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quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Os Papiros Sebayt - Literatura Egípcia para Instrução Moral

   Sebayt (sbꜣyt) é um gênero de literatura egípcia faraônica cuja tradução equivale a "instruções" ou "ensinamentos". Seu propósito era de transmitir sabedoria aos nobres e faraós, focando sobretudo na disseminação de saberes éticos e valores morais, ilustrando o comportamento ideal de um indivíduo egípcio. Dentre os exemplares mais conhecidos desse gênero literário, destacam-se as famosas Máximas de Ptah-Hotep, e as Instruções de Amenemope (publiquei o texto traduzido na íntegra há poucos meses aqui no blog). Atualmente, os historiadores concordam que grande parte dessas obras foi elaborada no Império Médio (c. 1991 - 1786 a.E.C.), ainda que muitos dos escritos Sebayt mais antigos relatem ter sido escritos no terceiro milênio antes da Era Comum, no Império Velho, pois era uma prática comum entre escribas a de atribuir uma origem mais antiga aos textos, ou uma autoria remontando a nomes célebres do passado, com o intuito de reafirmar a autoridade dos ensinamentos por meio da tradição.
   O propósito dessas obras é repassar instruções valiosas para a formação do caráter e dos valores dos indivíduos, muito explícito na própria introdução textual presente em alguns dos papiros, em que o autor escreve para seu herdeiro - como ocorre nas Máximas de Ptah-Hotep. Podemos considerá-las um tipo de literatura didática que difunde sabedoria de vida, o jeito correto de viver sob a ótica do período histórico em que foi elaborada. Pesquisadores identificam algumas diferenças na ênfase moral de cada uma das obras Sebayt conhecidas hoje, que podem derivar de vários fatores, como o contexto local específico, época, autoria, destinatário, e correntes filosóficas do período.
   O gênero persistiu por um longo tempo, e novas composições continuaram sendo criadas e mantidas em bibliotecas até o Período Romano, como se atesta pelos Ensinamentos de Amenemhat I, que foram escritos em 1950 a.E.C. e ao longo de 1500 anos permaneceram sendo reescritos e transmitidos. Algumas obras Sebayt têm sua autoria imputada a faraós e não somente seus vizires e sacerdotes, como os Ensinamentos para o Rei Merykara, que viveu no Primeiro Período Intermediário, alegadamente escritos para o faraó por seu pai, e os já citados Ensinamentos de Amenemhat, supostamente elaborados pelo primeiro faraó após o Primeiro Período Intermediário.

   Uma lista de escritos Sebayt conhecidos atualmente:
• As Máximas de Ptah-Hotep, ou As Máximas do Bom Discurso
• As Instruções de Kagemni
• Os Ensinamentos de Amenemhat
• As Instruções de Amenemope
• Os Ensinamentos para o Rei Merykara
• As Instruções Lealistas
• Os Ensinamentos de Hordjedef, ou Instruções de Djedefhor
• O Debate entre um Homem e seu Ba ("alma")
• Instruções de Ankhsheshonq
• Instruções do Papiro Insinger

A estudar as vias de Ma'at,
   Alannyë Daeris

sexta-feira, 4 de abril de 2025

As Instruções de Amenemope - Papiro "Sebayt" de Ensinamentos Morais Faraônicos


   Esse texto passou a ser estudado a partir de um papiro virtualmente completo em posse do Museu Britânico (BM 10474), adquirido por E. A. Budge em 1888. Possui 30 capítulos, e foi escrito em linhas curtas, similarmente a uma poesia. Há paralelos entre a Instrução de Amenemope e o Livro dos Provérbios, como as passagens 22:17 e 24:22 do livro bíblico referido. A maior parte do conteúdo apresentado nesse escrito sebayt - termo designado no Antigo Egito para o gênero literário com fins instrutivos e filosóficos -, existe de forma similar em outras obras literárias egípcias mais antigas, perpetuando a tradição de valorização dos ensinamentos éticos e morais na civilização faraônica: humildade, honestidade, gentileza, caridade, respeito para com os mais velhos e desfavorecidos, discernimento na fala, fortaleza, prudência, aversão à ganância e ao egoísmo, são alguns dentre muitos outros valores e virtudes exaltados.
   Sua autoria foi identificada como sendo de um residente de Akhmin, no nome (província) ao norte de Abydos, e a data estimada da composição pertence ao Império Novo, ainda que os manuscritos encontrados até o presente momento não antecedam a 21ª Dinastia. Partes do texto apresentado aqui traduzido na íntegra também existem em outros papiros e ostracon (fragmentos de barro) atualmente no Museu de Turin, Pushkin e Louvre, e em Estocolmo e Cairo. Referente à tradução, foi necessário adaptar algumas passagens de modo que fizessem sentido na língua portuguesa; no entanto, determinadas passagens na tradução do hierático para o inglês já aparentavam um significado obscuro ou de difícil interpretação. Em chevron (< >), estão indicados os termos reconstituídos por estarem danificados no papiro, e em parênteses, incluí palavras que possam elucidar o sentido da frase, assim como traduções alternativas.

INTRODUÇÃO

O início de uma instrução sobre a vida, 
    O guia para o bem-estar.
Todos os princípios de procedimentos oficiais,
    Os deveres dos cortesãos;
Saber como refutar a acusação de quem a fez,
    E enviar uma resposta a quem a escreveu;
Para se manter reto nos caminhos da vida,
    E fazê-lo prosperar na terra;
Para deixar seu coração se estabelecer em sua capela,
    Como alguém que o guia para longe do mal;
Para salvá-lo da conversa alheia,
    Como alguém que é respeitado na fala dos homens;
Escrito pelo superintendente da terra, experiente em seu ofício,
    O descendente de um escriba da Amada Terra,
O superintendente da produção, que define a medida dos grãos,
    Que define a quantia do imposto de grãos para seu senhor,
Que registra as ilhas que surgem como nova terra sobre o cartucho de Sua Majestade,
    E estabelece o marco de terra nos limites do solo arável,
Que protege o rei por meio de suas listas de impostos,
    E faz o Registro da Terra Preta (Kemet).
O escriba que dispõe as oferendas divinas a todos os Deuses,
    O doador de terras para o povo,
O superintendente de grãos que administra as oferendas alimentícias,
    Que abastece os celeiros com grãos.
Um homem verdadeiramente silencioso em Tjeni no nome (província) de Ta-wer,
    Cujo veredito é absolvido em Ipu,
O dono de uma tumba pirâmide no oeste de Senut,
    E dono de uma capela memorial em Abydos,
Amenemope, filho de Kanakht,
    Cujo veredito é absolvido no nome Ta-wer.
Para seu filho, o mais jovem de sua prole,
    O menor de sua família,
Iniciado nos mistérios de Min-Kamutef,
    Vertedor das libações de Wennofre;
Que induz Heru (Hórus) sobre o trono de seu pai,
    Seu estolista¹ em sua capela augusta,
[...] secreto [...]
    O vidente da Mãe de Deus,
O inspetor do gado negro do terraço de Min,
    Que protege Min em sua capela,
Horemmaakheru é seu verdadeiro nome,
    O filho de um oficial de Ipu,
O filho da tocadora de sistro de Shu e Tefnut,
    A cantora chefe de Heru, a senhora Tawosret.

ELE DIZ: CAPÍTULO 1

Dê seus ouvidos e ouça o que é dito,
    Dê sua mente sobre suas interpretações:
É proveitoso colocá-las em seu coração,
    Mas infortúnios a aquele que as negligencie!
Deixe-as descansarem no altar de seu íntimo
    Para que possam agir como uma fechadura em seu coração;
Agora, quando vier uma tempestade de palavras,
    Elas serão um poste de amarração para sua língua.
Se você passar seu tempo de vida com essas coisas em seu coração,
    Você as terá como uma boa fortuna;
Você descobrirá que minhas palavras são um tesouro da casa da vida,
    E seu corpo florescerá sobre a terra.

CAPÍTULO 2

Acautele-se de roubar de um homem miserável
    E de ralhar contra o aleijado.
Não estenda sua mão para atacar um homem velho,
    Nem retaliar contra as palavras de um ancião.
Não se deixe ser visto em negócios fraudulentos,
    Nem deseje a realização dessas coisas;
Não fique cansado por ter sido interferido,
    Nem retorne uma resposta por sua conta.
O malfeitor, jogue-o no canal,
    E ele trará de volta seu lodo.
O vento norte vem e vai em sua hora marcada,
    E se junta à tempestade;
As nuvens são altas, os crocodilos são torpes,
    Ó homem de cabeça-quente, como é você?
Ele grita, e sua voz alcança os céus.
    Ó Lua, faça o crime dele se manifestar!
Reme para que possamos transportar o mal para longe,
    Pois nós não agiremos de acordo com sua natureza maligna;
Eleve-o, dê-o sua mão,
    E deixe-o nas mãos de Deus (ou "as mãos de Deus o abandonarão");
Preencha seu estômago com sua própria comida
    Para que ele possa se saciar e se envergonhar.
Outra coisa de valor no coração de Deus
    É parar e pensar antes de falar.

CAPÍTULO 3

Não entre em uma briga com um homem argumentativo
    Nem o incite com palavras;
Proceda cautelosamente diante de um oponente,
    E ceda para os adversários;
Durma antes de falar,
    Pois uma tempestade se espalha como é o fogo no palheiro
Para o homem de cabeça-quente em seu tempo estabelecido.
    Que você se restrinja em fronte a ele;
Deixe-o sozinho,
    E Deus saberá como responder a ele.
Se você passar sua vida com essas coisas em seu coração,
    Seus filhos as observarão.

CAPÍTULO 4

O homem de cabeça-quente no templo
    É como uma árvore crescida em espaço fechado;
Em um momento ele perde suas folhagens.
    Ele alcança seu fim na loja de carpintaria;
É flutuado para longe de seu lugar,
    Ou vira fogo em sua pira funerária.
O homem verdadeiramente temperado se diferencia,
    Ele é como uma árvore crescida em um campo ensolarado,
Ele se torna verdejante, ele dobra seus resultados,
    Ele se levanta diante de seu dono;
Sua fruta é algo mais doce, sua sombra é prazerosa,
    E ele alcança seu fim em um bosque.

CAPÍTULO 5

Não tome com violência os ganhos do templo,
    Não seja ganancioso, e você encontrará superabundância;
Não leve embora um servo do templo
    Para que adquira a propriedade de outro homem.
Não diga que hoje é igual a amanhã,
    Ou como as coisas virão a acontecer?
Quando amanhã chegar, hoje é passado;
    As águas profundas afundam no banco do canal;
Crocodilos são descobertos, os hipopótamos estão em terra seca,
    E os peixes ofegando por ar;
Os lobos estão gordos, os galos selvagens em festival,
    E as redes estão esvaziadas.

Todo homem temperado no templo diz,
    "Grande é a benevolência de Ra."
Preencha-se de silêncio, você encontrará vida,
    E seu corpo irá florescer sobre a terra.

CAPÍTULO 6

Não reposicione o marcador de agrimensor nos limites da terra arável,
    Nem altere a posição da linha de medida;
Não seja ganancioso por um pedaço de terra,
    Nem adultere os limites <da terra> de uma viúva.

Quanto à estrada no campo desgastada pelo tempo,
    Ele que a toma violentamente para os campos,
Se ele faz armadilhas por meio de atestados enganosos,
    Será laçado pelo poder da lua.

Para quem fez isso na terra, preste atenção,
    Pois ele é um inimigo fraco;
Ele é um inimigo derrotado/virado do avesso dentro de si mesmo;
    A vida é tomada de seu olho;
Seu lar é hostil à comunidade,
    Suas despensas estão arruinadas/derrubadas,
Sua propriedade é tomada de seus filhos,
    E para outra pessoa suas posses são dadas.

Tome cuidado para não derrubar os marcadores dos limites da terra arável,
    Não temendo que você será levado para a corte;
O homem apazigua Deus pelo poder do Senhor
    Quando ele define os limites da terra arável.

Deseje, então, se fazer prosperar;
    E tome cuidado para com o Senhor de Tudo,
Não pisoteie nos sulcos <da terra arada> de outro alguém,
    A boa ordem dele será lucrativa para você.

Então are os campos, e você encontrará qualquer coisa de que precisa,
    E receba o pão de seu próprio chão de debulhar <grãos>:
Melhor é a medida de grãos que Deus lhe dá
    Que cinco mil <medidas de grãos> obtidas por trapaça;
Elas não passam um dia na despensa ou depósito,
    Elas não são úteis para o preparo da cerveja,
Sua estadia no silo é de vida curta,
    Quando a manhã chega, elas são varridas para longe.
Melhor, então, é a pobreza na mão de Deus
    Que riquezas na despensa;
Melhor é o pão quando a mente está em paz,
    Que riquezas com preocupações.

CAPÍTULO 7

Não ponha seu coração em busca de riquezas,
    Pois não há quem possa ignorar o Destino e a Fortuna (Shai e Renenutet);
Não concentre sua mente em questões externas:
    Para cada homem há seu tempo pré-definido.

Não se esforce em procurar os excessos
    E sua fortuna prosperará para você;
Se riquezas vem a você por roubo
    Elas não passarão a noite com você;
Tão logo que o dia raiar elas não estarão mais em sua casa;
   Apesar de seus locais serem vistos, elas não estarão lá.

Quando a terra abre sua boca, ela o nivela e o engole
    E o afoga nas profundezas;
Eles fazem para si mesmos um grande buraco que se adequa a eles.
    E eles se afundam na tumba;
Ou eles fazem para si mesmos asas como gansos,
    E eles voam para os céus.
Não se alegre consigo [devido a] riquezas adquiridas através de roubo;
    Nem reclame da pobreza.
Se um oficial comanda alguém que vai na frente dele,
    Sua companhia o deixa;
O barco do cobiçoso é abandonado na lama,
    Enquanto o esquife (canoa) do homem verdadeiramente temperado navega em frente.
Quando ele sobe você deve oferecer a Aten,
    Dizendo, "Dê-me prosperidade e saúde."
E Ele lhe proverá as suas necessidades para a vida,
    E você estará a salvo do medo.

CAPÍTULO 8

Espalhe seus bons feitos pelo mundo
    Para que você possa saudar a todos;
Eles fazem júbilo para o Uraeus,
    E cospem contra o Apófis.
Mantenha sua língua longe de palavras de depreciação,
    E você será amado pelas pessoas,
Então você encontrará seu lugar dentro do templo
    E suas oferendas entre o pão entregue do seu senhor;
Você será reverenciado, quando estiver escondido em sua tumba,
    E salvo do poder de Deus.

Não acuse um homem,
    Quando as notícias de uma fuga são ocultas.
Se você ouve algo bom ou mau,
    Diga lá fora, onde não é escutado;
Ponha um bom relato em sua língua,
    Enquanto a coisa ruim está coberta dentro de você.

CAPÍTULO 9

Não fraternize com um homem de temperamento colérico,
    Nem se aproxime dele para conversar.
Resguarde sua língua de responder ao seu superior,
    E tome cuidado para não falar contra ele.
Não o permita lançar palavras apenas para lhe prender em uma armadilha,
    E não se dê muita liberdade em suas respostas;
Com um homem de sua mesma posição discuta a resposta;
    E tenha a cautela de não falar impensadamente;
Quando o coração de um homem está perturbado, as palavras viajam mais depressa
    Que o vento e a chuva.

Ele é arruinado e criado por sua língua,
    E ainda assim ele fala calúnias;
Ele dá uma resposta digna de uma surra,
    Pois sua obra é maligna;
Ele navega por todo o mundo,
    Mas sua carga são palavras falsas;
Ele age como o barqueiro ao tecer palavras:
    Ele vai e volta argumentando.

Porém não importa se ele come ou bebe dentro,
    Sua acusação <espera por ele> fora.
O dia em que seus feitos malignos são levados à corte,
    É um desastre para seus filhos.
Até Khnum virá imediatamente, até Khnum virá imediatamente,
    O criador do homem de temperamento colérico
A quem Ele molda e aquece (...);
    Ele é como um filhote de lobo na fazenda,
E ele vira um olho contra o outro <semicerrando>,
    Pois ele faz as famílias discutirem.
Ele vai diante do vento como as nuvens,
    Ele escurece sua cor no sol;
Ele balança o rabo como um filhote de crocodilo,
    Ele se enrola para infligir dano,
Seus lábios são doces, mas sua língua é amarga.
    E fogo queima dentro dele.

Não se apresse para se juntar a esse homem,
   Sem temer ser levado a um acerto de contas.

CAPÍTULO 10

Não se refira ao seu amigo intemperado em sua injustiça,
   Nem destrua sua própria mente;
Não diga a ele: "Que você seja elogiado", sem que queira dizer isso
   Quando há medo dentro de você.
Não converse falsamente com um homem,
   Pois isso é a abominação de Deus.
Não separe sua mente da sua língua,
   E todos os seus planos terão sucesso.
Você será importante diante dos outros,
   Enquanto estará seguro na mão de Deus.

Deus odeia aquele que falsifica palavras,
   Sua maior abominação é a duplicidade.

CAPÍTULO 11

Não cobice a propriedade do dependente
   Nem tenha fome pelo seu pão;
A propriedade de um dependente bloqueia a garganta,
   É vômito para o esôfago,
Se ele foi engendrado por promessas falsas,
   Seu coração escorrega de volta para dentro.
É através dos insatisfeitos que o sucesso é perdido,
   Mal e bem foge.

Se você está perdido diante do seu superior,
   E está confuso em seus discursos,
Sua lisonja é devolvida com maldições,
   E sua ação humilde com surras.
Quem enche a boca com muito pão o engole e cospe,
   Então ele é esvaziado de seus bens (ou "do bem").

Para o exame de um dependente, dê atenção 
   Enquanto os gravetos o tocam,
E enquanto todas as suas pessoas estão acorrentadas com algemas:
   Quem é para ter a execução?
Quando você está muito livre diante do seu superior,
   Então você está em mau favor com seus subordinados,
Então se distancie do homem pobre na estrada,
   Que você o veja mas fique longe de sua propriedade.

CAPÍTULO 12

Não cobice a propriedade de um oficial,
   E não encha <sua> boca com muita comida extravagantemente;
Se ele lhe coloca para gerenciar sua propriedade,
   Respeite-a, e a sua irá prosperar.

Não faça negócios com o homem intemperado,
   Nem se associe a um grupo desleal.

Se você é enviado para transportar palha,
   Respeite sua conta;
Se um homem é detectado em uma transação desonesta,
   Nunca mais ele será empregado.

CAPÍTULO 13

Não leve um homem ao erro <com> caneta de junco ou documento de papiro,
   Isto é a abominação de Deus.
Não testemunhe uma declaração falsa,
   Nem remova um homem <da lista> por sua ordem;
Não registre/responsabilize um homem que não tem nada,
   Nem faça sua caneta ser falsa.
Se você encontra um grande débito contra um homem pobre,
   Divida-o em três partes;
 Absolva duas delas e deixe que uma permaneça;
   Você irá achar nisso um caminho de vida,
Você irá passar a noite em sono tranquilo; e na manhã
   Você irá achar isso como boas novas.

Melhor é ser louvado como alguém amado pelos homens,
   Do que riquezas no armazém;
Melhor é pão quando a mente está em paz,
   Do que riquezas com problemas.

CAPÍTULO 14

Não dê atenção a uma pessoa,
   Nem se esforce para buscar sua mão,
Se ela diz a você, "aceite um suborno",
   Não é uma questão insignificante aceitá-lo;
Não desvie seu olhar dele, nem baixe sua cabeça,
  Nem vire seu olhar para longe.
Refira-se a ele com suas palavras e diga a ele saudações;
   Quando ele parar, sua chance virá;
Não o repila em sua primeira abordagem,
   Em outro momento ele será trazido <a julgamento>.

CAPÍTULO 15

Faça bem, e você obterá influência.
   Não molhe <seu> junco contra aquele que peca.
O bico da Ibis é o dedo do escriba;
   Tome cuidado para não perturbá-lo;
O Babuíno (Thoth) descansa no Templo de Khnum,
   Enquanto seu Olho viaja pelas Duas Terras;
Se Ele vê alguém que peca com seu dedo (ou seja, um falso escriba),
   Ele leva embora suas provisões pela inundação.
E quanto ao escriba que peca com seus dedos,
   Seu filho não será admitido/registrado.

Se você passa sua vida com essas coisas em seu coração,
   Seus filhos irão vê-las.

CAPÍTULO 16

Não desbalance a libra nem faça os pesos falsos,
   Nem diminua as frações de medida dos grãos;
Não anseie pelas medidas de grãos dos campos
   E, então, ponha de lado aqueles do tesouro.
O Babuíno senta ao lado da balança,
   Enquanto seu coração está no contrapeso.
Onde há um deus tão grande como Thoth
   Aquele que descobriu essas coisas, para criá-las?

Não dê para si pesos pequenos,
   Eles são abundantes, sim, um exército pelo poder de Deus.
Se você vê alguém trapaceando,
   À distância, você deve passar por ele.
Não seja avarento por cobre,
   E renuncie roupas finas;
Que bem faz alguém trajado de linho fino tecido como "mek
   Quando ele trapaceia diante de Deus.
Quando o ouro é amontoado sobre ouro,
   No alvorescer, ele vira chumbo.

CAPÍTULO 17

Acautele-se de roubar a medida de grãos
   Para falsificar suas frações;
Não aja erroneamente por meio da força,
   Apesar de estar vazio dentro;
Que você tire a medida exatamente conforme o tamanho,
   Sua mão se estendendo com precisão.

Não faça para si uma medida de duas capacidades,
   Pois assim, é em direção às profundezas que você irá.
A medida é o Olho de Ra,
   Sua abominação é aquele que o toma.
E quanto ao mensurador de grãos que multiplica e subtrai,
   Seu olho se fechará contra ele.

Não receba o imposto de colheita de um agricultor,
   Nem vincule um papiro contra ele para levá-lo ao erro.
Não entre em coalizão com o mensurador de grãos,
   Nem brinque com o loteamento de sementes,
Mais importante é a eira (espaço de debulhamento) para a cevada,
   Do que jurar pelo Grande Trono.

CAPÍTULO 18

Não vá para a cama temendo pelo amanhã,
   Pois quando o dia amanhece, o que é amanhã?
O homem não sabe o que será o amanhã!
   Deus é sucesso,
Homem é falha.
   As palavras que os homens dizem passam de um lado,
As coisas que Deus faz passam de outro lado.

Não diga, "Eu não sou culpado",
   Nem tente procurar problemas.
A falha é assunto de Deus,
   Está trancada com seu selo.
Não há sucesso na mão de Deus,
   Nem há fracasso diante Dele,
Se ele (o homem) se volta para buscar o sucesso,
   Em um momento, Ele o destrói.

Seja forte em seu coração, torne sua mente firme,
   Não faça desvios com sua língua;
A língua de um homem é o remo de direção de um barco,
   E o Senhor de Tudo é seu piloto.

CAPÍTULO 19

Não entre na câmara do conselho (tribunal) na presença de um magistrado
   E então falsifique seu discurso.
Não vá acima e abaixo com sua acusação
   Quando suas testemunhas estão a postos.
Não exagere <através> de juramentos no nome do seu senhor,
   <Através> de súplicas <no> local do questionamento.

Fale a verdade diante do magistrado,
   Para que ele não ganhe poder sobre seu corpo.
Se você comparece diante dele no dia seguinte,
   Ele concordará com tudo que você disser;
Ele apresentará seu caso <na> corte diante do Conselho dos Trinta,
   E será leniente também em outra ocasião.

CAPÍTULO 20

Não corrompa as pessoas da corte da lei (tribunal),
   Nem rejeite o homem justo.
Não concorde somente por causa de vestes alvas,
   Nem aceite alguém em trapos.
Não aceite o presente do homem forte,
   Nem reprima o fraco por ele.
Justiça é um maravilhoso presente de Deus,
   E Ele a concederá a quem quiser.
A força de alguém como ele,
   Salva um pobre coitado das suas surras.

Não faça listas de matrícula falsas,
   Pois elas são um assunto sério que merece a morte.
São juramentos sérios os do tipo de prometer não abusar de um cargo,
   E eles devem ser investigados por um informante.

Não falsifique os oráculos em um papiro
   E <assim> altere os desígnios de Deus.
Não arrogue para si o poder de Deus
   Como se o Destino e a Fortuna não existissem.

Entregue a propriedade aos seus donos <de direito>,
   E busque uma vida para si mesmo;
Não deixe seu coração construir na casa alheia,
   Pois assim seu pescoço estará no bloco de execução.

CAPÍTULO 21

Não diga, eu encontrei um protetor forte
   E agora eu posso desafiar um homem na minha cidade.
Não diga, eu encontrei um intercessor ativo,
   E agora eu posso desafiar a ele quem eu odeio.

De fato, você não sabe os planos de Deus;
   Você não sabe o dia de amanhã.
Sente-se nas mãos de Deus:
   Sua tranquilidade fará com que se abram.

Quanto ao crocodilo privado de sua língua,
   Temê-lo é insigificante.
Não esvazie sua alma para qualquer um
   E, com isso, não diminua sua importância;
Não circule suas palavras para os outros,
   Nem fraternize com alguém que seja muito sincero.

Melhor é o homem cujo conhecimento está dentro dele,
   Do que aquele que fala para a própria desvantagem.
Não se pode correr para atingir a perfeição;
   Não se pode criar <somente> para destruí-la.

CAPÍTULO 22

Não castigue seu companheiro em uma disputa,
   Não <deixe> que ele diga seus pensamentos mais íntimos;
Não voe para cumprimentá-lo
   Quando você não vê como ele age.
Que você primeiro compreenda sua acusação
   E acalme seu oponente.

Deixe isso com ele e ele esvaziará sua alma;
   O sono sabe como encontrá-lo;
Pegue (ou deite-se) nos seus pés, não o perturbe;
   Tema-o, não o subestime.
De fato, você não conhece os planos de Deus
   Você não sabe o dia de amanhã.
Sente-se nas mãos de Deus,
   Sua tranquilidade fará com que se abram.

CAPÍTULO 23

Não faça uma refeição na frente de um magistrado,
   Nem comece a falar primeiro.
Se você se satisfaz com palavras falsas,
   Divirta-se com sua saliva.

Olhe para a xícara à sua frente,
   E deixe que ela satisfaça sua necessidade.
Assim como um nobre é importante em seu cargo,
   Ele é como a abundância de um poço quando é drenado.

CAPÍTULO 24

Não ouça à acusação de um oficial dentro de casa,
   E depois repita para alguém lá fora.
Não permita que suas discussões sejam levadas para fora
   Para que seu coração não se aborreça.

O coração de um homem é o bico de Deus,
   Portanto, tome cuidado para não desprezá-lo;
O homem que se coloca <no> lado do oficial
   Não deve ter seu nome sabido <na rua>.

CAPÍTULO 25

Não zombe de um cego nem caçoe de um anão,
   Nem interfira na condição de um aleijado;
Não provoque um homem que está nas mãos de Deus,
   Nem faça caretas para ele, se ele errar.

O homem é barro e palha,
   E Deus é seu oleiro;
Ele destrói e Ele constrói diariamente,
   Ele empobrece mil (pessoas) se Ele quiser.
Ele transforma mil em examinadores,
   Quando Ele está na Sua hora de vida.
Quão afortunado é aquele que alcança o Oeste (pós-vida)
   Quando ele está seguro nas mãos de Deus.

CAPÍTULO 26

Não fique na taverna
   E se junte a alguém superior a você,
Esteja ele alto ou baixo em sua posição,
   Um homem velho ou jovem;
Mas tome por amigo para si alguém compatível
   Ra é útil mesmo que esteja distante.

Quando vir alguém maior que você lá fora,
   E atendentes o estiverem seguindo, respeite <a ele>
E dê a mão a um velho cheia de cerveja:
   Respeite-o como seus filhos o fariam.

O braço forte não enfraquece por estar exposto,
   A coluna não se quebra quando alguém a dobra,
Melhor é o homem pobre que fala palavras doces,
   Que o homem rico que fala duramente.

Um piloto que pode ver à distância
   Não deixará seu barco capotar.

CAPÍTULO 27

Não repreenda alguém mais velho que você,
   Pois ele viu o Sol antes de você;
Não se permita ser reportado a Aten (disco solar) quando ele ascende,
   Com as palavras, "Outro jovem repreendeu a um ancião."
Muito doentio aos olhos de Ra
   É o homem jovem que repreende o ancião.

Deixe-o bater em você com suas mãos cerradas,
   Deixe-o repreender você enquanto se mantém quieto.
Então, quando você vier diante dele pela manhã,
   Ele lhe dará seu pão livremente.
Quanto ao pão, ele que o tem se torna um cão,
   Ele late para aquele que o dá.

CAPÍTULO 28

Não exponha uma viúva se você a pegou nos campos (roubando grão),
   Nem deixe de abrir mão (da acusação) se ela for acusada.
Não afaste um estranho do seu jarro de óleo
   Para que ele seja duplicado para sua família.
Deus ama a ele que cuida dos pobres,
   Mais do que a ele que respeita os ricos.

CAPÍTULO 29

Não impeça as pessoas de cruzarem o rio
   Quando você tem espaço em sua barca;
Se um remo de direção for dado a você no meio das águas profundas
   Então coloque suas mãos para trás para pegá-lo.
Não é uma abominação na mão de Deus
   Se um passageiro não estiver cuidado.

Não adquira uma balsa no rio
   E tente conseguir somente as tarifas,
Tome a tarifa do homem com meios (abastado),
   Mas <também> aceite o destituído <sem custos>.

CAPÍTULO 30

Marque para si esses trinta capítulos
   Eles agradam, eles instruem,
Eles são os principais dentre todos os livros;
   Eles ensinam o ignorante.
Se forem lidos para um homem ignorante,
   Ele será purificado através deles.
Apreenda-os; coloque-os em sua mente
   E faça com que os homens os interpretem, explicando como um professor.
Um escriba que é experiente em sua posição,
   Ele se encontará digno de ser um cortesão.

[colofão]

Está terminado.
Pela escrita de Senu, filho do pai do deus Samiu.

¹Estolista é um sacerdote responsável por vestir as imagens divinas nos templos.
²Palavra desconhecida que provavelmente significa um linho de alta qualidade.

Fontes

A mensurar pesos e medidas sob o Olho de Ra,
   Alannyë Daeris

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Resenha: Graeco-Egyptian Magic, de Tony Mierzwicki

   Sinopse (na língua original): Stemming from years of study, practice, and workshops, Graeco-Egyptian Magick outlines a daily practice involving planetary Hermeticism, drawn from the original texts and converted into a format that fits easily into the modern magician's practice. In Tony's own words: "As a magickal system, Graeco-Egyptian magick represents the last flowering of paganism before it was wiped out by the Christian juggernaut. It is a hybrid system that blended ancient Sumerian and Egyptian magick with the relatively more modern Greek and Judaic systems". A recreation of a planetary system of self-initiation using authentic Graeco-Egyptian magick, as practiced in Egypt during the first five centuries C.E. Including results of four years of workshops in the USA and Australia, this is a practical intermediate level text aimed at those who are serious about their spiritual development and already have grounding in basic spirituality, but beginners who carefully follow the instructions sequentially should not be deterred.

Ficha Técnica


   Autor: Tony Mierzwicki
   Ano: 2006
   Editora: Megalithica Books
   Páginas: 256

   Se você busca aprofundar seus estudos em práticas greco-egípcias como aquelas referidas nos Papiros Mágicos, foco de interesse de qualquer estudioso do ocultismo no contexto da Antiguidade, mas já compreende que um processo de adaptação e modernização se faz necessário para trazer tais conhecimentos para nossa realidade contemporânea... Basta dizer que essa obra de Tony Mierzwicki será um colírio para seus olhos, e uma ótima referência em sua jornada oculta. O autor desenvolve um sistema de magia planetária eficaz e elegante valendo-se principalmente do PGM (Sigla latina para "Papyri Graecae Magicae", ou em português, Papiros Gregos Mágicos), uma coletânea de textos egípcios do período Greco-Romano, abrangendo desde meados de 200 a.C. a 400 d.C., e que contém uma diversidade de fórmulas mágicas, rituais, encantamentos, amuletos e hinos. Em adição, também estabelece paralelos com as Katádesmoi - "Curse Tablets", ou "Placas de maldição" greco-romanas; com os Hinos Órficos e Homéricos; e apresenta citações de Cícero, Ptolomeu e comentários de época sobre suas obras, e trechos do Corpus Hermeticum.
   Esse sistema proposto possui um fundamento tradicional claro, visando uma reconstrução histórica de práticas mágico-espirituais, com intenções de se manter fidedigno às suas referências originais, unindo os campos da teurgia e da taumaturgia como os Antigos o faziam. Mierzwicki não busca conceitos mágicos modernos para tratar das práticas tradicionais, e sim, mergulha fundo em conceitos tradicionais para fundamentar a prática moderna - o que certamente o separa do frequente anacronismo atrelado a tantos autores contemporâneos de magia e ocultismo. Em suas explicações introdutórias, agradou-me muitíssimo sua sugestão ao leitor: esforçar-se em recriar a mentalidade dos magos greco-egípcios, estudando somente as referências que estariam disponíveis para eles na época, como textos e imagens sobre divindades e esferas planetárias limitando-se até o século IV a.C.
   Em aspecto literário, a escrita de Mierzwicki é elegante, contém simplicidade sem pender para a superficialidade, discorrendo sobre conceitos complexos de forma perfeitamente compreensível e fluida - a seriedade de suas pesquisas, felizmente, não produz uma obra sisuda, complexa, ou demasiadamente acadêmica, como frequentemente ocorre em outros livros nesse campo. Desde a introdução, torna-se evidente o propósito de oferecer um sistema mágico-espiritual autenticamente histórico e simples, de fácil implementação e condução individual (ou coletiva, se assim desejado), nos moldes de um passo-a-passo descomplicado para obter desenvolvimento pessoal e alcançar harmonia em todos os níveis: mental, emocional, material e espiritual. 
   O autor inclui um guia para auxiliar nas pronúncias de encantamentos, um fator relevante para a correta condução dos feitiços, e busca elucidar algo a respeito dos possíveis significados das expressões citadas. Oferece a tradução de textos herméticos e gnósticos, efetuando comparações entre esses pontos de vista, e categoriza as informações pertinentes em tabelas. 
   Alguns conhecimentos básicos são indicados para o melhor aproveitamento dessa obra, e são eles: meditação, visualização ativa e passiva, encantamentos (especificamente, o ato de proferi-los por meio de canto ou de vocalização harmônica), e um entendimento mínimo sobre astrologia e mitologia greco-egípcia. Portanto, recomendaria a leitura para quem já possui algum domínio sobre tais habilidades e saberes, ou disposição em desenvolvê-los paralelamente à execução do sistema de Mierzwicki. Cabe citar a ênfase dada pelo autor à importância de unir o estudo teórico e a prática, por suas características sinergísticas e complementares, e o fato de manter uma aproximação racional e responsável referente aos conhecimentos que compartilha.

A transitar pelas esferas,
   Alannyë Daeris

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

Heka (feitiço egípcio) para Desordem e Fragilidade Mental e Física - Papiro Edwin Smith, Spell 5 (verso)

   Traduzi e adaptei o feitiço egípcio a seguir, encontrado no Papiro Edwin Smith, o mais antigo dos papiros médicos, referente ao Spell 5. Ele se destina a impedir e eliminar doenças e desequilíbrios causados por influência espiritual de entidades e espíritos malignos - sendo um dos poucos exemplos de abordagem mágico-religiosa nesse papiro medicinal, e por estar localizado no verso, é possível que esse e outros 7 feitiços sejam uma adição tardia e não-relacionada ao texto médico original. Para mais informações sobre muuetu e espíritos malignos, leia esse texto. Porém, mesmo que não seja o caso de uma enfermidade ou uma desordem causada por obsessores e espíritos, é possível realizar esse Heka adaptado na intenção de restaurar o equilíbrio da mente e do corpo, e diminuir o impacto de distúrbios emocionais na vida do indivíduo.
   O papiro indica quatro divindades para realização do Heka: Sekhmet, Bast, Wesir (Osíris) e Nehebkau. O texto sugere que todas estão presentes na prática, mas não vejo impedimentos ou contraindicações caso deseje invocar somente um, dois ou três dos Netjeru citados para abençoar o feitiço, por razões de afinidade ou preferência.
   Em minha adaptação, estruturei o Heka no formato usual com que compartilho feitiços embasados na Bruxaria moderna, e acresci instruções além das mencionadas no texto original, buscando auxiliar na contextualização dessa magia existente desde meados de 1600 a.E.C - que comporta as dinastias 16 e 17 do Segundo Período Intermediário do Egito. É indicado no papiro que o conteúdo é uma cópia de um encantamento anterior, algo comum em textos mágicos e medicinais durante toda a história do Egito, e determinados elementos linguísticos reforçam a origem mais antiga deste Heka.
   Como é costumeiro em encantamentos egípcios, há alusões textuais a conceitos mitológicos por vezes obscuros, incluindo associações de Netjeru (divindades) com circunstâncias negativas que o praticante de magia deseja evitar, vide relação estabelecida entre Sekhmet e o adoecimento do corpo e da mente, e entre Osíris e as vísceras que eram retiradas na ocasião do embalsamento dos falecidos.

Instruções para o Heka

Você precisará de:
• Um retângulo longo de tecido branco ou bege, se possível, feito de linho ou algodão. Tamanho sugerido: pelo menos 7cm de largura por 50cm de comprimento.
• A tinta sugerida no feitiço original é resina de mirra, mas você pode usar nanquim, canetinha, ou caneta permanente "sharpie". Preferencialmente, de cor preta.

   Prepare o ambiente e a si mesmo realizando uma prática de purificação de sua preferência, respire fundo e concentre-se. Convide as divindades que participarão desse Heka: Sekhmet, Bast, Osíris (Wesir), e/ou Nehebkau. Segure o tecido em mãos, faça o henu de oferenda estendendo ambas as mãos à sua frente com as palmas voltadas para cima - leia mais sobre os gestos ritualísticos keméticos. Em seguida, escreva os nomes das divindades em hieróglifos em um dos lados do tecido; ou, se preferir explorar mais seus dotes artísticos, é possível desenhar os Deuses à mão livre. Para referência, demonstro a seguir os nomes hieroglíficos de todos os quatro Netjeru citados, somente uma dentre as muitas possíveis versões da escrita de cada Nome.


   Do outro lado do tecido, o encantamento a ser escrito:

"A proteção da vida de Neith está ao meu redor, dela que está acima daquele que escapou da semeadora. Bast é repelida da casa do homem."

   Assim que terminar de escrever, fale o seguinte encantamento enquanto segura a tira de tecido inscrita de ambos os lados:

"Histeria, histeria, você não possuirá minha mente ou meu coração para Sekhmet. Você não tomará meu fígado para Osiris, e as coisas ocultas em Buto não entrarão em meu trono na manhã da contagem do Olho de Hórus. Qualquer espírito masculino ou feminino, qualquer falecido ou falecida (muuet e muutet), sejam na forma de animais, sejam de quem os crocodilos se apoderaram ou quem a serpente mordeu, aqueles condenados à faca, ou que morreram em sua cama, e as entidades malignas da noite, sejam obliterados por esse Heka. Afastem-se permanentemente, nunca retornem, em nome de (Netjeru escolhido). Hórus, que está são apesar de Sekhmet, vigia ao redor da minha carne por toda a vida."

   Coloque o tecido ao redor de seu pescoço, podendo amarrá-lo para que permaneça no local, ou utilizar um broche ou alfinete para essa finalidade. Use com intenção quando sentir a necessidade de espairecer a mente, reforçar sua vitalidade, acalmar os ânimos, encontrar equilíbrio e harmonia a nível físico, mental ou emocional. Esse amuleto tem validade indeterminada, podendo ser mantido em seu altar ou guardado para reutilizações futuras. Recomendo repetir o encantamento verbal nas ocasiões em que emprega o amuleto de tecido novamente.

Fontes
- Wilson, J. A. (1952). A note on the Edwin Smith surgical papyrus. Journal of Near Eastern Studies, 11(1), 76-80.
- Ancient Egyptian Medical Texts, World History Encyclopedia. Acesso em 02/03/2024.

A atar as forças da desordem,
   Alannyë Daeris 

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Epítetos de Mut

   Epítetos são títulos dados a divindades, que servem para representar certas faces específicas deles, e invocar determinadas características. Para saber mais, veja esse texto que trata sobre o assunto.
   Hoje, apresento uma lista de epítetos keméticos tradicionais conferidos a Mut, traduzidos e adaptados para nossa língua. Podem ser usados em orações, rituais, meditações e em quaisquer situações que você queira evocar ou invocar esse aspecto de Mut que está retratado no epíteto escolhido.
   Essa lista não contém todos os títulos associados com essa deusa, e há muitos outros que podem ser encontrados, ou desenvolvidos na sua própria interação e culto a Mut. Os epítetos foram traduzidos a partir do blog Fiercely Bright One, de autoria da pesquisadora e escritora Chelsea Luellon Bolton, onde todos estavam referenciados no momento do acesso, em 21/09/2023.

Epítetos Tradicionais


• Senhora do céu
• Senhora dourada
• Filha augusta
• A bela
• De mãos belas
• Felina da Senhora do céu
• Boa gata
• Boa mãe
• Olho de Ra
• Cobra de Ra
• Filha de Ra
• Filha que se tornou mãe
• Maior na Enéada
• Maior das mães
• Grandiosa
• Grande Cobra
• Grande Uraeus
• Grande Jovem Leoa
• Grande de Temor
• Grande de Magia (Weret Hekau)
• Mãe Saudável
• Senhora da beleza
• Senhora do amor
• Senhora de Isheru
• Senhora do rugido
• Senhora do terror
• Senhora das Duas Terras
• Senhora das flores de lótus
• Senhora do Duat (submundo)
• Mais poderosa que os Deuses
• Senhora de todos os Deuses
• Senhora da casa de Amun
• Senhora da atração no palácio do Senhor dos Deuses (Amun-Ra)
• Senhora das coroas
• Senhora dos diademas
• Senhora de Karnak
• Senhora da Cobra
• Mãe de Khonsu, a Criança
• Mãe das Mães
• Mãe do seu país
• Mãe do Criador
• Mãe de Ra
• Mãe do canto da vitória
• De todas as Deusas
• Que vem de Tebas
• Serpente do palácio
• Mãe pacífica
• Nobre poderosa
• Princesa dos Deuses
• Mãe pura
• Rainha dos Deuses
• Regente dos Deuses
• Regente das Duas Terras
• Ela dá a luz do Sol
• Ela ilumina nossas faces quando brilha como Ra
• Ela que é grande no céu, como é no horizonte
• Cintilante como ouro
• Única no meio das Duas Terras
• Deusa solar
• Raios de sol descem dela
• Doce de voz
• Venerável
• Que apareceu no céu
• Que cobre o disco solar com sua luz
• Que cria a luz para repelir a escuridão
• Que dá a luz a todo deus
• Que ilumina toda a terra com seus raios
• Que cria vida e cospe a inundação
• Que reside em Shanhur
• Cujo temor e adoração estão no palácio
• Cuja forma é magnífica

A agradecer pela vida, luz e calor da Mãe das Mães,
   Alannyë Daeris

sexta-feira, 31 de maio de 2024

Resenha: Thoth, The Hermes of Egypt - Patrick Boylan

   Sinopse (na língua original): The title of the essay has been chosen partly to suggest from the beginning an important and intelligible aspect of Thoth to the general reader, and partly to remind the student that a god who, at first sight, might seem to be a divinity of purely Egyptian importance, was, nevertheless, associated with such a widely flowing current of ancient thought as the speculation of the Hermetic writings.

Ficha Técnica


   Autor: Patrick Boylan
   Ano: 1922
   Editora: Oxford University Press
   Páginas: 226


   Publicado há mais de um século, Thoth, The Hermes of Egypt segue sendo a melhor e mais completa obra de referência acadêmica para o estudo acerca do Senhor dos Hieróglifos e Escriba Divino. O autor se concentra no Egito Dinástico, e apesar do que o título pode sugerir, há pouca menção aos sincretismos e manifestações posteriores de Thoth como Hermes Trismegistus no período Greco-Romano. Boa parte das fontes textuais pertencem ao período Ptolomaico, e para averiguar o pensamento teológico de períodos mais antigos, os Pyramid Texts (Textos das Pirâmides) foram empregados, bem como algumas citações relevantes do Book of the Dead (Livro dos Mortos).
   Dividido em capítulos que exploram diferentes aspectos de Thoth, como seu nome, a participação nos mitos Osirianos, sua relação com as Enéadas e como representante de Ra na Barca Solar, seus símbolos, sua importância como autor dos hieróglifos, suas características como Criador, o papel que desempenha na magia e no Ritual Egípcio, seus templos e locais de culto, os epítetos atribuídos, associações com outros deuses, dentre outros assuntos, realizando um exame completo das atribuições e conceitos que permeavam a relação dos egípcios com Thoth.
   Considero essa obra suficientemente acessível para leitores que não estejam acostumados com a linguagem mais acadêmica da área da egiptologia - ainda que o idioma seja uma barreira para falantes exclusivos da língua portuguesa, visto que não há uma tradução do inglês até a data da publicação dessa resenha. Entretanto, não havendo uma fonte melhor de estudos para tais conhecimentos básicos sobre Thoth, o esforço para desvendar esse livro é certamente recompensador. Para quem gosta de hieróglifos acompanhados de suas traduções, inclusive no caso dos epítetos, encontrará citações desse tipo em abundância nessa publicação - e elas são contextualizadas por meio de explicações sobre a dimensão mito-simbólica dos elementos presentes, e as relações estabelecidas com outras passagens e crenças da teologia egípcia.
   Desde o primeiro capítulo, que aborda os nomes de Thoth, encontramos uma quantia valiosa de notas de rodapé e fontes para aprofundamento dos estudos; contudo, infelizmente, uma boa parte dessas referências são obras em outras línguas estrangeiras, como o alemão e francês, que somam uma grande fatia dos estudos publicados sobre Egiptologia na virada do século XIX para XX - e na atualidade, muitas dessas referências são difíceis de localizar ou acessar. Felizmente, outras notas do autor ocupam um espaço significativo das páginas em determinados momentos, e agregam informações relevantes adicionais (ou teorias) sobre o assunto tratado no texto, o que pontua de forma muito positiva na minha opinião.
   Não importa a origem do seu interesse sobre Thoth - se é uma relação pessoal e devocional, ou apenas uma simples curiosidade por esse deus egípcio tão especial... Você terminará a leitura versado na multidimensionalidade de Thoth como uma divindade soberana, reverenciada com louvor e importância desde períodos antigos na história do Egito, atrelada a papéis teológicos de grande relevância. É um exemplar enxuto em extensão de páginas (entre 215-228pg de acordo com a edição) se considerarmos a profundidade do conhecimento genuíno que contém, embasado consistentemente nas fontes originais registradas por escribas e sacerdotes ao longo dos séculos.

A empregar as palavras em amor ao Residente na Biblioteca,
   Alannyë Daeris

terça-feira, 14 de maio de 2024

Calendários Egípcios e os Dias de Sorte e Azar

   Antes de existirem os horóscopos diários que se popularizaram profusamente nos últimos séculos, os antigos egípcios acreditavam na fortuna ou infortúnio dos dias, e elaboravam papiros para instruir sobre os prognósticos diais. O calendário egípcio era dividido em três estações de quatro meses, cada uma com duração de 30 dias, o que resulta no total de 360 dias. As estações correspondiam ao ciclo do Nilo: Inundação (akhet), quando o rio transbordava e cobria as terras cultiváveis com água; Emergência (proyet), quando a água recedia e expunha as terras fertilizadas próprias para o plantio; e o Verão (shomu), o período da colheita e da estiagem.
   Cinco dias denominados epagomenais eram acrescidos entre o final de um ano e o início do próximo, aproximando o calendário civil egípcio da translação da Terra. Esses dias extras chamados de "Hryw rnpt" (Heryu ronpet) possuem profundas conotações mitológicas, sendo considerados "não-dias" por estarem fora do calendário dos meses. Dessa maneira, quando nos referimos ao calendário egípcio, podemos considerá-lo equivalente ao gregoriano do qual fazemos uso, em sua totalidade de 365 dias.
   Todos os dias contidos no calendário egípcio eram definidos como dias de sorte ou azar, regidos por dois conceitos de eternidade: Djet, o tempo linear que conhecemos, que segue um curso direto e imutável, se torna memória; e Neheh, o tempo cíclico mutável que se renova e se repete dia após dia, como o nascer do Sol, que ocorre diariamente. A classificação dada pelos egípcios podia indicar quais datas são favoráveis e desfavoráveis como uma característica geral da data - um dia "bom" ou um dia "ruim" -, ou dividir os dias em seus períodos de manhã, tarde e noite, para que cada um seja definido como favorável ou desfavorável.
   Alguns dos registros arqueológicos que contém calendários são o Papiro Sallier n°.IV, Calendário Cairo, e o Papiro Budge, todos sob a posse do Museu Britânico, que armazena também outros fragmentos com trechos de calendários. Esses papiros não são unânimes em seu conteúdo, e além de variarem no modo de classificar os dias, também podem difererir em relação a quais dias são bons ou ruins, pois são oriundos de períodos, localidades e dinastias diferentes. A homogeneidade de percepções e crenças não é uma característica própria da mitologia egípcia, de qualquer forma.
   No papiro conhecido como Calendário Cairo, cujo título em egípcio se traduz como "Uma introdução ao início da Sempiternidade (Neheh) e o fim da Eternidade (Djet)", há seis categorias de sorte ou azar: favorável, parcialmente favorável, muito favorável, adverso, parcialmente adverso, muito adverso. A maioria dos dias são muito favoráveis ou muito adversos, mas há datas parciais ocasionais. Os temas mitológicos que fornecem uma correspondência boa ou ruim para as datas não contam uma história linear, diversas divindades menores e hoje obscuras são citadas, e os temas podem abranger alguns poucos dias e então acabarem abruptamente, sendo substituídos por outras cenas e referências dos mitos não-relacionadas à anterior.
   Os dias positivos estão grafados em tinta preta, e os dias desfavoráveis em tinta vermelha. Certos papiros, como o Sallier, incluem textos explicativos indicando qual evento mitológico atribui classificação boa ou ruim para o dia. Concomitante a isso, fornecem uma orientação, como por exemplo: "não queime incenso nesse dia", "não saia de casa nessa data". É recorrente que sejam dadas previsões para os nascidos em determinados dias, como: "quem nascer hoje morrerá de velhice", ou "quem nascer hoje morrerá por uma serpente". Você pode conferir um calendário com suas orientações majoritariamente preservadas e traduzidas no livro Ancient Egyptian Magic, do egiptólogo Bob Brier.
   Ainda que os dias epagomenais não sejam sempre mencionados nos papiros, sabe-se por numerosas fontes que eram datas conturbadas e temidas pelas influências nocivas. A título de curiosidade, são referidos no Calendário Cairo, acompanhados de encantamentos que deveriam ser proferidos em cada um dos cinco dias. Os dias epagomenais possuíam nomes especiais que conferiam bênçãos aos que tinham conhecimento deles, e existiam inúmeras fórmulas e encantamentos especiais destinados para a proteção nessas datas, durante as quais, nenhum trabalho era realizado.

Referências

- A Note on P. Kellis I 82 (1996) by Hoogendijk, F. A. J. Zeitschrift Für Papyrologie Und Epigraphik, 113, 216–218.
- Ancient Egyptian Magic (1981) by Bob Brier.
- Calendars: real and ideal (1994) by Anthony Spalinger. In Essays in Egyptology in honor of Hans Goedicke, 297-308.
- Some Observations on the Egyptian Calendars of Lucky and Unlucky Days (1926) by Warren R. Dawson. The Journal of Egyptian Archaeology, 12(1), 260–264.
Fonte da imagem: Papyrus Sallier IV (EA10184,1). Museu Britânico.

A honrar a Ele Que Determina o Tempo,
   Alannyë Daeris

segunda-feira, 25 de março de 2024

Epítetos de Shezmu

   Epítetos são títulos dados a divindades, que servem para representar certas faces específicas deles, e invocar determinadas características. Para saber mais, veja esse texto que trata sobre o assunto.
   Hoje, apresento uma lista de epítetos keméticos tradicionais conferidos a Shezmu (Šsmw), traduzidos e adaptados para nossa língua. Podem ser usados em orações, rituais, meditações e em quaisquer situações que você queira evocar ou invocar esse aspecto de Shezmu que está retratado no epíteto escolhido.
   Essa lista não contém todos os títulos associados com esse deus, e há muitos outros que podem ser encontrados, ou desenvolvidos na sua própria interação e culto a Shezmu. Agradeço à Rev. Tanebet da Kemetic Orthodoxy pela tradução dos epítetos para o inglês com base no guia Lexikon der ägyptischen Götter und Götterbezeichnungen, volume 8.

Epítetos Tradicionais


• Ele com raios luminosos para a Enéada
• Ele que faz os raios virem à existência para a Enéada
• Senhor dos óleos
• Senhor do perfume
• Senhor da carnificina
• Senhor do sangue
• De face feroz
• Destruidor do Maligno no Bloco
• Mestre da Perfumaria
• Carrasco de Wesir
• Senhor da Prensa de Óleos
• Senhor da Prensa de Uva
• Senhor do Vinho
• Matador de Almas
• Ele que faz Mesen agradável
• Feitor de todos os óleos preciosos
• Ele que desmembra corpos
• Grande assassino dos Deuses
• Senhor de Punt
• Senhor da terra Divina
• Ele que coleta tributos nas Duas Terras Divinas
• Senhor do Laboratório
• O grande deus no laboratório
• Chefe do Laboratório
• Chefe da Grande Casa (santuário no Alto Egito)
• Chefe da Casa em que os efluxos divinos de Wesir são enterrados
• Chefe da Casa de Tecido
• Chefe da Casa de Ouro
• Ele que faz o aroma do templo agradável
• Ele que incensa o Grande Trono
• Ele que faz o laboratório festivo para o falcão do Dourado
• O poder magnífico no Trono de Ra
• Ele que está em tipAd (?)
• Senhor do local de matança de Heru
• O leão cruel
• O grande touro
• Touro do grande Ra
• Ele com grande coração
• Ele com o braço estendido
• O corajoso
• Ele que é corajoso com seu braço
• Ele com grande poder
• Ele com braço poderoso
• Ele com dedos habilidosos
• Ele com mão habilidosa quando faz seu trabalho
• Ele com mãos habilidosas
• Ele com um par habilidosos de dedos
• Ele com mãos puras
• Ele com facas afiadas
• Ele com facas vermelhas
• Ele que queima incenso de Punt
• Ele que equipa o laboratório em perfeição
• Ele que apresenta à Senhora de Rechit com os itens que ela deseja
• Ele que faz o óleo festivo
• Ele que dá Mirra para a Grandiosa
• Ele que esfaqueia o corpo do maligno
• Ele que derrota o inimigo
• Ele que derrota os rebeldes
• Ele que corta o antílope Oryx em pedaços
• Ele que oferece os de coração retorcido como sacrifício
• Ele que mata o corpo dos rebeldes
• Ele que mata os animais selvagens do deserto
• Ele que mata todos os animais selvagens do deserto
• Ele que derrota os inimigos
• Ele que derrota seus inimigos
• Ele que derrota os rebeldes
• Ele que faz o aroma do escaravelho alado divino agradável
• Ele que fz o aroma das Deusas agradável
• Ele que faz o aroma do que criou seu corpo agradável
• Ele que agrada aos Deuses com seu cheiro
• Ele que agrada os Deuses e Deusas com seu cheiro
• Ele que agrada as Deusas com seu cheiro
• Ele que faz o óleo Hekenu agradável
• Ele que agrada os poderes elevados com o trabalho de seus braços
• Ele que faz o lutador para a regente agradável
• Ele que faz os Deuses se sentirem festivos com seu aroma
• Ele que satisfaz os Deuses com o suor de sua carne (unguentos)
• Ele que satisfaz os Deuses com o suor de seu corpo (unguentos)
• Ele que satisfaz os Deuses e Deusas com seu trabalho
• Ele que apraze os poderes divinos com pedaços da carne dos rebeldes
• O Rei do Alto Egito
• Regente da Terra de Deus
• Ele que nasceu de Nut
• Ele que foi parido de Nut
• Filho de Nut
• Filho de Ra
• Filho de Geb
• Ele que foi criado pelos poderes divinos
• O Grandioso
• O Matador/Assassino
• Chefe do matadouro (ou "açougue")
• Chefe do campo de batalha
• Ele que é poderoso em sua fertilidade
• Ele com poder sobre seus inimigos
• Ele com poder augusto
• O Mais Antigo
• Ele que cozinha o unguento magnífico para o Senhor da Coroa Branca (atef)
• Ele que cozinha o unguento para o Olho de Ra
• Ele que cozinha o unguento para Khenti-Amentiu
• Senhor do matadouro de Heru
• Ele que glorifica o Olho de Ra com sua fragrância
• Ele que glorifica a Dourada, Senhora de Dendera, com sua fragrância
• O desmembrador de Wesir
• Que faz perfeito o aroma de Behedety
• Que faz ser prazeroso para a Dourada, a Senhora de Dendera, com seu aroma
• Ele que agrada a Dourada com o que ela ama
• Ele que faz o Olho de Ra festivo com seu aroma
• Ele que faz o laboratório festivo para o falcão da Dourada
• Ele que faz festiva a Dourada dos Deuses de acordo com sua vontade
• Ele que satisfaz o Olho de Ra com o que emerge dele
• Ele que apraze o Poderoso com pedaços de carne
• Touro do Grande Ra
• Estolista (que veste os Deuses)
• Ele com braços radiantes quando trabalha no laboratório
• Ele que está com labdanum (resina aromática do Mediterrâneo)
• Ele com unguentos nos braços
• Ele com unguentos aprazíveis nos braços
• Ele que cozinha unguentos/óleos
• Ele que cozinha unguentos em pureza
• Ele que cozinha unguentos esplêndidos para o corpo de Deus
• Ele que cozinha unguentos para a grande Enéada
• Ele que cozinha cada óleo para as Coisas de Deus (partes do corpo de Wesir)
• O cozinheiro de óleos
• Ele em cuja mão o óleo Hekenu está
• Ele cujos recipientes hbbt são cheios do aroma de Deus
• Ele que mistura o óleo Hekenu para os Deuses
• Ele que cozinha o unguento
• Ele que glorifica o olho de Ra com sua fragrância
• Ele que está no barco ndwt

A inalar aromas festivos,
   Alannyë Daeris

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Resenha: Myth and Symbol in Ancient Egypt, de R. T. Rundle Clark

   Sinopse (na língua original): This classic study remains the best single introduction to the Egyptian mythological world. The Egyptians lived apart from the rest of the ancient world and it is this isolation that makes their ideas so difficult to appreciate and interpret. Egyptian though was presented in terms of mythology: myth was used to convey insights into the workings of nature and the ultimately indescribable realities of the soul.

Ficha Técnica


   Autor: Robert Thomas Rundle Clark
   Ano: 1959
   Editora: Thames and Hudson
   Páginas: 292

   Essa é uma das leituras recomendadas pela Kemetic Orthodoxy (Ortodoxia Kemética) e configura uma verdadeira jornada pela mitologia e simbologia egípcia, detalhando-a do início ao fim. Dividido em capítulos que elucidam a natureza das divindades, suas relações entre si por meio dos mitos, e o pensamento egípcio por trás desses conceitos, Myth and Symbol in Ancient Egypt é um livro obrigatório para se aprofundar nos mistérios do Nilo.
   É uma obra instigante e encantadora, não somente pelos temas que aborda de forma exímia, mas também por elucidar as transformações ocorridas no entendimento egípcio acerca de divindades e aspectos mitológicos, apresentando e aprofundando os principais mitos keméticos e as personagens divinas que os compõem. Uma fonte de estudos e pesquisas valiosíssima, pois ilustra visual e textualmente os assuntos abordados em cada capítulo - incluindo passagens que são extraídas de livros keméticos importantísimos, como os Textos das Pirâmides e Livro dos Mortos -, com trechos que são descritos em detalhes pelo autor, trazendo diferentes perspectivas sobre os conceitos-chaves neles contidos.
   Myth and Symbol conta com 18 fotogravuras em preto e branco, 40 desenhos de cenas em traços vazados, uma tabela com símbolos religiosos, e um mapa dos centros de culto na terra das Pirâmides. Seus capítulos passam por uma tabela cronológica do Egito, os Deuses e o esquema mitológico, os conceitos de divino ao longo da história, mitos sobre as principais divindades e alguns símbolos importantes dentro da religiosidade kemética.
   Como uma introdução ou contextualização do panorama religioso do Antigo Egito, serve perfeitamente ao seu propósito. Pode ser considerada uma obra tanto datada devido à sua idade, com nomes de divindades que caíram em desuso (Ma'at como "Mayet"), e algumas afirmações que hoje são compreendidas de forma diferente - como ocorre com a própria não-linearidade do pensamento mito-religioso egípcio -, mas isso não é um impedimento para sua apreciação, pois a grande parcela das informações que compartilha seguem válidas e consistentes na Egiptologia ainda hoje, e é baixa a margem de obsolescência do seu conteúdo.

A corujar com adoração as Aves do Céu,
   Alannyë Daeris

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Feitiço 95 do Livro dos Mortos - Para estar na presença de Thoth

   O Livro dos Mortos (no inglês, Book of the Dead, ou em tradução mais aproximada do título egípcio original r(ꜣ)w n(y)w prt m hrw(w), "Book of Coming Forth by Day") é uma coletânea de textos funerários geralmente inscritos em papiros, que abrange um período entre 1550 b.C e 50 b.C, ou seja, desde o início do Novo Império até o Período Romano. Tais textos mortuários possuem uma característica mágico-religiosa, servindo para guiar e auxiliar uma jornada segura no submundo, garantindo a chegada do falecido no julgamento de sua alma, e o subsequente renascimento para a vida eterna.
   Apesar de ser popularmente referido como um livro, não há um cânone ou seleção específica de textos que compunham o Livro dos Mortos, pois os feitiços (spells) e ilustrações (vignettes) escolhidos variam bastante nos exemplares conhecidos. Sendo assim, o trabalho de enumerar e organizar os textos recaiu sobre os pesquisadores da modernidade, não devendo ser levado ao pé da letra como uma ordem fixa e rígida dos feitiços, que pareciam ser escolhidos a dedo pelos egípcios que requisitavam sua produção aos escribas, conforme as percepções pessoais de quais seriam os encantamentos mais úteis na jornada que realizariam pelo pós-vida.
   Nesse texto, além de uma brevíssima introdução sobre o Livro dos Mortos, me proponho a traduzir e apresentar um dos encantamentos que mais me cativa dentre a numerosa seleção de textos dessa coletânea: um feitiço com a finalidade de estar na presença de Thoth. Uma parte fundamental das práticas mágico-religiosas egípcias (ou Heka) consiste nos encantamentos, ou seja, o poder da fala. É o caso do spell 95, composto por um encantamento e uma vignette ilustrativa do falecido, efetuando a magia. Importante notar que nos feitiços funerários, o operador da magia é equiparado a Osíris, fazendo alusão direta ao processo mitológico de vida, morte e renascimento desse Deus.

Vignette do Spell 95 do Livro dos Mortos de
Ramose. Datado entre os séculos 14-13 a.C. Fonte.

Feitiço para estar na presença de Thoth


Palavras ditas por Wesir (Osíris), supervisor dos arquivistas do Senhor das Duas Terras, (seu nome/nome do falecido), Justificado(a).

Ele diz: "Eu sou o terror na tempestade e o guardião da grande cobra em guerra. Eu ataquei com a faca e cinzas esfriam os oponentes para mim. Eu agi em defesa da grande cobra em batalha. Eu fortaleci a faca afiada em posse daquela afiada que está na mão de Khepri na tempestade. Eu sou o Osíris, supervisor dos arquivistas do Senhor das Duas Terras, (seu nome/nome do falecido), Justificado, em paz."

Notas complementares:

• Nos espaços entre parênteses, estava inserido o nome de Ramose, o dono desse exemplar do Livro dos Mortos. Sendo assim, deve ser substituído pelo nome do operador da magia, identificando-o como Osíris, o Justificado.
• Apesar de configurar como um feitiço funerário, é possível adaptar o feitiço para outras práticas mágico-religiosas que visem conexão com Thoth - seja por meio de invocação ou evocação.
• Pela observação da vignette que acompanha o texto, é sugerível que oferendas sejam efetuadas junto ao feitiço, como de costume em atividades devocionais. Além da evidente oferenda de uma flor de lótus-azul (Nymphaea nouchali var. caerulea) por Ramose, há um recipiente para líquidos possivelmente contendo cerveja ou água, e um item branco que se assemelha a um pão ou algum tipo de comida.

A colher lótus para o Benfeitor Universal,
   Alannyë Daeris

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Epítetos de Nebetuu (Nebtuwi)

   Epítetos são títulos dados a divindades, que servem para representar certas faces específicas deles, e invocar determinadas características. Para saber mais, veja esse texto que trata sobre o assunto.
   Hoje, apresento uma lista de epítetos keméticos tradicionais conferidos a Nebtuwi (Nbt-ww), traduzidos e adaptados para nossa língua. Podem ser usados em orações, rituais, meditações e em quaisquer situações que você queira evocar ou invocar esse aspecto de Nebtuwi que está retratado no epíteto escolhido.
   Essa lista não contém todos os títulos associados com essa deusa, e há muitos outros que podem ser encontrados, ou desenvolvidos na sua própria interação e culto a Nebtuwi. Agradeço à Rev. Ma'atnofret da Kemetic Orthodoxy pela tradução dos epítetos para o inglês com base no guia Lexikon der ägyptischen Götter und Götterbezeichnungen, volume 8.

Epítetos Tradicionais


• A grande no céu
• Que preenche céu e terra com sua perfeição
• Senhora do céu
• O céu oposto
• A cabeça do horizonte
• Sol
• Ela com raios luminosos
• Deusa solar
• Que ilumina para si mesma as duas terras em frente a sua face
• Senhora da luz
• Raet na luz
• Que ilumina as duas terras
• A luminosa
• Vento
• O vento norte
• O belo vento norte
• Sétima terra/mundo
• A poderosa na terra
• Atribuindo vidas pelo país 
• Que preenche os céus e a terra com sua perfeição
• A regente das vizinhanças do sol
• Mantendo o país vivo pela ação de seus braços
• Por quem o país inteiro está em humor festivo
• Cabeça do distrito de Abydos em Abydos
• A magnífica e esplêndida do Templo de Khnum
• O Wedjat no campo de Khnum
• A senhoria de Esna
• Mestra de Abydos
• Mestra de Edna
• Mestra de Buto
• Mestra de Elkab
• Mestra de Pelusium
• Eles estão em Heliópolis
• Eles que em Thinis estão
• Está no meio de Tebas
• A casa está no meio dos Bas
• Que chegou em Esna
• Que chegou em sua festa em Esma
• Vinda de Kenset
• O olho de Ra na totalidade das Duas Terras
• Que iluminaram para si mesmos os dois países em frente de suas faces
• Senhora das Duas Terras
• Que ilumina as Duas Terras
• Que lidera as Duas Terras
• Em cuja corte o regojizo reina
• Que preencheu o palácio com sua beleza
• Senhora do palácio.
• Senhora de Bubastis em sht-ntr
• Senhora do pr-wr
• Mestra da casa do pai
• Mestra da casa da mãe
• Mestra do templo de Neith
• Enfermeira da casa de nascimento
• Mestra da família real
• Mestra da casa da chama
• A regente excelente na casa da mãe 
• A cabeça da Casa da Alegrias
• Que deixa Deus ascender em Seu templo
• Mestra das águas Isrw
• Ela com a grande margem
• Mestra do jardim de árvores
• Mestra do campo perfeito
• A primeira do vale
• Sua Majestade Ipet
• A vaca celestial
• Senhora das árvores
• Sua fragrância exala da flor de lótus
• Seu aroma consiste da planta de papiro
• Que vem como a água da inundação
• Deusa dos campos
• Que cria as plantas
• Mestra do país das frutas
• Mestra da nova terra
• Mestra das plantas
• Mestra do campo
• Mestra das Pradarias (Campos elevados)
• Regente do campo
• A cabeça da vegetação
• A cabeça do campo
• O campo cravejado de lápis lazuli
• Que faz a madeira da vida crescer
• A que cresce toda a comida
• Que eleva o grão completamente
• Que faz as plantas para sua casa
• Que amadurece o grão 
• A riqueza que está no grão
• Que ascende no começo
• Que cria a todos
• Toda boca come o que provém dela
• Que dá a completa altura ao grão 
• Que dá a luz ao que existe
• Que faz todas as coisas acontecerem
• Que faz todas as coisas ascenderem em seus locais
• A menina
• A grande menina
• Que induz as plantas para sua casa
• Ela com planos excelentes
• Ninguém entra no palácio sem seu conhecimento
• Um passo a frente na barca noturna
• A bela face
• Ela com face perfeita
• Ela com aroma agradável
• Seu corpo é feito de ouro
• Cujo cabelo é feito de lápis lazuli real
• Sua fragrância vem da flor de lótus
• Ela com face atentiva 
• As bochechas festivamente decoradas
• Seu aroma consiste na planta de papiro
• Ela atira sua flecha contra Apófis
• A perfeitamente decorada
• A Magnífica ou a Útil 
• A grande Magnífica
• A grande queima 
• A grande cobra
• A cobra de Ptah
• A coroa wrrt
• A serpente na testa de Ra
• A serpente frontal na testa de cada divindade
• A cobra
• A cobra de quem a criou
• A grande cobra
• A cobra de Ra
• O belo olho
• O Olho de Rá
• O olho de Ra no semblante das Duas Terras
• O grande Olho de Heru
• O Olho Wedjat
• O Olho Wedjat no campo de Khnum
• Para o Ka que você faz um banquete
• Para cujo Ka você abre a caneca de cerveja
• Seu nome é maior que o dos deuses e deusas
• Que cria as coisas úteis 
• Que cria a necessidade para todos
• Que toma a cabeça dos seus inimigos
• Que queima o inimigo de seu pai
• Que queima o inimigo com sua labareda de fogo
• Ela atira sua flecha contra Apófis
• Que derrota seu inimigo
• Seu desgosto é fome e sede
• Que dá a idade para quem ela ama
• Retorna o ar para as narinas do cansado de coração
• Mantendo o país vivo pela ação de seus braços
• Escoltando os Grandes Deuses
• Que atende aos pedidos 
• Que ouve o pedido de qualquer um
• A Protetora de Ra-Horakhty
• Que protege seu filho a quem ela ama
• Cujo coração está cheio de alegria
• A Senhora do Júbilo
• Regente do Júbilo 
• Sob cujo comando o Senhor aparece
• Que ama a dança 
• A Senhora da dança
• Senhora da canção (ou: da adoração)
• Senhora da música
• Para quem seu irmão dança
• Que dança para Shu
• Para cuja majestade se começou a dançar
• Para quem se começou a celebrar
• Mestra do campo
• A excelente regente na casa da mãe
• A regente na casa da vaca
• A regente nas vizinhanças do sol 
• Que manda seu filho para Rei
• Ela que no trono está 
• Que está sobre o grande assento do trono
• Seu trono é mais distante que o dos Deuses 
• Ela vem com seu irmão
• Seus filhos prosperam mais que os Deuses e Deusas
• O inimigo é seu irmão
• O Ra deu à luz
• A confidente de seu irmão
• A cobra de quem a criou
• Ela protege seu filho quem ela ama
• Quem conecta com seu pai Atum
• Que une com seu irmão
• Que une com seu irmão Khnum
• Seu filho é Hk3-p3-hrd
• A filha do mestre
• A filha de Ra
• A irmã de seu irmão
• Que satisfaz o coração de seu pai, Ra
• Que faz seu filho se tornar rei
• Que cria seu filho Heru com/em (...)
• Ela com grande popularidade
• Ela com grande popularidade entre os Deuses
• A muito popular
• Senhora do amor
• À visão dela Ra regozija
• Vê-la faz celebrar
• Senhora da dignidade
• A grande divindade
• A maior Deusa
• A Magnificente
• A Magnificente e Poderosa
• A Magnificente e Poderosa dos Deuses e Deusas
• A bela magnificente
• A mais sublime que os Deuses
• Ascendendo sobre os Deuses e Deusas
• Uma segunda não existe no céu e terra
• A sem igual
• A Bela
• A Dourada
• Senhora da beleza
• A grande queima
• Ela com grande calor
• Senhora da chama
• A mais poderosa que os Deuses
• A senhora perfeita
• A senhora dos Deuses
• A Senhora de todos os Deuses
• A Senhora dos Deuses e Deusas
• A Senhora das Deusas
• A Senhora das mulheres
• A Senhora de todas as coisas
• A Senhora das mulheres nobres
• A Senhora de homens e mulheres
• A Grande Anciã
• A Cobra de Ptah
• Olho de Ra
• Olho de Ra em todos os dois países 
• O grande Olho de Heru
• Que se localiza no peito de Ra
• A grande ao lado de Khnum
• Quem dança para Shu
• Cuja visão Ra ama
• O amor de Ra
• A amada de Ptah
• A amante de Ra
• A amada de Khnum
• A confidente da Senhora do Campo
• A serpente na testa de Ra
• A serpente na testa da cabeça de seu mestre
• A protetora de Ra-Horakhthy
• Sua visão faz Ra regojizar
• Retorna o ar ao nariz do cansado de coração
• Com quem o coração de Atum está satisfeito
• A Cobra de Ra
• Que se une com a cabeça do seu campo
• Enfermeira 
• A Enfermeira no local de nascimento
• A Nutridora
• Que abre/rasga as coisas
• Senhora da limpeza
• Para cujo Ka você faz uma festa
• Ela com numerosos festivais
• Que ama o dia agradável
• A Senhora do Festival
• Senhora dos festivais
• Senhora da embriaguez
• Que chegou em sua festa em Esna
• Para cuja majestade se começou um festival
• Para quem todo o país está em clima festivo
• Ela um passo a frente na barca noturna
• Ma'at na cabeça da barca de Ra
• Senhora dos Menits e do Sistro
• Ela com numerosas oferendas
• Para cujo Ka você abre a caneca de cerveja
• Senhora do grão
• Senhora da comida
• Senhora da comida e do alimento
• Que está no alimento 
• Que vem durante o dia
• Senhora do começo do ano
• Que aparece no início de cada década
• Que faz o ano perfeito
• Wadjet
• Wenut do Baixo Egito
• Wenut do Alto Egito
• Ma'at
• Menhit, a grande
• Raet na luz
• A grande Repit
• Rivenutet, a colorida de papiro
• Hathor a Grande
• As Deusas do campo
• Seshat a Grande
• Tefnut
• Temet
• Milhões, centenas de milhares e dezenas de milhares são
• No fim de quem estão milhares, centenas, dezenas e um

A abrir a cerveja para a Senhora Perfeita das Oferendas,
   Alannyë Daeris