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segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Amuletos e Talismãs Keméticos (Meket, Nehet, Wedja, Sa)

   Amuletos são parte essencial da religiosidade kemética, existindo desde os primórdios da cultura egípcia para diversos propósitos: proteção contra espíritos, doenças, crimes, prejuízos, pessoas mal intencionadas, e também para fertilidade, cura, prosperidade, saúde, e outras intenções de importância em épocas antigas. Eram usados pelos vivos e pelos falecidos, como é o caso do tradicional amuleto de escaravelho que era colocado no peito das múmias após o embalsamento, para que seus corações não testemunhassem contra si mesmos no julgamento final.
   Por amuleto, entendem-se pequenos objetos que são carregados ou usados no corpo, geralmente em forma de pingentes, pulseiras, braceletes ou brincos; porém, os egípcios estendiam essa definição para abranger itens que ficavam em contato com o corpo, como os descansos de cabeça. Era comum ser feita uma distinção entre amuletos e talismãs, sendo os primeiros destinados a proteger, e os segundos a enaltecer alguma qualidade do usuário, ou gerar um resultado esperado. As palavras "sa", "meket" e "nehet" costumam se referir a amuletos protetores, enquanto "wedja" serve para objetos que concedem proteção e também qualidades desejáveis, como saúde, força ou fertilidade. Podemos dividi-los em sete categorias principais: 
  1. Amuletos de divindades e animais sagrados;
  2. Amuletos de proteção ou aversão;
  3. O escaravelho para os vivos e falecidos;
  4. Amuletos de assimilação;
  5. Amuletos para obtenção de poderes;
  6. Amuletos de posses, propriedades, ou como oferendas;
  7. Simbolismo de materiais (sem necessariamente um formato).
   Muitas das informações que temos disponíveis sobre os amuletos egípcios, como eram utilizados, e quais eram suas funções, provém de fórmulas/spells registradas nos Textos das Pirâmides (Pyramid Texts), Textos dos Sarcófagos (Coffin Texts), e no famoso Livro dos Mortos (Book of Coming Out by Day). Há outros registros arqueológicos conhecidos, como inscrições em paredes de templos com listas de amuletos, e papiros funerários de dinastias tardias que indicam como os amuletos deviam ser colocados nos sarcófagos e múmias. A coletânea de feitiços Greek Magical Papyri editado por Hans Dieter Betz também é uma grande referência para o processo por trás dos amuletos mágicos de períodos mais tardios, já mesclados com elementos provindos de outras culturas e religiões próximas.
   A enorme presença de amuletos e talismãs em casas, tumbas, templos e altares onde oferendas votivas eram realizadas implica que esses objetos eram considerados necessários para a manutenção da vida, utilizados por todas as classes sociais - mesmo aquelas de menor poder aquisitivo. Enquanto indivíduos nobres e abastados podiam investir em amuletos variados e de confecção superior, as pessoas mais pobres dispunham de poucos exemplares, que eram usados por toda a vida e levados para as tumbas quando faleciam, fornecendo suas benesses também no pós-vida.
   Embora toda a sociedade fizesse uso de acessórios consagrados para proteção, vitalidade e outros benefícios, e amuletos temporários fossem usados por todos na iminência de combater doenças, proteger durante viagens ou em situações perigosas, há uma expressiva maioria de amuletos destinados ao uso permanente por mulheres e crianças, que se acreditavam estar mais vulneráveis às forças sobrenaturais. A mortalidade infantil era uma ocorrência preocupante em tempos antigos, e a suscetibilidade dos infantes às doenças gerava uma atenção especial ao tema no aspecto espiritual. Muitos feitiços do segundo milênio antes da Era Comum enfatizam o perigo dos mortos possuindo ou afetando negativamente as crianças, por terem inveja da vida. O processo da menstruação também era visto como um período de "impureza", que por sua vez, presumidamente gerava brechas para a atuação de entidades mal intencionadas.
   O material utilizado na confecção do amuleto era de suma importância, pois a cor confere certas relações simbólicas - amuletos vermelhos, por exemplo, estavam ligados à energia, poder, agressividade e ao sangue. O material mais conhecido é a faiança, um tipo de cerâmica azul acessível e facilmente moldável, com significativa importância religiosa pois é reluzente como os egípcios acreditavam ser seus Deuses e Ancestrais honrados. Porém, nem todos os itens usados como amuletos e talismãs eram confeccionados; os egípcios acreditavam que Heka (magia) também estava contida em objetos raros ou estranhos, que podiam ser naturais, como conchas provenientes do Mar Vermelho, pedras de rios com formato fálico ou de vagina para fertilidade, e búzios, que eram usados como amuletos contra o mau olhado por diversas culturas e muito populares no Egito.
   Além da faiança, uma lista extensa de materiais pode ser citada, cada qual com suas simbologias particulares. Desde os tempos mais antigos, materiais orgânicos como osso, conchas, marfim e garras foram usados, e mais raramente madeira. Mas o material mais utilizado foram as pedras, com evidências de que a pedra-sabão já era entalhada nos períodos pré-dinásticos (~5000AEC) no formato de amuletos e envidraçada em cor verde para imitar a turquesa e o feldspato.
   Num geral, citemos as pedras: sárdio, lápis lázuli, turquesa (em especial as verdes), jaspe verde e vermelho, ametista, hematita, esteatita, serpentina, pedra calcária, alabastro, quartzo leitoso, quartzo transparente, calcedônia, crisoprázio, ágata, olivina, obsidiana, diorito, basalto e siltito. Após a Primeira Dinastia, amuletos começaram a ser feitos em metal, como ouro, prata, electrum, cobre, e raramente bronze até o primeiro milênio antes da Era Comum (a.C.).
   A partir do Império Novo (dinastias 18 a 20, 1548-1086AEC), temos evidência de que os amuletos também passaram a ser elaborados com textos inscritos sobre papiro e linho, e na Era Romana em lamelas de ouro e prata, folhas bem finas que podiam ser enroladas. Porém, a prática de usar textos mágicos como amuletos é certamente mais antiga, pois há uma referência no Papiro Edwin Smith, escrito na transição entre o Segundo Período Intermediário e o Império Novo, meados de 1600AEC - e possivelmente já sendo uma fórmula antiga que foi copiada, pois a maior parte dos formulários mágicos consistem em cópias de receitas antigas e editadas, ou procedimentos já estabelecidos no momento da elaboração do papiro.
Pingente de metal para
amuletos do Império Médio
(1850-1800AEC) no British
Museum (EA24774)
.

   Como eram usados em uma base diária no cotidiano, os amuletos estavam sujeitos a sofrerem desgastes ou se tornarem ineficazes (especialmente aqueles de materiais mais delicados, como linho e papiro), portanto, muitos amuletos eram carregados em recipientes para se manterem intactos. Era comum o uso de saquinhos de linho, couro e a partir do primeiro milênio antes da Era Comum, em tubos de metal com as extremidades removíveis. Poucos exemplares de linho ou couro foram encontrados até então pelos arqueólogos, mas há uma quantidade considerável de tubos de metal para amuletos conhecidos e sendo estudados. Além dos textos mágicos para proteção, os tubos de amuletos também podiam carregar outros itens apotropaicos, como fragmentos de ossos, resina, pedras como granadas e cornalinas, cera de abelha, dentre outros materiais usados como amuletos.
   Diversos formatos de amuletos existiram no Egito, e alguns se destacam ainda hoje por sua popularidade e importância simbólica no contexto mitológico e cultural kemético. Dentre eles, o principal e arquetípico é o Olho de Hórus (Wedjat), mas também dispunham de enorme popularidade a Ankh (hieróglifo da vida), o Sa (nó de proteção), o Tyet (Nó de Ísis), o Djed (pilar de Osíris), o Ib (coração), dentre outros. Segundo um levantamento da egiptóloga Geraldine Pinch, há pelo menos 275 principais tipos de amuletos egípcios, que foram exportados e copiados por todo o mundo antigo. Também há exemplos de amuletos confeccionados em formato de plantas, animais, divindades, partes do corpo humano, móveis e objetos cotidianos, ferramentas, objetos ritualísticos e entidades em geral. A intenção geralmente era de transferir alguma característica ou qualidade desejada do objeto sendo retratado, variando de acordo com o propósito ou necessidade.
   Numa próxima oportunidade, tratarei em maiores detalhes a respeito dos amuletos citados acima, como os talismãs e amuletos de papel com textos mágicos, e os tradicionais Sa, Tyet, Djed, o Escaravelho, e afins.

Referências
• Amulets of Ancient Egypt (1994), por Carol Andrews
• The Materiality of Magic (2015) - The Materiality of Textual Amulets in Ancient Egypt, por Jacco Dieleman, pg 23-58
• Magic in Ancient Egypt (1995), por Geraldine Pinch

A proferir encantamentos sobre preciosos pingentes,
   Alannyë Daeris.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Resenha: Amulets and Talismans, de E. A. Wallis Budge

   Sinopse (na língua original): From the evil eye to the crucifix, this treatment presents a thorough and fascinating exploration of amulets and talismans of many cultures and traditions. The British Museum's noted Egyptologist examines the origins of seals, stones, rings, and other items related to Arab, Persian, Babylonian, Assyrian, Egyptian, Ethiopian, Gnostic, Hebrew, and other sources.

Ficha Técnica


   Autor: E. A. Wallis Budge
   Ano: 1968
   Editora: Citadel Press
   Páginas: 543

   Posso assegurar com tranquilidade que essa foi uma das obras mais interessantes e informativas que já li sobre a natureza da magia na antiguidade, tendo seu enfoque nos instrumentos mágicos conhecidos como amuletos e talismãs. Começa elucidando o que são esses objetos curiosos, mas vai além das diferenças e similaridades entre eles.
   Ainda que o tamanho volumoso de páginas possa assustar, cada página se mostra mais valiosa que a anterior, e não há como não se impressionar com o entendimento imenso que Sir Wallis E. Budge demonstra sobre o assunto, transmitindo-o com simplicidade e grande acessibilidade linguística.
   Diversas tradições religiosas e espirituais são descritas com profundidade e embasamento arqueológico - como as crenças dos povos egípcio, babilônico, hebreu, árabe, chegando até os cabalistas e cristãos -, apresentando uma visão sempre elucidativa, longe de tendências e distorções. Devo dizer que desmistificou e aprofundou muito meu olhar sobre algumas das culturas citadas.
   Temas imprescindíveis para compreender o pensamento dos antigos, como o Mau Olhado (The Evil Eye), Astrologia clássica, Kabbalah, e até as propriedades de pedras preciosas estão presentes com explicações precisas e fontes confiáveis.
   As referências e citações de trechos ou obras são dignas de elogios, e me introduziram a leituras pouco difundidas, ou esquecidas pelo meio esotérico moderno, mas cada qual com alto nível de qualidade e importância. Diversas imagens são usadas para ilustrar as explicações e descrições de objetos ritualísticos, incluindo alguns amuletos raríssimos e até uma relação enorme de todos os tipos/formatos de talismãs egípcios - que acompanha uma relação incrível de seus usos e simbolismos principais, preciosíssima para keméticos como eu!

A honrar sua memória nesse Samhain,
   Alannyë Daeris.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Saquinho Mágico + Petição para Atração de Clientes e Prosperidade nos Negócios

   Uma leitora me pediu alguma dica mágica para facilitar a atração de clientes para seu empreendimento. Isso me inspirou a criar essa receita de saquinho mágico, que pode ser confeccionado para qualquer tipo de negócio que precise captar clientes ou compradores, independente do ramo ou tipo de serviço prestado. Depois de pronto, você deve colocar o saquinho pendurado ou escondido atrás da porta de entrada do estabelecimento, ou em um local similar.
   Se for de sua preferência consagrar o saquinho para uma divindade ou entidade que favoreça o comércio e a prestação de serviços, faça-o à vontade.

Você precisará de:
• Um saquinho verde; ou tecido, linha e agulha para costurar o seu. Deve ser bem costurado para que os ingredientes não caiam para fora.
• Uma fita ou barbante para amarrar o saquinho.
• Açúcar para atrair. Use açúcar mascavo caso tenha em casa.
• Fermento para fazer crescer a clientela. Use o fermento seco ou químico; uma colher de sopa está bom.
• Ervas de prosperidade de sua preferência, como louro, cominho e canela em pau.
• Uma moeda bem limpa de qualquer valor. Lave pra que fique brilhante como se fosse nova.
• Papel e caneta de cor verde ou dourada.
• Opcional: uma pirita.

🕒 Horas e dias de Júpiter, Sol ou Mercúrio.
🌔 Lua crescente ou cheia.

   Reúna todos os ingredientes e certifique-se de que não será interrompido. Purifique a si próprio, ao ambiente, e aos ingredientes que serão usados; aplique um método de sua preferência para a purificação.
   Respire fundo e pegue a caneta em mãos. Visualize seu negócio, pense nele tendo muitos clientes, várias vendas confirmadas e o dinheiro entrando. Observe a imagem abaixo e replique essa petição, ou use-a como base para criar a sua própria. Caso você seja um profissional autônomo, escreva seu nome três vezes substituindo o texto entre parênteses. O cifrão no centro deve ser desenhado por último, visualizando a prosperidade financeira desejada.


   Dobre a petição quatro vezes, e coloque dentro do saquinho. Adicione o açúcar, consagrando-o verbalmente para atrair clientes; depois, o fermento, consagrando-o verbalmente para multiplicar e fazer crescer sua clientela; depois, as ervas consagrando-as verbalmente uma por uma, de acordo com suas finalidades específicas. Mantenha-se concentrado no seu objetivo sempre. Por fim, coloque a moeda, soprando sobre ela para consagrar, e amarrando o saquinho. Diga, visualizando seu objetivo:

"Reúno todos esses ingredientes
Que atrairão para meu serviço bons clientes
Meu negócio só cresce daqui em diante
E a prosperidade financeira por aqui é constante"

   Está consagrado. Coloque o saquinho sob a luz solar por algumas horas para energizar, e depois já pode pendurar atrás da porta do seu negócio ou do ambiente onde você trabalha. Mensalmente, você pode abrir o saquinho, trocar as ervas, a moeda, o açúcar e o fermento, para manter o feitiço funcionando.

• ☾ •

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A juntar fios e retalhos,
   Alannyë Daeris.

sábado, 11 de abril de 2020

Guia de Saquinhos Mágicos (Mojo ou Charm Bags)

Fonte. Editada pela autora.
   Saquinhos mágicos existem em uma variedade de tradições e sistemas mágicos - são popularizados pelo uso muito comum na tradição afro-americana do Hoodoo. São conhecidos por uma variedade de termos: Mojo bags, Gris-gris bags, Medicine bags, Charm bags ("saquinhos encantados", em tradução livre do inglês), dentre outros. As formas de criar e principalmente lidar com saquinhos mágicos variam de acordo com a tradição específica, e tratarei aqui de saquinhos mágicos na Bruxaria apenas.
   No Hoodoo, o mojo é a morada de um espírito; na Bruxaria, é um feitiço normal, mas que ficará ativo por tempo prolongado dentro de um saquinho consagrado. Existem muitas diferenças entre as mojo bags e as charm bags (que no caso são as da Bruxaria, mas eu costumo chamar ambas de mojo!); uma delas é o fato de que no Hoodoo, você não pode deixar ninguém ver ou tocar seu saquinho. Na Bruxaria, isso depende do praticante, e podem ser colocadas à mostra para angariar energia, por exemplo.
   Na prática, um saquinho mágico é um feitiço dentro de uma bolsa de tecido. É uma das melhores formas de carregar um feitiço com você, pois são bastante usados como amuletos para se levar no bolso ou em volta do pescoço. Para a criação de um saquinho mágico, você escolherá e colocará dentro da bolsinha vários itens carregados magicamente com sua intenção. Esses itens podem ser ervas, cristais, pingentes em formatos específicos (curios), penas, resinas naturais, conchas, flores, cinzas de incenso, ossos, moedas, pedrinhas, raízes, pós mágicos, sementes, papéis com sigilos ou petições, taglocks*, óleos essenciais, enfim. A bolsinha que carregará o feitiço pode ser escolhida de acordo com uma cor específica, ou tecido adequado como seda, couro ou algodão, pois o próprio saquinho também é parte do feitiço.
   As charm bags podem ser criadas para qualquer intenção, mas são mais apropriadas em algumas situações do que outras. Como ficam ativos por um certo tempo - até 3 meses aproximadamente, se não for feita a manutenção -, é melhor para objetivos a longo prazo, ou em situações que você gostaria de ter um amuleto para usar em momentos apropriados. São muito usados para feitiços de cura, amor e atração, auto-estima, sorte, prosperidade e fortuna, proteção e sorte em viagens, para facilitar viagens astrais, afastar pesadelos, enfim. As aplicações são inúmeras, e dependem somente da sua criatividade e necessidade!
 

Passo a Passo: Criando seu Saquinho Mágico


   Como existem várias maneiras de criar e ativar um saquinho mágico, segue abaixo um passo a passo de como eu costumo criar os meus. Você pode adaptar conforme suas práticas e crenças, e desenvolver sua própria maneira de confeccionar os seus. 
   O processo de criação é muito parecido com o de um feitiço, pois um saquinho mágico é como um feitiço dentro de um recipiente de tecido. Portanto, tome os mesmos cuidados que costuma tomar ao criar e realizar seus feitiços.

1. Determine sua intenção.

• Qual será a finalidade do mesmo? Qual o objetivo que ele deve lhe ajudar a alcançar?
• Você pretende usá-lo no pescoço, deixar guardado no seu altar, esconder (ou deixar à mostra) em algum lugar de sua casa? Dependendo do objetivo, ela pode ser colocada em lugares diferentes da casa, como na cabeceira da cama para ter noites tranquilas e sonhos divinatórios.
• Quais propriedades vão de acordo com sua intenção? Isso servirá para determinar a cor e os ingredientes que serão usados.
• Por quanto tempo ele vai atuar? Haverá necessidade de fazer manutenção? Quanto maior o objetivo, mais energia o saquinho mágico precisará, então você deve planejar com antecedência.
• Qual o dia da semana e horário planetário mais adequado para confeccionar o saquinho mágico? Qual a melhor fase da Lua, ou em qual signo é melhor que ela esteja para essa finalidade?

2. Escolha os ingredientes. 


   Primeiro determine os ingredientes mais básicos (e também mais importantes!), que são as ervas e cristais. Geralmente se usa pelo menos uma erva e um cristal, mas você pode criar saquinhos que tenham apenas ervas, ou nenhum cristal. Outro item bastante acrescentado são papéis com sigilos, runas ou bindrunes, símbolos e/ou petições. O ideal é que esses papéis sejam criados especificamente para o saquinho mágico, e ativados antes de acrescentar - leia mais sobre isso no texto sobre as petições mágicas.
   Existem uma infinidade de coisas que podem ser acrescentadas em saquinhos mágicos, incluindo símbolos como um pingente de cobra para proteção, pelo de gato preto para sorte, uma moeda dourada para fortuna, uma mini-ferradura para sorte, enfim. Nesse aspecto, depende muito de você e do que você considera apropriado para sua intenção. A sua intuição pode ajudar muito!
   Se o seu saquinho mágico tem outra pessoa como alvo (lembrando que podem ser feitos para cura de um ente ou animal querido, atrair sorte para uma pessoa amada, etc), separe um taglock, ou seja, um item que tenha conexão com a pessoa-alvo. Isso criará um link mágico simpatético. Você também pode acrescentar um item simpatético seu se o saquinho mágico for para você. Exemplos de taglocks: fios de cabelo, saliva, um pedaço ou fios de tecido da roupa da pessoa, unhas, fluidos corporais, uma foto da pessoa, a assinatura dela, um objeto que era dela ou que foi usado por ela recentemente, enfim. O próprio nome completo e data de nascimento escritos em um papel funcionam como esse link mágico.
   Tradicionalmente, saquinhos mágicos são feitos com um número ímpar de ingredientes, e não se deve passar de 13. Porém, a quantidade de ingredientes pode ser escolhida baseado na numerologia, e nesse caso, vai de você se acredita ser melhor usar apenas números ímpares ou se não faz diferença. Eu não me importo em usar números pares nos meus.

3. Escolha e/ou confeccione o saquinho.


Exemplo de saquinho mágico
de organza, para bons sonhos.
Fonte.
   Você pode usar um saquinho pronto de organza (ou de outros materiais) com uma cor apropriada,
ou confeccionar o seu saquinho do zero, usando tecido e linha da cor adequada. Caso prefira costurar você mesmo, durante a costura, concentre-se na intenção para intensificar ainda mais o potencial do seu saquinho mágico. Se você pretende usar o saquinho como um amuleto em volta do pescoço, esse é o momento em que é possível colar ou costurar uma fita ou barbante de tamanho adequado para isso.
   Eu gosto de confeccionar os saquinhos já dentro de um círculo mágico, com tudo pronto para a ativação do feitiço, aproveitando para acrescentar minhas energias e intenção na hora de costurar o saquinho.

3. Invoque as propriedades dos ingredientes.


   Conforme você acrescenta cada um dos materiais dentro do saquinho, invoque a propriedade do item. Você pode conversar com ele, falar um encantamento, e pedir que trabalhe a seu favor. Por exemplo, pegue as ervas, uma por uma, e diga: "Você atrairá [a propriedade] para minha vida". No caso dos curios, ou pingentes e símbolos, diga: "Você simboliza [a propriedade], portanto, atrairá ela para minha vida". 
   Faça isso com todos os ingredientes que acrescentar ao seu saquinho, um por um, enquanto coloca dentro dele. Se possível, essa invocação deve ser feita logo antes da ativação do saquinho (ou seja, em um ambiente preparado e com bastante concentração e foco).

4. Feche o saquinho.


   O momento de fechar é simbólico e representa que o feitiço está pronto e basta ser ativado. Portanto, ao fechar, mentalize seu objetivo. Você pode usar fitas coloridas de cores adequadas ou cordões para amarrar, se o seu saquinho não tiver um fecho embutido. Há alguns casos em que você pode costurar o saquinho e selar definitivamente, principalmente se não pretende reutilizar os ingredientes ou abrir para fazer a manutenção.

5. Ative.


   A ativação é o ato de consagrar o saquinho para a finalidade escolhida. É equivalente ao momento de lançar um feitiço, portanto, funciona de maneira similar. Prepare o ambiente como você costuma preparar para atividades mágicas, e trace o círculo mágico se costuma usá-lo. Você pode consagrar para os quatro elementos, ou simplesmente dizer ao saquinho para que ele servirá.
   Exemplo simples de ativação:
   Acenda um incenso e uma vela de cor adequada, e desenhe um pentagrama no ar com a fumaça de incenso sobre o saquinho, enquanto invoca as energias do universo (se quiser, pode acender uma vela e convidar uma divindade também). Pegue o saquinho em mãos e concentre-se na intenção. Visualize sua energia viajando pelo seu corpo, e levando sua intenção para o saquinho através de suas mãos; enquanto isso, mentalize seu objetivo, pense no seu desejo se tornando real.
   Passe o saquinho pela fumaça do incenso, enquanto diz qual será a finalidade daquele saquinho. Pode ser algo como: "Eu lhe consagro e lhe ativo para a finalidade tal, para que você trabalhe a meu favor, e me ajude a alcançar meu objetivo, até o momento de seu encerramento, que será determinado por mim. Que assim seja feito!".
   Deixe o saquinho do lado da vela até que ela termine de queimar, para que o feitiço absorva toda a energia da vela. Está pronto, e já pode ser colocado no altar ou em sua casa, ou guardado para usar em momentos apropriados nos quais você precisa da energia do saquinho.

6. Energizando e fazendo a manutenção dos ingredientes.


   Depois de pronto, o saquinho mágico pode ser energizado e empoderado de várias maneiras. Se você quer que seu saquinho continue ativo por bastante tempo, precisa fazer a manutenção de alguns ingredientes, como ervas e cristais. A energização e manutenção podem ser combinadas com dias e horários planetários ou fases da Lua adequadas para maior efetividade.
   Algumas das coisas que podem ser feitas para prolongar o efeito de uma charm bag:
• Trocar as ervas. Retire as antigas, queime no caldeirão (ou enterre), e coloque novas.
• Purificar e energizar os cristais, depois recolocar no saquinho. Bom para ser feito em fases da lua apropriadas.
• Acrescentar pós ou sais mágicos.
• Pingar algumas gotas de óleo essencial dentro ou sobre o saquinho. Isso é interessante de se fazer semanalmente.
• Acender um incenso, uma vela ou um smudge stick (vareta defumadora de ervas) e direcione a energia para o saquinho mágico.
• Colocar sob a luz do sol ou a luz da lua por algum tempo.
• Canalizar energia da Lua, de estrelas ou objetos cósmicos apropriados.
• Falar um encantamento apropriado sobre o saquinho.
• Entoar mantras e meditar com o saquinho.

7. Encerrando o feitiço.


   Quando não há mais necessidade para o saquinho mágico, ou se você quiser desfazer/encerrar o feitiço, basta abrir e retirar os itens de dentro. Alguns materiais podem ser purificados e reaproveitados (seja para magia ou seja para outras finalidades), como cristais, conchas, moedas, minerais e pingentes. Outros devem ser enterrados ou queimados, como ervas, raízes, sementes, papéis, fotografias, pós mágicos e afins.
   Há situações em que pode ser melhor se desfazer de todos os ingredientes usados, e enterrar ou queimar todo o saquinho, mas isso depende do praticante e da finalidade para a qual aquele saquinho foi feito.

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A costurar,
   Alannyë Daeris.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Magia com Rolhas

Imagem via Shutterstock. Editada pela autora.
   Muitos objetos do nosso cotidiano podem parecer simples e descartáveis, mas com criatividade é possível torná-los úteis magicamente. Esse é o caso das rolhas de vinho, que podem ter várias utilidades em um contexto pagão, mas são pouco valorizadas. 
   Começando pelas simbologias, o vinho, como derivado das uvas, tem suas atribuições mágicas correlacionadas. Uvas são associadas à fertilidade, colheita e abundância. Muitas divindades possuem ligação com uvas e vinho, como Dionísio, Hathor e Odin. Já o vinho por si só possui as correspondências de amizade, partilha e perder inibições pessoais.
   A cortiça com a qual as rolhas são feitas é um material natural, retirado de uma árvore - a Sobreira (Quercus suber). A sobreira é uma árvore com fortes propriedades de proteção, sendo a última árvore a entrar em combustão em incêndios florestais, pois nela há pouquíssima condutividade para calor, som e vibração. Também é muito ligada à regeneração, uma vez que sua casca exterior é retirada a cada nove ou dez anos (essa casca é a cortiça que compõe as rolhas), e cresce novamente. Além de proteção e regeneração, possui atributos mágicos de resistência, renovação, vivacidade, imunidade e blindagem. Portanto, rolhas de cortiça podem ser usadas em rituais e feitiços para todas essas finalidades. 

   • Decoração

   Rolhas são muito empregadas em artesanatos e decorações, e da mesma forma, podem servir para criar decorações para seu altar, ou para deixar seu lar com um pouco mais de magia. Você pode colar várias rolhas lado a lado para fazer um pentagrama - ou outros símbolos de sua preferência - e pendurá-lo na porta ou fixá-lo em uma moldura. Ou, pode desenhar runas e símbolos em rolhas cortadas em fatias menores, e amarrá-las em um cordão para pendurar, como um móbile.
   Se você tem muitas rolhas em casa e não sabe o que fazer com elas, que tal criar uma vasilha rústica para oferendas para seu altar, como a da imagem ao lado? Basta uni-las com cola quente, começando por um círculo que servirá de base. 
   Outra alternativa um pouco mais mágica é escrever seus pedidos em rolhas e colocá-las em um vaso decorativo de vidro na sua sala ou quarto. Energize o vaso de vez em quando, podendo adicionar ocasionalmente algumas pedras purificadas e energizadas para auxiliar a alcançar seus pedidos. 
   
   • Runas e oráculos
  
Conjunto de Runas Nórdicas
confeccionadas em cortiça.
Fonte
   Para criar seu próprio conjunto de runas nórdicas, você pode cortar várias rolhas em círculos menores e pintá-las. Nas Eddas, é dito que Odin conseguia sobreviver apenas de vinho, indicando além de outras coisas, o apreço da divindade pela bebida; portanto, rolhas de vinhos podem ser um material interessante para a fabricação de runas.
   Outros oráculos também podem ser confeccionados com esse material de fácil acesso e manuseio, como Runas da Bruxa e o Ogham.

   • Feitiços

   Por serem de origem natural (lembre-se que existem rolhas de cortiça sintéticas!), rolhas podem ser enterradas sem maiores preocupações. Da mesma forma, podem compor feitiços nos quais você escreve seu pedido na cortiça, picota e sopra ao vento. 
   Você pode confeccionar amuletos ou talismãs protetores - ou para qualquer outra finalidade que desejar - com rolhas, cortando uma fatia e furando-a com uma agulha grossa ou garfo, e amarrando um cordão através dela. Em seguida, desenhe símbolos ou runas relacionadas para potencializar sua magia.
   Rolhas são usadas para conter líquidos dentro de garrafas, e por esse motivo, podem ser usadas em feitiços de contenção, como o descrito logo abaixo. Nesse caso, estruture seu feitiço para que você contenha aquilo indesejado dentro de uma garrafa simbolicamente, de maneira que seja selado para longe de sua vida.
   Se você usa muitos símbolos, runas ou desenhos mágicos em seus feitiços ou para decorar seu livro das sombras, use as rolhas para criar carimbos. 

Feitiço de Abundância¹ 


   Esse simples feitiço precisa apenas de uma rolha, uma tesoura e uma vela, de preferência dourada ou verde. Se você possui óleos para fortuna ou dinheiro, unte a vela com eles.
   Acenda a vela, e segurando-a em sua mão, visualize-se andando por um vinhedo repleto de uvas, com parreiras grandes e vistosas. Você vê incontáveis cachos de uva, pendurados acima de sua cabeça. Colete os cachos de uvas conforme anda por esse lindo parreiral, visualizando essa abundância sendo depositada em sua rolha. 
   Quando sentir que "coletou" o suficiente, pegue a tesoura e picote a rolha em pedaços bem pequenos, visualizando o tipo de abundância que você deseja se espalhando em sua vida. Caso queira potencializar um pouco mais o feitiço, adicione algumas ervas que correspondam com seu objetivo (como canela em pó, se você quer abundância financeira) junto dos pedaços de cortiça.
   Assim que a vela queimar por completo, espalhe os farelos nos locais que simbolizem a abundância que você precisa. No caso da abundância de dinheiro, espalhe em sua carteira, na porta de sua casa, ou em seu jardim. Você também pode soprar ao vento, pedindo a ele que traga a abundância para você.

Feitiço de Contenção


   Você precisará de uma garrafa pequena e uma rolha que possa selá-la, uma vela preta, sal grosso, louro e pimenta preta, papel e caneta. Esse feitiço serve para cessar a influência de alguém em sua vida e/ou para lhe ajudar a conter um mau hábito do qual deseja se livrar (não necessariamente seu! Pode ser uma atitude alheia). 
   Escreva no papel o nome da pessoa e/ou a atitude indesejável, enquanto foca no porquê dessa pessoa ou hábito deverem ser contidos. Enrole bem e coloque dentro da garrafa. Preencha o fundo (cobrindo 1/4 da garrafa aproximadamente) com o sal grosso, na intenção de purificar essa pessoa/atitude. 
   Em seguida, preencha a garrafa com o louro e a pimenta preta, deixando um espaço no topo para outra camada de sal. Você pode acrescentar flores de lavanda, ou as cinzas de incensos de lavanda, caso sua garrafa seja grande e precise de muito louro e pimenta para encher. Por fim, acrescente sal até o gargalo, equivalendo a 1/4 da garrafa. Enquanto acrescenta o sal, visualize seu problema sendo selado e neutralizado.
   Pegue a rolha, e visualize-a sendo uma barreira impenetrável, contendo tudo aquilo que você escreveu no papel e impedindo que lhe afete ou atinja. Coloque muita intenção na rolha, e sele a garrafa. Acenda a vela e sele a garrafa com a cera. Conforme você pinga a cera na rolha, visualize seu problema não lhe afetando mais, se imagine feliz. Quando sentir que já depositou camadas o suficiente de cera sobre a rolha, coloque a vela para terminar de queimar em cima da garrafa. 
   Ao queimar por completo, leve a garrafa para um local afastado, longe dos lugares onde você costuma frequentar, e enterre-a bem escondida.

Algumas referências do livro "365 Days of Hoodoo: Daily Rootwork, Mojo & Conjuration", de Stephanie Rose Bird.
¹ Feitiço de Abundância e Feitiço de Contenção traduzidos e adaptados daqui.

A confeccionar,
   Alannyë Daeris.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Grimório Herbal: Anis Estrelado


   O Anis Estrelado é uma especiaria que atrai muita atenção - e seu formato de estrela de oito-pontas diz muito sobre a aura mágica que emana!

Nome Científico: Illicium verum. O anis japonês, Illicium anisatum, é altamente tóxico, e não pode ser consumido, mas pode ser queimado como incenso e utilizado magicamente.
Gênero: Masculino
Elemento: Ar
Correspondência Planetária: Júpiter, e em algumas fontes, Vênus
Usos Mágicos: Clarividência e divinação, sorte, proteção, tranquilidade, cura, prosperidade, sucesso, boas amizades e relacionamentos.

   A simbologia da estrela de oito pontas confere a essa erva suas energias de conexão com o micro e macrocosmo, "assim em cima, como embaixo". Também é o formato que lhe fornece as propriedades de estabilidade e expansão, que correspondem a uma ótima adição em feitiços para sorte, e uma erva essencial para aguçar a clarividência e auxiliar na divinação.

   É uma erva que representa bem sua simbologia planetária com Júpiter, intensificando as energias de sucesso e proteção, e trazendo uma profundidade maior a trabalhos que utilizem a intuição ou poderes psíquicos em geral. Sendo assim, pode intensificar o estudo e uso de oráculos e também trazer maior clareza e entendimento dos assuntos consultados.

   Sua popularidade é bem grande quando se trata de utilização em feitiços, sendo amplamente utilizada em várias comunidades de magia e bruxaria, bem como em simpatias populares. É relacionado com o chakra do terceiro olho e da raiz, e aos signos de peixes e sagitário em algumas fontes.

Utilizando o Anis Estrelado na magia!

   ☾ Para Proteção

   Separe um pedaço de tecido preto, além de três paus de canela, três anises estrelados e três flores de calêndula. A quantidade é meramente simbólica, e você pode modificar conforme queira. 
   Coloque as ervas dentro do tecido e costure de forma que fiquem guardadas dentro do saquinho. Enquanto costura, visualize sua casa protegida, sinta que está livre de energias prejudiciais e foque-se nessa proteção que você deseja. Se quiser, desenhe símbolos e/ou sigilos protetores no tecido (pode ser feito antes de adicionar as ervas, por dentro ou por fora do tecido). Ao terminar, pendure atrás ou em cima da porta.
   Você também pode adicionar ao saquinho alguma pedra já purificada, consagrada e energizada para esta finalidade. Neste caso, é interessante desfazer o saquinho e fazer um novo de tempos em tempos, para energizar novamente a pedra.

   ☾ Para Sorte

   Em um pratinho, adicione quatro trevos de quatro folhas e quatro anises estrelados, intercalando-os ao redor de uma vela verde. Se você está precisando de muita sorte - no caso de um emprego, por exemplo -, unte a vela com óleo essencial de canela e salpique canela em pó em volta da mesma. Você também pode colocar um sigilo ou símbolo desenhado em um papel embaixo da vela antes de queimá-la. 
   Deixe a vela queimar até o fim, jogue as ervas na natureza, e coloque os restos da vela no lixo. 

   ☾ Outras Utilizações

• Beba um chá de anis estrelado antes de consultar oráculos.
• Incensos de anis são ótimos para intensificar a clarividência em rituais (e são inseticidas naturais!). 
• Costure alguns pedaços de anis em um saquinho e coloque em seu travesseiro para aumentar os sonhos divinatórios, ou para afastar pesadelos. 
• É uma ótima combinação com a calêndula e a lavanda, pois possuem energias similares.
• Carregue um inteiro na carteira para ter boa sorte e prosperidade.
• Traz boas energias para relacionamentos interpessoais, podendo ser acrescentado em banhos mágicos para amor.

A consultar o próprio acausal,
   Alannyë Daeris.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Vegvisír

   O Vegvisír é um símbolo islandês utilizado para trazer boa sorte em viagens. Seu nome, em tradução livre, significa "sinal guia". Por vezes é conhecido como "bússola viking" ou "bússola rúnica".
   Essa runa traz a boa ventura em viagens, afasta tempestades e mau tempo, e também evita que a pessoa que a utiliza se perca. Originalmente, o Vegvisír era empregado para viagens marítmas, porém seu propósito pode ser adaptado para práticas mágicas atuais.
   A utilização do Vegvisír, tanto na antiguidade quanto nos dias presentes, pode ser feita através de amuletos ou talismãs, ou desenhado no corpo. Os povos islândicos entalhavam em seus navios para que sempre encontrassem seu caminho, e desenhavam com sangue na testa dos viajantes que partiam em longas viagens.
   Esse símbolo aparece, no Manuscrito Huld (1860 d.C), um livro de sigilos, encantamentos e selos islândicos, juntamente com vários outros símbolos similares. Também é visto em outros dois outros manuscritos: Galdraskræður (1940 d.C) e Galdrakver (Séc. XIX). Porém, o Vegvisír também é citado em inúmeros grimórios datando do século XVII, tendo possivelmente influência antiga germânica.

Imagens do Vegvisír em manuscritos. São eles, respectivamente: Manuscrito Huld, Galdraskræða e Galdrakver.

   No Manuscrito Huld, a seguinte frase acompanha o desenho rúnico: "Quando esse símbolo é carregado, a pessoa nunca perderá seu caminho em tempestades ou em tempo ruim, mesmo que o caminho não seja conhecido".
   É visto como um quadrado no Manuscrito Huld, porém também é desenhado em formato circular. Porém, não deve ser simplificado, e todas as linhas devem ser desenhadas ao ser utilizado em magia rúnica. O motivo para evitar as versões mais simplificadas é o fato de que, como é um símbolo rúnico, todos os traços e runas tem sua importância. Assim, empregar magicamente um Vegvisír sem todos os seus detalhes pode surtir pouco ou nenhum efeito.

Na imagem acima, dois Vegvisír encontrados na internet.

   Pode-se observar nas imagens acima dois Vegvisír. O símbolo da esquerda é o simplificado, que deve ser evitado em usos mágicas. Circulei em vermelho os locais aonde faltam detalhes.
   Na direita, um Vegvisír fiel ao descrito no Manuscrito Huld. Circulei em azul o detalhe opcional, que nem sempre é visto em todos os símbolos.
Fontes: Galdrastafir
A viajar tranquilamente,
   Alannyë Daeris Aiodunn.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Grimório das Pedras: Turmalina Negra


   A Turmalina Negra é uma pedra bastante utilizada por seu poder intenso de repelir energias negativas. Ela também possui uma boa capacidade transmutadora de energias, transformando as negativas em positivas. Pode ser utilizada como bateria energética para transmutar energias negativas em energias para seus rituais ou feitiços.
   Assim, qualquer processo mágico feito com a Turmalina possui um grande potencial mágico. Carregar uma dessas na bolsa ou deixar em um lugar aonde você costuma ficar bastante tempo pode afastar más influências mágicas. Para proteger sua casa, você pode colocar algumas Turmalinas Negras próximas da porta, em um potinho ou dentro de um vaso de flores.
   Colares e bijuterias feitas com Turmalina Negra servem como uma boa forma de estar sempre protegido. Consagre as joias em uma Lua Minguante ou Cheia, e/ou utilize-as como fonte de energia protetora para seu Escudo Mágico.
   A Turmalina Negra também pode ser utilizada para a cura, em rituais com o propósito de banir determinadas doenças. Dessa forma, é uma pedra muito versátil, e imprescindível para qualquer praticante de magia.

Feitiço simples para a proteção


☾ Uma vela preta
☾ Alecrim
☾ Turmalina Negra
☾ Papel e caneta
☾ Óleo de Manjericão ou Alecrim (opcional)

   Trace o círculo mágico como de costume. Se fizer durante um riutal ou não costume traçar círculos, ignore esse passo. Purifique e energize a Turmalina Negra da maneira que mais lhe agradar. Unte a vela e a Turmalina Negra de cima para baixo, caso opte por utilizar o óleo. Você também pode acender um incenso que tenha propriedades de banimento ou de proteção.
   Posicione as coisas para o feitiço dessa forma: 

Vela
Caldeirão
Turmalina Negra
Você

   Após organizar, escreva no papel as coisas das quais você quer se proteger. Se quiser afastar certas pessoas da sua vida, anote o nome delas enquanto pensa nas mesmas. Enquanto coloca no papel tudo aquilo que não quer na sua vida, tente pensar e visualizar o máximo sobre cada coisa, colocando seus sentimentos também. 
   Seja bastante específico e não escreva coisas muito amplas. Por exemplo, ao invés de escrever "ciúmes", escreva "afasto as situações que causam ciúmes no meu relacionamento" ou "me livro dos sentimentos de ciúme", sempre no tempo presente. 
   Quando terminar de escrever, acenda a vela, mentalizando que afastará todas as energias negativas e as banirá de sua vida. Você pode proferir um encantamento ou improvisar algumas palavras. Acenda o papel na vela e coloque no caldeirão, enquanto adiciona o alecrim pouco a pouco nas chamas. Se preferir, pode colocar um pouco de álcool no caldeirão para que queime o papel e o alecrim por inteiro. 
   Ao terminar de queimar, jogue as cinzas ao vento, e purifique e energize novamente sua Turmalina Negra.

Amuleto protetor


☾ Tecido preto
☾ Turmalina Negra
☾ Manjericão, Alecrim ou Arruda
☾ Incenso de alguma das ervas acima
☾ Papel e caneta

   Corte um pedaço de tecido em que caibam todos os elementos para seu amuleto. Desenhe runas, símbolos protetores, ou sigilos no papel. Coloque a quantidade desejada das ervas - seja todas elas ou apenas uma -, a Turmalina Negra devidamente purificada e energizada, e amarre ou costure o tecido. 
   Acenda o incenso e consagre o amuleto na fumaça, mentalizando a proteção que deseja para sua casa. Você pode proferir um encantamento simples ou apenas visualizar a energia de proteção emanando do seu amuleto. Amarre-o atrás da porta ou coloque em algum lugar próximo da entrada da sua casa, ou do cômodo que você deseja proteger. 
   Leve o incenso consigo pela casa e visualize as energias de proteção envolvendo sua casa inteira. Quando o incenso terminar de queimar, jogue as cinzas próximas à entrada da sua casa, ou assopre-as em alguma janela.

A banir as energias indesejadas,
   Alannyë Daeris Aiodunn.