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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Resenha - A Ciência dos Magos, de Papus

   Sinopse: Publicado na França em 1892, este pequeno compêndio do conhecimento esotérico está fundamentado na obra de grandes mestres ocultistas da Antiguidade e, sobretudo, da Renascença, como Cornelius Agrippa, Jacob Boehme, Paracelso e Robert Fludd. Nos antigos santuários ocultistas, onde era ensinada a ciência desses sábios, o estudo e o manejo das forças astrais constituíam parte do saber transmitido pelos alquimistas e místicos do passado.
   Em contraposição ao materialismo científico do século XIX, Papus defende essa antiga ciência, resignificando o papel da espiritualidade na vida humana. À medida que o cientificismo moderno era cético quanto às forças que interligam o microcosmo, o macrocosmo e o mundo divino, o autor mostra que há uma conexão íntima e eterna entre o homem, a natureza e Deus.

Ficha Técnica


   Autor: Papus (Gérard Anaclet Vincent Encausse)
   Ano: 1892 (publicação original), 2022 (edição brasileira)
   Editora: Ajna
   Páginas: 160

   Logo de início, é digno prestar elogios ao trabalho da editora Ajna, pela publicação desse livro inédito no Brasil - mesmo se passando em torno de 130 anos desde sua publicação original, esse ensaio estupendo não havia sido traduzido e lançado para o público brasileiro até então. Acredito que o autor dispense introduções, sendo um dos grandes nomes do ocultismo moderno, cuja produção literária foi e continua sendo referência ainda hoje no âmbito das artes mágicas.
   O propósito de Papus ao longo dessa obra é esclarecer conceitos básicos e estruturais a respeito do ocultismo, desmistificando e elucidando questões pertinentes para neófitos e interessados no campo esotérico. Considerado por muitos como uma ótima introdução às ciências ocultas, expondo as leis astrais, a relação entre o microcosmo e o macrocosmo, o corpo astral e sua interação com os planos sutis, dentre outros temas pertinentes para a compreensão teórica do esoterismo contemporâneo. Destarte, Papus visa argumentar contra o materialismo científico e ceticismo intelectual que predominava no século XIX, empregando um linguajar objetivo, racional e técnico na exposição de suas ideias metafísicas.
   Note que este livro não se propõe a ensinar práticas de magia, mas sim, os fundamentos que viabilizam e constituem as forças e manifestações astrais, bem como suas interações com a matéria. É um escrito sucinto, didático, com um linguajar fluido e descomplicado, como se lecionasse para um querido aluno - apesar do teor complexo e abstrato de certos temas presentes nesse tratado, Papus se atém a sintetizar tais conceitos sem maiores enredamentos ou digressões. Portanto, a extensão do texto é curta, mas seria mais apropriado o uso do termo "compacto", pois agrega conhecimentos preciosos definidos sem qualquer prolixidade.

A rever bases e conceitos,
   Alannyë Daeris

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Magia com Bússolas - Dicas e Feitiços

   Bússolas são itens com uma ampla gama de aplicações em práticas espirituais, relacionadas à sua finalidade como um objeto mundano: direção e orientação. Elas podem ser consagradas e dedicadas como instrumentos mágicos, servindo unicamente para propósitos espirituais, tal como as bruxas fazem com suas tesouras e facas ritualísticas. Por exemplo, as bússolas servem como aliadas em viagens astrais e práticas oníricas, ao consagrá-las para que encontre seu caminho nessas atividades e se desloque facilmente, e para que tenha acesso ao que deseja presenciar.
   Como instrumentos de magia, esses itens favorecem a intuição, direcionamento ou redirecionamento de intenções em atividades espirituais - como consagração de objetos ou manipulação energética -, abertura de caminhos, magia de encruzilhadas, feitiços que tenham a ver com um senso de propósito ou descoberta, progresso, movimento, viagens, intenções exploratórias ou aventureiras, e magia marítima. Adicionalmente, são propícias como "focos intencionais", talismãs consagrados para serem carregados consigo e também empregados em magias. Considero a bússola estando associada aos astros Mercúrio e Júpiter, e ao elemento ar.
   Na Bruxaria Tradicional, há uma prática que se assemelha relativamente ao lançamento do círculo mágico, denominada "hallowing the compass" - que em tradução livre, significa algo próximo de "santificando o compasso", e utiliza um sinônimo do termo para bússola, ainda que não se refira a um objeto físico. Faço menção a essa prática pela referência simbólica e por ser uma possível fonte de confusão entre neófitos que pesquisem sobre algum dos assuntos. Essa prática consiste na delineação de três círculos e a invocação dos quadrantes, com o propósito de delimitar um espaço ritualístico entre os mundos. Caso possua interesse em conhecer o tema mais a fundo, duas ótimas referências acessíveis como ponto de partida para estudo destes saberes tradicionais são Robert Cochrane e Gemma Gary.
   Esse instrumento pode servir de maneira prática para que o praticante identifique as direções na localidade em que se encontra. Em quaisquer tipos de exercícios mágicos, as bússolas auxiliam a encontrar o ponto cardeal que melhor se associa ao propósito da atividade - seja no estabelecimento do altar, na elaboração de grades de cristais ou gráficos radiônicos, ou na realização de feitiços em geral, como ao soprar determinados pós mágicos ou cinzas ao vento. 
   Os compassos também são aliados em certas artes divinatórias, como a Ornitomancia (divinação com o vôo das aves) e a Aeromancia (divinação com condições meteorológicas), que se subdivide em diversas divinações específicas que podem ser conduzidas de forma independente ou concomitante, como a Nefelomancia, baseada em nuvens; Austromancia, baseada no vento; Ceraunoscopia, baseada em raios e relâmpagos; Meteoromancia, baseada em meteoros; e Caomancia, baseada em visões aéreas. Torna-se um instrumento auxiliar nessas divinações referidas pois é essencial que o intérprete do céu, ou dos padrões que analisa nele, seja capaz de discernir a direção e o sentido desses elementos que determinam os prognósticos.

Feitiço com Bússola para Viagens Astrais


Você precisará de:
• Uma bússola
• Artemísia 
• Noz moscada em pó
• Uma vela roxa ou azul-royal
• Um incenso de sua preferência

Horas e dias de Lua e Júpiter.
Fase crescente e cheia.

   Separe todos os ingredientes em um local propício para a realização da magia, e prepare-se como de costume. Faça uma purificação em si, no ambiente, e na bússola que será utilizada; não é necessário consagrá-la previamente, pois isso será feito ao longo da prática. Inicie a magia acendendo o incenso e a vela, mentalizando sua intenção de viajar astralmente e as empreitadas que deseja efetuar durante tais práticas. 
  Crie um sigilo para representar sua intenção de ter sucesso (e outros propósitos similares que lhe apeteçam, como segurança, aprendizado, etc) em viagens astrais e desenhe-o na vela; caso não tenha muita afinidade com a criação de sigilos, ou se desejar angariar essas correspondências adicionais, você pode entalhar os símbolos astrológicos da Lua e de Júpiter na vela, conectando-se com suas energias.
    Fale em voz alta que a bússola representa seu potencial em desenvolvimento de realizar viagens astrais. Passe-a em frente à chama da vela e consagre-a para o correto direcionamento das suas experiências, para a iluminação dos seus caminhos; passe-a na fumaça do incenso e consagre-a para o domínio da mente e absorção dos conhecimentos adquiridos por meio das viagens. Ponha a bússola sobre a superfície do altar e espalhe a artemísia ao redor, invocando seus atributos lunares de proteção, sabedoria interior, intuição, poder mágico, e de favorecimento às projeções e viagens espirituais. Polvilhe a noz moscada, invocando seus atributos jupiterianos de clareza mental, boa sorte, percepção psíquica, intuição e visão espiritual realçada, sonhos lúcidos, e de proteção em viagens em geral.
   Medite e projete sua intenção sobre a bússola, podendo segurá-la em mãos para firmar a consagração. Após esse momento, é possível iniciar a atividade de viagem astral. Quando ela se findar, caso a vela e o incenso ainda estejam acesos, pode apagá-los e reutilizar com esse mesmo propósito de viajar astralmente. Não é necessário repetir todo o procedimento em outras ocasiões, pois a bússola já estará consagrada para essa finalidade, e não deve ser reutilizada com outros fins até que seja purificada; no entanto, é possível agregar a vela, o incenso e as ervas à atividade, se assim preferir.

Feitiço com Bússola para Abertura de Caminhos


Você precisará de:
• Uma bússola
• Uma vela verde ou amarela
• Uma chave velha, de brinquedo, ou um desenho de chave
• 7 folhas de louro
• Azeite de girassol ou de oliva

Horas e dias de Sol ou Júpiter.
Lua nova, cheia ou crescente.

   Reúna os ingredientes em local adequado para condução da atividade, e faça os preparativos habituais para a magia. Escreva sua intenção de abertura de caminhos na vela, especificando caso a intenção seja direcionada para alguma área específica da vida, ou se é no geral. Unte com o azeite, e mentalize que ele atrai facilidades para seu avanço, um movimento de progresso fluido e desimpedido nas situações dificultosas que enfrenta atualmente. Firme a vela sobre um castiçal ou pires, e acenda, conectando-se com sua intenção.
   Unte a chave com o azeite, projetando uma luz dourada sobre ela (pode ser como uma cintilância, brilhos áureos que emanam do objeto). Coloque a chave acima ou ao lado da bússola, espalhe as folhas de louro ao redor de ambos os objetos, invocando a energia solar de êxito, vitória, conquista, felicidade, sorte e prosperidade que essa erva possui. Mentalize que está andando por uma estrada segurando ambos os objetos, um em cada mão. Ora você utiliza a bússola para escolher sempre o caminho do norte; ora você utiliza a chave para destrancar portas e portões que surgem em sua frente. Pense em si mesmo(a) radiante, em plena satisfação e contentamento, avançando ou até correndo sem problemas em direção ao seu destino final - ou alcançando-o, caso exista uma finalidade ulterior específica para o feitiço.
   Guarde a chave até que o feitiço se concretize, ou até sentir necessidade de refazê-lo (para a mesma ou para outra intenção). As folhas de louro e restos da vela podem ser descartados na natureza logo ao final da atividade. A bússola pode ser usada normalmente após a magia, pois o feitiço não envolve consagração.

Referências

A guiar trajetórias serpentinas,
   Alannyë Daeris

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

Heka (feitiço egípcio) para Desordem e Fragilidade Mental e Física - Papiro Edwin Smith, Spell 5 (verso)

   Traduzi e adaptei o feitiço egípcio a seguir, encontrado no Papiro Edwin Smith, o mais antigo dos papiros médicos, referente ao Spell 5. Ele se destina a impedir e eliminar doenças e desequilíbrios causados por influência espiritual de entidades e espíritos malignos - sendo um dos poucos exemplos de abordagem mágico-religiosa nesse papiro medicinal, e por estar localizado no verso, é possível que esse e outros 7 feitiços sejam uma adição tardia e não-relacionada ao texto médico original. Para mais informações sobre muuetu e espíritos malignos, leia esse texto. Porém, mesmo que não seja o caso de uma enfermidade ou uma desordem causada por obsessores e espíritos, é possível realizar esse Heka adaptado na intenção de restaurar o equilíbrio da mente e do corpo, e diminuir o impacto de distúrbios emocionais na vida do indivíduo.
   O papiro indica quatro divindades para realização do Heka: Sekhmet, Bast, Wesir (Osíris) e Nehebkau. O texto sugere que todas estão presentes na prática, mas não vejo impedimentos ou contraindicações caso deseje invocar somente um, dois ou três dos Netjeru citados para abençoar o feitiço, por razões de afinidade ou preferência.
   Em minha adaptação, estruturei o Heka no formato usual com que compartilho feitiços embasados na Bruxaria moderna, e acresci instruções além das mencionadas no texto original, buscando auxiliar na contextualização dessa magia existente desde meados de 1600 a.E.C - que comporta as dinastias 16 e 17 do Segundo Período Intermediário do Egito. É indicado no papiro que o conteúdo é uma cópia de um encantamento anterior, algo comum em textos mágicos e medicinais durante toda a história do Egito, e determinados elementos linguísticos reforçam a origem mais antiga deste Heka.
   Como é costumeiro em encantamentos egípcios, há alusões textuais a conceitos mitológicos por vezes obscuros, incluindo associações de Netjeru (divindades) com circunstâncias negativas que o praticante de magia deseja evitar, vide relação estabelecida entre Sekhmet e o adoecimento do corpo e da mente, e entre Osíris e as vísceras que eram retiradas na ocasião do embalsamento dos falecidos.

Instruções para o Heka

Você precisará de:
• Um retângulo longo de tecido branco ou bege, se possível, feito de linho ou algodão. Tamanho sugerido: pelo menos 7cm de largura por 50cm de comprimento.
• A tinta sugerida no feitiço original é resina de mirra, mas você pode usar nanquim, canetinha, ou caneta permanente "sharpie". Preferencialmente, de cor preta.

   Prepare o ambiente e a si mesmo realizando uma prática de purificação de sua preferência, respire fundo e concentre-se. Convide as divindades que participarão desse Heka: Sekhmet, Bast, Osíris (Wesir), e/ou Nehebkau. Segure o tecido em mãos, faça o henu de oferenda estendendo ambas as mãos à sua frente com as palmas voltadas para cima - leia mais sobre os gestos ritualísticos keméticos. Em seguida, escreva os nomes das divindades em hieróglifos em um dos lados do tecido; ou, se preferir explorar mais seus dotes artísticos, é possível desenhar os Deuses à mão livre. Para referência, demonstro a seguir os nomes hieroglíficos de todos os quatro Netjeru citados, somente uma dentre as muitas possíveis versões da escrita de cada Nome.


   Do outro lado do tecido, o encantamento a ser escrito:

"A proteção da vida de Neith está ao meu redor, dela que está acima daquele que escapou da semeadora. Bast é repelida da casa do homem."

   Assim que terminar de escrever, fale o seguinte encantamento enquanto segura a tira de tecido inscrita de ambos os lados:

"Histeria, histeria, você não possuirá minha mente ou meu coração para Sekhmet. Você não tomará meu fígado para Osiris, e as coisas ocultas em Buto não entrarão em meu trono na manhã da contagem do Olho de Hórus. Qualquer espírito masculino ou feminino, qualquer falecido ou falecida (muuet e muutet), sejam na forma de animais, sejam de quem os crocodilos se apoderaram ou quem a serpente mordeu, aqueles condenados à faca, ou que morreram em sua cama, e as entidades malignas da noite, sejam obliterados por esse Heka. Afastem-se permanentemente, nunca retornem, em nome de (Netjeru escolhido). Hórus, que está são apesar de Sekhmet, vigia ao redor da minha carne por toda a vida."

   Coloque o tecido ao redor de seu pescoço, podendo amarrá-lo para que permaneça no local, ou utilizar um broche ou alfinete para essa finalidade. Use com intenção quando sentir a necessidade de espairecer a mente, reforçar sua vitalidade, acalmar os ânimos, encontrar equilíbrio e harmonia a nível físico, mental ou emocional. Esse amuleto tem validade indeterminada, podendo ser mantido em seu altar ou guardado para reutilizações futuras. Recomendo repetir o encantamento verbal nas ocasiões em que emprega o amuleto de tecido novamente.

Fontes
- Wilson, J. A. (1952). A note on the Edwin Smith surgical papyrus. Journal of Near Eastern Studies, 11(1), 76-80.
- Ancient Egyptian Medical Texts, World History Encyclopedia. Acesso em 02/03/2024.

A atar as forças da desordem,
   Alannyë Daeris 

terça-feira, 16 de abril de 2024

Revertendo Feitiços Insatisfatórios - Guia de Reversos Pessoais

Publicado originalmente na Revista A Folha da Ibis, edição de Março de 2021.

   Quanto mais acumulamos experiências com feitiços e rituais em nossa caminhada mágica, maior é a chance de, eventualmente, fazer alguma coisa de errado. Na edição da 'A Folha da Íbis' de Setembro de 2020, falei sobre os motivos prováveis para o fracasso de um feitiço, mas hoje, quero tratar de uma questão mais específica dentro desse tema: quando não só fracassamos em nossa intenção, como também geramos uma consequência negativa em nossas vidas, ou quando aquele feitiço simplesmente não nos tem mais serventia.
   Por exemplo, digamos que tenha lançado um feitiço para receber várias investidas e mensagens de pessoas charmosas e interessantes no sentido romântico, e devido a isso, você se apaixona e assume um namoro sério logo em seguida… O feitiço agora poderia gerar diversas situações desconfortáveis entre você e seu novo parceiro(a), não é mesmo? Além de que, se você encontrou a pessoa certa com quem deseja estar, uma enxurrada de novos pretendentes pode ser algo bem incômodo.
   Evidentemente, há casos bem menos positivos que podem exigir a reversão de um feitiço lançado, como quando as coisas simplesmente não acontecem como o planejado. Por exemplo, lançar um feitiço para não ser mais perturbado por mensagens de spam no seu e-mail, e acabar com problemas na conexão de internet em sua casa ou celular por alguns dias. Se você colocou muita intenção na hora de fazer a magia, especialmente quando ela é motivada por sentimentos muito negativos – de frustração, ira, aborrecimento ou impaciência –, é bem possível que acabe deslizando na definição da intenção, fraseando-a de forma vaga ou incorreta, e deixando para que o universo aja pelo caminho de menor resistência, que nem sempre é o mais ideal. Sua emoção pode falar mais alto que suas palavras!
   Saiba que muitas vezes é melhor desfazer o feitiço já lançado do que ignorá-lo e esperar que se resolva sozinho, mesmo que já tenham se decorrido algumas semanas ou meses desde que foi feito. Se você sente necessidade de interromper o efeito, ou percebe que está sendo afetado pelos resquícios de uma magia que está lhe fazendo mal, vá em frente e desfaça. Depois você pode lançar outro mais adequado, aprendendo com a experiência que não deu tão certo; por esse motivo é tão importante anotar todas as suas empreitadas mágicas, em especial as atividades de lançamento de feitiços, e detalhes sobre como e quando as desempenhou.
   Antes de começar a reverter, você precisa identificar quais elementos usou, se ainda resta alguma coisa física do feitiço, e reunir todas as informações possíveis sobre ele. Se tiver anotações e registros, pegue-os e veja tudo que foi feito. Se não tiver, tente relembrar ao máximo, e coloque em um papel para visualizar melhor (e não se esquecer de nada). Essas informações ajudam você a escolher o melhor método para reverter seu feitiço, pois existem inúmeras formas de lidar com uma magia depois de lançada, e abaixo estão algumas delas para que você possa se orientar.
   Esteja ciente de que a reversão deve ser sempre muito bem elaborada e levada ainda mais a sério, pois um feitiço de reverso mal feito pode piorar a situação, causando consequências tão desagradáveis quanto as anteriores que se visa anular, e mais complicadas de se resolver. Entretanto, é um conhecimento imprescindível para qualquer bruxa ou magista sério e comprometido com sua Arte – “só sabe criar aquele que sabe destruir”.

1. Congelamento Temporário

   Se você não tem certeza se o feitiço deu errado, se ele simplesmente não está fazendo efeito algum, ou se não está relacionado com o que você está vivenciando (no caso de efeitos negativos), esse método é ideal para sentir a diferença que faz em sua vida quando o feitiço está inativo, mas saiba que é temporário mesmo e não durará muito mais que uma semana. Ajuda em situações em que você precisa de tempo para conseguir os ingredientes para fazer uma reversão definitiva, devido à sua simplicidade e acessibilidade.
   Nota: Uma dica nesses casos é realizar uma leitura oracular para investigar a situação do feitiço que está lhe gerando questionamentos. Você pode perguntar aos oráculos se a magia deu certo, se ela está causando repercussões negativas, se foi a responsável por uma determinada situação que você está vivendo, dentre outras indagações, conforme o contexto. Também é possível questionar se um congelamento seria a melhor forma de lidar com o feitiço, ou se seria recomendável uma prática de reverso, como as sugeridas abaixo.

Você precisará de:
• Papel e uma caneta vermelha.
• Água e um recipiente pequeno que possa
ir ao congelador.
• Pimenta preta.
 
   Corte o papel em formato de quadrado. De um lado, escreva o nome do alvo original do feitiço (se você fez para si mesmo(a), escreva seu nome). Do outro lado do papel, escreva a intenção do feitiço que deseja ser desfeita, mais parecido possível com a intenção original. Dobre os quatro cantos do papel para dentro, formando um envelope pequeno e cobrindo a intenção; dentro desse envelope de papel, coloque a pimenta preta. Ponha o envelope com a pimenta no recipiente e adicione água até a borda, tampe e leve tudo ao congelador. Em um prazo de 7 dias, você deve retirar e decidir se fará uma reversão definitiva ou se deixará o feitiço ativo.

2. Queima dos Restos

   Simples e prático, funciona para todos os tipos de feitiços desde que não tenha sido lançado com fogo – porque nesse caso, queimar os restos só aumentará a energia e o poder do feitiço. A única exigência para a realização é que você deve ter algum material ou resquício do feitiço, seja um carvão que sobrou do caldeirão, uma corda, um toquinho de vela, um papel, um saquinho, ou até ervas e sementes. O ideal é que você sempre armazene alguma coisa dos seus feitiços e rotule de forma que possa identificar e desfazer sem dores de cabeça caso algo dê errado com os resultados, pois do contrário, somente o próximo método será aplicável (e outros mais complexos que não ensinarei nessa oportunidade). Em suma, a queima de restos é exatamente o que o nome sugere: ateia-se fogo no link mágico do feitiço, podendo incluir ervas e ingredientes propícios para banimento, com a intenção de eliminar a magia anterior e interromper todas as suas consequências. As cinzas e restos da queima feita no reverso podem ser enterrados ou lançados ao vento bem longe de sua residência.

3. Contra-Feitiço

   Se você sabe como um feitiço foi lançado, incluindo todos os materiais e as ritualísticas que foram feitas, você pode lançar um segundo feitiço elaborado para cancelar o primeiro. Para esse método, também é imprescindível ter anotações ou registros de como o feitiço foi conduzido originalmente, em especial, as palavras que foram ditas ou mentalizadas. Depois de juntar o máximo de informações possível, liste todas em um papel, e vá pensando em elementos que possam anular a energia de cada item. Por exemplo, se você usou três ervas para atração, deve escolher três ervas que tenham energias de banimento (não use nada a mais, o excesso em feitiços de reverso é prejudicial pois cria desequilíbrio). Se fez na Lua crescente, lance o contra-feitiço na Lua minguante. Nenhum elemento deve estar desbalanceado, então, encontre um equivalente oposto adequado para tudo que foi usado, sejam instrumentos, símbolos, velas ou elementos. Se foi uma meditação, crie uma nova meditação que tenha uma intenção oposta; se foi um encantamento, escreva um novo que vá contra o primeiro; se foi um feitiço com água, use fogo para reverter; se foi um feitiço com terra, use ar para reverter; e por assim em diante. Não há necessidade de executar um feitiço exatamente oposto ao que foi feito primeiro, desde que possua todos os elementos essenciais para cancelar os efeitos do primeiro feitiço.

Feitiços que você sempre deve guardar restos ou algum taglock:


• Feitiços de amor, romance ou sedução;
• Feitiços com foco em outras pessoas, mesmo que sejam feitos com permissão e conhecimento do alvo;
• Feitiços de saúde e cura, ou relacionados ao corpo físico, como para perda de peso;
• Feitiços relacionados à saúde mental e emocional;
• Feitiços de trabalho de sombra (shadow work).
• Atamentos (binding) e congelamentos;
• Feitiços de prosperidade ou para empregos;
• Banimentos com foco em pessoas ou questões pessoais;
• Maldições e pragas de todos os tipos.

A retraçar caminhos e desfazer resultâncias,
   Alannyë Daeris

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Pó Mágico para Proteção e Banimento

   Como uma grande parte dos feitiços que realizo e ensino por aqui, em especial os que possuem finalidade de banimento e proteção, esse me foi transmitido por Anúbis, durante meu sono. É um pó de confecção extremamente simples, com ingredientes de fácil acesso e que qualquer pessoa possui em casa. Além disso, tem uma imensa gama de possibilidades de uso, sendo um item altamente versátil para atividades mágicas. Apesar de levar sal em sua composição, eu categorizo esse ingrediente arcano como um pó mágico, e não um sal mágico, pois a base da confecção dele não é salina. Para maiores informações sobre pós e sais mágicos, leia esse texto.
   A atuação mágica desse pó se concentra em banir influências nocivas, afastar energias e pessoas indesejáveis, e proteger contra perigos físicos e espirituais. Ele pode ser incrementado de diversas maneiras: energizando com ajuda de cristais de proteção (turmalina negra, ônix, obsidiana, granada, olho de tigre, etc), acrescentando outras ervas de sua escolha para esses propósitos, pó de tijolo ou cascas de ovo moídas, ou escrevendo petições/sigilos em papel e queimando para adicionar no pó.
   Já os usos para o pó mágico são diversos, e variam entre espalhá-lo ao redor da casa, no batente das janelas e portas, no jardim ou nos limites da residência, salpicado dentro do seu veículo (debaixo do tapete do carro ou no baú da moto), uma pitada nos bolsos de roupas, dentro de bolsas ou carteiras, debaixo da palmilha dos seus sapatos ao sair de casa, ou ainda, disposto em um pires ou castiçal com uma vela preta acesa no meio, e somado em saquinhos mágicos e feitiços em geral com propósitos de proteção e banimento.

Você precisará de:
• Café em pó
• Pimenta preta ou branca em pó
• Sal grosso ou refinado
• Farinha de trigo
• Cinzas de incenso - se possível, de incensos naturais de ervas
• Um punhado de arruda e/ou louro (em pó, macerado ou bem picotado)
• Um recipiente de vidro higienizado para armazenar
• Opcional: Carvão ou raspas de caldeirão
• Opcional: Pó de tijolo vermelho e/ou cascas de ovo moídas

🕒 Horas e dias de Saturno ou Marte.
🌕 Lua minguante ou cheia.

   Reúna todos os ingredientes em seu altar ou espaço apropriado, e concentre-se. Purifique o recipiente de vidro com um método de sua preferência, e comece a acrescentar os ingredientes. As quantias são arbitrárias pois não existe uma proporção mais adequada, mas sugiro que a base do pó seja a farinha e o café em partes iguais, e depois os outros ingredientes em uma menor escala. Referente à pimenta, a cinza de incenso e os opcionais, uma ou duas colheres cheias de sopa bastam.
   Vá adicionando e mentalizando sua intenção para esse pó mágico. Você pode visualizar uma energia escura envolvendo o recipiente, trazendo as energias de defesa e expurgo de negatividade. Caso você deseje energizar com algum cristal, feche a tampa e coloque a pedra sobre ela, intencionando essa energização. Para consagrar, abra a tampa, "bafore" três vezes (solte o ar quente dos seus pulmões - não sopre, apenas deixe o hálito sair da boca) dentro do pó enquanto fala o encantamento entre baforadas:

"Pó de proteção, pó de banimento, pó de proteção
(uma baforada)
Consagro e ativo sua força com o ar do meu pulmão
(uma baforada)
Me defenda, me proteja, e afaste de mim todo o mal
(uma baforada)
Elimine o que me ameaça, seja ou não intencional"

   Está feito. Se possível, rotule com o propósito e a data de fabricação. O pó mágico pode ser usado imediatamente, ou se ainda desejar dar a ele um toque final, enterre por três dias antes do uso, ou energize na luz da lua minguante.

A amolar as facas do Senhor das Lâminas,
   Alannyë Daeris

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Tempo ao Tempo – Deixando a Magia Correr seu Curso

Publicado originalmente na Revista A Folha da Íbis, edição de Abril de 2020, por Alannyë Daeris. Revisado e atualizado em 05/2023.

   Como é difícil lidar com a ansiedade pós-magia, não é mesmo? Aquela sensação de nervosismo... ter dúvidas sobre se vai mesmo funcionar, se os resultados serão rápidos e da forma como você espera, se você fez tudo certo ou errou em alguma etapa... Nós vivemos presos ao conceito de tempo e espaço, mas para o espiritual, o tempo funciona de forma diferente. Portanto, quando colocamos nossa preocupação e ansiedade sobre nossos feitiços, criamos bloqueios inconscientes sobre as intenções, enviando uma mensagem contrária – de que aquilo não é o que queremos de verdade, associando a intenção a algo ruim. A energia que foi direcionada antes se torna conflituosa com a energia que foi enviada depois, e dependendo do contexto, as duas podem acabar por se anular.
   Isso não significa que você deve se desesperar toda vez que se pegar pensando algo como “nossa, espero que esse banho de ervas funcione mesmo”, ou “o que eu faço se esse feitiço não funcionar?”. Esses questionamentos são normais e até necessários, para que consideremos com nosso senso crítico o que foi feito, e possamos analisar com honestidade e transparência nossas atividades mágicas. Inclusive, são ponderações que podem ser acrescentadas em seu diário mágico (ou grimório, livro das sombras, etc), e que fornecem um bocado de compreensão sobre sua jornada espiritual, tanto na hora do registro quanto em oportunidades posteriores de rever tais anotações e compará-las com os resultados obtidos.
   Entretanto... se você frequentemente fica considerando as possibilidades de como seu feitiço pode falhar, ou procurando os erros que cometeu na hora H, isso já configura uma autossabotagem! Considere que você está gastando seu tempo, sua energia e seu esforço criando sentimentos negativos e direcionando-os para o feitiço que fez, e isso às vezes pode ser o suficiente para diminuir ou até anular o efeito do feitiço que criou, se for feito com frequência, ou se você ficar muito ansioso nesses momentos específicos! Longe de querer lhe instigar medo e ainda mais insegurança sobre suas práticas, a proposta aqui é ajudar você a evitar circunstâncias desfavoráveis para conseguir concretizar seus desejos, tendo consciência dos fatores que atuam contra eles.
   Algo similar pode acontecer quando você faz um feitiço e conta para outra pessoa, seja ela a favor das suas práticas no geral ou não. Se ela pensar ou sentir algo que não seja positivo, mesmo que seja inconscientemente ou sem intenção, são bloqueios que podem ser acrescidos sobre sua magia, e que quando se somam em quantidade, podem acabar por atrapalhar os resultados que você tanto queria. Evite compartilhar seus feitos mágicos abertamente, você pode não saber de fato qual será a reação íntima do ouvinte – a exceção são os casos em que você deseja energizar o feitiço através da interação da outra pessoa, mas é necessário propósito e um cuidado redobrado para isso!
   É importante comentar que se você é assombrado por preocupações, de maneira intensa e frequente, isso deve estar enraizado em algo mais profundo e desconhecido para você, então vale a pena tentar encontrar onde está a raiz do problema. Lembrando que ansiedade, medo extremo, paranoia e preocupação excessiva com sintomas físicos são assuntos sérios e requerem o devido acompanhamento de profissionais da saúde. O ideal nesses casos é buscar indivíduos capacitados para ajudar a reestabelecer sua saúde mental e emocional ao melhor estado possível. O autoconhecimento opera maravilhas quando bem conduzido, mas nem tudo pode ser resolvido de forma solitária, na base da reflexão isolada e sem o devido amparo.
   Na prática, não se preocupar com feitiços e resultados é muito mais fácil dito do que feito, todos sabemos muito bem disso... Minha recomendação é que você encontre maneiras de redirecionar seu foco sempre que perceber as dúvidas se aproximando, e recorde-se dos resultados positivos que já obteve em seu passado, como banhos de ervas eficazes, feitiços ou práticas mágicas em geral que manifestaram um efeito tangível e significativo - tenho certeza de que você possui um histórico com momentos impressionantes relacionados à magia! Quanto antes você se afastar de pensamentos duvidosos sobre os resultados, melhor, pois menos negatividade estará no caminho das suas intenções. Não devemos tentar reprimir os questionamentos, e sim aceitá-los com naturalidade, entendendo que fazem parte do processo e são compartilhados por todos nós no caminho oculto, mas também compreender que está em nosso poder evitar que o medo leve ao fracasso. Algumas dicas simples de feiticinhos para isso são:

• Acenda seu incenso preferido, ou algum com propriedades de purificação, clareza, limpeza. Concentre-se na fumaça, intencione que ela renove suas energias e dissipe os pensamentos adversos.
• Faça um aterramento, se possível, andando de pés descalços na grama. Estar na natureza é ótimo para se distrair das preocupações.
• Escreva todas as coisas que lhe preocupam conforme elas surgem em sua cabeça e queime-as para banir de sua vida. Pode ser feito em uma simples vela preta, sem necessidade de ervas e caldeirão.
• Coloque uma música que lhe faça se sentir bem para tocar bem alto, concentre-se nela com presença e se deixe levar.
• Medite com uma entidade ou divindade que você cultua, converse sobre a situação.
• Leia um poema que você gosta, ou entoe um hino para uma divindade/entidade de quem você é devoto.
• Faça um exercício físico simples e rápido. Corra pela casa, faça agachamentos ou polichinelos. Dê uma alongada antes, claro.
• Exerça alguma atividade de limpeza ou organização - varra um recinto, lave a louça, arrume aquele cantinho bagunçado, tire o pó da estante. Concentre-se e intencione que está reordenando seus pensamentos por meio dessa tarefa.
• Registre em seu diário mágico (ou livro das sombras, enfim) sobre a experiência, buscando ser honesto consigo mesmo(a).
• Pergunte a oráculos sobre a prática que foi realizada; se foi eficaz, se trará os resultados esperados, se algo foi feito inadequadamente, se há necessidade de um reforço posterior, orientações. Reflita sobre as respostas com atenção e evite abrir um monte de jogos em sequência sem analisá-los com calma, faça como se estivesse abrindo o oráculo para outra pessoa.
• Tire um cochilo, descanse, leia um livro. Faça uma atividade diferente, conforme o que você estiver precisando mais no momento. Quem sabe tomar uma ducha (ou um banho de ervas!), um chá, passear com o cachorro. Direcione seu foco para algo mais produtivo, coloque em dia aquilo que está procrastinando há dias.

A desapegar das certezas,
   Alannyë Daeris

terça-feira, 18 de julho de 2023

A Magia da Repetição: Feitiços de Dias Consecutivos

Texto publicado originalmente na revista A Folha da Íbis, edição de Abril de 2020, de autoria de Alannyë Daeris.

   Todo mundo que pesquisa sobre o Oculto já se deparou com feitiços e rituais que exigem vários dias para sua realização, ou seja, que não são feitos de uma vez só. Você faz o primeiro feitiço, e precisa continuar nos dias seguintes por uma quantidade de tempo pré-determinada. Vamos abordar a fundo o funcionamento e diretrizes básicas para tais feitiços, e principalmente, de que maneiras podemos empregá-los na prática.
   Considere que os feitiços consecutivos são como uma cascata de energia fluindo em direção ao objetivo que determinado. Cada vez que você completa uma parte do feitiço, é como se um novo rio de energia fluísse para a cascata. No final, você terá uma cachoeira com um fluxo mais forte, mais rápido, e muito maior que a cascata original. Essa cachoeira reforçada terá energia abundante para alimentar sua magia, pois basta alguns dias para que as ações repetidas gerem uma força energética considerável.
   Feitiços consecutivos podem ser feitos para qualquer intenção, e na prática, não há tanta diferença para um feitiço normal, apenas a adição de práticas ou a repetição de atividades. O número de dias costuma ser relacionado à simbologia do número, ou podem completar um ciclo específico de dias (uma semana, um mês, enfim). Como todo tipo de magia, há pontos a serem considerados, para que você determine qual a melhor situação para utilizá-los.

1. Clareza de Intenção


   Em cada parte do feitiço, será necessário foco e atenção, o que resultará no desenvolvimento do seu objetivo, esclarecendo o que você realmente quer conseguir. Até as inseguranças ou medos que você poderia ter serão descartadas após tantas atuações ritualísticas, pois você terá mais certeza do que quer, e uma maior confiança em suas habilidades mágicas. Muitas vezes, quando pensamos em fazer um feitiço, não temos o objetivo bem formado em nossa mente ainda, e podemos ser influenciados pelas emoções do momento. A repetição garante um tempo para refletir e considerar, trazendo uma ideia mais concreta sobre suas motivações. Se você tem dificuldade de delimitar objetivos sólidos e claros para sua magia, essa é uma alternativa viável, que lhe fará contemplar o que realmente deseja com o feitiço durante vários dias. No final, as chances são que você terá compreendido o que quer e como quer que isso se manifeste em sua vida.

2. Disciplina e Ritualística


   A repetição é importante de um ponto de vista mágico, e é o que faz os rituais serem tão poderosos. Além disso, é preciso disciplina para ter compromisso com suas atividades mágicas, e para conseguir realizar tudo de acordo com o que foi planejado. Ao usar da repetição, você estará mais consciente sobre suas práticas mágicas, fortalecendo sua autoconfiança e ajudando você a evitar pensamentos e atitudes que possam atrapalhar sua magia - principalmente em vezes que pensamos ou fazemos coisas por impulso, sem perceber.

3. Menor Gasto Energético


   Há pessoas que, por vários motivos (como debilidades mentais ou físicas), se sentem muito mais exauridas ao praticar simples atos de magia. Pode ser muito difícil para alguns indivíduos ter a motivação ou o foco para gerar e manipular grandes quantidades de energia, portanto, dividir um feitiço em várias partes pode ser sua salvação! Assim, você gastará um pouco de energia de cada vez, mas terá um resultado tão poderoso quanto se tivesse feito em uma única parte, com a vantagem de não ficar tão exausto no final. Ademais, é mais fácil desocupar 15min na sua rotina em alguns dias da semana ou do mês, do que ter várias horas disponíveis para efetuar uma magia mais elaborada e complexa.

Na Prática


   Feitiços consecutivos não precisam ser super elaborados, pois boa parte de seu poder reside na repetição. Mas tenha em mente que a complexidade está sim frequentemente relacionada com poder, e uma quantidade maior de ingredientes bem escolhidos (sejam ervas, velas, óleos, pós ou encantamentos) pode resultar em um feitiço mais poderoso, ainda que não seja regra. Para aproveitar o máximo do efeito do feitiço, é melhor que sejam em dias consecutivos mesmo, evitando pular datas durante o processo. Entretanto, isso não é obrigatório, e há feitiços consecutivos que são feitos dia sim/dia não, ou em repetições numéricas específicas que estejam relacionadas simbolicamente ao objetivo de alguma forma. O essencial é que as datas sejam escolhidas intencionalmente, ainda mais se houver alguma intercalação de datas ou espaçamento entre uma e outra.
   A data de início e fim são as mais importantes por virtude das fases da Lua, e devem ser levadas em consideração, juntamente com a regência planetária dos dias e horas. A ideia é tentar combinar o máximo de influências positivas (e evitar as que sejam contrárias à sua intenção, é claro!). E sim, divindades e entidades podem ser convidadas para auxiliar e fortalecer os feitiços consecutivos, o que é algo recorrente na Bruxaria moderna. Também é uma maneira de gerar mais intimidade com a entidade e sua energia, trazendo uma aproximação pela interação diária e ritualística. Lembre-se sempre de trabalhar apenas com entidades com as quais já tem algum relacionamento, mesmo que breve, pois nem todos os Deuses (ou espíritos) gostam de ceder sua atenção e energia sem nem conhecer a pessoa em questão, ou sem ter alguma boa motivação para isso.
   A criação dos feitiços consecutivos não difere muito de feitiços convencionais, havendo apenas alguns detalhes a mais para se definir. São eles:

Qual a melhor data para o início?
Considere a fase da Lua e a regência planetária do dia e da hora.

Quantos dias o feitiço durará?
Aqui, é válido consultar a numerologia para determinar o número de dias. Ou, usar de um ciclo pré-determinado que você considerar mais apropriado, como “uma semana”, “uma quinzena”, “um mês”.

• Em quais momentos do dia o feitiço será executado? Quantas vezes?
Por exemplo, aqui você pode escolher horas planetárias específicas - por exemplo, só em horas de Vênus. Ou, um período do dia cujas correspondências se alinhem com o propósito de cada etapa, como uma parte ao acordar para aproveitar a energia de início, e uma parte no dia seguinte antes de dormir, para representar a conclusão.

As partes serão o mesmo feitiço, repetido? Ou serão feitiços diferentes, combinados para obter um resultado?
As duas opções funcionam, embora os feitiços consecutivos geralmente sejam compostos do mesmo feitiço repetido. Se você quer concentrar suas forças em um único objetivo, simples e direto, é a melhor opção. Mas se a sua intenção é mais complexa, e envolve várias coisas diferentes, pode ser interessante variar as partes do feitiço para alcançar o objetivo desejado.

Considere os exemplos:

1. “Estou em busca de um compromisso sério, e já sei o que eu busco em um relacionamento. Sei o que me agrada e o que me desagrada em um parceiro. Não tenho pressa, pois quero que seja a pessoa certa.”
   - Primeira parte do feitiço: Um banho mágico de amor bem reforçado todas as sextas-feiras pela manhã em uma hora de Vênus, durante um mês. Acenderei uma vela cor-de-rosa (ou vermelha) durante o banho.
   - Segunda parte do feitiço: Queimarei os restos do banho mágico no caldeirão, na noite da sexta-feira. Tentarei fazer durante uma hora de Vênus, e acenderei a mesma vela durante a queima das ervas no caldeirão.

2. “Quero ser feliz no amor, mas me sinto presa ao meu passado, e sei que preciso melhorar minha autoestima, pois sinto que preciso gostar mais de mim e me conhecer melhor para saber o que realmente quero da minha vida amorosa.”
   - Primeira parte do feitiço: Um banho mágico de amor próprio, na manhã de uma sexta-feira, para fortalecer minha autoestima. Usarei uma vela cor-de-rosa, um cristal de quartzo-rosa e um incenso de hortelã para intensificar os efeitos.
   - Segunda parte do feitiço: No mesmo dia, durante a noite, uma petição para uma divindade que cultuo, pedindo a ela que me ajude em minha busca pela felicidade amorosa. Queimarei a petição junto com os restos do banho mágico (as ervas e a vela) no meu caldeirão.
   - Terceira parte do feitiço: No dia seguinte, em uma hora de Vênus, um feitiço de banimento para me livrar do passado, das minhas inseguranças, e para impedir influências prejudiciais na minha vida amorosa.
   - Quarta parte do feitiço: No mesmo dia, durante a noite, consultarei um oráculo para descobrir o que o amor me reserva, e farei uma oferenda para agradecer à divindade por sua ajuda. Está feito.

Numerologia Simples


   Segue uma lista bem simples e resumida de significados para ajudar na decisão dos dias. Começando no número 2 pois, para ser um feitiço consecutivo, é necessário que seja composto de dois ou mais dias.

2 – Dualidade, equilíbrio, mas também opostos e contraposição. Harmonia, igualdade, diplomacia, cooperação, paciência.
3 – Crescimento, criatividade, otimismo, arte, inteligência, magia lunar. Número do equilíbrio completo, dos ciclos.
4 – Natureza, ordem, praticidade. Elementos, pontos cardeais, estações do ano.
5 – Saúde, luz, vitalidade, poder pleno. Energia em transformação, conexão com o divino, paixão, criação, mudanças, desafios, conflitos, persuasão, versatilidade.
6 – Intuição, memória, comunicação, educação, compreensão, perfeição, sabedoria inata, compartilhamento.
7 – Sorte, meditação, espiritualidade, plenitude, ordem perfeita, intuição, dons, autoconhecimento e ocultismo.
8 – Prosperidade, força interior, estabilidade, boa vontade, regeneração, ambição, perseverança, infinito, fortuna, riqueza, abundância.
9 – Realização, idealismo, imaginação, romantismo, inícios, altruísmo, humanidade, recomeços, maternidade.
10 – Finais, encerramento, vitória, totalidade, plenitude, fé, perfeição, memória, reflexão, novidades, novos ciclos.

A planejar datas auspiciosas,
   Alannyë Daeris

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Identificando Correspondências Mágicas Intuitivamente

Originalmemte publicado na revista digital A Folha da Ibis, de Alannyë Daeris.

   Correspondências podem ser tratadas como a essência energética contida em praticamente qualquer item de origem natural, e que são empregadas em atividades mágicas. Ou seja, cores, ervas, horários, dias da semana, planetas, estrelas, minerais, fases da Lua, óleos, símbolos, runas... Você certamente conhece as propriedades de vários elementos naturais usados na magia, mas já considerou encontrar as suas próprias associações, e descobrir a partir da sua própria intuição como usar esses elementos?
   Há inúmeros livros, blogs e afins tratando sobre as correspondências, e são muito úteis para começar a  praticar e entender a energia de cada um desses elementos. Porém, quanto mais alguém se aprofunda em seu ofício, mais percebe que algumas associações podem não funcionar tão bem para si, ou descobrir algumas que nunca foram citadas em local algum antes. Se isso já aconteceu com você, fique tranquilo – isso é normal e esperado! Desenvolver esse sentido é um exercício muito bom para treinar sua intuição e sua conexão com o universo.
   É importante deixar claro que nenhuma correspondência é universal e funcional sempre; há casos e casos, e há situações em que uma erva não é tão adequada, mesmo que suas propriedades vão de acordo com a sua intenção, num primeiro momento. Portanto, é necessário escolher com muito cuidado os elementos que você emprega. Sempre que houver dúvida, recorra para sua intuição, e ela lhe guiará da melhor forma possível. Igualmente, não é porque funciona para outra pessoa que funcionará para você.
   Por exemplo: muitas pessoas usam velas brancas para purificação, e muitas outras usam velas pretas para a mesma finalidade, considerando que a cor preta funciona melhor para a limpeza energética. Quem está mais correta? Ambas! As correspondências não afetam somente a atividade mágica em questão, mas afetam ao praticante também, e isso tem muita relevância na hora de fazer um feitiço, ritual ou um banho mágico que seja.
   Existem correspondências que são arbitrárias, criadas sobre conceitos humanos, como a divisão do tempo em dias e horas. Não quer dizer que não funcionam, até porque já estão estabelecidas há tempo o
suficiente para essa egrégora ser muito poderosa, mas sim que foram atribuídas por pessoas. É por isso que existem dois tipos, ou até mais, de tabelas de horários planetários diferentes, e ambas são funcionais, bastando escolher a que mais se conecta com você. Para criar suas próprias correspondências, é necessário seguir alguns passos que facilitam esse processo. Use as perguntas para se guiar, e certifique-se de se perguntar muitas outras para averiguar com carinho.

1. CONSIDERE A ENERGIA DO ITEM.
De onde ele vem? Do que é feito? Quais suas características aparentes, e quais são menos visíveis? Para exemplificar, compare a água coletada de um rio, de um açude na sua casa, e da chuva. São todas H2O, mas suas origens geram correspondências e utilizações diferentes. A água do rio pode ser usada magicamente para movimentação. A água do açude pode ser usada na proteção da sua casa. Já a água da chuva, na limpeza.

2. CONSIDERE SUA ASSOCIAÇÃO PESSOAL COM O ITEM.
Nem sempre há uma, mas se houver, ela é importante na sua relação com ele, e afetará a forma como a energia do item funcionará pra você. Por exemplo, pessoas que foram punidas na infância sendo  forçadas a se ajoelhar no milho não terão boas memórias ou correspondências acerca desse grão num
primeiro momento, e pode não ser tão interessante para elas usá-lo em feitiços para felicidade. Mas da mesma forma, elas podem usar esse grão para maldições, já que carregam em si essa associação com a
punição e a dor. Então, esse é um dos aspectos que é muito importante, e que faz com que criemos e trabalhemos de forma diferente com cada erva ou ingrediente.

3. SINTA.
Você é sua maior fonte de aprendizado e de magia, portanto, aprenda consigo mesmo! Pense no que cada correspondência que você já leu acerca daquele item significa pra você, e o que parece fazer mais sentido, ou menos. Depois, sinta a energia diretamente, segurando-o em mãos, tocando, observando. Medite com o ingrediente, deixando sua consciência fluir e lhe guiar para que sinta suas propriedades, suas características e entenda melhor como funciona sua energia. Anote em seu grimório e depois tente usar em feitiços para ver como se sai, pois a prática é necessária para confirmar as correspondências que foram geradas naturalmente.

Exercício Intuitivo para Correspondências Herbais


   Esse exercício é perfeito para descobrir as propriedades de qualquer tipo de erva ou planta sobre a qual você tenha curiosidade, e pode ser facilmente adaptado para qualquer outro tipo de ingrediente natural – óleos, cristais, cores, enfim. Antes de fazer o exercício, é interessante beber um chá que ative sua intuição, e se purificar de alguma forma simples, para evitar influências energéticas.

   Sente-se, em frente a planta, e trace um círculo mágico em volta de você e dela, para evitar influências externas. Respire fundo e faça um aterramento; quando você se sentir equilibrado, se alinhe com as energias da planta. Feche os olhos e visualize a energia dela. Como você sente suas propriedades? Que mensagem ou sentimento você percebe a partir dessa planta? Ela ativa alguma área do seu corpo, ou gera alguma emoção em você? Surge alguma memória em sua mente? Pode ser que você veja cores ou imagens, ouça sons, enfim, há muitas maneiras de sua intuição se manifestar. Anote tudo em seu grimório, em uma área reservada apenas para as suas próprias correspondências pessoais. Faça isso ainda dentro do círculo, pois pode ser que você seja capaz de perceber mais alguma energia ou propriedade. Quando terminar, agradeça à planta, e regue com muito carinho ou fertilize para retribuir a ajuda.

sábado, 7 de janeiro de 2023

Resenha: The Mechanics of Ancient Egyptian Magical Practice, de Robert K. Ritner

   Sinopse: The first critical examination of magical techniques and the practice of the magician in Ancient Egypt, revealing their widespread appearance and pivotal significance for all Egyptian 'religious' practices from the earliest periods through the Coptic era, influencing as well the Greco-Egyptian magical papyri.

Ficha Técnica


   Autor: Robert Kriech Ritner
   Ano: 1993
   Editora: Oriental Institute of the University of Chicago
   Páginas: 322

   O livro sobre o qual tenho imenso prazer de falar se trata de uma edição expandida e revisada da dissertação de doutorado de Robert K. Ritner - uma publicação acadêmica estupenda, ganhadora do Prêmio Heyman (1994) da Universidade de Yale. Ela se destaca por buscar compreender o conceito de magia (Heka) e suas mecânicas ritualísticas dentro do contexto egípcio, considerando a visão que os próprios praticantes tinham com base na mitologia, escritos da Antiguidade e achados arqueológicos.
   O autor, um renomado especialista no assunto, traça um panorama consistente e fidedigno do que era composta a magia dos egípcios, como ela se manifestava, e quais eram os princípios mitológicos que sustentaram essa prática por mais de cinco milênios, desde os períodos pré-dinásticos até a era copta, entrando em muitos detalhes a respeito de atividades realizadas, e explorando diversos aspectos que influenciaram no tema.
   É uma abordagem revisionista sobre a magia egípcia, que surge de análises metódicas de registros textuais e arqueológicos, revelando o fato de que não existia uma clara diferenciação entre a medicina, a religião e a magia, diferentemente do que os pesquisadores modernos concluíam até então - todas essas áreas de conhecimento estavam profundamente interligadas entre si. Somado a isso, desfaz a noção de que a magia egípcia era uma atividade marginal, realizada por indivíduos nefastos excluídos da sociedade; a magia era uma ocupação de sacerdotes e era acessada por todos da sociedade, sem exceções.
   A linguagem acadêmica empregada ao longo dessa obra requer uma significativa atenção e paciência, pois algumas passagens são de entendimento complexo, e mesmo a linguagem objetiva de Ritner nem sempre facilita para o leitor. Como uma boa dissertação, há uma quantia massiva de referências e notas de rodapé, que por vezes ocupam praticamente toda a página e desaceleram ainda mais o ritmo da leitura, mas são extremamente valiosas como um todo e fornecem a possibilidade de maior aprofundamento nas informações levantadas, com frequência nas suas fontes originais.
   Se você realmente se interessa pelas práticas mágico-religiosas do Egito antigo, e deseja compreender de maneira completa o que se pode afirmar com consistência e veracidade a respeito desses saberes arcanos e sagrados, The Mechanics of Ancient Egyptian Magical Practice é o melhor desafio intelectual que chegará em suas mãos. É uma fonte primorosa de estudos e boas referências para apaixonados por magia, mitologia, religião, e história antiga.

A encarar uma aparentemente infindável lista de referências,
   Alannyë Daeris

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Sal Azul para Purificação Profunda

   Se tem algo que sempre vem muito a calhar, são as magias direcionadas para purificação e limpeza energética, que nunca perdem sua importância - e quanto mais movimentamos energias e desenvolvemos nossas capacidades mágicas, maior a necessidade de uma rotina eficaz de purificações do corpo, objetos e ambientes.
   Por esse motivo, a receita que ensino hoje é o Sal Azul ou Sal Anil, um tipo de sal mágico bastante conhecido por praticantes pertencentes a várias tradições e caminhos espirituais daqui e do exterior, para operar limpezas energéticas completas e potentes, utilizando apenas três itens e com uma grande versatilidade de aplicações.
   
Você precisará de:
• Anil (waji) em pó
• Sal refinado, grosso ou marinho
• Ervas de purificação de sua escolha, como lavanda, eucalipto, rosa branca, raspas de limão e afins
• Recipiente de vidro para armazenar

🕒 Horas e dias de Lua, Saturno ou Sol.
🌓 Qualquer fase da Lua, mas é preferível a Minguante, Nova ou Cheia.

   Prepare o ambiente e a si mesmo (a) e separe os materiais necessários para essa receita. Adicione 3/4 de sal no recipiente, e coloque as ervas escolhidas (todas secas, não use ervas frescas), segurando-as nas mãos e ativando suas propriedades de limpeza. Em seguida, adicione o anil e misture em sentido horário até o sal ficar azulado. Diga:

"Conjuro o sal para purificar
Conjuro o anil para limpar
Conjuro (nome da erva) para potencializar
Que juntos possam os males eliminar
E todas as más energias afastar
Puro como o ar, puro como o mar
Consagrado está e assim será!"

   Está feito, basta armazenar e usar quando houver necessidade de purificação. O sal azul pode ser polvilhado em velas brancas ou pretas para limpeza, adicionado uma pitada nos seus banhos de ervas para potencializar a limpeza, colocado ao redor de objetos e ferramentas mágicas, dentre outras atividades relacionadas.

A anular más influências,
   Alannyë Daeris.

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Guia para Grades de Cristais - Mandalas Minerais (Crystal Grids)

   Grades, mandalas ou redes de cristais são os nomes conferidos a uma técnica simples porém muito poderosa de manifestar seus desejos e deixar suas intenções claras para o universo, utilizando apenas padrões geométricos ou simbólicos e o poder das pedras e minerais. A confecção de mandalas de cristais é bastante intuitiva, e podem ser elaboradas de várias maneiras diferentes, ao gosto de cada pessoa.
   A atuação mágica das grades deriva da combinação das energias dos cristais escolhidos com a geometria sagrada das mandalas, somados à intenção aplicada na hora da organização. As intenções podem ser conceitos amplos e abrangentes - saúde, proteção, amor -, ou projetos mais específicos, elaborados, e a longo prazo. Se possível, use sempre mandalas e padrões feitos por você mesmo, pois isso traz resultados muito mais efetivos, e uma conexão maior com sua magia. Para grades de atuação a longo prazo, pode ser feito um arranjo fixo, como um quadro ou moldura para colocar na parede, ou um tabuleiro para ser usado decorativamente na sala, sobre a mesa de centro ou em uma estante, por exemplo.
   Não existem regras quando se trata de grades de cristais, sua intuição lhe guiará da melhor maneira possivel. O passo a passo abaixo tem a finalidade de guiar e orientar quem deseja começar mas não sabe por onde - não deve ser tido como um conjunto de regras, adapte as instruções da maneira que achar melhor. Antes de começar, porém, é altamente sugerido que se tenha um conhecimento prévio a respeito de cristais e de suas propriedades energéticas particulares, a fim de optar pelas pedras que melhor se alinhem com suas intenções. Um entendimento mínimo de geometria sagrada ou de símbolos também é primordial, mas basta uma pesquisa na internet para descobrir mais sobre os assuntos citados.

Passo a passo


1. Defina a intenção da grade de cristais.
Como sempre, comece pela intenção, clara e objetiva. Resuma em uma palavra, se puder, ou nos principais objetivos da sua intenção via frases curtas, e use esses parâmetros para se orientar na escolha das cores, confecção ou escolha do formato básico da mandala, cristais e outros materiais. Você pode escrever a intenção em um papel e colocar sob a pedra central da sua grade, ou elaborar um sigilo para esse propósito.

2. Escolha seus cristais.
Você pode optar por aqueles que vibram nas energias adequadas para sua intenção, ou trabalhar com aqueles que mais gosta ou que tem em casa. De qualquer maneira, lembre-se de purificá-los antes do uso. Não há uma quantidade máxima de pedras, mas é sugerido que se use pelo menos 4 cristais (que podem ser iguais ou diferentes) na confecção de uma grade.

3. Organize o ambiente.
Grades precisam ficar montadas por algum tempo para direcionar adequadamente as energias, portanto, decida onde ela ficará pelo tempo determinado por você. Se você dispõe de um altar ou espaço sagrado, é o local mais adequado para isso. Se não, uma mesa basta, desde que a grade não seja tocada por ninguém, somente por você, e quem mais houver participado da sua confecção, se for o caso de uma atividade mágica em par ou grupo. Purifique o ambiente e a si mesmo, bem como aos outros participantes se houverem, antes de começar a montar a grade.

4. Concentre-se e comece o processo.
Se optar por escrever a intenção no papel, faça agora. Respire fundo e pense no seu objetivo; tome um momento para relaxar e se conectar consigo mesmo e com o universo. Acenda um incenso ou uma vela para lhe auxiliar, se sentir necessidade.
   Se você quiser fazer uma mandala especial para a grade, esse é o momento no qual você pode começar a elaborar a arte. Use cores e formatos que remetam ao seu objetivo, e concentre-se na sua intenção a todo momento. Você não precisa de um padrão ou mandala para a base, mas facilita o processo, pois não há necessidade de imaginar e visualizar as linhas. Na atualidade, existem diversos tipos de gráficos ideais para grades de cristais comercializados em lojas esotéricas, como é o caso da Mahadeva Store - que eu recomendo pessoalmente pela qualidade dos produtos e do serviço geral prestado.
   Comece a colocar os cristais na grade, usando a mandala como base. O recomendado é que comece de dentro para fora para banir/afastar, e de fora para dentro para atrair/manifestar. Se quiser acrescentar outros materiais, como flores e conchas, faça-o também agora. Uma dica é ter um cristal principal, ou "cristal-mestre" - geralmente um quartzo translúcido - que ficará ao centro e servirá como ponto de concentração e direcionamento das energias. Esse deve ser colocado primeiro, ao centro do padrão/mandala.
   Você pode organizar tudo da maneira que preferir; para assuntos de amor, pode formar corações, para assuntos de dinheiro, pode desenhar um cifrão, combinar formas geométricas diferentes, enfim. O importante é escolher padrões que façam sentido para você e com relação ao seu objetivo. A simetria é importante, portanto, tente manter um equilíbrio visual; se não estiver harmônica aos seus olhos, é porque ainda falta organizar melhor os cristais.

5. Ativando a grade.
Usando seu dedo, varinha ou um cristal de quartzo translúcido, toque cada um dos seus cristais, desenhando uma linha invisível que conecta todos eles. Durante esse traçado, visualize seu objetivo se concretizando da forma que você deseja. Está feito. Agora, deixe a grade montada por um período de tempo - 48 horas são o ideal, mas pode ser desfeito antes ou depois disso, conforme o que for possível ou adequado conforme seu julgamento. Você pode voltar várias vezes por dia, ou durante a semana, para retraçar o padrão e se conectar com sua grade de cristais, mas é opcional.

Ideias de utilizações de grades de cristais:
• Para meditar, orar, e outras atividades espirituais.
• Durante esbaths de Lua Cheia (ou qualquer outra celebração de fases lunares), para manifestar seus desejos com máximo poder.
• Em feitiços, em torno das velas, caldeirões ou afins, de acordo com a intenção do trabalho mágico.
• Para ajudar na purificação do seu lar, durante dias de faxina e limpeza espiritual.
• Para trazer foco e concentração durante atividades intelectuais ou artísticas.
• Durante sabás ou festivais sazonais, para trazer a energia da estação para seu lar.
• Para a consagração ou ativação de qualidades de  objetos ritualísticas, ingredientes mágicos, e outros itens similares.

A praticar magia cristalina,
  Alannyë Daeris 

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Feitiço da Parede Flamejante de Proteção (Fiery Wall of Protection)

   O Fiery Wall of Protection, traduzido livremente como "Parede/Barreira Flamejante de Proteção", é um feitiço tradicional do Hoodoo que desfruta de uma imensa popularidade em terras estrangeiras por sua história e eficácia. Por aqui, há quem o conheça, mas permanece relativamente desconhecido... Me esforço para que isso não continue por muito tempo!
   Como é de costume na magia popular norte-americana, há uma infinidade de formas diferentes de realizar o Fiery Wall, e é disponibilizado à venda por conjures na forma de pó, óleo, ou em um kit com os ingredientes necessários. A versão que compartilho aqui é uma adaptação pessoal para o feitiço completo com materiais acessíveis no contexto brasileiro, totalmente passível de alterações conforme sua prática pessoal. Mesmo com as diversas variações existentes, esse feitiço segue uma estrutura tradicional, que é composta por:

1 - Sua representação, ou a taglock de quem será protegido, geralmente uma vela e o nome.
2 - A barreira de proteção em torno da pessoa a ser defendida, criada fisicamente com auxílio de ervas, pós, ingredientes mágicos e simbólicos.
3 - A representação do inimigo, também por costume uma vela com o nome do alvo do feitiço e/ou um taglock.
4 - O Ajudante, representação de uma entidade favorável à sua proteção.

   Como se nota no quarto item acima, muitos rootworkers e praticantes estrangeiros sugerem que a Parede Flamejante de Proteção seja erguida com auxílio de seres espirituais favoráveis à sua segurança pessoal, seja uma Divindade de culto, Ancestral, guia, espírito, anjo, daemon, ou entidade amistosa. Se você não desenvolve laços de confiança com nenhum tipo de ser espiritual ou divino, pode realizar o feitiço sem esse suporte, mas é altamente recomendável que seja convidado um mediador que possa manifestar justiça e proteção na medida correta para a situação, sem exageros.
   É importante deixar claro que esse feitiço não tem o propósito de amaldiçoar ou prejudicar, e sim de proteger você de pessoas que queiram lhe causar algum tipo de mal. Pode ser erguido para toda sua família caso esteja sendo prejudicada por alguém, por exemplo, ou para amigos e pessoas que estejam vulneráveis aos atos negativos de outros, desde que lhe concedam permissão para interceder magicamente em seu favor.

O Feitiço


Você precisará de:
• Sal negro ou sal grosso com cinzas de incenso ou de caldeirão.
• Café moído.
• Pimenta caiena ou vermelha em pó.
• Uma vela vermelha ou preta para o inimigo (grupo ou indivíduo de quem você deseja se proteger).
• Uma vela branca para lhe representar, com o mesmo tamanho e formato que a vela vermelha.
• Azeite de oliva, ou óleo para fins de proteção ou purificação.
• Vinagre ou óleo de banimento.
• Arruda, angélica, gengibre ou alecrim para vestir sua vela.
• Símbolo que represente seu ajudante espiritual nessa proteção. Pode ser um objeto simbólico, uma carta de tarô, algo consagrado a esse ser, uma vela de cor correspondente, etc.
• Dois pratos ou castiçais resistentes ao calor.

🕒 Horas e dias de Marte ou Sol.
🌒 Lua cheia ou crescente (pela intenção de criar uma barreira, gerar proteção).

   Comece se purificando com um método de sua escolha, e organizando os itens no altar. Entalhe o seu nome na vela branca, mentalizando sua proteção, e o nome do alvo da magia na vela preta/vermelha, mantendo as feições e características dessa pessoa (ou pessoas) vívidas em sua mente, e os motivos para precisar se proteger dela(s).
   Unte a sua vela com o óleo, e espalhe pedacinhos das ervas escolhidas no corpo da vela. Firme sua vela untada e vestida com ervas sobre um prato, e ao redor dela, faça um círculo de sal negro misturado com o café, e um outro círculo maior com a pimenta em pó. Os círculos ao redor da vela que lhe representa configuram a parede flamejante de proteção, que pode ser incrementada com outros elementos, como cascas de ovo moídas, arame farpado, pregos, alfinetes, cravos-da-índia, paus de canela, espinhos, cristais e pedras, etc.
   Molhe a vela do inimigo no vinagre, ou unte-a com o óleo de banimento, e firme sobre outro o prato. Por motivos óbvios, essa segunda vela deve ficar do lado de fora da barreira, representando o indivíduo incapaz de lhe acessar ou prejudicar. Você pode atar um cordão ao redor da vela do inimigo dando vários nós, para representar a pessoa impotente, sem ação, incapaz de causar prejuízos. Disponha a vela do inimigo bem na sua frente, e a sua vela verticalmente paralela a ela, mais distante de você, como no esquema abaixo:

O Ajudante         Prato com a sua vela e com a barreira
                          A vela do inimigo
                           Você

   Acenda a vela do inimigo, e concentre-se na chama enquanto pensa nos problemas que essa pessoa lhe causou. Diga o nome em voz alta, e manifeste sua intenção de acabar com as situações negativas que essa pessoa gera, torná-la incapaz de lhe prejudicar, afastá-la de sua vida definitivamente sem prejuízos a ninguém. Escolha palavras que se encaixem na situação e que façam sentido quanto ao seu propósito.
   Depois, acenda a sua vela dentro do círculo protetor, e visualize a luz da chama preenchendo o espaço e incendiando a barreira, tornando-se um anel de fogo. Acesse as emoções mais intensas que essa pessoa lhe instiga, todo o ódio e irritação que você sente. Diga:
   
"Diante de você, (alvo), sou forte e imponente,
Minha proteção é absoluta, ígnea e flamejante,
Derrete as intenções nocivas dos irritantes,
Nenhum mal atravessa minha barreira ardente,
Seus atos falhos contra mim lhe são frustrantes,
E que se mantenham distantes de mim, contente."

   Agora é o momento de convidar o ajudante espiritual para que amplifique sua intenção. Coloque essa representação mais acima das outras, sobre um suporte que a mantenha elevada, pois é uma força superior. Então, evoque o ajudante para a ritualística com suas próprias palavras e da maneira usual que realiza seu contato, pedindo o auxílio nessa situação, para que lhe defenda e proteja contra as pessoas que visam lhe afetar negativamente. Aproveite para orar, meditar e se conectar com esse ser, podendo também consultar algum oráculo para averiguar o resultado do feitiço, e obter orientações sobre o tema, ou mensagens diretas da entidade. Ao final, quando as velas houverem queimado praticamente por completo, encerre a atividade da forma que está acostumado. Descarte os restos em um saco plástico, que deve ser levado assim que possível para um lixo distante da sua casa, indo embora sem olhar para trás.

A erigir as mais abrasadoras defesas,
   Alannyë Daeris

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Vestindo Velas com Ervas e Óleos

   Você já percebeu que as instruções sobre como untar velas para feitiços às vezes se anulam, dependendo da fonte consultada? Há quem recomende untar ou escrever na vela da base para o pavio para atrair/manifestar, e tem quem faça o oposto. E agora, qual o melhor jeito para vestir as velas?
   Dica de ouro: o correto é sempre aquele que faz mais sentido pra você. Então, vamos falar brevemente sobre ambos os métodos.

🕯️⬆️ De baixo para cima para atrair/manifestar: assim como a Natureza se manifesta para cima, e as coisas vivas crescem em direção ao firmamento, a intenção é apontada para o céu, simbolicamente representando a elevação dela para planos mais sutis.
🕯️⬇️ De cima para baixo para banir/eliminar: tudo aquilo que morre, definha para baixo; quando a vida se esvai em um organismo, ele cai por terra. A intenção é direcionada para o chão, cujo alvo será simbolicamente dissipado ou neutralizado pela terra.

Ou, há quem siga essa outra linha de pensamento a seguir:

🕯️⬇️ De cima para baixo para atrair/manifestar: como é o sentido natural em que a vela queima, faz uma alusão a ela estar energizando a intenção. Também simboliza a manifestação de uma intenção a partir dos planos mais sutis e "elevados" até o plano material, como se viesse do céu para a terra.
🕯️⬆️ De baixo para cima para banir/eliminar: é como se você "devolvesse" para o universo o que quer banir, para que em vez de se dissipar no chão, ele se dissipe no ar, e vá para longe da sua vida.

   Existe mais um outro estilo de vestimento de velas usado por bruxas anglófonas, mas acredito que esses dois acima, mais populares aqui no Brasil, já sejam suficientes por hoje - e para a prática da maioria das pessoas, também.

A preparar pós e blends especiais,
   Alannyë Daeris

sexta-feira, 8 de abril de 2022

O Círculo Mágico para Keméticos Modernos

   Dentro da estrutura ritualística moderna da magia e Bruxaria num geral, o círculo mágico é um elemento importante na delimitação do que é sagrado, demarcando também o próprio início do rito ou atividade mágica. A própria palavra egípcia para "arrodear", pekher, mais tarde se tornou sinônimo de "encantar", indicando o valor simbólico e mágico do círculo dentro do contexto cultural egípcio.
   Ainda que não tenham restado instruções escritas de fato para explicar como era esse procedimento na religião kemética (muito provavelmente não havia a criação de um círculo da forma como fazemos hoje), sabemos que há quatro Netjeru que governam os quadrantes, que foram ganhando importância conforme a civilização egípcia avançava no tempo e elaborava seus costumes. Esses Netjeru, considerados filhos de Hórus (Heru-Wer, O Velho), não só guardavam os quadrantes do céu, como também davam forma aos vasos canópicos usados para guardar os órgãos dos corpos mumificados a partir do Império Novo. São eles:

• Tuameutev ou Duamutef - Leste - cabeça de chacal.
• Amset ou Imset - Sul - cabeça de humano.
• Qebsenuv ou Kebsenuf - Oeste - cabeça de falcão.
• Hapi - Norte - cabeça de babuíno.

   Os pontos cardeais, além da sua correlação com essas divindades filhas de Heru, também estão sob a tutoria de uma Netjeret. Num traçamento moderno de círculo mágico kemético, a evocação pode ou não ser feita com a menção dessas divindades, à discrição do praticante. São elas:

Leste - Neith.
Sul - Aset (Ísis).
Oeste - Serket.
Norte - Nebt-Het (Néftis).

   Portanto, apesar de não sabermos com exatidão como acontecia de fato uma operação mágica no seio dos templos keméticos e em outras situações de prática de magia popular, podemos associar com outras tradições ocultas, modernas e antigas, para recriar essa prática dentro de um contexto mágico, neopagão ou pagão reconstrucionista de fato.
   Uma das coisas sobre as quais sabemos um bocado devido aos registros artísticos e decorativos amplamente usados pelos egípcios, são as posições de poder - também conhecidas como henu. Eu já fiz um texto falando mais sobre elas (clique aqui para conferir), e recomendo que leia para entender o que será usado na estrutura ritualistica que descreverei mais abaixo. De qualquer maneira, o henu é uma posição que representa um sentimento, uma intenção ou um momento específico da atividade. O ideal é que sejam usados nos momentos apropriados, durante toda a cerimônia.
   A purificação era muito importante dentro da perspectiva kémetica, muito mais quando se trata do aspecto religioso e mágico. Portanto, antes do traçamento de um círculo, é importante que algum ato purificador tenha sido realizado no ambiente. O elemento utilizado pelos sacerdotes egípcios era o natron, porém esse material em seu estado natural não é de fácil acesso. Aqui, julgo a adaptação essencial, e também sua contextualização dentro de um culto moderno - clique aqui para ler o texto já publicado sobre o Natron.
   A melhor opção é consagrar seu natron de purificação, seja ele uma recriação ou adaptação, e manter um estoque pronto para o uso rotineiro - você pode até usar um borrifador para isso. O incenso também era amplamente empregado nos templos, e pode complementar a purificação, se assim você desejar. É adequado para atividades mais elaboradas, mas no culto cotidiano, não se faz tão necessário. Consideram-se apropriados os incensos naturais de ervas ou resina, ou aromatizadores com essências e óleos aromáticos. Mas na falta destes, não há problema em usar incensos normais de vareta, desde que sejam artesanais e de boa qualidade, não os indianos de carvão que são facilmente encontrados à venda.
   É importante também que falemos sobre o fechamento do círculo, e o encerramento de atividades mágicas num contexto kemético. Diferente de como acontece em outras tradições, usava-se uma vassoura especial para varrer o ar, enquanto se saía sem dar as costas para o altar, de ré. A ideia era purificar os vestígios de tudo que foi feito, dispersando as energias que foram movimentadas ali - novamente, a importância da purificação. Você pode ter uma vassoura mágica grande, pequena, ou usar a visualização para replicar essa tradição de varrer o ambiente. Eu às vezes uso as mãos, num movimento que para mim ressoa com essa limpeza desejada.
   Outra informação muito essencial é o ato de "remover os pés" (removing the foot) no encerramento de rituais. Os egípcios consideravam um desrespeito virar as costas para o divino, portanto, ao acabar um rito, você deve dar quatro passos para trás, se afastando do altar sem desviar o olhar. Só então a atividade está encerrada, e aí você pode apagar velas, desmontar ou "fechar" o altar.

Estrutura Básica Ritualística Kemética

   A estrutura sugerida abaixo é adequada para o início de qualquer ritual kemético. Pode ser adaptada e/ou reduzida conforme sua necessidade, mas tenha familiaridade com todo o processo antes de alterar.

   Misture o sal e a água na tigela, em sentido anti-horário. Enquanto mistura, fale:

"Esse é meu natron de purificação,
Meu natron é o natron dos Netjeru"

   Dê três voltas em sentido anti-horário em torno do ambiente, aspergindo com o natron. Acenda o incenso, e dê mais três voltas em sentido anti-horário, com ele em sua mão dominante.
   Agora, é hora do traçamento. Fique no centro do círculo e aponte com a mão direita para o leste, dizendo:

Anet-hra.k Tuamutev. Anet-hra.k Neith.
(Honrado seja, Tuamutev. Honrada seja, Neith.)

   Aponte para o sul, dizendo:

Anet-hra.k Amset. Anet-hra.k Aset.
(Honrado seja, Amset. Honrada seja, Aset.)

   Aponte para o oeste, dizendo:

Anet-hra.k Qebsenuv. Anet-hra.k Serket.
(Honrado seja, Qebsenuv. Honrada seja, Serket.)

   Aponte para o norte, dizendo:

Anet-hra.k Hapi. Anet-hra.k Nebt-Het
(Honrado seja, Hapi. Honrada seja, Néftis.)

   Convide quaisquer divindades ou outras entidades com as quais queira trabalhar para se manifestarem dentro do círculo. A partir daqui, prossiga com suas atividades como quiser.

   Quando for a hora de encerrar, faça o henu de reverência. Levante-se, pegue a vassoura (ou uma representação, ou visualize) e varra o ar, enquanto dá quatro passos para trás, sem desviar o olhar nem virar as costas para o altar. Está feito. Só então volte e apague as velas, incensos e organize seu altar.

Mais informações sobre círculos na cultura kémetica aqui.
Algumas informações do livro The Ancient Egyptian Prayerbook.
Algumas informações do livro Invoking The Egyptian Gods.

A tornar puro o santuário dos Netjeru,
   Alannyë Daeris.