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segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Magia com Bússolas - Dicas e Feitiços

   Bússolas são itens com uma ampla gama de aplicações em práticas espirituais, relacionadas à sua finalidade como um objeto mundano: direção e orientação. Elas podem ser consagradas e dedicadas como instrumentos mágicos, servindo unicamente para propósitos espirituais, tal como as bruxas fazem com suas tesouras e facas ritualísticas. Por exemplo, as bússolas servem como aliadas em viagens astrais e práticas oníricas, ao consagrá-las para que encontre seu caminho nessas atividades e se desloque facilmente, e para que tenha acesso ao que deseja presenciar.
   Como instrumentos de magia, esses itens favorecem a intuição, direcionamento ou redirecionamento de intenções em atividades espirituais - como consagração de objetos ou manipulação energética -, abertura de caminhos, magia de encruzilhadas, feitiços que tenham a ver com um senso de propósito ou descoberta, progresso, movimento, viagens, intenções exploratórias ou aventureiras, e magia marítima. Adicionalmente, são propícias como "focos intencionais", talismãs consagrados para serem carregados consigo e também empregados em magias. Considero a bússola estando associada aos astros Mercúrio e Júpiter, e ao elemento ar.
   Na Bruxaria Tradicional, há uma prática que se assemelha relativamente ao lançamento do círculo mágico, denominada "hallowing the compass" - que em tradução livre, significa algo próximo de "santificando o compasso", e utiliza um sinônimo do termo para bússola, ainda que não se refira a um objeto físico. Faço menção a essa prática pela referência simbólica e por ser uma possível fonte de confusão entre neófitos que pesquisem sobre algum dos assuntos. Essa prática consiste na delineação de três círculos e a invocação dos quadrantes, com o propósito de delimitar um espaço ritualístico entre os mundos. Caso possua interesse em conhecer o tema mais a fundo, duas ótimas referências acessíveis como ponto de partida para estudo destes saberes tradicionais são Robert Cochrane e Gemma Gary.
   Esse instrumento pode servir de maneira prática para que o praticante identifique as direções na localidade em que se encontra. Em quaisquer tipos de exercícios mágicos, as bússolas auxiliam a encontrar o ponto cardeal que melhor se associa ao propósito da atividade - seja no estabelecimento do altar, na elaboração de grades de cristais ou gráficos radiônicos, ou na realização de feitiços em geral, como ao soprar determinados pós mágicos ou cinzas ao vento. 
   Os compassos também são aliados em certas artes divinatórias, como a Ornitomancia (divinação com o vôo das aves) e a Aeromancia (divinação com condições meteorológicas), que se subdivide em diversas divinações específicas que podem ser conduzidas de forma independente ou concomitante, como a Nefelomancia, baseada em nuvens; Austromancia, baseada no vento; Ceraunoscopia, baseada em raios e relâmpagos; Meteoromancia, baseada em meteoros; e Caomancia, baseada em visões aéreas. Torna-se um instrumento auxiliar nessas divinações referidas pois é essencial que o intérprete do céu, ou dos padrões que analisa nele, seja capaz de discernir a direção e o sentido desses elementos que determinam os prognósticos.

Feitiço com Bússola para Viagens Astrais


Você precisará de:
• Uma bússola
• Artemísia 
• Noz moscada em pó
• Uma vela roxa ou azul-royal
• Um incenso de sua preferência

Horas e dias de Lua e Júpiter.
Fase crescente e cheia.

   Separe todos os ingredientes em um local propício para a realização da magia, e prepare-se como de costume. Faça uma purificação em si, no ambiente, e na bússola que será utilizada; não é necessário consagrá-la previamente, pois isso será feito ao longo da prática. Inicie a magia acendendo o incenso e a vela, mentalizando sua intenção de viajar astralmente e as empreitadas que deseja efetuar durante tais práticas. 
  Crie um sigilo para representar sua intenção de ter sucesso (e outros propósitos similares que lhe apeteçam, como segurança, aprendizado, etc) em viagens astrais e desenhe-o na vela; caso não tenha muita afinidade com a criação de sigilos, ou se desejar angariar essas correspondências adicionais, você pode entalhar os símbolos astrológicos da Lua e de Júpiter na vela, conectando-se com suas energias.
    Fale em voz alta que a bússola representa seu potencial em desenvolvimento de realizar viagens astrais. Passe-a em frente à chama da vela e consagre-a para o correto direcionamento das suas experiências, para a iluminação dos seus caminhos; passe-a na fumaça do incenso e consagre-a para o domínio da mente e absorção dos conhecimentos adquiridos por meio das viagens. Ponha a bússola sobre a superfície do altar e espalhe a artemísia ao redor, invocando seus atributos lunares de proteção, sabedoria interior, intuição, poder mágico, e de favorecimento às projeções e viagens espirituais. Polvilhe a noz moscada, invocando seus atributos jupiterianos de clareza mental, boa sorte, percepção psíquica, intuição e visão espiritual realçada, sonhos lúcidos, e de proteção em viagens em geral.
   Medite e projete sua intenção sobre a bússola, podendo segurá-la em mãos para firmar a consagração. Após esse momento, é possível iniciar a atividade de viagem astral. Quando ela se findar, caso a vela e o incenso ainda estejam acesos, pode apagá-los e reutilizar com esse mesmo propósito de viajar astralmente. Não é necessário repetir todo o procedimento em outras ocasiões, pois a bússola já estará consagrada para essa finalidade, e não deve ser reutilizada com outros fins até que seja purificada; no entanto, é possível agregar a vela, o incenso e as ervas à atividade, se assim preferir.

Feitiço com Bússola para Abertura de Caminhos


Você precisará de:
• Uma bússola
• Uma vela verde ou amarela
• Uma chave velha, de brinquedo, ou um desenho de chave
• 7 folhas de louro
• Azeite de girassol ou de oliva

Horas e dias de Sol ou Júpiter.
Lua nova, cheia ou crescente.

   Reúna os ingredientes em local adequado para condução da atividade, e faça os preparativos habituais para a magia. Escreva sua intenção de abertura de caminhos na vela, especificando caso a intenção seja direcionada para alguma área específica da vida, ou se é no geral. Unte com o azeite, e mentalize que ele atrai facilidades para seu avanço, um movimento de progresso fluido e desimpedido nas situações dificultosas que enfrenta atualmente. Firme a vela sobre um castiçal ou pires, e acenda, conectando-se com sua intenção.
   Unte a chave com o azeite, projetando uma luz dourada sobre ela (pode ser como uma cintilância, brilhos áureos que emanam do objeto). Coloque a chave acima ou ao lado da bússola, espalhe as folhas de louro ao redor de ambos os objetos, invocando a energia solar de êxito, vitória, conquista, felicidade, sorte e prosperidade que essa erva possui. Mentalize que está andando por uma estrada segurando ambos os objetos, um em cada mão. Ora você utiliza a bússola para escolher sempre o caminho do norte; ora você utiliza a chave para destrancar portas e portões que surgem em sua frente. Pense em si mesmo(a) radiante, em plena satisfação e contentamento, avançando ou até correndo sem problemas em direção ao seu destino final - ou alcançando-o, caso exista uma finalidade ulterior específica para o feitiço.
   Guarde a chave até que o feitiço se concretize, ou até sentir necessidade de refazê-lo (para a mesma ou para outra intenção). As folhas de louro e restos da vela podem ser descartados na natureza logo ao final da atividade. A bússola pode ser usada normalmente após a magia, pois o feitiço não envolve consagração.

Referências

A guiar trajetórias serpentinas,
   Alannyë Daeris

terça-feira, 18 de julho de 2023

A Magia da Repetição: Feitiços de Dias Consecutivos

Texto publicado originalmente na revista A Folha da Íbis, edição de Abril de 2020, de autoria de Alannyë Daeris.

   Todo mundo que pesquisa sobre o Oculto já se deparou com feitiços e rituais que exigem vários dias para sua realização, ou seja, que não são feitos de uma vez só. Você faz o primeiro feitiço, e precisa continuar nos dias seguintes por uma quantidade de tempo pré-determinada. Vamos abordar a fundo o funcionamento e diretrizes básicas para tais feitiços, e principalmente, de que maneiras podemos empregá-los na prática.
   Considere que os feitiços consecutivos são como uma cascata de energia fluindo em direção ao objetivo que determinado. Cada vez que você completa uma parte do feitiço, é como se um novo rio de energia fluísse para a cascata. No final, você terá uma cachoeira com um fluxo mais forte, mais rápido, e muito maior que a cascata original. Essa cachoeira reforçada terá energia abundante para alimentar sua magia, pois basta alguns dias para que as ações repetidas gerem uma força energética considerável.
   Feitiços consecutivos podem ser feitos para qualquer intenção, e na prática, não há tanta diferença para um feitiço normal, apenas a adição de práticas ou a repetição de atividades. O número de dias costuma ser relacionado à simbologia do número, ou podem completar um ciclo específico de dias (uma semana, um mês, enfim). Como todo tipo de magia, há pontos a serem considerados, para que você determine qual a melhor situação para utilizá-los.

1. Clareza de Intenção


   Em cada parte do feitiço, será necessário foco e atenção, o que resultará no desenvolvimento do seu objetivo, esclarecendo o que você realmente quer conseguir. Até as inseguranças ou medos que você poderia ter serão descartadas após tantas atuações ritualísticas, pois você terá mais certeza do que quer, e uma maior confiança em suas habilidades mágicas. Muitas vezes, quando pensamos em fazer um feitiço, não temos o objetivo bem formado em nossa mente ainda, e podemos ser influenciados pelas emoções do momento. A repetição garante um tempo para refletir e considerar, trazendo uma ideia mais concreta sobre suas motivações. Se você tem dificuldade de delimitar objetivos sólidos e claros para sua magia, essa é uma alternativa viável, que lhe fará contemplar o que realmente deseja com o feitiço durante vários dias. No final, as chances são que você terá compreendido o que quer e como quer que isso se manifeste em sua vida.

2. Disciplina e Ritualística


   A repetição é importante de um ponto de vista mágico, e é o que faz os rituais serem tão poderosos. Além disso, é preciso disciplina para ter compromisso com suas atividades mágicas, e para conseguir realizar tudo de acordo com o que foi planejado. Ao usar da repetição, você estará mais consciente sobre suas práticas mágicas, fortalecendo sua autoconfiança e ajudando você a evitar pensamentos e atitudes que possam atrapalhar sua magia - principalmente em vezes que pensamos ou fazemos coisas por impulso, sem perceber.

3. Menor Gasto Energético


   Há pessoas que, por vários motivos (como debilidades mentais ou físicas), se sentem muito mais exauridas ao praticar simples atos de magia. Pode ser muito difícil para alguns indivíduos ter a motivação ou o foco para gerar e manipular grandes quantidades de energia, portanto, dividir um feitiço em várias partes pode ser sua salvação! Assim, você gastará um pouco de energia de cada vez, mas terá um resultado tão poderoso quanto se tivesse feito em uma única parte, com a vantagem de não ficar tão exausto no final. Ademais, é mais fácil desocupar 15min na sua rotina em alguns dias da semana ou do mês, do que ter várias horas disponíveis para efetuar uma magia mais elaborada e complexa.

Na Prática


   Feitiços consecutivos não precisam ser super elaborados, pois boa parte de seu poder reside na repetição. Mas tenha em mente que a complexidade está sim frequentemente relacionada com poder, e uma quantidade maior de ingredientes bem escolhidos (sejam ervas, velas, óleos, pós ou encantamentos) pode resultar em um feitiço mais poderoso, ainda que não seja regra. Para aproveitar o máximo do efeito do feitiço, é melhor que sejam em dias consecutivos mesmo, evitando pular datas durante o processo. Entretanto, isso não é obrigatório, e há feitiços consecutivos que são feitos dia sim/dia não, ou em repetições numéricas específicas que estejam relacionadas simbolicamente ao objetivo de alguma forma. O essencial é que as datas sejam escolhidas intencionalmente, ainda mais se houver alguma intercalação de datas ou espaçamento entre uma e outra.
   A data de início e fim são as mais importantes por virtude das fases da Lua, e devem ser levadas em consideração, juntamente com a regência planetária dos dias e horas. A ideia é tentar combinar o máximo de influências positivas (e evitar as que sejam contrárias à sua intenção, é claro!). E sim, divindades e entidades podem ser convidadas para auxiliar e fortalecer os feitiços consecutivos, o que é algo recorrente na Bruxaria moderna. Também é uma maneira de gerar mais intimidade com a entidade e sua energia, trazendo uma aproximação pela interação diária e ritualística. Lembre-se sempre de trabalhar apenas com entidades com as quais já tem algum relacionamento, mesmo que breve, pois nem todos os Deuses (ou espíritos) gostam de ceder sua atenção e energia sem nem conhecer a pessoa em questão, ou sem ter alguma boa motivação para isso.
   A criação dos feitiços consecutivos não difere muito de feitiços convencionais, havendo apenas alguns detalhes a mais para se definir. São eles:

Qual a melhor data para o início?
Considere a fase da Lua e a regência planetária do dia e da hora.

Quantos dias o feitiço durará?
Aqui, é válido consultar a numerologia para determinar o número de dias. Ou, usar de um ciclo pré-determinado que você considerar mais apropriado, como “uma semana”, “uma quinzena”, “um mês”.

• Em quais momentos do dia o feitiço será executado? Quantas vezes?
Por exemplo, aqui você pode escolher horas planetárias específicas - por exemplo, só em horas de Vênus. Ou, um período do dia cujas correspondências se alinhem com o propósito de cada etapa, como uma parte ao acordar para aproveitar a energia de início, e uma parte no dia seguinte antes de dormir, para representar a conclusão.

As partes serão o mesmo feitiço, repetido? Ou serão feitiços diferentes, combinados para obter um resultado?
As duas opções funcionam, embora os feitiços consecutivos geralmente sejam compostos do mesmo feitiço repetido. Se você quer concentrar suas forças em um único objetivo, simples e direto, é a melhor opção. Mas se a sua intenção é mais complexa, e envolve várias coisas diferentes, pode ser interessante variar as partes do feitiço para alcançar o objetivo desejado.

Considere os exemplos:

1. “Estou em busca de um compromisso sério, e já sei o que eu busco em um relacionamento. Sei o que me agrada e o que me desagrada em um parceiro. Não tenho pressa, pois quero que seja a pessoa certa.”
   - Primeira parte do feitiço: Um banho mágico de amor bem reforçado todas as sextas-feiras pela manhã em uma hora de Vênus, durante um mês. Acenderei uma vela cor-de-rosa (ou vermelha) durante o banho.
   - Segunda parte do feitiço: Queimarei os restos do banho mágico no caldeirão, na noite da sexta-feira. Tentarei fazer durante uma hora de Vênus, e acenderei a mesma vela durante a queima das ervas no caldeirão.

2. “Quero ser feliz no amor, mas me sinto presa ao meu passado, e sei que preciso melhorar minha autoestima, pois sinto que preciso gostar mais de mim e me conhecer melhor para saber o que realmente quero da minha vida amorosa.”
   - Primeira parte do feitiço: Um banho mágico de amor próprio, na manhã de uma sexta-feira, para fortalecer minha autoestima. Usarei uma vela cor-de-rosa, um cristal de quartzo-rosa e um incenso de hortelã para intensificar os efeitos.
   - Segunda parte do feitiço: No mesmo dia, durante a noite, uma petição para uma divindade que cultuo, pedindo a ela que me ajude em minha busca pela felicidade amorosa. Queimarei a petição junto com os restos do banho mágico (as ervas e a vela) no meu caldeirão.
   - Terceira parte do feitiço: No dia seguinte, em uma hora de Vênus, um feitiço de banimento para me livrar do passado, das minhas inseguranças, e para impedir influências prejudiciais na minha vida amorosa.
   - Quarta parte do feitiço: No mesmo dia, durante a noite, consultarei um oráculo para descobrir o que o amor me reserva, e farei uma oferenda para agradecer à divindade por sua ajuda. Está feito.

Numerologia Simples


   Segue uma lista bem simples e resumida de significados para ajudar na decisão dos dias. Começando no número 2 pois, para ser um feitiço consecutivo, é necessário que seja composto de dois ou mais dias.

2 – Dualidade, equilíbrio, mas também opostos e contraposição. Harmonia, igualdade, diplomacia, cooperação, paciência.
3 – Crescimento, criatividade, otimismo, arte, inteligência, magia lunar. Número do equilíbrio completo, dos ciclos.
4 – Natureza, ordem, praticidade. Elementos, pontos cardeais, estações do ano.
5 – Saúde, luz, vitalidade, poder pleno. Energia em transformação, conexão com o divino, paixão, criação, mudanças, desafios, conflitos, persuasão, versatilidade.
6 – Intuição, memória, comunicação, educação, compreensão, perfeição, sabedoria inata, compartilhamento.
7 – Sorte, meditação, espiritualidade, plenitude, ordem perfeita, intuição, dons, autoconhecimento e ocultismo.
8 – Prosperidade, força interior, estabilidade, boa vontade, regeneração, ambição, perseverança, infinito, fortuna, riqueza, abundância.
9 – Realização, idealismo, imaginação, romantismo, inícios, altruísmo, humanidade, recomeços, maternidade.
10 – Finais, encerramento, vitória, totalidade, plenitude, fé, perfeição, memória, reflexão, novidades, novos ciclos.

A planejar datas auspiciosas,
   Alannyë Daeris

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Guia para Grades de Cristais - Mandalas Minerais (Crystal Grids)

   Grades, mandalas ou redes de cristais são os nomes conferidos a uma técnica simples porém muito poderosa de manifestar seus desejos e deixar suas intenções claras para o universo, utilizando apenas padrões geométricos ou simbólicos e o poder das pedras e minerais. A confecção de mandalas de cristais é bastante intuitiva, e podem ser elaboradas de várias maneiras diferentes, ao gosto de cada pessoa.
   A atuação mágica das grades deriva da combinação das energias dos cristais escolhidos com a geometria sagrada das mandalas, somados à intenção aplicada na hora da organização. As intenções podem ser conceitos amplos e abrangentes - saúde, proteção, amor -, ou projetos mais específicos, elaborados, e a longo prazo. Se possível, use sempre mandalas e padrões feitos por você mesmo, pois isso traz resultados muito mais efetivos, e uma conexão maior com sua magia. Para grades de atuação a longo prazo, pode ser feito um arranjo fixo, como um quadro ou moldura para colocar na parede, ou um tabuleiro para ser usado decorativamente na sala, sobre a mesa de centro ou em uma estante, por exemplo.
   Não existem regras quando se trata de grades de cristais, sua intuição lhe guiará da melhor maneira possivel. O passo a passo abaixo tem a finalidade de guiar e orientar quem deseja começar mas não sabe por onde - não deve ser tido como um conjunto de regras, adapte as instruções da maneira que achar melhor. Antes de começar, porém, é altamente sugerido que se tenha um conhecimento prévio a respeito de cristais e de suas propriedades energéticas particulares, a fim de optar pelas pedras que melhor se alinhem com suas intenções. Um entendimento mínimo de geometria sagrada ou de símbolos também é primordial, mas basta uma pesquisa na internet para descobrir mais sobre os assuntos citados.

Passo a passo


1. Defina a intenção da grade de cristais.
Como sempre, comece pela intenção, clara e objetiva. Resuma em uma palavra, se puder, ou nos principais objetivos da sua intenção via frases curtas, e use esses parâmetros para se orientar na escolha das cores, confecção ou escolha do formato básico da mandala, cristais e outros materiais. Você pode escrever a intenção em um papel e colocar sob a pedra central da sua grade, ou elaborar um sigilo para esse propósito.

2. Escolha seus cristais.
Você pode optar por aqueles que vibram nas energias adequadas para sua intenção, ou trabalhar com aqueles que mais gosta ou que tem em casa. De qualquer maneira, lembre-se de purificá-los antes do uso. Não há uma quantidade máxima de pedras, mas é sugerido que se use pelo menos 4 cristais (que podem ser iguais ou diferentes) na confecção de uma grade.

3. Organize o ambiente.
Grades precisam ficar montadas por algum tempo para direcionar adequadamente as energias, portanto, decida onde ela ficará pelo tempo determinado por você. Se você dispõe de um altar ou espaço sagrado, é o local mais adequado para isso. Se não, uma mesa basta, desde que a grade não seja tocada por ninguém, somente por você, e quem mais houver participado da sua confecção, se for o caso de uma atividade mágica em par ou grupo. Purifique o ambiente e a si mesmo, bem como aos outros participantes se houverem, antes de começar a montar a grade.

4. Concentre-se e comece o processo.
Se optar por escrever a intenção no papel, faça agora. Respire fundo e pense no seu objetivo; tome um momento para relaxar e se conectar consigo mesmo e com o universo. Acenda um incenso ou uma vela para lhe auxiliar, se sentir necessidade.
   Se você quiser fazer uma mandala especial para a grade, esse é o momento no qual você pode começar a elaborar a arte. Use cores e formatos que remetam ao seu objetivo, e concentre-se na sua intenção a todo momento. Você não precisa de um padrão ou mandala para a base, mas facilita o processo, pois não há necessidade de imaginar e visualizar as linhas. Na atualidade, existem diversos tipos de gráficos ideais para grades de cristais comercializados em lojas esotéricas, como é o caso da Mahadeva Store - que eu recomendo pessoalmente pela qualidade dos produtos e do serviço geral prestado.
   Comece a colocar os cristais na grade, usando a mandala como base. O recomendado é que comece de dentro para fora para banir/afastar, e de fora para dentro para atrair/manifestar. Se quiser acrescentar outros materiais, como flores e conchas, faça-o também agora. Uma dica é ter um cristal principal, ou "cristal-mestre" - geralmente um quartzo translúcido - que ficará ao centro e servirá como ponto de concentração e direcionamento das energias. Esse deve ser colocado primeiro, ao centro do padrão/mandala.
   Você pode organizar tudo da maneira que preferir; para assuntos de amor, pode formar corações, para assuntos de dinheiro, pode desenhar um cifrão, combinar formas geométricas diferentes, enfim. O importante é escolher padrões que façam sentido para você e com relação ao seu objetivo. A simetria é importante, portanto, tente manter um equilíbrio visual; se não estiver harmônica aos seus olhos, é porque ainda falta organizar melhor os cristais.

5. Ativando a grade.
Usando seu dedo, varinha ou um cristal de quartzo translúcido, toque cada um dos seus cristais, desenhando uma linha invisível que conecta todos eles. Durante esse traçado, visualize seu objetivo se concretizando da forma que você deseja. Está feito. Agora, deixe a grade montada por um período de tempo - 48 horas são o ideal, mas pode ser desfeito antes ou depois disso, conforme o que for possível ou adequado conforme seu julgamento. Você pode voltar várias vezes por dia, ou durante a semana, para retraçar o padrão e se conectar com sua grade de cristais, mas é opcional.

Ideias de utilizações de grades de cristais:
• Para meditar, orar, e outras atividades espirituais.
• Durante esbaths de Lua Cheia (ou qualquer outra celebração de fases lunares), para manifestar seus desejos com máximo poder.
• Em feitiços, em torno das velas, caldeirões ou afins, de acordo com a intenção do trabalho mágico.
• Para ajudar na purificação do seu lar, durante dias de faxina e limpeza espiritual.
• Para trazer foco e concentração durante atividades intelectuais ou artísticas.
• Durante sabás ou festivais sazonais, para trazer a energia da estação para seu lar.
• Para a consagração ou ativação de qualidades de  objetos ritualísticas, ingredientes mágicos, e outros itens similares.

A praticar magia cristalina,
  Alannyë Daeris 

terça-feira, 27 de setembro de 2022

Kemetismo - Reversão das Oferendas

   Em outras oportunidades, já discursei a respeito das oferendas comuns no Kemetismo, e também sobre as fórmulas tradicionais para o ato da oferta. Hoje, portanto, aprofundarei no tema da reversão das oferendas, a qual citei superficialmente no primeiro texto referido.
   A reversão de oferendas é o termo usado para caracterizar uma etapa específica das práticas ritualísticas egípcias, próximo ao final da atividade, em que uma parcela ou toda a oferenda, libação ou oferta feita aos Netjeru (Deuses) é consumida ou utilizada; isso também pode ser realizado posteriormente, no caso de objetos e matérias primas. O embasamento consiste no fato que as oferendas na Antiguidade não eram desperdiçadas ou descartadas - o que seria ilógico considerando a relativa escassez de alguns alimentos, como a carne -, e sim consumidas e usadas pelos trabalhadores e sacerdotes dos templos, e divididas entre os fiéis. 
   Nos festivais e celebrações públicas, os registros arqueológicos e estudos subsequentes geralmente apontam para uma disponibilização das oferendas alimentícias para o público participante.
As oferendas de itens costumavam ser usadas pelos sacerdotes e funcionários do templo, e eram distribuídas dentre diversos departamentos dentro dos templos, então não há problema algum em utilizar aquilo que foi ofertado. No caso das jóias, elas costumavam ser dispostas sobre estátuas dos Deuses, ou guardadas em caixinhas para ocasiões especiais, pois haviam numerosos exemplares de ornamentos em metais preciosos e cravejados de gemas nos templos, para adornar as estátuas no cotidiano.
   No Kemetismo, é comum acreditar que as divindades imbuem as oferendas com seu Ba, portanto ingeri-las é uma forma de absorver e ser abençoado com tais energias divinas, como uma forma de comunhão - a eucaristia cristã atua de forma similar, se considerarmos a hóstia como imbuída espiritualmente das bênçãos de Cristo e tornando-se seu corpo. Podemos afirmar que tudo aquilo que é ofertado acaba imantado de bênçãos e boas energias, e seria uma desfeita não receber as bênçãos dos Netjeru. É uma simbologia ritual para a relação de troca e reciprocidade que existe entre a humanidade e a divindade. Como o renomado autor Richard Reidy afirma em seu livro Eternal Egypt (pg. 221):

"O alimento traz a nós e aos Netjeru em contato com os misteriosos e criativos poderes da vida. A oferta de comida, portanto, representa bem mais que um gesto amável de generosidade em relação aos Netjeru. Ela representa de forma material a renovação da vida."

   A exceção para a reversão são as oferendas de Akhu (ancestrais), que eram dispostas nas tumbas e portanto parecem ter se mantido intocadas, ou consumidas somente por quem atendia aos ritos funerários e dessa forma já estaria em contato com a energia da morte. Há quem defenda que não há problema em consumir as oferendas dos ancestrais, mas costuma ser bem mais aceito o costume de deixá-las intactas e somente reverter as oferendas para Netjeru e Netjeret (Deuses e Deusas).
   Em outros caminhos pagãos e neopagãos, é frequente a entrega de oferendas em locais naturais, encruzilhadas ou o descarte no lixo, mas dentro de um viés kemético, "descartar" as oferendas abençoadas pelos Deuses pode ser tido como uma ofensa, ou descaso para com o sagrado, uma quebra do ciclo de reciprocidade. Portanto, é sempre indicado que se ofertem alimentos e bebidas que o praticante goste de ingerir, ou que possa empregar em receitas e outras atividades. Evite fazer oferendas "só por fazer", que não poderão ser reaproveitadas posteriormente, pois mesmo uma boa intenção não compensa o desperdício desnecessário.

A me alimentar do que é mais sagrado,
   Alannyë Daeris 

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Feitiço da Parede Flamejante de Proteção (Fiery Wall of Protection)

   O Fiery Wall of Protection, traduzido livremente como "Parede/Barreira Flamejante de Proteção", é um feitiço tradicional do Hoodoo que desfruta de uma imensa popularidade em terras estrangeiras por sua história e eficácia. Por aqui, há quem o conheça, mas permanece relativamente desconhecido... Me esforço para que isso não continue por muito tempo!
   Como é de costume na magia popular norte-americana, há uma infinidade de formas diferentes de realizar o Fiery Wall, e é disponibilizado à venda por conjures na forma de pó, óleo, ou em um kit com os ingredientes necessários. A versão que compartilho aqui é uma adaptação pessoal para o feitiço completo com materiais acessíveis no contexto brasileiro, totalmente passível de alterações conforme sua prática pessoal. Mesmo com as diversas variações existentes, esse feitiço segue uma estrutura tradicional, que é composta por:

1 - Sua representação, ou a taglock de quem será protegido, geralmente uma vela e o nome.
2 - A barreira de proteção em torno da pessoa a ser defendida, criada fisicamente com auxílio de ervas, pós, ingredientes mágicos e simbólicos.
3 - A representação do inimigo, também por costume uma vela com o nome do alvo do feitiço e/ou um taglock.
4 - O Ajudante, representação de uma entidade favorável à sua proteção.

   Como se nota no quarto item acima, muitos rootworkers e praticantes estrangeiros sugerem que a Parede Flamejante de Proteção seja erguida com auxílio de seres espirituais favoráveis à sua segurança pessoal, seja uma Divindade de culto, Ancestral, guia, espírito, anjo, daemon, ou entidade amistosa. Se você não desenvolve laços de confiança com nenhum tipo de ser espiritual ou divino, pode realizar o feitiço sem esse suporte, mas é altamente recomendável que seja convidado um mediador que possa manifestar justiça e proteção na medida correta para a situação, sem exageros.
   É importante deixar claro que esse feitiço não tem o propósito de amaldiçoar ou prejudicar, e sim de proteger você de pessoas que queiram lhe causar algum tipo de mal. Pode ser erguido para toda sua família caso esteja sendo prejudicada por alguém, por exemplo, ou para amigos e pessoas que estejam vulneráveis aos atos negativos de outros, desde que lhe concedam permissão para interceder magicamente em seu favor.

O Feitiço


Você precisará de:
• Sal negro ou sal grosso com cinzas de incenso ou de caldeirão.
• Café moído.
• Pimenta caiena ou vermelha em pó.
• Uma vela vermelha ou preta para o inimigo (grupo ou indivíduo de quem você deseja se proteger).
• Uma vela branca para lhe representar, com o mesmo tamanho e formato que a vela vermelha.
• Azeite de oliva, ou óleo para fins de proteção ou purificação.
• Vinagre ou óleo de banimento.
• Arruda, angélica, gengibre ou alecrim para vestir sua vela.
• Símbolo que represente seu ajudante espiritual nessa proteção. Pode ser um objeto simbólico, uma carta de tarô, algo consagrado a esse ser, uma vela de cor correspondente, etc.
• Dois pratos ou castiçais resistentes ao calor.

🕒 Horas e dias de Marte ou Sol.
🌒 Lua cheia ou crescente (pela intenção de criar uma barreira, gerar proteção).

   Comece se purificando com um método de sua escolha, e organizando os itens no altar. Entalhe o seu nome na vela branca, mentalizando sua proteção, e o nome do alvo da magia na vela preta/vermelha, mantendo as feições e características dessa pessoa (ou pessoas) vívidas em sua mente, e os motivos para precisar se proteger dela(s).
   Unte a sua vela com o óleo, e espalhe pedacinhos das ervas escolhidas no corpo da vela. Firme sua vela untada e vestida com ervas sobre um prato, e ao redor dela, faça um círculo de sal negro misturado com o café, e um outro círculo maior com a pimenta em pó. Os círculos ao redor da vela que lhe representa configuram a parede flamejante de proteção, que pode ser incrementada com outros elementos, como cascas de ovo moídas, arame farpado, pregos, alfinetes, cravos-da-índia, paus de canela, espinhos, cristais e pedras, etc.
   Molhe a vela do inimigo no vinagre, ou unte-a com o óleo de banimento, e firme sobre outro o prato. Por motivos óbvios, essa segunda vela deve ficar do lado de fora da barreira, representando o indivíduo incapaz de lhe acessar ou prejudicar. Você pode atar um cordão ao redor da vela do inimigo dando vários nós, para representar a pessoa impotente, sem ação, incapaz de causar prejuízos. Disponha a vela do inimigo bem na sua frente, e a sua vela verticalmente paralela a ela, mais distante de você, como no esquema abaixo:

O Ajudante         Prato com a sua vela e com a barreira
                          A vela do inimigo
                           Você

   Acenda a vela do inimigo, e concentre-se na chama enquanto pensa nos problemas que essa pessoa lhe causou. Diga o nome em voz alta, e manifeste sua intenção de acabar com as situações negativas que essa pessoa gera, torná-la incapaz de lhe prejudicar, afastá-la de sua vida definitivamente sem prejuízos a ninguém. Escolha palavras que se encaixem na situação e que façam sentido quanto ao seu propósito.
   Depois, acenda a sua vela dentro do círculo protetor, e visualize a luz da chama preenchendo o espaço e incendiando a barreira, tornando-se um anel de fogo. Acesse as emoções mais intensas que essa pessoa lhe instiga, todo o ódio e irritação que você sente. Diga:
   
"Diante de você, (alvo), sou forte e imponente,
Minha proteção é absoluta, ígnea e flamejante,
Derrete as intenções nocivas dos irritantes,
Nenhum mal atravessa minha barreira ardente,
Seus atos falhos contra mim lhe são frustrantes,
E que se mantenham distantes de mim, contente."

   Agora é o momento de convidar o ajudante espiritual para que amplifique sua intenção. Coloque essa representação mais acima das outras, sobre um suporte que a mantenha elevada, pois é uma força superior. Então, evoque o ajudante para a ritualística com suas próprias palavras e da maneira usual que realiza seu contato, pedindo o auxílio nessa situação, para que lhe defenda e proteja contra as pessoas que visam lhe afetar negativamente. Aproveite para orar, meditar e se conectar com esse ser, podendo também consultar algum oráculo para averiguar o resultado do feitiço, e obter orientações sobre o tema, ou mensagens diretas da entidade. Ao final, quando as velas houverem queimado praticamente por completo, encerre a atividade da forma que está acostumado. Descarte os restos em um saco plástico, que deve ser levado assim que possível para um lixo distante da sua casa, indo embora sem olhar para trás.

A erigir as mais abrasadoras defesas,
   Alannyë Daeris

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

O Sacrifício na Espiritualidade

   O conceito do sacrifício, central em inúmeras culturas e religiões ao redor do mundo, foi sendo lentamente abandonado conforme a sociedade se permitiu tornar líquida, desapegada, tecnológica e extremanente aversa a todo tipo de sofrimento ou dor. O quadro geral é de pouca profundidade nas relações, e distrações que impedem que reais esforços sejam feitos em qualquer sentido construtivo.
   A constante fuga da realidade e a rejeição das experiências tidas como negativas ou tediosas não é compatível com o autoconhecimento e a verdadeira vivência da espiritualidade. Todo e qualquer caminho religioso tem suas diretrizes éticas, sociais e comportamentais sobre seus devotos, e o sacrifício é um tema recorrente, principalmente ao considerarmos as diversas manifestações religiosas pagãs da Antiguidade, ou as religiões abraâmicas.
   Refiro-me aqui não somente ao sacrifício estereótipico que consiste na oferta de sangue, de carne, grãos, ervas, materiais ou itens variados, mas aos sacrifícios de tempo, esforço, recursos, e tantos outros que se mostram necessários ao longo da jornada espiritual. Sacrificar o lazer em prol dos estudos, os momentos livres em atos de caridade, priorizar a espiritualidade acima da vida mundana - um sacrifício não pode ser fácil por via de regra, e por isso mesmo configura um ato profundo de devoção.
   A etimologia da palavra sacrifício remonta ao latim, em que "sacer" significa "sagrado", e a raiz "facere" significa "fazer". Tornar sagrado, fazer o que é sagrado. O sacro ofício - damos e recebemos. É inerente na relação entre humanidade e divindade o gesto de se doar espontaneamente ao Divino, e o sacrifício cumpre esse papel, seja ele concreto ou simbólico. Abrimos mão de coisas importantes em prol de algo ainda maior em nossas vidas, e provamos nossa fidelidade e consideração para com as forças que cultuamos, pois é assim que a reciprocidade se consolida.
   Oferendas pomposas e caras não substituem um sacrifício honesto, feito de maneira singela mas com muito amor. Não podemos "comprar" o fortalecimento dos nossos laços espirituais com ofertas materiais, nem o avanço de nossas habilidades apenas com atitudes rasas e de pouca importância. Se queremos uma vida profindamente integrada ao Sagrado, o sacrifício de si é a tônica absoluta.

A estabelecer prioridades,
   Alannyë Daeris 

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Resenha: Vivendo a Wicca, de Scott Cunningham

   Sinopse: Vivendo a Wicca traz um olhar filosófico diante de questões teóricas e práticas da religião Wicca. Com este livro, você aprenderá a criar seus próprios rituais e símbolos, a desenvolver um Livro das Sombras e até mesmo se tornar um Sumo sacerdote ou Suma Sacerdotisa. Este clássico de Scott Cunningham também aborda ferramentas, nomes mágicos, iniciação, mistérios e a importância do sigilo em sua prática.

Ficha Técnica


   Autor: Scott Cunningham
   Ano: 2002 (1ª Ed. 1993)
   Editora: Gaia
   Páginas: 203

   Vivendo a Wicca é a continuação pouco conhecida para o clássico Guia Essencial da Bruxa Solitária, referência absoluta quando o assunto é introduzir a Bruxaria Moderna de maneira leve, objetiva e adequadamente inspiradora. Aqui, Scott Cunningham abrange outros pontos muito importantes na elaboração das práticas pessoais de quem não está inserido em um coven ou não deseja essa experiência grupal tão cedo, complementando aspectos que não haviam sido citados ou elaborados na primeira obra.
   Ainda que o título sugira que o foco é a Wicca, afirmo sem medo que as orientações contidas nesse breve mas maravilhoso livro são de enorme utilidade para praticantes solitários de diversos caminhos espirituais relacionados, e podem ser aplicadas em qualquer tradição de Bruxaria pela qual o leitor tenha afinidade, não somente a religião citada no título.
   Há orientações objetivas a respeito dos estudos e o processo de aprendizagem na Bruxaria, sobre o caminho devocional, informando sobre as orações e oferendas, como realizar rituais simplificados, e por fim, um capítulo inteiro dedicado para a elaboração de uma tradição própria, o que traz muitas ideias e sugestões interessantes para quem está nessa senda buscando evoluir suas práticas de maneira alinhada com os próprios princípios.
   Cunningham instrui sobre como desenvolver sua própria tradição pessoal de Bruxaria, incentivando e dando um precioso suporte para a criatividade de cada praticante - é uma leitura instigante, que sempre lhe fará refletir sobre os temas abordados, abrindo espaço para que você chegue às próprias conclusões sem proselitismo intelectual. Particularmente, considero uma obra perfeita para quem ainda está começando ou já pratica há algum tempo, mas ainda não se sente confiante para se considerar um praticante avançado na Arte.
   O único defeito de Vivendo a Wicca é sua quantidade de páginas, compondo um livro diminuto que poderia ser muito bem prolongado e aprofundado. Evidentemente a proposta é apenas fornecer panoramas para orientar e inspirar Bruxas e Bruxos solitários em sua senda, mas é uma leitura tão prazerosa e repleta de sábias instruções, que a li contando as páginas e desejando que não chegasse ao fim! E se você tem receio de ser um livro que fala apenas "mais do mesmo", afirmo que alguma coisa de bom você conseguirá extrair dessa leitura sim, mesmo que não seja de imediato.

A chegar mais perto de completar a coleção,
   Alannyë Daeris

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Feitiço do Filtro Energético para Proteção do Lar

   Mais uma adição na lista de feitiços que aprendi com Anubis, e para variar, outro com a intenção de proteger e afastar o mal... Essa, entretanto, é uma receita que considero incomum de feitiço de recipiente para a proteção da casa e dos moradores, perfeita para bruxas da cozinha e donas de casa em geral. O diferencial é que o recipiente nesse caso é mantido aberto e na geladeira, com duas funcionalidades: filtrar odores e neutralizar energias nocivas.

Você precisará de:
• Um recipiente pequeno e redondo (até 7cm de diâmetro). Pode ser uma xícara, um copo de requeijão, ou uma tigela de tamanho menor.
• Café em pó, suficiente para preencher 3/4 do recipiente.
• Grãos de feijão.
• Sal grosso ou sal negro.
• Um papel e caneta preta ou vermelha.
• Opcional: um cristal de proteção, como turmalina negra, hematita ou olho de tigre.

🕒 Horas e dias de Saturno ou Sol.
🌘 Lua minguante ou cheia.

   Separe todos os ingredientes em seu altar e certifique-se de que não será interrompido. Purifique ao seu espaço, ao recipiente que será usado e a si próprio com o método de sua preferência. Caso opte por consagrar o feitiço com a presença de alguma entidade ou divindade, faça o seu procedimento usual para convidá-la(o) e iniciar sua ritualística.
   Comece desenvolvendo um sigilo pessoal ou uma petição para que o feitiço neutralize as energias negativas da casa, assim como o café neutraliza o mau odor da geladeira. Ela pode elaborada seguindo o exemplo da imagem abaixo, incluindo o nome dos moradores ou o endereço da casa na parte de trás do papel, e substituindo o Olho de Hórus por outro símbolo protetor de sua escolha.

   Dobre a petição e coloque-a no recipiente, cobrindo o papel por inteiro com o café em pó. Alise a superfície do café para que fique compacto e plano, e com os grãos de feijão, desenhe um círculo dentro do recipiente acomodando-os sobre o café, representando a proteção e a defesa do seu lar. Caso queira, utilize um número simbólico de grãos, como 7 ou 10, ou o que julgar mais favorável para a intenção. Ao redor desse círculo de grãos de feijão, na parte externa e mais próxima da borda do recipiente, faça um círculo de sal grosso para representar a neutralização de energias indesejáveis.
   Se optar por utilizar um cristal nesse feitiço, coloque-o no centro do recipiente, dentro dos dois círculos. Você ainda pode personalizá-lo adicionando outros pós mágicos, ervas, ou desenhando símbolos, se considerar necessário. Para consagrar, desenhe uma espiral em sentido anti-horário sobre o recipiente, mentalizando a ativação do filtro energético. Está feito, basta guardar em um cantinho da geladeira e ele ficará atuando para proteger a casa. Refaça a cada 30 dias, com a opção de descartar os ingredientes antigos no lixo ou queimá-los no caldeirão.

A adaptar magia no cotidiano,
   Alannyë Daeris.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Resenha: Sonhando com os Deuses, de Scott Cunningham

   Sinopse: Necessitamos de um período de descanso físico e mental, temos sono e dormimos. A conseqüência desse ato tão natural podem ser os sonhos, pois no momento do sono entramos em um estado alterado de consciência em que nossos deuses e deusas podem se aproximar mais facilmente de nós. Essa é a visão do autor, que ensina rituais projetados para solicitar sonhos a nossas divindades pessoais, além de analisar teorias sobre os sonhos e sua importância para os antigos egípcios, sumerianos, babilônios, gregos, romanos, havaianos e nativos americanos. O autor recupera a visão dos antigos povos politeístas, segundo os quais os sonhos são experiências espirituais em que conselhos ou avisos são recebidos das divindades, e, mais importante, mostra como fazer para que nossas divindades pessoais nos visitem nos sonhos, transformando o sono em um processo mais elevado, um momento sublime para entrar em contato com o sagrado.

Ficha Técnica


   Autor: Scott Cunningham
   Ano: 2002 (1 Ed. 1999)
   Editora: Gaia
   Páginas: 174

   Quem me acompanha há mais tempo já deve ter percebido que sou uma ávida leitora das obras de Scott Cunningham, e qual não foi minha surpresa quando ouvi falar pela primeira vez sobre esse livro de autoria dele somente no ano passado! Tratei de adquirir em um sebo - pois é uma edição antiga e pouco conhecida -, e foi aí que me surpreendi de fato: essa obra de 2002 veio até mim lacrada na embalagem original, sem nunca ter sido lida antes. Sincronicidade!
   Esse é um livro curto, porém não se engane: é elaborado na medida certa, sucinto de forma agradável, sem se prolongar demasiadamente num assunto que pode ser profundo e complexo, o que não impede que seja ensinado de maneira simples e objetiva - como Scott faz com maestria, em sua linguagem agradável e fácil de acompanhar mesmo para completos leigos no assunto em questão.
   Qualquer indivíduo que busque se familiarizar com os sonhos por um viés espiritual, compreender a percepção de culturas antigas em relação ao tema, estar a par dos diferentes sonhos que existem e como diferenciá-los entre si, identificar as mensagens pessoais ou divinas que podem estar sendo transmitidas durante a noite... Precisa ler essa obra, que oferece tudo isso e muito mais.
   Cunningham explica a diferença entre variados tipos de sonhos e projeção astral, como se preparar para um sono sagrado, o que é a mente consciente e subconsciente, fornecendo também práticas para que o conhecimento seja aplicado pelo leitor. Não se tratam apenas de rituais e feitiços, mas também de dicas e sugestões para que possa registrar as experiências oníricas, e tirar sentido e significado dessas mensagens noturnas, sejam elas originadas pelo inconsciente ou pelo Divino.
   O livro se encerra com um apêndice que apresenta tabelas de correspondências para auxiliar na elaboração de práticas mágicas e devocionais próprias de cada praticante, como é comum nas obras de Scott, sempre interessado em estimular a autonomia e originalidade de cada caminho, incluindo também técnicas naturais para a indução de sono, para aqueles que possuem dificuldades nesse processo. Uma obra exemplar com direções magníficas para o entendimento e a prática de magia dos sonhos.

A agradecer ao meu Ancestral da Arte mais estimado,
   Alannyë Daeris

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Vestindo Velas com Ervas e Óleos

   Você já percebeu que as instruções sobre como untar velas para feitiços às vezes se anulam, dependendo da fonte consultada? Há quem recomende untar ou escrever na vela da base para o pavio para atrair/manifestar, e tem quem faça o oposto. E agora, qual o melhor jeito para vestir as velas?
   Dica de ouro: o correto é sempre aquele que faz mais sentido pra você. Então, vamos falar brevemente sobre ambos os métodos.

🕯️⬆️ De baixo para cima para atrair/manifestar: assim como a Natureza se manifesta para cima, e as coisas vivas crescem em direção ao firmamento, a intenção é apontada para o céu, simbolicamente representando a elevação dela para planos mais sutis.
🕯️⬇️ De cima para baixo para banir/eliminar: tudo aquilo que morre, definha para baixo; quando a vida se esvai em um organismo, ele cai por terra. A intenção é direcionada para o chão, cujo alvo será simbolicamente dissipado ou neutralizado pela terra.

Ou, há quem siga essa outra linha de pensamento a seguir:

🕯️⬇️ De cima para baixo para atrair/manifestar: como é o sentido natural em que a vela queima, faz uma alusão a ela estar energizando a intenção. Também simboliza a manifestação de uma intenção a partir dos planos mais sutis e "elevados" até o plano material, como se viesse do céu para a terra.
🕯️⬆️ De baixo para cima para banir/eliminar: é como se você "devolvesse" para o universo o que quer banir, para que em vez de se dissipar no chão, ele se dissipe no ar, e vá para longe da sua vida.

   Existe mais um outro estilo de vestimento de velas usado por bruxas anglófonas, mas acredito que esses dois acima, mais populares aqui no Brasil, já sejam suficientes por hoje - e para a prática da maioria das pessoas, também.

A preparar pós e blends especiais,
   Alannyë Daeris

sexta-feira, 8 de abril de 2022

O Círculo Mágico para Keméticos Modernos

   Dentro da estrutura ritualística moderna da magia e Bruxaria num geral, o círculo mágico é um elemento importante na delimitação do que é sagrado, demarcando também o próprio início do rito ou atividade mágica. A própria palavra egípcia para "arrodear", pekher, mais tarde se tornou sinônimo de "encantar", indicando o valor simbólico e mágico do círculo dentro do contexto cultural egípcio.
   Ainda que não tenham restado instruções escritas de fato para explicar como era esse procedimento na religião kemética (muito provavelmente não havia a criação de um círculo da forma como fazemos hoje), sabemos que há quatro Netjeru que governam os quadrantes, que foram ganhando importância conforme a civilização egípcia avançava no tempo e elaborava seus costumes. Esses Netjeru, considerados filhos de Hórus (Heru-Wer, O Velho), não só guardavam os quadrantes do céu, como também davam forma aos vasos canópicos usados para guardar os órgãos dos corpos mumificados a partir do Império Novo. São eles:

• Tuameutev ou Duamutef - Leste - cabeça de chacal.
• Amset ou Imset - Sul - cabeça de humano.
• Qebsenuv ou Kebsenuf - Oeste - cabeça de falcão.
• Hapi - Norte - cabeça de babuíno.

   Os pontos cardeais, além da sua correlação com essas divindades filhas de Heru, também estão sob a tutoria de uma Netjeret. Num traçamento moderno de círculo mágico kemético, a evocação pode ou não ser feita com a menção dessas divindades, à discrição do praticante. São elas:

Leste - Neith.
Sul - Aset (Ísis).
Oeste - Serket.
Norte - Nebt-Het (Néftis).

   Portanto, apesar de não sabermos com exatidão como acontecia de fato uma operação mágica no seio dos templos keméticos e em outras situações de prática de magia popular, podemos associar com outras tradições ocultas, modernas e antigas, para recriar essa prática dentro de um contexto mágico, neopagão ou pagão reconstrucionista de fato.
   Uma das coisas sobre as quais sabemos um bocado devido aos registros artísticos e decorativos amplamente usados pelos egípcios, são as posições de poder - também conhecidas como henu. Eu já fiz um texto falando mais sobre elas (clique aqui para conferir), e recomendo que leia para entender o que será usado na estrutura ritualistica que descreverei mais abaixo. De qualquer maneira, o henu é uma posição que representa um sentimento, uma intenção ou um momento específico da atividade. O ideal é que sejam usados nos momentos apropriados, durante toda a cerimônia.
   A purificação era muito importante dentro da perspectiva kémetica, muito mais quando se trata do aspecto religioso e mágico. Portanto, antes do traçamento de um círculo, é importante que algum ato purificador tenha sido realizado no ambiente. O elemento utilizado pelos sacerdotes egípcios era o natron, porém esse material em seu estado natural não é de fácil acesso. Aqui, julgo a adaptação essencial, e também sua contextualização dentro de um culto moderno - clique aqui para ler o texto já publicado sobre o Natron.
   A melhor opção é consagrar seu natron de purificação, seja ele uma recriação ou adaptação, e manter um estoque pronto para o uso rotineiro - você pode até usar um borrifador para isso. O incenso também era amplamente empregado nos templos, e pode complementar a purificação, se assim você desejar. É adequado para atividades mais elaboradas, mas no culto cotidiano, não se faz tão necessário. Consideram-se apropriados os incensos naturais de ervas ou resina, ou aromatizadores com essências e óleos aromáticos. Mas na falta destes, não há problema em usar incensos normais de vareta, desde que sejam artesanais e de boa qualidade, não os indianos de carvão que são facilmente encontrados à venda.
   É importante também que falemos sobre o fechamento do círculo, e o encerramento de atividades mágicas num contexto kemético. Diferente de como acontece em outras tradições, usava-se uma vassoura especial para varrer o ar, enquanto se saía sem dar as costas para o altar, de ré. A ideia era purificar os vestígios de tudo que foi feito, dispersando as energias que foram movimentadas ali - novamente, a importância da purificação. Você pode ter uma vassoura mágica grande, pequena, ou usar a visualização para replicar essa tradição de varrer o ambiente. Eu às vezes uso as mãos, num movimento que para mim ressoa com essa limpeza desejada.
   Outra informação muito essencial é o ato de "remover os pés" (removing the foot) no encerramento de rituais. Os egípcios consideravam um desrespeito virar as costas para o divino, portanto, ao acabar um rito, você deve dar quatro passos para trás, se afastando do altar sem desviar o olhar. Só então a atividade está encerrada, e aí você pode apagar velas, desmontar ou "fechar" o altar.

Estrutura Básica Ritualística Kemética

   A estrutura sugerida abaixo é adequada para o início de qualquer ritual kemético. Pode ser adaptada e/ou reduzida conforme sua necessidade, mas tenha familiaridade com todo o processo antes de alterar.

   Misture o sal e a água na tigela, em sentido anti-horário. Enquanto mistura, fale:

"Esse é meu natron de purificação,
Meu natron é o natron dos Netjeru"

   Dê três voltas em sentido anti-horário em torno do ambiente, aspergindo com o natron. Acenda o incenso, e dê mais três voltas em sentido anti-horário, com ele em sua mão dominante.
   Agora, é hora do traçamento. Fique no centro do círculo e aponte com a mão direita para o leste, dizendo:

Anet-hra.k Tuamutev. Anet-hra.k Neith.
(Honrado seja, Tuamutev. Honrada seja, Neith.)

   Aponte para o sul, dizendo:

Anet-hra.k Amset. Anet-hra.k Aset.
(Honrado seja, Amset. Honrada seja, Aset.)

   Aponte para o oeste, dizendo:

Anet-hra.k Qebsenuv. Anet-hra.k Serket.
(Honrado seja, Qebsenuv. Honrada seja, Serket.)

   Aponte para o norte, dizendo:

Anet-hra.k Hapi. Anet-hra.k Nebt-Het
(Honrado seja, Hapi. Honrada seja, Néftis.)

   Convide quaisquer divindades ou outras entidades com as quais queira trabalhar para se manifestarem dentro do círculo. A partir daqui, prossiga com suas atividades como quiser.

   Quando for a hora de encerrar, faça o henu de reverência. Levante-se, pegue a vassoura (ou uma representação, ou visualize) e varra o ar, enquanto dá quatro passos para trás, sem desviar o olhar nem virar as costas para o altar. Está feito. Só então volte e apague as velas, incensos e organize seu altar.

Mais informações sobre círculos na cultura kémetica aqui.
Algumas informações do livro The Ancient Egyptian Prayerbook.
Algumas informações do livro Invoking The Egyptian Gods.

A tornar puro o santuário dos Netjeru,
   Alannyë Daeris.

sexta-feira, 25 de março de 2022

Feitiço do Envelope para Atrair um Romance

   Estou num processo de transcrição dos meus feitiços para meu novo grimório, e foi aí que percebi que há uma defasagem de magias de amor nesse blog! Por mais que seja uma área relativamente complexa e que frequentemente é mal compreendida ou praticada erroneamente por iniciantes, sempre é válido ter alguns feitiços amorosos na manga para momentos de necessidade, e hoje ensinarei um bem fácil de se realizar, com poucos materiais.
   
Você precisará de:
• Um envelope. Você pode fazer o seu ou comprar pronto, tanto faz.
• Pétalas de rosa cor-de-rosa. Uma, três ou nove.
• Papel e caneta, se possível vermelha.
• Uma vela cor-de-rosa ou branca.
• Seu perfume preferido, ou um óleo perfumado relacionado ao romance/atração.

🕒 Horas e dias de Vênus ou Lua, após o anoitecer.
🌒 Lua crescente ou cheia.

   Separe todos os ingredientes e purifique a eles, a si mesmo e ao espaço que utilizará. Concentre-se e acenda a vela, mentalizando o amor entrando em sua vida. Comece desenvolvendo um sigilo com a intenção "Atrair um romance". Você pode eliminar as vogais e letras repetidas da frase e reorganizar as letras ou os padrões delas (linhas e curvas) em um símbolo que melhor represente seu objetivo para você.
   Do outro lado do papel, escreva seu nome completo e sua intenção. Pode ser de maneira descritiva, definindo que tipo de romance você busca, ou apenas um encantamento como o sugerido abaixo. Não coloque nomes de pessoas, somente as características desejáveis num parceiro(a) amoroso.

"Noite amada, noite encantada
Traga para mim uma pessoa amada
Encontre-me companhia adequada
Que por mim seja apaixonada
Para um romance de conto de fadas"

   Repita o encantamento em voz alta três vezes, e mentalize o sigilo que você criou para esse propósito. Borrife o perfume (ou espalhe o óleo com o dedo indicador em sentido horário) e está feito. Dobre o papel três vezes e guarde no envelope junto das pétalas de rosas. Pingue algumas gotas de cera de vela para selar o envelope, e guarde em um local que você relaciona com o tema afetivo - dentro de um livro de romance ou poesias, debaixo da cabeceira da sua cama, na sua gaveta de roupas íntimas, enfim. Está feito.
   Quando você encontrar o romance desejado, pegue e abra o envelope, guarde as pétalas de rosa (para caso queira desfazer esse feitiço no futuro), e queime o envelope e o papel, enterrando as cinzas num jardim.

A escrever cartas de amor,
   Alannyë Daeris.

terça-feira, 22 de março de 2022

Resenha: O Livro Mágico dos Cristais, de Ember Grant

   Sinopse
: Você se lembra da primeira vez em que viu um cristal ou uma pedra preciosa lapidada e ficou fascinado com seu brilho? A magia das pedras começa com a maneira como elas nos inspiram, nos confortam e despertam em nós um sentimento de assombro. Seja você um praticante experiente ou um iniciante, O Livro Mágico dos Cristais vai aumentar seus conhecimentos mágicos e liberar todo seu potencial para a magia, intensificando a sua conexão com o poder ilimitado dessas pedras extraordinárias, através de magias para a saúde, o amor, a casa, e também para solucionar problemas, desvendar sonhos, fazer viagens astrais e muito mais. Repleto de encantamentos, rituais, grades mágicas e outros métodos, este é um guia prático e profundo que vai ensiná-lo a usar as pedras de maneira criativa e inovadora!

Ficha Técnica


   Autora: Ember Grant
   Ano: 2018 (1ª Ed. 2013)
   Editora: Pensamento
   Páginas: 228

   Uma leitura objetiva e que oferece orientações práticas para a utilização dos cristais pelo viés da magia natural e Bruxaria moderna. Ideal para praticantes de magia iniciantes que estão desbravando o universo dos cristais, mas também pode oferecer ideias e informações úteis para quem já está nesse caminho há mais tempo. Como o título sugere, o foco da obra é ensinar como empregar os minerais e pedras em um caminho mágico, e para um livro de pouco mais de 200 páginas, considero que cumpre seu trabalho muito bem!
   Temas fundamentais na magia com cristais, como a purificação e outros cuidados relacionados, são abordados logo no início do livro, e vários exemplos são oferecidos para abranger diferentes leitores, suas preferências e crenças pessoais, o que é sempre louvável. Encantamentos, feitiços para diversas finalidades, ritualísticas variadas, grades de cristais, todos com estruturas compreensíveis e sem complicações desnecessárias - aprecio o quanto Ember Grant é objetiva e vai direto ao ponto, sem se perder em contextos e elaborações desnecessárias, falando somente o que é relevante para a compreensão do que é tratado.
   Nesse mesmo sentido, a autora não se compromete com explicações básicas sobre a prática de magia, assumindo que o leitor possui algum entendimento prévio do assunto, mas é importante notar que todos os feitiços e rituais ensinados no livro são de fácil realização, mesmo para quem não possui experiência alguma em Bruxaria. As instruções são claras e tangíveis, o design das páginas é bonito e atrativo aos olhos, e a organização do livro é muito bem estruturada, conduzindo o leitor pelos conteúdos de maneira que instiga a continuação da leitura e os elabora coerentemente.
   É um ótimo livro de referência para se ter em mãos, com sugestões de atividades úteis e interessantes com cristais, e também correspondências para orientar na escolha das pedras e minerais adequados para certos propósitos, auxiliando na incorporação da magia cristalina no cotidiano de qualquer pessoa. Iniciantes, praticantes experientes, curiosos, para todos há algo que O Livro Mágico dos Cristais pode acrescentar de bom, mas quanto mais experiência e entendimento sobre cristais, menor será a possibilidade de se descobrir coisas inteiramente novas com essa obra. Estudo o tema há anos, e mesmo assim foi uma leitura agradável com a qual aprendi algumas informações interessantes!
   Os capítulos que tratam da areia, pedras "normais" e vidro na magia me impressionaram positivamente, em especial por oferecer meios de empregá-los em práticas simples - e o potencial subentendido de aplicação em outras ritualísticas e feitiços variados. Um único ponto que poderia ser melhorado é a falta de ilustrações, pois em determinados momentos a autora fala sobre os formatos geométricos de pedras, estruturas cristalinas e não há um suporte imagético para ajudar na visualização. Mas fora isso, mesmo a relativa superficialidade das informações é algo que não configura necessariamente um defeito; O Livro Mágico dos Cristais ensina despretensiosamente, e em sua simplicidade e acessibilidade se revela digno para quem está formulando sua biblioteca mágica pessoal.

A cristalizar informações,
   Alannyë Daeris

quarta-feira, 16 de março de 2022

Oração a Set

Ó Set das inconstantes areias do deserto
Seja louvado, feroz Defensor de Ra
Esteja de mim bem perto
Deus de muitas faces e disfarces
Senhor do poder da vontade
O Estrondoso Estremecedor do Céu
Aquele que batalha seu irmão
Seus são os dias de desespero
Seus são os tempos de transformação
Seu é o fogo que queima ligeiro
Seu é o desejo sombrio do coração
Ensina-me os meios de sobreviver
Dê-me força para pleno ser
Filho da Terra e do Céu
Esmagador da serpente
Imparável é Ele que não tem medo
Set é Grande, Set é Supremo
Senhor do céu nortenho
Senhor vermelho, abençoa-me!

Por Alannyë Daeris

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Resenha: A Dança Cósmica das Feiticeiras, de Starhawk

   Sinopse: Uma visão contemporânea da magia que ensina aos leitores o caminho prático de comunhão com a natureza através de exercícios que aliam técnicas da psicologia moderna com os ancestrais rituais de contato com o Espírito Feminino do planeta. "A Feitiçaria é uma religião que retira os seus ensinamentos da natureza e inspira-se nos movimentos do sol, da Lua e das estrelas, no vôo dos pássaros, no lento crescimento das árvores e no ciclo das estações."

Ficha Técnica


   Autora: Starhawk
   Ano: 1993 (1° Ed 1979)
   Editora: Nova Era
   Páginas: 351

   Um clássico de peso, sempre referenciado em guias de estudos e em rodas de conversas, discussões ou sugestões de leitura na comunidade Bruxa desde seu lançamento - e que recentemente recebeu uma repaginada e voltou às livrarias numa edição nova e maravilhosa da Editora Pensamento (que eu aceito de presente!)... É um prazer falar a respeito de um livro como A Dança Cósmica das Feiticeiras, em toda sua importância merecida e conquistada com uma linguagem bela, inspiradora e cristalina.
   Os temas discutidos no decorrer dessa obra são de grande relevância ainda nos dias de hoje, passados mais de 40 anos desse sua primeira publicação. São ensinamentos profundos trazidos com simplicidade e coerência, e os relatos que se mesclam à narrativa acrescentam muito valor ao conhecimento transmitido. É de uma beleza poética e inspiradora, que certamente trará vividas sensações e emoções às filhas e filhos dos Deuses antigos.
   Certas passagens e afirmações históricas são um tanto romantizadas para evidenciar as ideias que estão sendo transmitidas, mas é também muito perceptível que esse livro é fruto de seu período histórico, e reflete os movimentos sociais e culturais que estavam se estruturando naquele momento, bem como as mudanças pelas quais a Bruxaria estava passando na década de 70. Essa é uma obra de viés feminista, com percepções muito sóbrias e responsáveis a respeito do movimento e de como ele se relaciona com a espiritualidade.
   Existem diversos motivos para o sucesso absoluto de A Dança Cósmica como um livro essencial e básico para o estudo da Bruxaria e do Neopaganismo, que vão além de sua beleza e poesia ou das opiniões bem colocadas da autora; para alguns, são os rituais teatrais, as falas sobre a coexistência entre magia e ciência como visões válidas e complementares da realidade, ou as descrições e falas a respeito de covens e suas experiências únicas. Para outros, são os temas sociais e políticos que se mesclam de forma orgânica na narrativa proposta.
   Fato é que cada leitor ou leitora terá suas próprias impressões e sensações ao explorar essa obra; ela pode se revelar como sendo um guia, um manual de instruções, um Livro das Sombras, um diário, um conto inspirador e poético, ou tudo isso e muito mais... Mas gostando dela ou não, há que se concordar que abriu caminhos e contribuiu imensamente para a popularização da Bruxaria e, décadas depois, segue sendo uma leitura excepcional e indispensável para qualquer amante da Arte e da Religião da Deusa, seja para fins de aprendizado, contemplação, ou referência histórica.

A resgatar deslumbres de aprendiz,
   Alannyë Daeris.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Orações no Paganismo e na Bruxaria Moderna

   Quando falamos em oração, é natural que o termo soe relacionado com práticas monoteístas e suas amplamente conhecidas orações tradicionais - mas o ato de rezar não é exclusivo de nenhuma vertente religiosa específica, pois compete a todos os que buscam conexão e comunicação com o divino, seja ele qual for. Existem exemplos históricos de orações e hinos desde períodos anteriores à Era Comum, e com o advento da internet, tornou-se ainda mais facilitado o acesso aos trabalhos criativos elaborados em prol da interação com os Deuses, sejam obras antigas ou modernas.
   Em verdade, as ferramentas imateriais para o culto ao sagrado são as orações, hinos, encantamentos, feitiços, mantras, e quaisquer outras encontradas para acessar as divindades ou seres espirituais que o devoto deseje se conectar. Com base nas informações reunidas por Lora O'Brien em seu livro A Practical Guide To Pagan Priesthood, vamos abordar os diferentes tipos de orações que podem ser usadas ou elaboradas numa relação devocional com os Deuses. Essas subdivisões são apenas para fins de facilitar a compreensão entre as nuances existentes no tema da oração, mas não devem ser compreendidas como normas rígidas a ser seguidas - pois uma única oração pode se encaixar em mais de uma categoria citada abaixo.

Petição - oração de fé: Realizada de maneira privada, entre o devoto e a entidade, na qual é feita a requisição da intercedência divina em uma situação, ou o pedido por uma graça, bênção ou conquista.
Consagração - oração de dedicação: Usada para purificar, abençoar, ou tornar um item, espaço ou pessoa sagrada perante uma divindade.
Orientação - oração de vontade divina: Feita em momentos de dúvida ou incerteza, para requisitar um conselho sobre a melhor decisão a se tomar, ou identificar o melhor caminho a se seguir. Pode ser realizada de maneira individual ou para outras pessoas que requisitem uma orientação.
Convocação - oração de invocação e evocação: Usada para evocar (chamar para fora) ou invocar (chamar para dentro) uma divindade, entidade ou espírito para um espaço, pessoa, situação ou tarefa.
Devoção - oração de louvor. Feita para expressar adoração e louvor a uma divindade, ideal para quando se busca apenas uma interação respeitosa e de carinho para com a entidade, sem pedir por nada.
Meditação - oração de comunhão. Realizada de maneira mais espontânea ou meditativa, concentrando-se em sensações e percepções, abrindo espaço para sentir a conexão com a entidade, sem necessariamente fazer uso de uma estrutura convencional. Experiências divinas que ocorrem em transe ou em estados alterados de consciência se encaixam nessa categoria.
Gratidão - oração de agradecimento. Usada quando se deseja demonstrar apreço e satisfação por um resultado obtido, uma graça alcançada, ou por plena demonstração de agradecimento sincero, reconhecendo a boa influência da divindade ou entidade em sua vida.
Licitação ou união - oração grupal: Feita entre duas ou mais pessoas, com uma mesma intenção compartilhada pelos participantes. Essa finalidade ou resultado desejado pode ser concreto ou abstrato, e envolver uma ou várias pessoas - a potência energética gerada pelo grupo frequentemente excede a soma das partes individuais.
Intercessão - oração intermediária: Realizada em nome de outra pessoa que precisa do auxílio divino, mas que não tem o costume ou interesse em orar para si mesma. Responsabilidade e consentimento são recomendados, evitando confundir a intercessão com uma "intromissão"; não significa que devemos pedir aos Deuses qualquer coisa que acharmos correto para a vida da pessoa, já que nada garante que sabemos de fato o que é o melhor para ela. É melhor orar para o bem-estar, felicidade e desejar bênçãos para a vida da pessoa, do que direcionar o pedido para um objetivo específico (ex: "oro para que fulano se afaste dos amigos de quem não gosto" é inapropriado, o ideal aqui seria "oro para que esteja sempre longe de más influências e saiba discernir bons e maus amigos").

A ofertar louvores,
   Alannyë Daeris.

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Pó Mágico para Atração

   Esse pó mágico é uma receita coringa para intenções em que você deseja atrair alguma coisa de qualquer natureza - seja uma oportunidade profissional, uma relação afetiva, dinheiro, parcerias, ou até o interesse de um grupo de pessoas para você. É imensamente versátil e basta criatividade para usá-lo na prática.
   A receita pode ser incrementada ou modificada de acordo com seu interesse particular e situação; caso queira dar seu toque pessoal, adicione o ingrediente que corresponde à sua intenção específica na mistura, mas lembre-se de reduzi-lo a pó ou a fragmentos bem pequenos antes de misturar com o resto dos ingredientes, independente do tipo de material.

Você precisará de:
• 1 colher de sopa de farinha de milho (fubá).
• 1 colher de sopa de areia magnética. Pode ser substituída por raspas de ímã (como aqueles de geladeira).
• 1 colher de sopa de açúcar refinado ou cristal.
• 1 xícara de farinha de arroz ou amido de milho para a base.

🕒 Horas e dias de Vênus ou Júpiter.
🌒 Lua crescente, nova ou cheia.

   Separe todos os ingredientes em seu altar ou espaço sagrado, certificando-se de que não será interrompido. Em um recipiente, adicione os ingredientes enquanto mentaliza a intenção de atrair seus objetivos. Misture em sentido horário e consagre com um encantamento, como por exemplo:

"Eu atraio os meus desejos
Como um ímã de ansejos
Por este pó sou chamativo
Ao que me é atrativo"

   Também é possível consagrar de outras maneiras, como ao traçar símbolos sobre a superfície do pó - como o pentagrama. E após consagrado, está pronto para usar em feitiços, saquinhos mágicos, ou em rituais. Caso você queira armazenar para uso posterior (por tempo indefinido), recomendo que guarde em um recipiente de vidro com uma tampa que seja capaz de selar o pote hermeticamente, pois o açúcar atrai diversos tipos de insetos.

A trazer para perto os frutos,
   Alannyë Daeris.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Oração a Khnum

Seja louvado, Khnum!
Oleiro de perfeitas mãos
Outorgador de habilidades
Patrono do construtor e minerador
Seu é o trabalho hábil do artesão
Sua é a obra que busca perfeição
Seu é o esforço do trabalhador
Perfeito é Khnum, o Provedor!
Aquele que moldou o homem
E os definiu um por um
Senhor do Nilo fértil
Dos argilosos bancos dos rios
Magnífico doador da vida
Louvo sua gloriosa manifestação
Louvo sua cíclica inundação
Ouça meu louvor em oração!

A agradecer por meu Khat e Ka,
   Alannyë Daeris.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Epítetos de Khnum

   Hoje, apresento uma lista de epítetos keméticos tradicionais conferidos a Khnum, traduzidos e adaptados para nossa língua. Podem ser usados em orações, rituais, meditações e em quaisquer situações que você queira evocar ou invocar esse aspecto de Khnum que está retratado no epíteto escolhido.
   Essa lista não contém todos os títulos associados com esse deus, e há muitos outros que podem ser encontrados, ou desenvolvidos na sua própria interação e culto a Khnum.

Epítetos Tradicionais

• Oleiro Divino
• Senhor das coisas criadas para si mesmo
• Senhor da primeira catarata
• Guardião da Nascente do Nilo
• Guardião de Elephantine
• Pai dos pais
• O Multiforme
• Grande Moldador
• Grande Vitorioso
• Carneiro de Grandiosa Majestade
• Carneiro lutador que persegue seus inimigos
• De chifres afiados
• Senhor de Esna (Neb Ta-Senet)
• Criador da humanidade na roda de oleiro
• Senhor do Outro Mundo
• Senhor da vida
• Senhor dos campos
• Senhor do grito de guerra
• Autoconcebido
• Protetor dos falecidos
• Pai de Serket
• O Ba de Ra
• Líder dos pastores
• Assassino de rebeldes
• Senhor das águas do mundo e do submundo

A louvar o Carneiro, Pai Divino de todos os Pais,
   Alannyë Daeris.

sábado, 27 de novembro de 2021

Feitiço de Nós para Proteção de Negócios, Estabelecimentos e Autônomos

   Há cada vez mais empreendedores autônomos em todos os ramos da prestação de serviços e comércio, inclusive nos meios esotéricos. E todo empreendedor, independentemente se possui um estabelecimento próprio ou se trabalha virtualmente de seu home office, eventualmente irá se deparar com "clientes-problema", que agem de maneira desrespeitosa e podem causar as mais variadas situações desagradáveis.
   Esse feitiço de nós (knot spell, em inglês) se destina a afastar clientes inconvenientes, desrespeitosos e problemáticos, e proteger seu negócio de pessoas que possam prejudicá-lo - seja impedindo que cheguem até você, ou gerando desinteresse e afastamento. Algumas adaptações podem ser feitas, mas sugiro que não se exclua nenhum dos elementos abaixo, apenas adicione (por exemplo: pingentes de cristais, com símbolos protetores, mini ferraduras, outros ramos de ervas, enfim).

Você precisará de:
• Um barbante de aproximadamente 45cm.
• Tinta preta, nanquim ou canetinha preta.
• Um ramo de arruda, para banir clientes inconvenientes ou desrespeitosos.
• Dois pregos de ferro, para proteção.
• Uma chave velha, de uma fechadura que não seja utilizada.
• Azeite de oliva, para proteção, boa sorte e segurança.

🕒 Horas e dias de Saturno ou Marte.
🌖 Lua cheia ou minguante.

   Reúna todos os materiais em seu altar ou em um ambiente onde não será perturbado. Purifique a si mesmo, ao recinto, e aos ingredientes do feitiço, com o método de sua preferência. Comece pintando o barbante de preto, representando a proteção que deseja elaborar para seu empreendimento. Espere secar enquanto se concentra em seu feitiço e intenção.
   Assim que estiver seco, dê um nó na ponta (de aprox. 7cm de distância da extremidade), visualizando o afastamento de clientes inconvenientes e indesejáveis. Dê um nó na outra ponta, visualizando o afastamento de clientes desrespeitosos e causadores de problemas. De um nó no meio, visualizando você realizando seu trabalho satisfeito e com uma "bolha" ou cerca de proteção lhe circundando, representando a defesa que deseja.
   Unte os pregos com o azeite de oliva para conjurá-los para sua proteção, amarre-os ao lado dos nós que acabou de dar nas extremidades do barbante, um prego do lado de cada nó. Unte a chave e amarre-a em uma das pontas, para somente abrir as portas do seu negócio para quem possuir respeito e afinidade com seu trabalho. Segure a arruda entre suas palmas, e peça a ela que afaste e proteja seu negócio de todos que possam causar situações prejudiciais ou desagradáveis. Amarre na outra ponta, e está pronto. Caso queira, você pode finalizar com uma consagração de sua escolha, como esse encantamento verbal sugerido:

"Para proteção da minha empresa,
A arruda e o ferro faz a defesa,
Meu escudo é forte e rigoroso,
Afasta todo cliente desrespeitoso,
No meu negócio eu tenho paz,
Prosperidade e amor, aqui se faz."

  E está feito. Você pode guardar em um local escondido dentro da sua loja, ambiente de trabalho ou home office, como no topo de um móvel alto, dentro de um vaso de plantas, ou transferir para um saquinho que oculte o conteúdo e você possa pendurar ou guardar em uma gaveta, por exemplo. Se você perceber que alguns clientes desrespeitosos estão voltando a surgir, refaça o feitiço, pois ele se expirou.

A desencorajar a manifestação da desordem,
   Alannyë Daeris.