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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Varinhas Egípcias - Apotropaicas e Mágicas

Birth tusks do Império Médio (de 1981 a 1640a.C.),
atualmente expostas no Met Museum.
   Dentro da magia praticada pelos egípcios na Antiguidade, um dos aspectos mais interessantes são as "varinhas mágicas", também chamadas de "birth tusks" ('presas de nascimento' em tradução livre). Eram confeccionadas a partir de presas de hipopótamo - e muito raramente de pedra sabão -, cortadas ao meio e inscritas com símbolos, imagens de deuses e espíritos ligados à defesa, e hieróglifos destinados a intensificar ou legitimar a proteção desejada - e eram confeccionadas de forma única, nenhuma varinha sendo igual à outra.
   O material tradicionalmente usado tem relação com a divindade hipopótamo Taweret, pois além da presa ser a arma mais mortífera do animal símbolo da deusa, esses mamíferos são criaturas poderosas e que defendem com ferocidade suas ninhadas. Taweret é a guardiã do lar, das mães, padroeira do nascimento e das crianças, portanto sua presença em entalhes e desenhos no corpo da varinha Apotropaicas (protetiva) era frequente. Nas presas que foram encontradas com inscrições, esses escritos sempre fazem referência à proteção de crianças ou mulheres.
   Essas varinhas são bastante comuns em tumbas entre o Império Médio até o Segundo Período Intermediário, com a finalidade de proteger os falecidos em sua viagem para o Duat (pós-vida), mas também eram usadas para a defesa contra influências malignas que pudessem perturbar a mãe ou o bebê no momento do parto - e portanto o nome "birth tusks", pois são presas de hipopótamo associadas ao nascimento. A morte era reconhecida pelos egípcios como um renascimento, portanto, é natural que as varinhas protetoras estivessem presentes em ambas as transições da existência humana - no parto e na morte, o despertar para a vida eterna.
Varinha do Império Médio,
consertada ainda na
antiguidade. EA24426
   Um detalhe importante é fato dessas varinhas apresentarem sinais de uso e desgaste por manuseio, o que indica que não eram apenas artefatos estáticos, e sim utilizados pelos praticantes de magia (Heka). Há exemplares que foram cuidadosamente remendados após se quebrarem, o que indica que eram valiosas para seus donos de alguma forma. Não se sabe qual o papel exato das varinhas mágicas protetoras nos rituais egípcios, mas se pode especular que eram usadas por meio de gestos e movimentos - como o ato de traçar um círculo em torno da parturiente - e que se tocava algo com uma das pontas, pois é comum um desgaste nesse local específico nas varinhas encontradas por arqueólogos.
   Existem poucas ilustrações desses objetos na arte egípcia, e nas que existem e foram relatadas, eles são vistos nas mãos de enfermeiras, o que confirma a impressão de que são usados no momento do nascimento. Porém, não se sabe se também havia alguma ritualística efetuada no falecimento, ou se eram apenas colocadas junto ao morto.
   Diversas divindades, entidades e animais são representados nas varinhas mágicas, em especial os que se relacionam com fertilidade, nascimento, proteção, e magia. Além da deusa Taweret, o deus Bes e Set estão frequentemente presentes em desenhos. Os animais incluem sapos, serpentes, chacais, hipopótamos, e gatos. Outros seres mitológicos incluem grifos e representações do disco solar alado.

Varinhas de Serpente


Exemplo 1 e 2, e exemplo 3.
   No período do Império Médio, um outro artefato similar se desenvolveu no Egito e compôs o inventário dos praticantes de magia. Porém, somando ao fato de serem muito mais raras, as varinhas de serpente parecem ter uma finalidade diferente daquela desempenhada pelas presas de nascimento citadas anteriormente. Também é incerto o uso prático desses artefatos, mas sem dúvidas eram itens ritualísticos.
   Essas "serpent wands" possuem relação simbólica com o Uraeus, cobra que o faraó carregava em sua coroa e simbolizava sua soberania e proteção; mas provavelmente são representativas da deusa Weret-Hekau, cujo nome significa "grande em magia" e favorece aqueles que a praticam. Os materiais usados na confecção dessas varinhas varia entre madeira e cobre, como é o caso dos exemplos arqueológicos das imagens acima.

Informações sobre as birth tusks em Magic in Ancient Egypt, de Geraldine Pinch
Maiores informações sobre as serpent wands em Through A Glass Darkly: Magic, Dreams and Prophesy in Ancient Egypt - cap. 11, pg 205-226.

A estabelecer intenções com potência,
   Alannyë Daeris.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Instrumentos Mágicos - A Capa Ritualística

   Tão envolta em mistérios, que acaba sendo até esquecida ou ignorada por muitos praticantes das Artes Ocultas... Mas a capa ritualística é uma vestimenta mágica que pode servir para inúmeras finalidades, e se provar valiosíssima de diversas maneiras em uma miríade de situações. É comum que certas tradições de Bruxaria ou magia utilizem capas em seus ritos, e os motivos para isso podem variar de acordo com cada grupo.
   Em termos gerais, o capuz tem finalidade de proteger o chakra coronário, e a capa em si também permite ao usuário que se isole de energias e do ambiente externo, tornando desnecessário o traçamento de círculo mágico para a prática de magia. O formato triangular da capa auxilia no direcionamento de energia para o Universo, e o ideal é que tenha capuz para intensificar esse efeito, já que o capuz representa a conexão psíquica do magista com o macrocosmo. A capa geralmente está relacionada com o elemento Terra, pois serve para proteger, guardar, isolar, e até confortar ou aterrar - pense nas pessoas em filmes aparecendo enroladas em cobertores após momentos traumáticos... tem tudo a ver!
   A capa ritualística é um elemento perfeito para ajudar na transição para estados alterados de consciência, desde que esteja devidamente consagrada e energizada para essa intenção. Usar uma vestimenta diferente daquelas que estamos acostumados nos induz a personificarmos e performarmos mais facilmente um determinado papel ou estado mental; no caso da capa, seria o estado determinado por você no momento da consagração dela. O ideal é que a capa seja consagrada para uma única intenção, e usada somente em circunstâncias diretamente relacionadas.
   A cor da capa está direramente relacionada com a finalidade dela dentro de uma atividade mágica, portanto, a tonalidade deve ser escolhida de acordo com o que você deseja fazer com ela. Estampas também são uma opção, ou bordados e pinturas de desenhos, runas, padrões e símbolos que reflitam as características que você gostaria de incorporar nela.
   Assim como outras vestimentas ritualísticas, é recomendado que você opte por tecidos compostos apenas por fibras naturais, como o algodão. Afinal, a capa é um instrumento mágico como qualquer outro, e imagino eu que você não consagraria para uso em seus rituais uma varinha de plástico enrolada em celofane.
   Para que sirva adequadamente aos seus propósitos, a capa deve ser tratada com respeito. Quando adquirir ou confeccionar sua capa, antes de qualquer outra coisa, lave-a em água corrente gentilmente, visualizando as energias sendo levadas embora. Deixe secar bem e só então consagre. A capa ritualística não deve ser purificada com frequência; mas sempre que for necessário purificar, faça isso através da lavagem, sempre com suas próprias mãos. Não deixe outras pessoas tocarem, usarem ou lavarem sua capa, nem coloque em lavadoras ou secadoras de roupas. E claro, não use sua capa para brincadeiras ou somente por diversão.

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A cobrir,
   Alannyë Daeris.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Instrumentos Mágicos: Almofariz e Pilão

   Esses dois instrumentos são grandes aliados das bruxas que gostam de utilizar ervas nas mais variadas formas e práticas. São muito valiosos também na feitiçaria, pois permitem a interação e desintegração de ingredientes orgânicos, ou a mescla de substâncias que não podem ser simplesmente despedaçadas, como sementes, cogumelos, caules, cascas, resinas, compostos animais, secreções, ou até mesmo ingredientes inorgânicos, como farelo de cristais. Por sinal, almofarizes e pilões são usados desde a aurora da humanidade, e os mais antigos exemplares encontrados datam de aproximadamente 35000 a.C.
   Funcionam como instrumentos mágicos pois acumulam muitas energias e intenções depositadas no ato manual de macerar os materiais, portanto, devem ser devidamente purificados e consagrados para melhores resultados. Se você pratica Bruxaria, perceberá que seu almofariz se tornará parte dos seus feitiços, e é aconselhável que você limpe fisicamente e energeticamente sua ferramenta de trabalho sempre depois de usar.
   O almofariz e o pilão, objetos que sempre são usados em conjunto, possuem uma simbologia bem interessante, pois o almofariz é facilmente associado ao feminino, enquanto o pilão, ao masculino. Com movimentos constantes e ritmados de fricção e contato entre um e outro, produzimos mudanças nos ingredientes. Em união, esse instrumento representa a totalidade, e o equilíbrio.
   Existe uma boa variedade de materiais disponíveis para escolher. Cada material possui propriedades físicas e energéticas diferentes, e são adequados para diferentes usos e ingredientes. Segue abaixo um pequeno guia para lhe orientar:

Porcelana. O almofariz de porcelana ideal deve ter uma textura áspera, pois assim moerá com mais eficiência as partículas. Para conseguir isso, basta moer uma boa quantidade de areia no seu almofariz de porcelana. É frágil mas leve e não mancha.
Pedras duras como granito ou mármore. Considero os melhores materiais para almofarizes e pilões. São resistentes, adequados para uso com líquidos ou substâncias viscosas e gordurosas, não são absorventes, e não costumam manchar. Porém, são pesados. Os almofarizes de mármore apresentam superfície muito lisa, que não funciona muito bem com sementes e nozes.
Madeira. É altamente absorvente, e parece ser um material bastante adequado para moedores de pimenta, sal e temperos culinários. Inadequado para grande parte dos usos mágicos ou herbais, pois absorve muito dos ingredientes e substâncias que são colocados nele.
Vidro. É frágil e deve ser manuseado com cuidado, mas não mancha e é adequado para uso com líquidos ou substâncias mais gordurosas. No entanto, não é capaz de moer com tanta eficiência quanto outros materiais, como a pedra e a cerâmica.
Barro ou cerâmica. Mói muito bem, resultando em pós de grande fineza, ainda que manche facilmente. É frágil.
Ferro. É pesado, mas se for de textura áspera, resulta em pós bem finos. Não mancha, é duradouro, mas deve-se untar antes do uso e limpar bem após o uso, necessitando de cuidados especiais para evitar ferrugem.


Usos e Cuidados


   Almofarizes e pilões podem ser usados na medicina e farmácia, na culinária, e com inúmeras finalidades mágicas ou práticas dentro da espiritualidade. Recomendo fortemente que possua almofarizes e pilões individuais para uso alimentício (seja para chás, temperos, ou receitas mágicas), para uso tópico (cosméticos, óleos, banhos, perfumes) e para uso externo/mágico (tudo aquilo que envolve materiais incomuns ou impróprios para contato físico, como ingredientes de feitiços). Assim você evita a contaminação dos produtos, tendo o cuidado de combinar com a limpeza física também.
   Geralmente são usados os componentes herbais secos, sejam eles flores, folhas, sementes, caules, raízes, frutos ou cascas, pois não é possível obter pós a partir de ervas frescas. O que é possível é amassar para criar uma pasta ou estimular a saída dos óleos essenciais e líquidos, o que resulta em boas poções, infusões e decocções.
   Uma vez colocados os ingredientes no almofariz, segure o pilão e limpe sua mente. Entre em sintonia com sua intenção e faça movimentos circulares em sentido horário se sua intenção for de atração/manifestação, ou anti-horário se for de banimento/destruição. Gire constantemente o punho com certa força para baixo, mas aplicando também precisão e calma, pois não é um exercício de força bruta. Cada um tem um ritmo próprio, permita-se encontrar o seu.
   Saiba que a grande maioria dos materiais orgânicos podem ser macerados, mas alguns requerirão muita paciência de sua parte. Nesse momento, você sempre pode visualizar seu objetivo, usando a energia gerada pelo ato mecânico e quem sabe entrando em transe através dos movimentos repetitivos. É também uma boa hora para lançar e energizar sigilos, falar encantamentos, orações ou mantras.

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A macerar com amor,
   Alannyë Daeris.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Instrumentos Mágicos: Tesoura

Fonte. Editada pela autora.
   Tesouras são um instrumento mágico mais utilizado na Bruxaria Tradicional e Hereditária, mas são facilmente adaptáveis em outros sistemas mágicos por seus simbolismos que são muito úteis na prática de feitiços, rituais e outros tipos de magia simpática.
    Representam cortes, banimentos, destino, abrir caminhos, divisões e desconexões em geral, bem como o aspecto Ancião de deusas (ou da Deusa). Podem ser usadas para quebrar feitiços e maldições, encerrar uma situação ou um ciclo, cortar laços, acabar com influências e coisas que nos prendem, ou se desfazer daquilo que não nos serve mais. No passado, tesouras eram consideradas objetos muito protetores, sendo colocados próximos da porta ou debaixo do tapete de entrada para manter espíritos ou pessoas mal-intencionadas do lado de fora. No Hoodoo e na magia folclórica, as tesouras também são usadas para cortar doenças e dores, especialmente as do parto. Para quem sofre com pesadelos ou pratica Oneiromagia (magia com sonhos), há a opção de colocar uma tesoura próxima da cabeceira da cama, seja pendurada na parede ou em um criado mudo, na intenção de evitar pesadelos. Essa prática também serve para banir ataques psíquicos noturnos e proteger durante o sono, que é um momento no qual ficamos mais vulneráveis.
   Os feitiços com tesouras podem envolver o corte simbólico de algo enquanto você visualiza seu laço ou essa coisa sendo banida, ou o corte físico de algo que a represente - uma foto, um cordão, uma vela, um papel com o nome do alvo escrito, enfim. Elas também possuem usos mais práticos, que não estão relacionados somente com a magia - coletar ervas, cortar papéis para feitiços e petições, tecidos para saquinhos mágicos ou dagydes, cordões e barbantes, e outras finalidades geralmente atribuídas ao boline ou athame.
   Como outras ferramentas mágicas, é recomendado que se tenha uma tesoura consagrada apenas para a magia, ou que pelo menos se purifique antes do uso mágico para evitar poluir a atividade com energias indesejáveis ou prejudiciais. Não existe uma regra para como devem ser as tesouras ritualísticas, mas é melhor que não tenham plástico em seus cabos, pois é um material que não conduz bem a energia e portanto inadequado para magia. Há uma crença de que tesouras não devem ser presenteadas ou ganhadas de presente, apenas se você compensar a pessoa, pois receber uma tesoura de alguém cortará os laços de amizade entre vocês.

Feitiço para Cortar Laços


Você precisará de:
• Um barbante ou fita de aproximadamente 30cm.
• Uma tesoura purificada e consagrada.
• Óleo de banimento.
• Dois pedaços de papel.
• Caneta preta.
• Opcional: Vela preta.

   Vá para seu altar ou algum lugar no qual não será interrompido. Purifique e prepare o ambiente a seu gosto; trace o círculo mágico se quiser. Concentre-se e escreva no papel o seu nome e o nome da pessoa/situação com a qual deseja cortar laços.
   Amarre uma ponta do barbante em volta de um dos pedaços de papel, e repita com a outra ponta. Unte o barbante com o óleo de banimento, e segure a tesoura em mãos. Visualize o cordão como sendo a conexão entre você e a pessoa/situação. Você pode falar um encantamento como:

"Esse cordão representa nossa ligação
Com a tesoura faço o corte
Minha vontade é forte!
Desfaço agora nossa conexão."

   Corte o barbante. Enterre o papel com seu nome na sua casa, em um vaso de flores ou em um jardim; queime o papel com o nome da pessoa, de preferência na chama da vela preta.

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A purificar tesouras,
   Alannyë Daeris.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Instrumentos Mágicos, parte 10 - Maracá, ou Chocalho

Foto de Davi Boarato. Editada pela autora.
   Esse instrumento é muito típico nos povos indígenas sul-americanos, e detêm uma importância muito grande no xamanismo; não era considerado apenas um instrumento musical como os outros, mas sim um objeto de poder, um instrumento para condução do clima em trabalhos espirituais e canalizador de energia. Seu uso principal é promover a limpeza espiritual de ambientes, pessoas ou objetos.
   Como todos os outros instrumentos musicais, o chocalho possui o dom de induzir transe e estados alterados de consciência, purificar e consagrar ambientes, pessoas e objetos, elevar o astral, evocar ou invocar entidades e divindades, abrir e fechar círculos mágicos e cerimônias em geral, curar, honrar e se comunicar com espíritos e ancestrais, enfim. Os chocalhos possuem finalidades similares às dos tambores em ritos xamânicos. Há relatos do uso do chocalho por tribos peruanas, nas quais o xamã levanta sua mão esquerda para captar as energias do cosmo, e com a mão direita, balança o chocalho, para espalhando energias positivas e afastando influências negativas.
   Para os indígenas brasileiros num âmbito geral, o chocalho - denominado maracá, pois em tupi antigo mbara = "barulho" e ká = "casca"  - era um instrumento muito sagrado, para o qual até mesmo oferendas de comidas eram feitas. Cada índio possuía o seu, que era guardado em um ambiente especial, depois de ser consagrado pelo pajé. As preces e pedidos ao cosmo ou aos deuses eram feitos diretamente ao instrumento. A maracá detinha uma simbologia extremamente importante, pois seu cabo representava a natureza e a árvore da vida, enquanto a cabaça representa o próprio universo, pois seu espaço oco seria o cosmo. As sementes (principalmente de milho e feijão), cristais e pedrinhas que eram acrescentadas dentro da maracá representam as almas dos ancestrais, e a agitação do chocalho faz com que os espíritos fiquem ativos e auxiliem o xamã em suas práticas. Para os tupinambá, o som do chocalho era a própria voz dos espíritos.
   Os indígenas produziam muitos tipos de maracás, sendo as de tamanho menor destinadas para rituais e festas; as maiores, compostas por sementes e caroços grandes eram usadas na guerra. Haviam alguns que eram feitos para se amarrar nos braços ou pernas, também de uso em rituais e celebrações. Como é de costume na arte indígena, costumavam decorar seus maracás com penas (de arara, mas outras penas de aves coloridas também podiam ser usadas).
   As técnicas de fabricação são muito particulares, e os materiais usados podem ser escolhidos de acordo com suas propriedades, significados ou o gosto pessoal. Da mesma forma, cores e padrões podem decorar a superfície do instrumento, junto de símbolos, desenhos ou sigilos mágicos. 
   É interessante testar diferentes grãos e sementes, para combinações sonoras e mágicas personalizadas de acordo com suas preferências. Areia pode ser acrescida para produzir sons diferentes. O tamanho e o material da cabaça (seja ela natural ou não - podem ser usadas latas de metal, potes de plástico, enfim) também influenciam na sonoridade, e isso é um gosto muito pessoal.
   A forma de tocar uma maracá varia de acordo com o tipo de prática e a preferência da pessoa que toca. Pode ser girada de forma circular, agitada para cima e para baixo, ou pode-se usar a mão para bater na cabaça e gerar o som. Não há uma regra, portanto, a prática aliada da intuição devem guiar suas experiências. A velocidade também pode variar de acordo com o momento ou prática.

Muitas informações daqui.

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A ouvir a voz dos espíritos,
   Alannyë Daeris.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Instrumentos Mágicos, parte 9 - Abanilho (Leque)

Esse abanilho foi confeccionado por mim, com penas
de papagaio, pomba, calopsita e galinha d'angola.
   O abanilho (também chamado de abano ou leque) serve para o direcionamento da fumaça de defumação e das energias em rituais. É um ótimo instrumento para purificação, podendo ser usado para limpar as energias de objetos, pessoas, animais ou ambientes. Também é empregado em rituais de cura, balanceamento de energias e centramento, para representar o elemento ar, ou para agregar energias positivas. Por último, o abanilho pode ser usado de forma muito prática para incentivar e aumentar o fogo na queima de ervas, ou na hora de acender um smudge stick. Em algumas culturas, é desrespeitoso assoprar as ervas da defumação, portanto, o abanilho é perfeito para ajudar as brasas a se alastrarem.
   É um instrumento essencial no xamanismo, usado por diversas culturas nativas ao redor do mundo, visto que as penas são representações dos planos superiores, liberdade, conexão do sagrado com o humano, e são inerentemente sagradas. Qualquer pena natural serve para a criação de um abanilho, e podem ser usadas individualmente (apenas uma pena grande amarrada a um cabo de madeira) ou várias amarradas. Os abanos podem ser confeccionados com as penas de uma única espécie de pássaro, ou de várias diferentes. É comum que penas de tamanhos diferentes sejam combinadas. Cada espécie de ave contém correspondências e propriedades únicas, portanto, suas penas carregam essa simbologia que pode ser invocada e acrescentada à atividade mágica que está sendo realizada.
   O cabo de madeira pode ser decorado com miçangas, sementes, fitas coloridas, tecido, ossos, cristais ou símbolos apropriados. Os materiais naturais usados na confecção do abanilho devem ser encontrados na natureza - não se deve arrancar o galho da árvore nem as penas do animal (muito menos matar uma ave apenas para retirar suas penas!).
   É recomendado que os objetos-totem tenham uma harmonia energética. Para cada tipo de pena que você usar, tente acrescentar elementos relacionados aos pássaros que simbolicamente tragam o equilíbrio. Por exemplo, se você pretende criar um abanilho com penas de papagaio, use a madeira de uma árvore frutífera para o cabo, pois frutas são o principal alimento dessa ave. Se você usará penas de gavião, acrescente penas de aves pequenas ou entalhe no cabo algum dos animais que formam a base da alimentação desse animal (lagartos, peixes, crustáceos, serpentes, etc). Se usará penas de coruja, acrescente pêlo de roedores, ou fixe um pingente de aranha, que também são parte da rotina alimentar das corujas. Se não tiver o objeto que traz maior harmonia ao seu abanilho para decorar seu abano, entalhar ou desenhar funciona da mesma maneira.

Breve lista de aves e suas principais simbologias: 


Aves de rapina (Águia, Gavião, Falcão): Força, grandeza, majestade, artes, astúcia, iniciativa, visão.
Avestruz: Coragem, entusiasmo, alegria, fé.
Calopsita: Amizade, doçura, conforto.
Canário: Alegria, proteção e assuntos relacionados à crianças.
Coruja: Sabedoria, mistério, conhecimento.
Galinha: Proteção do lar, maternidade, conforto, amor, fertilidade.
Galo: Segurança, proteção.
Ganso: Transição, lealdade, coragem, companheirismo, liderança, sincronicidade.
Papagaio: Comunicação, energia solar, alegria, inconsciente.
Pardal: Fertilidade, alegria, hospitalidade, astúcia, cooperação.
Pato: Honestidade, união, felicidade conjugal.
Pavão: Sorte, proteção, renovação, beleza, prosperidade, realeza, harmonia, amor.
Pomba: Amor incondicional e sublime, pureza, confiança, harmonia, paz, devoção, esperança.
Urubu: Banimento, purificação, mistérios, dons proféticos, proteção, ciclo da vida, necromancia.

Algumas informações do livro  "In the Shadow of the Shaman: Connecting with Self, Nature, and Spirit", de Amber Wolfe.

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A espalhar boas energias,
   Alannyë Daeris.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Fogo no Caldeirão - Criando e Mantendo Chamas em Rituais e Feitiços

Fonte. Editada pela autora.
   O caldeirão é o instrumento mágico mais icônico da bruxaria, e uma de suas várias funções é comportar fogo para queima de ervas, pedidos, sigilos ou objetos simbólicos - tanto para atrair coisas quanto para banir e purificar. O fogo também pode ser ateado para a iluminação do ambiente e pela energia criada pelo fogo, para potencializar os rituais e feitiços, ou ainda para praticar divinação através das chamas.
   É uma alternativa ao uso de velas quando se quer utilizar fogo mas de uma maneira rápida, já que as velas permanecem muito tempo acesas. O fogo de um caldeirão também tem uma energia mais viva e selvagem, comparado à chama contida das velas. Mas o processo de começar o fogo e mantê-lo por bastante tempo pode ser mais complicada do que parece. Nem sempre as ervas queimam por inteiro, ou o fogo se alastra e se apaga rapidamente...
   Antes de aprender as várias maneiras de criar chamas intensas e duradouras, é preciso atentar para os cuidados com o fogo e com o caldeirão. O fogo pode ser muito imprevisível, ainda mais em atividades mágicas, portanto, todo cuidado é pouco.
Caldeirões improvisados com panelas
de barro são acessíveis e confiáveis!
   Tenha um caldeirão que seja resistente a fogo, e que aguente calor por bastante tempo. Você não precisa ter o caldeirão tradicional, de ferro e com três pés; mas seu caldeirão para a queima deve no mínimo comportar fogo, e de preferência, ter uma tampa.
   Há quem prefira um caldeirão feito de panela de barro (imagem ao lado), de cerâmica, alumínio, bronze, etc. A tampa, mesmo que improvisada, é importante para abafar o fogo se houver necessidade de extingui-lo. O ideal é esperar o fogo se extinguir sozinho, mas se for preciso apagar, use a tampa.
   Você pode ter vários caldeirões, para diferentes usos mágicos; é bastante recomendado que se tenha um caldeirão somente para a queima de coisas e para o fogo em geral. Dessa forma, você não contaminará suas poções com os resquícios energéticos e físicos dos seus rituais e feitiços que usam o fogo.

Cuidados essenciais com o caldeirão:


• Certifique-se de que há área suficiente no recinto para o caldeirão. Se as pessoas circularão e dançarão em torno das chamas, deve haver bastante espaço livre para isso. Retire móveis e objetos que estejam próximos.
• Use uma base resistente ao calor sob o caldeirão, para não queimar o chão ou seu altar. Esteiras de panela são uma alternativa viável. Não coloque diretamente sobre tecidos, pois podem derreter.
• Não ateie fogo no caldeirão com as janelas fechadas, ou em ambientes muito abafados. A fumaça gerada pela queima de substâncias pode gerar desconforto e tontura, além de um calor excessivo, caso o fogo seja grande ou permaneça aceso por muito tempo.
• Atenção para as vestimentas! Mangas compridas e saias são lindas, mas perigosas quando estão próximas das chamas. Atente para os tecidos, pois não devem ser inflamáveis.
• Sempre que for mexer no fogo, seja para acender ou para colocar alguma coisa dentro do caldeirão, tenha cuidado redobrado suas roupas e com os cabelos. O ideal é que cabelos compridos sejam amarrados na hora de lidar com o fogo ou ficar próximo dele.
• Fósforos são muito mais seguros que os isqueiros para acender caldeirões.
• Nunca deixe o fogo sozinho, nem por um momento.
• Resista à tentação de criar um fogaréu imenso, pois quanto maior o fogo, maior a chance de que ele saia de controle.
• Mantenha um balde com água e um pano molhado em algum lugar próximo, para caso algo dê errado. Use o pano molhado para apagar o fogo, na intenção de abafá-lo.
• Espere o caldeirão esfriar antes de movê-lo de lugar para evitar queimaduras. Alguns materiais conservam o calor por mais tempo, como o ferro.

Ao ar livre, há alguns cuidados para se tomar também:

• Não acenda o caldeirão diretamente sobre a grama. Você pode colocar sobre uma pedra, tijolos, ou forrar o chão com uma base de areia e brita.
• Não acenda o caldeirão próximo de arbustos, grama alta ou árvores.

Acendendo o Fogo


Carvão de narguile em formato
circular. Podem ser encontrados
em outros formatos também.
Fonte.
• Carvão de narguile é ótimo para queimar ervas e incensos herbais. É só acender o carvão com cuidado e esperar até que o carvão esteja vermelho brilhante. Então, coloque as ervas aos poucos sobre ele.
O carvão de narguile quando colocado no fundo do caldeirão mantém a chama acesa por bastante tempo. Caso você opte por usar carvão de narguile, adquira também uma pinça apropriada para manuseá-lo.
Uma técnica comum é colocar uma vela rechaud (aquelas redondinhas, sem a base de alumínio) acesa sobre o carvão redondo, para que a vela derreta e o carvão absorva a parafina, mantendo as chamas no caldeirão acesas prolongadamente.

• Carvão vegetal pode ser usado para manter o fogo aceso. Ao usar carvão, cuidado com brasas que podem voar para fora.
Não deixe o carvão mais de 24 horas dentro de caldeirões de ferro, pois o carvão corrói o ferro.

• Álcool etílico e gasolina são opções viáveis porém perigosas. Opte por álcool de cereais ou álcool em gel, que são mais seguros e podem fazer o fogo durar por mais tempo que o álcool etílico. Não coloque álcool (ou gasolina) dentro do caldeirão quando o fogo já estiver aceso!

• Pedaços de vela e de parafina servem como um combustível muito eficiente. Você pode picar velas quebradas ou que estejam sobrando.
É possível também purificar toquinhos e restos de velas já utilizadas para acrescentar no fogo, mas certifique-se de purificar bem para que não sobrem resquícios energéticos que possam influenciar em seu ritual ou feitiço.

• Papel pode ser usado para alimentar o fogo; guardanapos e papel higiênico exalam um odor melhor que papel ofício na hora da queima.

Dicas para o fogo se manter vivo:


• Acrescente as coisas com cuidado e aos poucos sobre o fogo. Se você colocar muitas ervas de uma vez só, o fogo pode se apagar.

• Ervas secas são melhores do que ervas frescas para queimar no caldeirão. Se forem frescas, não podem estar úmidas.

• Quando as velas do ritual ou feitiço estiverem acabando, coloque-as no caldeirão para dar continuidade nas chamas.

• Tenha uma colher de pau específica para mexer no caldeirão, e misture ocasionalmente para as coisas que estão dentro queimarem por inteiro.

Fogo no Caldeirão para Banir e Purificar 


Um caldeirão com chamas
intensas é sempre uma visão
magnífica! Fonte.
Você precisará de:
• Folhas de louro secas
• Cascas de alho
• Alecrim
• Papel e caneta
• Pedaços de vela e um pouco de álcool
• Fósforo
• Fotos, cartas ou coisas que representem aquilo que você quer banir (opcional)

   Esse ritual é perfeito para se livrar de memórias e coisas do passado que estão lhe prejudicando ou que lhe impedem de florescer. Pode ser feito para banir pessoas também, mas não lhes deseje mal durante o ritual. É somente para afastar sua influência do passado e do presente, para que você se liberte delas.
   Vá para um lugar longe de sua casa onde você possa atear fogo no caldeirão com segurança e tranquilidade, e prepare o ambiente como preferir. Fazer em outro lugar vai lhe garantir que essas energias não fiquem em sua casa ou com você depois do ritual.
   Coloque os pedaços de vela e o álcool no caldeirão. Respire fundo, e pense nas coisas que você quer banir. Escreva no papel o nome/o que é ou símbolos que representem, enquanto fala de coração sobre porque você quer se livrar delas. Segure o papel escrito (e as fotos, se tiver), e fale:
   "Eu me liberto de (diga a coisa ou o nome da pessoa). Eu não carrego comigo aquilo que não me favorece. Eu sou livre."
   Coloque dentro do caldeirão e ateie fogo com o fósforo. Vá colocando as folhas de louro e de alecrim pedindo por suas energias de banimento e purificação, enquanto visualiza o fogo consumindo completamente aquilo que você escreveu no papel. Acrescente as cascas de alho no fogo e peça para que o alho lhe purifique e proteja de ser afetado novamente por essas energias.
   Enquanto tudo queima, honre e reflita sobre as emoções que possam surgir (sejam elas de felicidade, tristeza, saudade, enfim), mas permita que o ritual lhe inspire um sentimento de encerramento, como se você terminasse essa fase em sua vida, e a partir de agora ela ficará somente no passado.
   Quando o fogo cessar, o feitiço está pronto. Espere o caldeirão esfriar um pouco, jogue os restos fora e vá embora sem olhar para trás.

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A bruxulear como o fogo,
   Alannyë Daeris.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Instrumentos Mágicos, parte 8 - Vestimentas Ritualísticas

The Magic Circle - John William Waterhouse, 1886.
   As vestes utilizadas em rituais podem ser consideradas instrumentos mágicos a parte, caso feitas especialmente para práticas mágicas. Em covens, é comum que durante os rituais seja exigido dos participantes certas vestes padronizadas, com cores e detalhes selecionadas para representar características do grupo e posição na hierarquia, caso haja alguma.
   Muitos praticantes optam por realizar rituais "vestidos de céu" - ou seja, nus. Acredita-se que dessa maneira não há interferência de quaisquer possíveis energias contidas nas roupas, e também que cria-se maior contato com a natureza em práticas mágicas realizadas ao ar livre.
   Realizar rituais vestido de céu também pode agregar energias, utilizando-se de maquiagens e/ou pinturas corporais para representar símbolos e trazer energias. Essa prática, porém, requer certa intimidade entre os integrantes do grupo ou coven, e pode ser desconfortável para muitos. Não são todos que se sentem seguros ritualizando dessa maneira; nesse caso, é possível usar as vestes mágicas consagradas especialmente para esses momentos.
   No entanto, as vestes cerimoniais não são obrigatórias; muitos praticantes simplesmente optam por vestir-se de uma maneira que se sentem bem e se purificar completamente antes da realização da atividade mágica. O mesmo serve para acessórios ritualísticos; embora acrescentem sua energia ao ritual sendo conduzido, não são obrigatórios, e você pode usar anéis ou brincos normais apenas por vaidade.
Circe offering cup to Ulysses - John William
Waterhouse, 1891.
   Vestimentas ritualísticas podem ser feitas sob medida ou compradas de artesãos. Roupas compradas em lojas comuns podem se tornar vestes cerimoniais desde que purificadas e consagradas somente para a finalidade de rituais e práticas mágicas. Se você tiver habilidades de costura, pode também comprar o tecido desejado e fazer você mesmo, tornando o ato de criá-la em uma atividade mágica por si só.
   Não existe um formato obrigatório para as vestes, mas é comum que robes longos e/ou capas com capuz similares às roupas usadas em filmes medievais sejam vistas em rituais de covens e grupos de Bruxaria. A praticidade deve ser levada em consideração: mangas muito longas e abertas geram riscos de incêndio muito grandes, visto que durante rituais há manipulação de fogo em velas e caldeirões. Da mesma forma, capas ou robes muito longos podem ser perigosos.
   As cores utilizadas podem representar inúmeras características sobre o praticante, porém grupos costumam determinar as cores de acordo com a hierarquia ou sexo. Alguns optam por utilizar cintos de cetim de tecido trançado - similares à cordas da bruxa - coloridos para indicar a hierarquia.
   Para saber mais sobre simbologia das cores...
   Antes de utilizar uma veste ritualística, você deve purificá-la e consagrá-la assim como qualquer outro item mágico. Alguns praticantes costumam realizar banhos mágicos purificadores antes de rituais, e lavar suas vestes ritualísticas à mão, podendo utilizar ervas para purificá-las e consagrá-las com suas energias.

A me despir,
   Alannyë Daeris.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Instrumentos Mágicos, parte 7 - O Livro das Sombras (Book of Shadows), ou Grimório


   O Livro das Sombras - ou Book of Shadows - é possivelmente um dos instrumentos mágicos mais essenciais à qualquer praticante de Bruxaria, bem como um dos mais simples de se adquirir também. Acredita-se que a tradição de manter livros manuscritos contendo informações sobre práticas mágicas exista há tanto tempo quanto a Bruxaria como ofício, e grimórios costumam acompanhar as bruxas até mesmo no imaginário da cultura popular.
   Tradicionalmente, é dito que esses grimórios mágicos eram mantidos somente pelo Alto Sacerdote e a Alta Sacerdotisa de covens, e copiado por seus sacerdotes para seus estudos. Nas vertentes modernas de Bruxaria, porém, o Livro das Sombras é um instrumento pessoal mantido por cada praticante individualmente. Não é comum que se emprestem esses livros, embora existam covens que mantenham um grimório oficial da tradição, elaborado por todos os participantes.

Adquirindo um Livro das Sombras


   Embora seja possível comprá-lo pronto e decorado de artesãos especializados, Livros das Sombras não possuem regras a serem seguidas quanto à aparência. Em muitos lugares você lerá que precisam ter a capa preta e um pentagrama; isso, porém, é apenas uma tradição.
   Há praticantes que optam por cadernos simples e sem ornamentos - o que é ótimo caso você prefira manter suas crenças em segredo -, e outros que preferem comprar cadernos ou fichários para decorar em casa. Alguns Books of Shadows são feitos como scrapbooks, com colagens e decorações feitas manualmente página por página. É bastante comum que essas decorações envolvam símbolos, sigilos e runas que você queira atrair para seu instrumento e para seus estudos. Além disso, o ato de decorá-lo (mesmo que apenas em seu interior) é capaz de colocar em seu livro suas próprias energias, tornando-o mais ligado a si.
   Ou seja: seu Livro das Sombras deve ser pensado de acordo com o seu gosto. Não há problema algum em usar uma agenda simples, um caderno sem pauta, ou um fichário cor-de-rosa para seus estudos, pois o importante é o conteúdo que ele abrigará.

O que escrever?


   Seu Livro das Sombras deve ser uma ferramenta de auxílio para seus estudos. Tudo o que você achar importante em relação às suas práticas pode e deve estar em seu livro: tanto informações básicas a respeito de certas atividades mágicas e crenças quanto símbolos e seus significados, receitas para poções, rituais para diversas finalidades, listas de correspondências de cores, horários e ervas, hinos ou poemas para divindades que você cultua, e até mesmo meditações que você teve com entidades.
   Se tem a ver com suas práticas e você acha importante, escreva sem medo! Seu Livro das Sombras é a ferramenta à qual você recorrerá quando possuir dúvidas, portanto, muito empenho deve ser colocado em sua elaboração.
   Algumas pessoas optam por separar o Livro das Sombras e o Grimório - que seria, no caso, um livro dedicado somente a feitiços, poções e rituais. Porém, caso seu caminho não envolva crenças religiosas, pode lhe ser mais útil ter somente um, ou mesclá-los no mesmo livro em uma parte separada.
   Embora livros não possuam regras para sua aparência, você deve ter em mente que ele deve ser usado somente para seus estudos mágicos e coisas relacionadas às suas práticas ou crenças. Assim como você provavelmente não usa seu athame para cortar legumes, não use seu livro das sombras para anotar outras coisas que não tenham a ver com seu caminho mágico.


Livro do Espelho/Diário Mágico


   O Livro do Espelho é um diário mágico - como também é conhecido - em que você anota seu cotidiano de práticas mágicas, sonhos, meditações e pensamentos sobre seu caminho. Enquanto em seu Livro das Sombras você anota as informações teóricas a respeito de rituais, por exemplo, no Livro do Espelho você anota o que sentiu durante o ritual, pensamentos a respeito dele, e também os resultados que percebeu conforme o tempo passa. Sinais enviados por divindades, resultados de divinações, como as fases da lua ou de outros planetas influenciam você, todas essas coisas íntimas ligadas ao seu caminho tem seu lugar no Livro do Espelho. Algumas mulheres utilizam esse diário mágico para anotar informações sobre seus ciclos menstruais também.
   Esse livro serve principalmente para que possamos acompanhar nossa trajetória, e também lembrar com maiores detalhes de práticas mágicas ou divinações que tenhamos feito. É comum que seja feito separadamente do Livro das Sombras, mas pode muito bem ser mesclado da mesma forma que o Grimório em uma parte separada somente para ele.
   Da mesma forma que o Livro das Sombras, não há regras quanto à aparência de um Livro do Espelho, embora seja comum que se acrescente um pedaço de espelho ou alguma decoração reflexiva em sua capa.

☽❍☾

    Posso ter um Livro das Sombras virtual?


   Essa é uma pergunta que costuma gerar polêmica entre praticantes de magia. Há quem diga que Livros das Sombras virtuais não servem como instrumento mágico, e que só devem ser utilizados para guardar as informações que já existem em seu livro físico, como um backup. Mas também há quem diga que a tecnologia está aí para facilitar nossa vida, e que é muito mais prático, já que é só colocar em uma plataforma virtual e acessá-lo em qualquer lugar.
   No fim das contas, a escolha é pessoal e cada praticante sabe o que funciona pra si. Portanto, se você gosta da ideia, vá em frente. Só não esqueça de consagrá-lo! Afinal, mesmo sendo digital, ele continua tendo suas energias.

    Posso imprimir as páginas do meu Livro das Sombras?


   Poder, você pode. Mas lembre-se que o ato de escrever serve para colocar suas energias em seu Livro das Sombras, e imprimir as páginas impede essa ligação tão importante entre você e seu instrumento mágico.
   Minha recomendação é: imprima somente páginas de imagens ou ilustrações que sirvam para decoração, ou divisórias para separar os assuntos tratados em seu Livro. Mas, como dito acima, é uma escolha pessoal e se funciona para você, que assim seja.

    Tem algum problema em emprestar o Livro das Sombras?


   Seu Livro das Sombras é um instrumento mágico com bastante conexão com você. Portanto, emprestá-lo significa que a pessoa terá uma forte ligação com você, e caso seja experiente em magia, pode lhe afetar magicamente - para bem ou para mal - com muito mais sucesso. 
   Se você tem plena confiança na pessoa em que pretende emprestar, muito bem. Mas não é uma atitude muito recomendada. Caso faça-o de qualquer jeito, lembre-se que é preciso purificar e consagrar novamente seu Livro sempre que alguém o toca, pois além de suas energias poderem ser conflitantes, não é comum que se queira ter energias alheias em instrumentos mágicos.
   

   ☾ Quero ter um Livro das Sombras com outra pessoa. Como faço?


   É normal que bruxos e bruxas que pratiquem com frequência juntos e possuam práticas similares criem Livros das Sombras para unir os conhecimentos que possuem e atividades que realizam. Esse conjunto de conhecimentos é conhecido como Tradição - um caminho de Bruxaria elaborado e praticado por várias pessoas. Covens e clãs familiares geralmente são aqueles que criam e mantêm tradições singulares.
   Para criar um Livro das Sombras em conjunto é preciso consagrá-lo com todos os responsáveis por ele juntos, bem como todos aqueles que poderão ver e escrever nele. É normal que, nesses casos, os indivíduos continuem possuindo seus Livros individuais - portanto, o Livro das Sombras do grupo pertence ao grupo, que pode definir regras e maiores detalhes a respeito do funcionamento de seu grimório.

☽❍☾

Consagrando seu Livro das Sombras


   Esse ritual de consagração pode ser realizado tanto por praticantes solitários quanto praticantes em conjunto. Adapte-o de acordo com suas necessidades; essa é uma das formas mais tradicionais de realizá-lo. Em grupos, é comum que um praticante seja responsável pela abertura do círculo mágico, e um por cada quadrante, mas pode ser dividido de acordo com a preferência e a quantidade de integrantes.

☾ Uma vela (branca, se possível)
☾ Um incenso de sua preferência
☾ Um cálice com água
☾ Um pratinho com sal, ou terra

A organização de um altar geralmente segue o pentagrama. O Éter é onde pode-se colocar estátuas e objetos de honra a divindades.

   Organize os objetos nos quadrantes dos elementos em seu altar de acordo com a imagem acima - caso você não possua um fixo ainda, pode ser uma mesinha em seu quarto, o chão, ou algum local ao ar livre como um jardim. 
   Trace um círculo mágico ao seu redor e jogue um pouco de água sobre seu Livro das Sombras, pedindo ao elemento água que purifique-o e consagre-o, com energias de intuição e foco. Depois, passe-o sobre a chama da vela com cuidado, pedindo ao fogo que consagre-o com suas energias de vitalidade e intensidade. Coloque um pouco de terra ou sal sobre seu Livro das Sombras, pedindo á terra que traga estabilidade e prosperidade aos seus estudos. E por fim, envolva seu Livro das Sombras na fumaça do incenso, pedindo ao ar que forneça muitas energias relacionadas à intelecto e aprendizado. Desenhe um pentagrama no ar sobre seu Livro das Sombras, e agradeça aos elementos. Pode encerrar o ritual e destraçar o círculo mágico.

☽❍☾

A atualizar meu Livro das Sombras virtual,
   Alannyë Daeris.

domingo, 4 de setembro de 2016

Instrumentos Mágicos, parte 6 - Incensário, Pentáculo, Sino e Vassoura


   Além dos mais conhecidos, existem vários outros instrumentos mágicos que ficam em nosso altar e também possuem simbologia e importância própria! Portanto, conheça mais sobre o Incensário, o Pentáculo, o Sino, e a Vassoura.

Incensário


   Talvez o objeto mais simples de um altar, o incensário serve para segurar os incensos durante rituais. É encontrado em vários formatos ou materiais, tamanhos e cores. Está ligado ao elemento ar.
   Alguns praticantes preferem confeccioná-lo enchendo uma pequena tigela ou copo com sal, e então fincando as varetas em sua superfície ou colocando os cones de incensos sobre o sal. Essa prática auxilia na purificação do ambiente, e pode ser feita antes de rituais.

Pentáculo


   O pentáculo é um objeto redondo que possui um pentagrama dentro de um círculo. Os materiais com que é confeccionado são vários - madeira, metal, vidro, cerâmica, epóxi -, e pode tanto ser confeccionado em casa quanto comprado em lojas esotéricas. 
   Para confeccioná-lo em casa, basta pintar com tinta ou caneta permanente um pentagrama dentro de um círculo perfeito no interior de uma tábua de madeira redonda ou prato de cerâmica liso. Consagre e purifique, e está pronto para fazer parte do seu altar.
   É utilizado para invocar os elementos, carregar magicamente ou consagrar objetos e instrumentos, como foco de energias, e também para a proteção, principalmente quanto pendurado em portas ou paredes. O pentáculo está relacionado ao elemento terra.

Sino


   É tradicionalmente feito de metal, mas pode ser feito de vários outros materiais à escolha do praticante. O sino é utilizado para invocar entidades, banir ou invocar energias, purificar ambientes, ou delimitar as partes de um ritual que está sendo conduzido. Está ligado ao elemento ar, e representa a união do Sagrado Feminino e do Sagrado Masculino.

Vassoura


   São clássicos símbolos das bruxas, podem ser de tamanho normal ou em miniatura. Servem para purificar e consagrar ambientes, e são um símbolo de proteção - especialmente quando postas atrás da porta de ponta-cabeça. As vassouras também podem ser usadas para traçar e destraçar círculos mágicos durante rituais. 
   Representa a união entre o Sagrado Masculino e o Sagrado Feminino - sendo o cabo o falo e as cerdas a vagina -, porém, é considerada um objeto mais ligado ao Princípio Feminino.
   Podem ser feitas pelo próprio praticante, amarrando vários galhos secos de ervas ou palha na ponta de um bastão. Pode-se também comprar uma vassoura de palha, purificá-la e consagrá-la. É comum que bruxos e bruxas desenhem símbolos mágicos, runas e sigilos em seu cabo, a fim de fortalecer o poder de sua vassoura.
   Para purificar um ambiente usando uma vassoura mágica, basta apenas varrer o ambiente sem tocar no solo, visualizando que as energias prejudiciais ou negativas estão indo embora na direção em que você as varre.

A cuidar do altar,
   Alannyë Daeris.

Instrumentos Mágicos, parte 5 - O Cálice


   O Cálice é um dos instrumentos mágicos mais fáceis de encontrar. Uma taça feita de cristal, vidro, ferro, cerâmica, chifre, ou madeira serve como cálice, desde que purificada e consagrada devidamente. Não há problema em comprá-lo, mas evite cálices de plástico.
   É um instrumento ligado ao elemento água. Também remete ao Sagrado Feminino, possuindo simbologia similar à do caldeirão - feminilidade, fertilidade, intuição e emoções. A simbologia do cálice faz com que seja um instrumento bastante utilizado para scrying, ou seja, adivinhação utilizando líquidos.
   Durante rituais, costuma-se enchê-lo com água da chuva ou de fontes naturais, vinho, sucos ou bebidas ritualísticas - que tenham sido consagradas. Fora de rituais, é comum que se deixe o cálice sempre cheio com algum líquido no altar.
   Os líquidos depositados no cálice podem ser ingeridos, ou libados em oferenda aos Deuses e elementais. A libação é feita despejando o líquido em questão na terra, ofertando-o para a entidade que se deseja homenagear. A ingestão das bebidas contidas no cálice pode ser feita também em agradecimento no final de rituais, ou compartilhada entre membros de um coven ou grupo para dividir as bênçãos do procedimento mágico realizado.

Scrying - Adivinhação com o Cálice

   Um ritual bastante simples de divinação que pode ser feito com frequência para melhorar a clarividência e para prever o futuro. Faça em uma noite de Lua cheia. Não faça caso sua taça seja transparente.
   Encha seu cálice com água da chuva, ou que tenha se originado de uma fonte natural - de um rio, do mar, etc. Posicione-se de uma maneira em que fique confortável olhando para o interior do cálice, e apague as luzes. Trace o círculo mágico e acenda uma vela branca, preta ou roxa. Caso queira, convide também os elementais e a Deusa, ou alguma divindade feminina de seu culto.
   Relaxe e observe a chama da vela por algum tempo. Deixe-se ficar tranquilo e esvazie sua mente. Passe, então, a observar a água no interior do cálice. Continue assim o tempo que se sentir a vontade, concentrando-se na água e permitindo que sua intuição aja.
   Quando se desconcentrar, ou achar que é suficiente, apague a vela e destrace o círculo mágico, agradecendo às entidades que convidou. Jogue a água na terra. Pode utilizar a vela em outra divinação com sua taça.

Instrumentos Mágicos, parte 4 - A Varinha e o Bastão


   A Varinha e o Bastão são objetos similares, mas que diferem em tamanho. O bastão também é conhecido e utilizado como cajado, embora poucos praticantes de magia empreguem seu uso em rituais, visto que as varinhas servem para o mesmo propósito e são menores e mais práticas.

   As varinhas e bastões são instrumentos mágicos em forma de vareta ou cajado, e podem ser encontrados em diversos materiais - madeira, cristais ou até mesmo em metal. Servem para abrir e fechar círculos mágicos, direcionar energias, invocar entidades, desenhar símbolos no chão ou no ar sobre determinados objetos, ou até mesmo mexer no caldeirão. Os cajados e bastões podem servir também para delimitar o centro de poder de um círculo mágico, ou como instrumento de proteção.
   Não existe um tamanho correto para a varinha; ela deve ter o comprimento que melhor se adequar ao dono. Ainda assim, alguns livros e compêndios sugerem que o tamanho perfeito da varinha é de 50cm, ou que seja cortado na mesma medida da ponta do indicador até o cotovelo do bruxo ou bruxa que utilizará a varinha. Já o cajado tradicionalmente possui a altura do dono, podendo ser maior ou menor de acordo com o gosto.
   O elemento associado às varinhas é bastante controverso. Há quem diga que são instrumentos do elemento fogo, por seu poder de criação e destruição de círculos. Outras tradições e praticantes afirmam que está mais conectada ao elemento ar, por seu poder de direcionar energias e invocar entidades. O simbolismo da varinha está relacionado ao Sagrado Masculino, força de vontade, poder mágico, vitalidade, invocação, criação e proteção.
   É comum que se decore a varinha ou o bastão com símbolos, sigilos, runas, cristais, ou até mesmo com fitas coloridas. Isso deve ser feito de acordo com o gosto do praticante, visto que a decoração da varinha mágica é bastante pessoal e deve refletir suas crenças e práticas.

Confeccionando sua própria varinha mágica!


   Criar seus próprios instrumentos é uma ótima maneira de depositar suas energias em seus objetos ritualísticos - e no caso das varinhas, é bastante simples confeccionar a sua própria! Veja só:

1. Encontre um galho de árvore, ou uma vareta que se adeque às suas necessidades. O tamanho e o material são de sua escolha. Caso opte por um galho, prefira aqueles que já estão caídos; caso não seja possível, você pode cortar o galho que deseja da árvore com cuidado, mas lembre-se de deixar uma oferenda e agradecer à árvore e à natureza pela madeira. Você pode também adaptar uma colher de pau ou um bastão de metal para ser sua varinha mágica.
2. Purifique a varinha antes de qualquer coisa. 
3. Retire as imperfeições e lixe-a, se for necessário. 
4. Decore-a. Você pode desenhar símbolos e runas com caneta, esmalte ou tinta; pode fixar pedras, penas ou conchas com arames, barbantes ou couro; pode também amarrar fitas coloridas e/ou pintar sua varinha - sempre tendo em mente a simbologia das cores que estará utilizando.
5. Consagre-a e está pronta para o uso!

Dicas


 Não utilize varinhas de metal para o contato com as Fadas.
 Lembre-se que sua varinha é um instrumento mágico importante e poderoso. Não brinque com ela ou deixe que outras pessoas toquem. Se alguém por acaso pegá-la na mão, purifique e consagre em seguida.
☾ Muitos praticantes escolhem a madeira da sua varinha de acordo com a simbologia da árvore. Caso seja possível para você escolher a árvore preferida e da madeira dela fazer sua varinha, melhor! Se não, não se preocupe - sua varinha servirá perfeitamente como instrumento mágico, desde que você purifique-a e consagre-a de maneira correta.
 Evite usar decorações de plástico para sua varinha, pois o plástico não conduz nem gera energia, podendo atrapalhar o direcionamento de energia em seus rituais.
 Se você decorou sua varinha com símbolos, cristais ou fitas coloridas, lembre-se de invocá-los durante a consagração e agradecer pela energia depositada em sua varinha mágica.
 Você pode ter varinhas diferentes para finalidades específicas. Solte sua criatividade e permita-se inovar - caso queira confeccionar uma varinha para uma divindade de culto, use símbolos ligados a ela, fitas de cores que a representem, ou até gemas e pedras que tenham a ver com ela!

A direcionar boas energias,
   Alannyë Daeris.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Instrumentos Mágicos, Parte 3 - O Athame e o Boline

Foto original em.

   O Athame é certamente uma das ferramentas mágicas mais icônicas da Bruxaria moderna, e é difícil falar sobre ele sem citar o Boline, visto que são instrumentos parecidos e bastante confundidos por quem é novo na Bruxaria. Então, vamos desmistificar ambas essas ferramentas mágicas imprescindíveis!

O Athame


   De maneira simples, pode-se dizer que o athame é uma faca ritualística. Sua simbologia está conectada com o Sagrado Masculino e/ou o Deus, banimentos, e direcionamento de energias. Seu elemento é alvo de controvérsias; muitos bruxos acreditam que está relacionado ao elemento Ar, porém outros - como eu -, acreditam que o Athame é um instrumento pertencente ao elemento Fogo. Essa escolha de simbologia fica para cada praticante decidir!
   Tradicionalmente, possui lâmina de dois gumes e um cabo preto de madeira. No entanto, essa tradição costuma ser substituída pela praticidade, sendo possível encontrar athames das mais diversas formas e origens - punhais simples, facas de cozinha sem serrilhado, adagas, até mesmo abridores de cartas.
   O material do athame pode ser de qualquer procedência, desde que seja natural - evite usar plástico! Há athames feitos de osso, pedras, madeira, mas usualmente, vê-se athames com lâminas de metal e cabo preto. A lâmina é um assunto de controvérsias, pois há quem defenda que precisa ser afiada, e há quem diga que não, já que não se usa o athame para cortar objetos físicos. Manter a lâmina sem corte é uma medida que pode evitar acidentes durante rituais.
   No cabo do athame é comum ver símbolos e inscrições - muito frequentemente feitos pelo próprio praticante para torná-lo ainda mais pessoal e imbuído de magia. Também é comum ver símbolos, sigilos e runas inscritas na lâmina, mesmo que temporariamente para rituais específicos.
   O athame é uma ferramenta ritualística usada para manipular energias, e não deve tocar quaisquer coisas físicas, visto que já existe o boline com a finalidade de servir como instrumento de corte. Caso alguém toque em seu athame, purifique-o e reconsagre-o, pois é um dos instrumentos mágicos mais pessoais.
   Em rituais, o athame é usado para traçar e destraçar o círculo mágico, para fazer invocações e evocações, na quebra e/ou no corte de energias, para enviar cones de poder, direcionar energias a determinado local/objeto, e banir energias. Também pode ser usado para invocar energias masculinas, ou desenhar no ar sigilos, runas e outros símbolos mágicos em objetos, pessoas ou lugares para consagrá-los. Muitos praticantes de magia usam o athame para conduzir rituais por completo, manipulando todas as energias e direcionando-as com o auxílio dessa ferramenta mágica.

O Boline


   É uma faca de cabo branco, que é sempre mantida afiada. Não existem tantas restrições para o boline, desde que sirva para sua finalidade de cortar objetos físicos quando houver a necessidade. Por vezes é visto possuindo uma lâmina em meia-lua, principalmente para colher ervas.
   O boline não é usado ritualisticamente, se reservando para cortar ervas, inscrever símbolos em velas e/ou em outros objetos físicos - até mesmo na terra ou em alimentos. Em tudo o que for necessário cortar algo para a magia, seja em feitiços ou rituais, na preparação de poções ou em situações similares quaisquer, use o boline.
   Como não é usado ritualisticamente, não possui tanta simbologia quanto os demais instrumentos mágicos. Sua utilização é bastante restrita, porém, pode ser usado na preparação de alimentos para acrescentar um toque de magia neles, ou para realizar jardinagem, por exemplo.

A estudar,
   Alannyë Daeris.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Instrumentos Mágicos: Parte 2 - O Caldeirão

Óleo em tela por David Cheifetz

   O Caldeirão é um instrumento quase sempre presente no altar de um praticante de bruxaria. Ele representa o Sagrado Feminino, o útero da Deusa, onde ocorrem as principais transformações para criar a vida. É ligado ao elemento éter/espírito, pois une todos os outros (embora há quem o considere do elemento água).
    A simbologia do caldeirão envolve fertilidade, inspiração, abundância, bênçãos, divinação. É utilizado como meio para criar feitiços, cozinhando ou queimando ervas, queimando os pedidos que temos, para cozinhar, ou na preparação de poções. Ao comprar seu caldeirão, você deve ter em mente a finalidade para que seu caldeirão será utilizado, para assim definir o material de fabricação do mesmo.
   É comum observar praticantes de magia com caldeirões diferentes de acordo com suas finalidades. Por exemplo, caso você utilize um caldeirão de ferro para queimar ervas, ele pode facilmente acabar enferrujando. Claro que nem todos precisam ser tradicionalmente de ferro, pois existem outros em materiais que podem lhe servir de formas diferentes.
   É possível encontrar pequenas panelas de ferro, cerâmica ou barro que funcionam como caldeirões; isso varia da sua necessidade. Não se desespere caso você não encontre aquele caldeirão de bruxa clássico, pois não são tão fáceis de encontrar. Além do mais, quando se trata de magia, não há diferença alguma entre uma pequena panela de barro e um caldeirão de ferro com tampa e três pés. O importante é que ele lhe seja útil e funcione magicamente.
   Caso você queira personalizar seu caldeirão para depositar nele suas energias, você pode desenhar ou pintar em sua superfície alguns símbolos relacionados ao Sagrado Feminino, como a triluna ou pentáculos; quaisquer símbolos similares, visto que é um dos instrumentos mais ligado a Deusa, a feminilidade e à transformação.

☽❍☾

   Usando o Caldeirão magicamente!


   Em rituais sazonais, encha seu caldeirão de ervas, folhas e flores da estação. Não gosta de ver as flores murcharem? Não tem problema. Encha-o com perfumes florais ou mesmo água fresca com essências; chás de ervas como camomila ou calêndula servem para este propósito também.
   No inverno, você pode queimar ramos caídos, ou apenas acender uma chama para simbolizar a volta do calor e do sol.
 
   O Scrying é uma prática divinatória frequentemente realizada com o auxílio de um caldeirão. Pode ser feito de duas maneiras: uma consiste em enchê-lo de água - ou outro líquido -, e observar no interior do caldeirão, até que imagens se formem e você consiga predizer o futuro. A outra maneira envolve atear fogo no interior do caldeirão, e sentar em frente a ele, tentando discernir imagens e situações a partir das chamas. Ambas as técnicas de Scrying requerem bastante treino e uma intuição afiada.
   Dica: antes de realizar Scrying em seu caldeirão, ferva um chá de artemísia ou de hibisco nele. Não tem como? Então tente esfregar algumas flores de hibisco, amor-perfeito, cascas de laranja, ou algumas folhas de alface nas paredes de dentro de seu caldeirão. Essas ervas potencializam a divinação e ajudam bastante na intuição!

   ☾ Scrying da Lua Cheia

   Encha seu caldeirão - ou uma tigela com o fundo liso, preferencialmente preta ou branca, caso você não possua um caldeirão - com água durante uma Lua Cheia. Coloque o caldeirão sob a luz direta do luar por pelo menos uma hora.
   Prepare o lugar onde você realizará seu Scrying (que pode ser no interior de casa, afastado da luz da Lua), e purifique-o com um incenso de sua preferência. Trace o círculo mágico, se for de seu costume, e sente-se em frente ao caldeirão. Acenda uma vela branca, sendo ela a única iluminação além da Lua, caso você esteja fora de casa. Peça para os Deuses, a Deusa, ou alguma divindade específica de seu culto lhe acompanhe durante essa divinação. Peça também que lhe auxiliem a discernir o que é verdadeiro através das águas do seu caldeirão, e concentre-se. Deixe sua mente lhe guiar enquanto observa a água dentro do caldeirão.
   Quando sentir que não há mais nada para ver, agradeça aos Deuses ou à divindade que você invocou antes pelas visões, e jogue a água e os restos da vela em algum lugar verde, como um gramado ou um jardim.

Para saber mais: Scrying.

   A atividade mágica mais recorrente quando se trata de caldeirão costuma ser a queima de ervas ou a queima de pedidos. Podem ser feitas juntas ou separadas, e também são uma das formas de feitiços mais simples, visto que são simples e rápidas de realizar.
   A queima de pedidos consiste em anotar em vários papéis tudo aquilo que você deseja, de maneira sucinta e direta. Vale também escrever runas e símbolos relacionados com os desejos que você queimará. E, se quiser complementar, basta adicionar ervas igualmente relacionadas com os pedidos escritos nos papéis. Então, ateie fogo no caldeirão.
   As ervas queimadas no caldeirão, por sua vez, costumam possuir finalidades mais amplas. É preciso apenas colocar um punhado de ervas que tenham a mesma propriedade em comum - prosperidade, por exemplo - e deixar o caldeirão em chamas, com o auxílio de óleos ou de álcool, preferencialmente álcool de cereais. Ao queimar, visualize essa propriedade chegando em sua vida. Depois, deposite as cinzas em um jardim ou gramado, e limpe bem seu caldeirão.

Para saber mais: Ervas MágicasErvas e Compêndio de Ervas

   Além da queima de pedidos e de ervas, é possível adicionar ao caldeirão o nome de pessoas que você quer afastar de sua vida, realizando um banimento não só de situações e energias, mas também de pessoas.

    Feitiço de banimento

   Escolha uma noite de Lua Minguante para que seu feitiço tenha ainda mais poder. Prepare o lugar para o feitiço, e trace o círculo mágico, caso seja de seu costume. Coloque em seu caldeirão um pouco de manjericão, alho e cravo-da-índia, e ateie fogo, com a ajuda de álcool de cereais. Caso não tenha, utilize álcool de cozinha, ou óleos.
   Enquanto o fogo se espalha no caldeirão, vá adicionando o nome das pessoas que você deseja banir de sua vida. Escreva o nome de cada uma delas por completo - uma pessoa por papel -, e jogue os papéis no fogo. Enquanto queimam, visualize aquela pessoa indo embora de sua vida, para nunca mais voltar. Ande em sentido anti-horário ao redor do caldeirão. Deixe seus sentimentos fluírem, dançando, gritando, mas sempre focando no banimento dessa ou dessas pessoas de sua vida.
   Ao final, jogue os restos no lixo - porém, em algum lugar longe de sua casa.

   Queima de coisas e divinação não são as únicas coisas para que o caldeirão serve. Você também pode preparar poções e banhos mágicos, ainda que isso exija um pouco mais de trabalho. Dependendo do tamanho e do formato do seu caldeirão, é possível levá-lo ao fogo - no fogão ou com a ajuda de velas, colocando seu caldeirão em um suporte alto sobre a chama. Se isso for possível, então há mais algumas dicas para você!
   Banhos mágicos são bastante simples, e se parecem com um chá. Geralmente são feitos em panelas de um litro ou mais, mas podem ser feitos em menor quantidade em um caldeirão pequeno. Para fazer um banho mágico, adicione as ervas relacionadas com o que você deseja obter magicamente em um caldeirão cheio de água. Leve ao fogo, deixe ferver, coe e espere amornar. Após seu banho higiênico, jogue esse preparado sobre seu corpo, visualizando-se recebendo as bênçãos e realizando seus objetivos. Deposite as ervas em um gramado, ou separe-as para um outro feitiço.

Para saber mais: Banhos Mágicos e Poções

   ☾ Alguns lembretes sobre o uso do seu caldeirão:
   Evite usar o mesmo caldeirão que você usa para fazer poções para queimar pedidos e ervas. Isso porque a queima geralmente deixa muitos resíduos, que podem contaminar suas poções - tanto física quanto energeticamente. Purifique seu caldeirão de queima sempre que terminar de utilizá-lo.
   Se o seu caldeirão for de ferro, após lavá-lo, seque-o em fogo alto, e tome cuidado com arranhões e fissuras, para que não enferruje.

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Mais sobre caldeirões:
Dançando ao redor do caldeirão.
   Alannyë Daeris.