. Bloqueio. No que tenho dificuldades? Quais são minhas limitações e pontos fracos?
5. Clientela. Por que as pessoas se interessam por meus serviços? Que tipo de consulente eu atraio? 
6. Harmonia. Meu trabalho está alinhado com minha proposta? Preciso fazer ajustes para que reflita mais minha essência?
7. Mudanças. Preciso efetuar mudanças no meu profissional? De que tipo? Por exemplo, alterar os serviços oferecidos, arrumar valores, mudar alguns planos, etc.
8. Perspectivas. Quais as tendências para minha carreira no geral? Terei êxito e prosperidade ao longo desse semestre?
9. Orientação. Aconselhamento final para o trabalho com os oráculos.

A compartilhar experiências,
   Alannyë Daeris

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Divinação e Oráculos no Egito Antigo

   É atribuída ao historiador e geógrafo grego Heródoto a afirmação de que nenhum outro povo descobriu mais presságios que os egípcios, e a aura de mistério emanada pelas areias do Nilo tem forte relação com as diversas artes oraculares que a cultura kemética desenvolveu em seu seio ao longo de milênios. Tratemos a seguir dos dois assuntos que mais me são queridos: divinação e Egito Antigo. Em geral, entende-se o ato oracular nesse contexto como divinação, que consiste na orientação obtida de uma fonte divina; é a divindade consultada (ou ancestral honrado) que fornece a resposta para a pergunta do consulente.
   A crença e uso de Oráculos se comprova por meio de decretos oraculares gravados nas paredes de templos, e em papiros que eram então usados como amuletos pelos receptores da mensagem divina, armazenados em pequenos recipientes. Também existem petições originais que foram entregues aos Deuses em papiros ou ostracas - fragmentos de barro usados para escrever -, somadas a referências a orientações oraculares em documentos administrativos e privados, e estátuas e relevos relacionados a divinação.
   As questões formuladas tinham o padrão de resposta "sim" ou "não", e podiam envolver a previsão de eventos, confirmação de dúvidas ou informações sobre o passado e o presente, atestar identidade de indivíduos que estejam sob suspeita de algo, escolhas, decisões, e outras perguntas que pudessem ser estruturadas para obter uma resposta afirmativa ou negativa. Algumas das divindades relacionadas com oráculos são Heru-Khau em el-Hiba, Seth em Dakhla, Aset (Isis) em Koptos, Ahmose em Abydos, Amun em Karnak, Het-Heru (Hathor) em Edfu, Sobek e Aset em Faiyum, dentre outros. Alguns faraós também eram consultados para respostas oraculares, e persistiram sendo cultuados e inqueridos por centenas de anos após sua morte, como Amenhotep I, especialmente em Deir el-Medina.
   O formato de consulta divinatória mais associado ao Egito antigo são as orientações obtidas por sacerdotes ao interpretarem as movimentações de imagens divinas que eram carregadas em procissões, ou que ficavam em templos. A evidência mais antiga desse tipo de prática no Egito são algumas inscrições reais enigmáticas da metade da 18° dinastia, e relatam que o faraó Thutmose III e a rainha Hatshepsut receberam a comunicação de Amun por meio de sua barca portátil. Outros tipos de meio de receber as mensagens divinas também existiam, como frequentar os templos que abrigavam os animais sagrados vivos e interpretar seu comportamento após a pergunta - por exemplo, as ibises de Thoth, os falcões de Horus ou os crocodilos de Sobek.
   No período Ramessida que se seguiu, os documentos relatando sobre os oráculos se proliferam, e existem numerosas ostracas (fragmentos de barro) que registram as perguntas elaboradas e, ocasionalmente, as respostas oferecidas pela divindade para tal questão. Muitas dessas perguntas se relacionavam à identificação de ladrões, predizer a futura distribuição das rações e alimentos, localizar itens perdidos, e revelar informações sobre seres cuja manifestação de teor espiritual estaria perturbando o vilarejo. Cada região possuía suas próprias divindades patronas, que eram consultadas também para propósitos políticos e religiosos, como decidir quem seria escolhido como sacerdote, na eleição de oficiais e inclusive de faraós, na transferência de múmias para outros locais, e no retorno de exilados. A tradição persistiu por mais de quinze séculos, e sobreviveu inclusive ao declínio da religião kemética nativa.
   Porém, a divinação podia ser realizada de maneira particular ou individual, seja no lar ou em templos, sem a necessidade do intermédio de um sacerdote. O PGM (Papyri Graecae Magicae, ou Papiros Mágicos Gregos) contém uma variedade de fórmulas para divinação com lamparinas, tigelas com água ou óleo, e reanimação de falecidos para fins oraculares, mais conhecida como necromancia. Também havia a possibilidade de frequentar um templo e dormir lá para receber a mensagem da divindade por meio do sonho, o que era muito recorrente com relação ao deus Bes.
   Uma das práticas oraculares necromânticas individuais envolviam a tradição das cartas para os mortos (leia mais nesse texto), em que familiares escreviam para seus Akhu (Ancestrais) e entregavam as cartas na tumba do falecido, ou em outro local apropriado, e então aguardavam por um sinal que representasse a resposta para a pergunta, seja por um acontecimento mundano ou um sonho subsequente. Intermediários como escribas e sacerdotes eram procurados para elaborar as cartas no caso do indivíduo não ser letrado, e também podiam ser consultados para interpretar as respostas.
   Além da interpretação de sonhos, e de práticas divinatórias particulares, os calendários de dias de sorte e azar eram muito consultados no cotidiano, inclusive para tomar decisões e fazer determinadas atividades ou tarefas. As prescrições diárias eram divididas em manhã, tarde e noite, e podiam ser favoráveis ou desfavoráveis, geralmente de acordo com os eventos mitológicos que teriam ocorrido no dia em questão, como aniversários de Deuses ou outros acontecimentos marcantes na religiosidade egípcia. Tratarei mais a respeito dos calendários em outra oportunidade, com mais detalhes.

Referências
- Oracles, Pharaonic Egypt, por Teresa Moore
- The Oracle in Ancient Egypt, por Marie Parsons

A divinar no óleo de Yinepu,
   Alannyë Daeris

sábado, 7 de janeiro de 2023

Resenha: The Mechanics of Ancient Egyptian Magical Practice, de Robert K. Ritner

   Sinopse: The first critical examination of magical techniques and the practice of the magician in Ancient Egypt, revealing their widespread appearance and pivotal significance for all Egyptian 'religious' practices from the earliest periods through the Coptic era, influencing as well the Greco-Egyptian magical papyri.

Ficha Técnica


   Autor: Robert Kriech Ritner
   Ano: 1993
   Editora: Oriental Institute of the University of Chicago
   Páginas: 322

   O livro sobre o qual tenho imenso prazer de falar se trata de uma edição expandida e revisada da dissertação de doutorado de Robert K. Ritner - uma publicação acadêmica estupenda, ganhadora do Prêmio Heyman (1994) da Universidade de Yale. Ela se destaca por buscar compreender o conceito de magia (Heka) e suas mecânicas ritualísticas dentro do contexto egípcio, considerando a visão que os próprios praticantes tinham com base na mitologia, escritos da Antiguidade e achados arqueológicos.
   O autor, um renomado especialista no assunto, traça um panorama consistente e fidedigno do que era composta a magia dos egípcios, como ela se manifestava, e quais eram os princípios mitológicos que sustentaram essa prática por mais de cinco milênios, desde os períodos pré-dinásticos até a era copta, entrando em muitos detalhes a respeito de atividades realizadas, e explorando diversos aspectos que influenciaram no tema.
   É uma abordagem revisionista sobre a magia egípcia, que surge de análises metódicas de registros textuais e arqueológicos, revelando o fato de que não existia uma clara diferenciação entre a medicina, a religião e a magia, diferentemente do que os pesquisadores modernos concluíam até então - todas essas áreas de conhecimento estavam profundamente interligadas entre si. Somado a isso, desfaz a noção de que a magia egípcia era uma atividade marginal, realizada por indivíduos nefastos excluídos da sociedade; a magia era uma ocupação de sacerdotes e era acessada por todos da sociedade, sem exceções.
   A linguagem acadêmica empregada ao longo dessa obra requer uma significativa atenção e paciência, pois algumas passagens são de entendimento complexo, e mesmo a linguagem objetiva de Ritner nem sempre facilita para o leitor. Como uma boa dissertação, há uma quantia massiva de referências e notas de rodapé, que por vezes ocupam praticamente toda a página e desaceleram ainda mais o ritmo da leitura, mas são extremamente valiosas como um todo e fornecem a possibilidade de maior aprofundamento nas informações levantadas, com frequência nas suas fontes originais.
   Se você realmente se interessa pelas práticas mágico-religiosas do Egito antigo, e deseja compreender de maneira completa o que se pode afirmar com consistência e veracidade a respeito desses saberes arcanos e sagrados, The Mechanics of Ancient Egyptian Magical Practice é o melhor desafio intelectual que chegará em suas mãos. É uma fonte primorosa de estudos e boas referências para apaixonados por magia, mitologia, religião, e história antiga.

A encarar uma aparentemente infindável lista de referências,
   Alannyë Daeris

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Oração a Yinepu, Senhor da Necrópole

Dua Yinepu, O Senhor da Necrópole
Que abre os caminhos perante todos
E confere no salão o peso da índole
Guardião das Almas dos falecidos

Dua Yinepu, Regente da Eternidade
Orienta espíritos perdidos para seus destinos
Pois conheces em essência as Duas Verdades
Traga o fim definitivo aos seres malignos

Yinepu, Belo Guardião, Defensor Perfeito
Que põe a mão sobre os que estão no caixão 
Proteja-me e guarda-me na vigília e no leito
Faça descansar os que na terra estão

Yinepu, Mestre do Embalsamento
Oculta-me do mal, Senhor das Coisas Escondidas
Afasta o que é prejudicial, Chacal Magnificente
Rogo pelo Teu olhar zeloso do alto de Tua colina

Dua Yinepu, Senhor dos Produtos de Grãos
Que alimenta e nutre meu espírito faminto
Guia-me, dá-me o suporte das Tuas mãos
Amor e gratidão é tudo que sinto,
Louvado seja, Excelso Cão.

A empunhar a chave que abre os portões,
   Alannyë Daeris