quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Resenha: Bruxaria e Magia na Europa - Grécia Antiga e Roma, de Daniel Ogden, Georg Luck, Richard Gordon e Valerie Flint

   Sinopse: Você sabe como a 'demonização' política da magia no fim do Império Romano se compara à associação da Bruxaria com o diabo? Sabe por que a magia chamou a atenção dos imperadores e príncipes? Será que eles não estavam mais satisfeitos em governar apenas os corpos e o trabalho de seus súditos, querendo controlar também suas paixões e credos? É possível que a magia antiga tenha sido afetada pelas várias influências de uma multiplicidade de deuses e cultos pagãos? Os gregos realmente acreditavam em seus mitos? Essas e muitas outras indagações serão respondidas em Bruxaria e Magia na Europa - Grécia Antiga e Roma, um livro que se vale de filosofia, direito e religião para fazer um percurso na história da Bruxaria, abordando desde a era heroica de Homero até o fim do império ocidental de Augustino e Teodósio. Encantamentos de amarração: placas de maldições e bonecas de vodu nos mundos grego e romano, Bruxos, bruxas e feiticeiros na literatura clássica, Magias imaginativas grega e romana, Demonizando a magia e a feitiçaria na Antiguidade Clássica: redefinições cristãs das religiões pagãs - estes e muitos outros assuntos são o ponto de partida deste livro que traz um registro histórico a respeito da Bruxaria e da Magia na Europa.

Ficha Técnica


   Autores: Daniel Ogden, Georg Luck, Richard Gordon, Valerie Flint
   Ano: 1994 (1° Ed.), 2004 (Trad.)
   Editora: Madras
   Páginas: 320

   Antes de mais nada, admito: tive algum receio ao adquirir esse livro, por experiências anteriores de cunho desagradável com obras da editora Madras, que conta com alguns títulos de conteúdo no mínimo duvidoso. Mas, ufa, esse não é um deles: trata-se da tradução de uma obra acadêmica composta por quatro autores reconhecidos na área, que exploram em profundidade diversos aspectos da magia no mundo greco-romano para fornecer um panorama consistente ao leitor.
   Magia e Bruxaria na Europa é dividido em quatro partes, cada qual de autoria de um dos co-autores, todos renomados professores e pesquisadores de história e antiguidades. O primeiro capítulo, por Daniel Ogden, faz a recepção introduzindo o conceito das placas de maldições greco-romanas, ou "defixiones", que estão interrelacionadas às famosas bonecas de cera. O segundo, por Georg Luck, explora a literatura clássica para delinear como eram imaginadas e percebidas as bruxas, magos e feiticeiras em obras do século V e VI, passando pelas personagens de mitos mais famosos da época (Circe, Medeia, Ericto, Canídia) e textos de Platão, Eurípedes, Heráclito, Hipócrates.
   No terceiro capítulo, composto por Richard Gordon, o foco se volta para uma análise da magia sob os parâmetros da lei, averiguando o casos de condenações por magia e em que se fundamentou a crescente criminalização de atividades místicas e mágicas na Grécia e Roma antigas, usando como evidência os registros que se tem acesso da época. E na última parte, a pesquisadora Valerie Flint elabora sobre o processo de "demonização" da magia, especialmente dos daemons gregos e as redefinições das atividades pagãs para um contexto cristão que ocorreu a partir do desenvolvimento do cristianismo, a partir do século II, fazendo referências interessantes às escrituras da Bíblia, textos de pensadores cristãos, e comentários de críticos contemporâneos.
   Como um todo, esse livro traduz de maneira acessível as conclusões do pensamento histórico moderno sobre esse assunto tão debatido no último século, mas há um aumento de passagens com significativa complexidade intelectual conforme os temas se aprofundam em cada uma das partes, desacelerando o ritmo de quem não está tão acostumado com certas terminologias. Certamente uma leitura mais densa em alguns momentos, mas extremamente produtiva para entender como a magia era praticada e percebida pelos Antigos, por meio de registros e fontes confiáveis de pesquisa.
   Quanto ao design, como era de se esperar de uma publicação de responsabilidade da Editora Madras, infelizmente há erros ortográficos e passagens com uma tradução duvidosa - em pelo menos 3 ocasiões, percebi traduções literais de palavras do inglês com mudança no sentido da frase. A qualidade da capa é péssima, em menos de um mês a minha já estava desbotada e desgastada como se eu tivesse lido o livro exaustivamente ao longo de muito tempo. Mas o conteúdo é impecável e recomendado a qualquer pessoa que se interesse pelo tema.

A averiguar fatos e opiniões,
   Alannyë Daeris

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Tenha responsabilidade ao comentar! Ofensas religiosas ou de quaisquer tipo de preconceito terão consequências.