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segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Conhecendo o Oráculo: Cartas Xamânicas

   Conhecidíssimo no meio esotérico e uma referência desde sua publicação em 1999, as Cartas Xamânicas foram criadas por Jamie Sams e David Carson, com base no xamanismo norte-americano, no qual os autores são iniciados. É um oráculo simples mas charmoso de 44 cartas, ilustradas por Angela Werneke, que acompanha um livro de 248 páginas - e se você tem em mãos somente as cartas, dê um jeito de adquirir o livro, pois ele é essencial para a compreensão inicial desse oráculo!
   Cada um dos animais está relacionado a uma palavra chave que resume sua principal simbologia, e no livro estão descritas suas outras lições, conselhos e direcionamentos, de acordo com seus hábitos e os mitos em que estão envolvidos dentro do xamanismo norte-americano. São aproximadamente 2-4 páginas descritivas por animal, e inclui a interpretação para as posições invertidas, bem como um breve poema, que lembra um haiku.
   Além das mais de quarenta espécies de animais, o oráculo acompanha nove cartas em branco, com o mesmo design das outras e um espaço disponível para que cada pessoa possa personalizar o baralho e adicionar animais que não tenham sido incluídos, um escudo pessoal com símbolos que lhe representem, ou até ilustrar com divindades que cultue. O teor criativo e interativo dessa ideia é muito interessante, permitindo que cada pess desenvolva sua própria versão exclusiva do oráculo!
   É importante notar que as Cartas Xamânicas possuem um tom aconselhador e de autoconhecimento, e não produzem previsões ou leituras de sorte. Podem orientar, acolher e direcionar, mas não dizem sobre o futuro ou acontecimentos vindouros, portanto, são ideais quando necessitamos de uma conexão com nossa essência, quebrar padrões prejudiciais, ou trazer nossas potências à tona.
   No livro, são ensinadas alguns métodos de leitura para aplicar com as Cartas Xamânicas, bastante profundos e com reflexões muito bem colocadas. É ensinado também um método para descoberta dos 9 animais que compõem o totem individual, e que só deve ser feito uma vez na vida. Eu particularmente acredito que essa leitura não deve ser levada tão ao pé da letra, e considerada uma "aproximação" dadas as limitações do oráculo. Somente uma jornada mediúnica realizada corretamente com a orientação de um(a) xamã pode revelar os animais totem de alguém com precisão, mas recomendo que se faça a tirada como um exercício de autoconhecimento, inclusive se já os conhece.
   Um único aspecto que pode ser incômodo mas não chega a ser desfavorável é seu tamanho incomum, que por ser muito grande, atrapalha na hora de manusear. É necessário usar métodos não tão convencionais para embaralhar as cartas, como mantê-las de pé sobre uma mesa (foi o que encontrei!), mas a qualidade da arte compensa - as representações dos animais são expressivas e transmitem com perfeição a energia de cada um, sendo ótimas para meditações e reflexões, insights que podem despertar a conexão sagrada com a Natureza que há dentro de nós.

A grasnar em alto e bom tom,
   Alannyë Daeris.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Instrumentos Mágicos, parte 10 - Maracá, ou Chocalho

Foto de Davi Boarato. Editada pela autora.
   Esse instrumento é muito típico nos povos indígenas sul-americanos, e detêm uma importância muito grande no xamanismo; não era considerado apenas um instrumento musical como os outros, mas sim um objeto de poder, um instrumento para condução do clima em trabalhos espirituais e canalizador de energia. Seu uso principal é promover a limpeza espiritual de ambientes, pessoas ou objetos.
   Como todos os outros instrumentos musicais, o chocalho possui o dom de induzir transe e estados alterados de consciência, purificar e consagrar ambientes, pessoas e objetos, elevar o astral, evocar ou invocar entidades e divindades, abrir e fechar círculos mágicos e cerimônias em geral, curar, honrar e se comunicar com espíritos e ancestrais, enfim. Os chocalhos possuem finalidades similares às dos tambores em ritos xamânicos. Há relatos do uso do chocalho por tribos peruanas, nas quais o xamã levanta sua mão esquerda para captar as energias do cosmo, e com a mão direita, balança o chocalho, para espalhando energias positivas e afastando influências negativas.
   Para os indígenas brasileiros num âmbito geral, o chocalho - denominado maracá, pois em tupi antigo mbara = "barulho" e ká = "casca"  - era um instrumento muito sagrado, para o qual até mesmo oferendas de comidas eram feitas. Cada índio possuía o seu, que era guardado em um ambiente especial, depois de ser consagrado pelo pajé. As preces e pedidos ao cosmo ou aos deuses eram feitos diretamente ao instrumento. A maracá detinha uma simbologia extremamente importante, pois seu cabo representava a natureza e a árvore da vida, enquanto a cabaça representa o próprio universo, pois seu espaço oco seria o cosmo. As sementes (principalmente de milho e feijão), cristais e pedrinhas que eram acrescentadas dentro da maracá representam as almas dos ancestrais, e a agitação do chocalho faz com que os espíritos fiquem ativos e auxiliem o xamã em suas práticas. Para os tupinambá, o som do chocalho era a própria voz dos espíritos.
   Os indígenas produziam muitos tipos de maracás, sendo as de tamanho menor destinadas para rituais e festas; as maiores, compostas por sementes e caroços grandes eram usadas na guerra. Haviam alguns que eram feitos para se amarrar nos braços ou pernas, também de uso em rituais e celebrações. Como é de costume na arte indígena, costumavam decorar seus maracás com penas (de arara, mas outras penas de aves coloridas também podiam ser usadas).
   As técnicas de fabricação são muito particulares, e os materiais usados podem ser escolhidos de acordo com suas propriedades, significados ou o gosto pessoal. Da mesma forma, cores e padrões podem decorar a superfície do instrumento, junto de símbolos, desenhos ou sigilos mágicos. 
   É interessante testar diferentes grãos e sementes, para combinações sonoras e mágicas personalizadas de acordo com suas preferências. Areia pode ser acrescida para produzir sons diferentes. O tamanho e o material da cabaça (seja ela natural ou não - podem ser usadas latas de metal, potes de plástico, enfim) também influenciam na sonoridade, e isso é um gosto muito pessoal.
   A forma de tocar uma maracá varia de acordo com o tipo de prática e a preferência da pessoa que toca. Pode ser girada de forma circular, agitada para cima e para baixo, ou pode-se usar a mão para bater na cabaça e gerar o som. Não há uma regra, portanto, a prática aliada da intuição devem guiar suas experiências. A velocidade também pode variar de acordo com o momento ou prática.

Muitas informações daqui.

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A ouvir a voz dos espíritos,
   Alannyë Daeris.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Magia com Sonhos, ou Oneiromagia: Introdução e Conceitos Básicos

Detalhe da obra "Dream Idyll (A Valkyrie)", de Edward Robert Hughes (1902). Editada pela autora.
   Vou começar uma série de posts sobre Magia dos Sonhos, e dreamwork (que traduzo como oneiromagia) em geral. Já escrevi sobre o Diário dos Sonhos, e nesse mesmo artigo detalhei um pouco sobre a interpretação, mas agora vamos adentrar de fato em práticas mágicas e conceitos básicos acerca dos sonhos.
   A viagem astral e a projeção astral podem ser consideradas práticas similares à magia com sonhos, ou trabalhadas de maneira separada. Isso depende muito de cada pessoa, mas geralmente, a oneiromagia abrange ou aborda uma parcela de ambas. Aqui nesse texto, abordarei apenas os sonhos em seu aspecto mais básico, mas falaremos sobre viagens atrais e sonhos lúcidos em outras oportunidades.
   Muitas divindades e entidades podem ajudar e favorecer em magia com sonhos; principalmente, deuses e deusas noturnos, que regem a noite ou aspectos do subconsciente. Isso fica a critério de cada pessoa, pois não é algo extremamente necessário, ainda que possa abreviar os esforços ou combiná-los para um caminho bem proveitoso. Citando brevemente, há Morpheus, Bes, Tutu, Njörun, Hypnos, Somnus, e outros deuses ligados à noite e à Lua, como Nut, Asteria, Nótt, Zorya, Artemis, Hécate, Diana Trivia, Luna, Selene, enfim.
   As práticas de magia com sonhos ainda são pouco relatadas e aprofundadas, mas formam um conjunto de atividades e conhecimentos muito valiosos se bem explorados por aqueles que se interessem. O maior motivo para isso é que a magia com sonhos em si é bastante pessoal, e as experiências e métodos costumam ser únicas e inerentes a cada pessoa.
   Porém, três dicas são de grande ajuda na oneiromagia em geral, especialmente no início das suas práticas. São elas:

1. Não se desespere se você não se lembrar dos seus sonhos. A regra geral é que a maioria das pessoas não se lembra da maioria dos sonhos que tem. Mas todo mundo sonha, toda noite, ainda que seja acometido pela amnésia do sonho ao se acordar. Saiba, entretanto, que você pode se recordar dos seus sonhos - é uma prática que precisa ser cultivada com esmero.
   Esse é o primeiro passo: defina a intenção de se lembrar dos seus sonhos, e pense nisso diariamente. Crie o hábito de pensar nos seus sonhos ao adormecer e logo que acorda. Isso se chama incubação de sonhos, e falarei um pouco mais sobre ela aqui nesse texto. Repita para si mesmo, toda noite, "Eu sonharei essa noite, e me lembrarei do sonho pela manhã". Ao acordar, não se levante nem olhe seu celular. Fique deitado e tente lembrar do seu sonho, naturalmente. Escreva em seu diário ou grave um áudio em seu celular, para ter o registro. Não tente interpretar o que sonhou logo em seguida; continue com seu dia como de costume.

2. Saiba da importância de anotar seus sonhos. Honestamente, essa dica é sempre muito citada e priorizada, e você não conseguirá fazer um progresso real na magia com sonhos se não possuir o hábito de registrar suas experiências inconscientes noturnas. O melhor é manter um diário dos sonhos (físico ou virtual) atualizado diariamente, com o máximo de detalhes e informações que forem possíveis. Ao anotar seus sonhos todos os dias, além de criar um vínculo e uma dedicação para com suas práticas, você também estimula sua criatividade e a sua memória em relação aos sonhos.

3. A melhor forma de criar experiência é praticando. Na magia dos sonhos, isso é uma verdade muito essencial de se conhecer. Pelo teor extremamente pessoal e particular de algumas correspondências e métodos da magia com sonhos, é necessário que você pratique e descubra por si mesmo como as coisas fluem melhor para você, e de que maneira você se sente mais confortável. Portanto, sempre que for possível, coloque em prática os conhecimentos que adquire e certifique-se de anotar suas experiências para tirar melhor proveito de tudo. O medo só vai lhe atrapalhar e lhe impedir de ter bons resultados, então deixe o receio de lado, pois até mesmo experiências negativas geram aprendizado.

Tipos de Magias com Sonhos


   Há dois tipos de magia de sonhos que podem ser praticadas. São eles a magia pré-sono, e a magia durante o sono. Na prática, o ideal é que sejam combinadas e equilibradas para suprir suas necessidades.

Pré-sono: São os métodos para induzir o sonho. Por exemplo, meditação e transe, rituais, feitiços, alguns travesseiros de ervas, poções ou atividades mágicas que estimulem ou encoragem os sonhos em geral, ou tipos de sonhos específicos - sonhos vívidos, sonhos lúcidos, sonhos românticos, etc. Geralmente são feitos logo antes de dormir, ou já na cama.

Durante o sono: São as coisas que vão ficar ativas enquanto você dorme, funcionando para diversas intenções - proteção, divinação, encantamentos, wards (barreiras energéticas), etc. Amuletos, saquinhos mágicos, feitiços em recipientes (jar spells), filtros dos sonhos, alguns travesseiros de ervas e outras formas de magia se enquadram nessa categoria.

Incubação de Sonhos


   A incubação de sonhos é o ato de conscientemente estimular ou levar a intenção de relembrar os sonhos ao adormecer. É um hábito de orientação mental para o futuro, que serve para direcionar seu foco para os sonhos, e favorecer as atividades relacionadas. É similar e pode ser combinado com métodos de meditação.
   Para praticar a incubação, deite-se na cama com as luzes apagadas, da maneira como você costuma ir dormir. Sugira a si mesmo: "Eu me lembrarei dos meus sonhos pela manhã". De preferência, permita que sua mente viaje e descanse, mas continue consciente; quando estiver prestes a adormecer, pense: "Eu me lembrarei dos meus sonhos pela manhã", e aí sim se permita dormir.
   Lembre-se de continuar praticando a incubação na maioria das noites, pois é um dom que precisa ser trabalhado constantemente. Conforme você torna isso um hábito, mais facilitado se tornará o processo, e menos lhe parecerá um fardo.
   Se combinado com outras atividades mágicas, sejam elas de tipo pré-sono ou durante o sono, a incubação pode ser bastante estimulada. Ervas, óleos e feitiços vem muito a calhar nesse aspecto, e há uma infinidade de maneiras de usá-los.

   Regras para uma Incubação de Sucesso:


- Concentração é necessária, mas o excesso dela lhe deixará tenso e incapaz de descansar sua mente. Treine o equilíbrio.
- A autosugestão (a frase com sua intenção) deve ser conectada com uma sensação prazerosa, de sucesso e gratificação. Quanto mais satisfeito você se sentir na hora de ativar a sugestão (ou seja, ao pensar a frase), mais sucesso terá seu esforço.
- Tente conectar a autosugestão com uma imagem visual. Ao ativar a autosugestão, tente visualizar como você imagina que o objetivo da sua intenção com os sonhos seja - lembrar deles de manhã, ou conseguir interpretar a fundo, enfim.
- Você pode escolher a frase que quiser, e que expresse melhor sua intenção para a autosugestão. Use os mesmos parâmetros que se usa para definir intenção de sigilos - seja claro e específico, e fale sempre em afirmações.
- Paciência é essencial. Nada acontece de um dia para a noite, e a inércia do princípio deve ser lidada com muita paciência. Pode ser que seu subconsciente precise de algumas noites para compreender a mensagem da incubação de sonhos. A repetição pode ser crucial para o sucesso.
- Fora da hora de dormir, estimule sua criatividade e pratique a meditação, para facilitar o processo durante o sono. E cuide da sua saúde, pois distúrbios de sono podem estar relacionados com alimentação inadequada, poucas atividades físicas no cotidiano, negligência da saúde mental, enfim.

Ritual de Iniciação aos Sonhos com a Lua


   Esse ritual é uma sugestão para se você quiser começar a trabalhar de fato com magia com sonhos e não souber por onde. É um rito estendido de uma lunação inteira (29 dias), começando na Lua negra, que é a melhor fase lunar para tratar do inconsciente, do autoconhecimento e de sonhos em geral. Evite começar se você não for se dedicar de verdade.

Você precisará de:
• Um diário dos sonhos físico.
• Uma vela roxa, azul ou branca.

1. Consagre seu diário. Não importa a aparência ou o tamanho do caderno que servirá como diário dos sonhos, desde que seja novo, e seja usado somente para registrar seus sonhos. Na noite da Lua negra, faça uma consagração como preferir. Se quiser algumas sugestões - que podem ser combinadas em um ritual, se quiser:

- Entalhe ou desenhe o símbolo da Lua na vela, acenda e coloque em frente ao diário.
- Unte a primeira e a última página com óleo essencial de lavanda.
- Defume com um incenso de ervas, ou um ramo de sálvia.
- Coloque uma ametista purificada e energizada sobre o diário.
- Fale um encantamento.
- Desenhe o símbolo da Lua no lado de dentro da capa do caderno, e no lado de dentro da contracapa também.

2. Crie um ritual para fazer toda noite antes de dormir, durante 29 dias. Não precisa ser nada complexo, apenas algum hábito positivo para purificar o ambiente e/ou lhe preparar para seu sono. Se possível, escolha apenas um e tente repetir toda noite por toda a lunação:

- Acenda a vela, pense que deseja sonhar durante seu sono, e deixe acesa por apenas alguns minutos.
- Acenda um incenso por alguns momentos para purificar o ambiente.
- Prepare e beba um chá de ervas.
- Coloque uma música suave e que lhe agrade para tocar bem baixinho, ou ouça no seu celular.
- Medite por alguns minutos.
- Faça yoga ou algum exercício físico.
- Toque ou pratique um instrumento musical.
- Escreva uma poesia.

3. Toda manhã até a próxima Lua cheia, escreva seus sonhos. Faça imediatamente após acordar; se possível, deixe seu diário dos sonhos e uma caneta do lado da cama antes de dormir, no chão, no criado-mudo ou em uma cadeira. Inclua tudo que você se lembrar - cores, pessoas, cheiros, lugares. Coloque também informações sobre que hora você foi dormir, que hora se acordou, se dormiu bem, se acordou várias vezes durante a noite, enfim. Essas coisas trazem mais entendimento sobre suas noites e seus sonhos. Se não tiver sonhado nada, anote isso, e as informações gerais sobre como foi a qualidade do seu sono. Talvez você ainda se lembre no decorrer do dia.

4. Não releia o que você escreveu. Escreva seus sonhos, vire a página e não volte para relembrar. Esqueça e continue com seu dia normalmente.

5. Deixe uma folha em branco entre cada página escrita.

6. Na noite da Lua cheia, releia todos os sonhos. Você provavelmente perceberá vários padrões e compreenderá o significado e o motivo por trás da maioria dos seus sonhos. Mesmo que você não tenha tido pesadelos dentro desse período, pode ser que tenha tido sonhos desagradáveis, ou que lhe geraram sensações estranhas - e costumam estar relacionados com medos ocultos e ansiedade reprimida. 
Então, reescreva esses sonhos na página em branco. Faça isso na intenção de absorver o aprendizado, e libertar o sentimento preso ou oculto, para lidar com suas sombras e buscar compreender melhor sua essência. Tente entender o que ele quer dizer, ou o que lhe fez ter esse sonho. Não busque em almanaques ou dicionários de sonhos; pense no que essas coisas significam para você, como você as interpreta, e concilie com sua intuição.

7. Enquanto a Lua mingua, continue repetindo os passos 2 - 5, até a chegada da próxima Lua negra. Ao final desse ciclo, você terá registrado toda a lunação, e terá encerrado um processo de autoconhecimento através da sua própria consciência. Se quiser reiniciar o ciclo, faça um ritual para celebrar o fim da lunação e o princípio da outra, e repita o passo 6.

Informações daqui.
Ritual de Iniciação aos Sonhos adaptado daqui.
Muita informação pode ser lida aqui, em inglês.

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A registrar meus sonhos,
   Alannyë Daeris.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Instrumentos Mágicos, parte 9 - Abanilho (Leque)

Esse abanilho foi confeccionado por mim, com penas
de papagaio, pomba, calopsita e galinha d'angola.
   O abanilho (também chamado de abano ou leque) serve para o direcionamento da fumaça de defumação e das energias em rituais. É um ótimo instrumento para purificação, podendo ser usado para limpar as energias de objetos, pessoas, animais ou ambientes. Também é empregado em rituais de cura, balanceamento de energias e centramento, para representar o elemento ar, ou para agregar energias positivas. Por último, o abanilho pode ser usado de forma muito prática para incentivar e aumentar o fogo na queima de ervas, ou na hora de acender um smudge stick. Em algumas culturas, é desrespeitoso assoprar as ervas da defumação, portanto, o abanilho é perfeito para ajudar as brasas a se alastrarem.
   É um instrumento essencial no xamanismo, usado por diversas culturas nativas ao redor do mundo, visto que as penas são representações dos planos superiores, liberdade, conexão do sagrado com o humano, e são inerentemente sagradas. Qualquer pena natural serve para a criação de um abanilho, e podem ser usadas individualmente (apenas uma pena grande amarrada a um cabo de madeira) ou várias amarradas. Os abanos podem ser confeccionados com as penas de uma única espécie de pássaro, ou de várias diferentes. É comum que penas de tamanhos diferentes sejam combinadas. Cada espécie de ave contém correspondências e propriedades únicas, portanto, suas penas carregam essa simbologia que pode ser invocada e acrescentada à atividade mágica que está sendo realizada.
   O cabo de madeira pode ser decorado com miçangas, sementes, fitas coloridas, tecido, ossos, cristais ou símbolos apropriados. Os materiais naturais usados na confecção do abanilho devem ser encontrados na natureza - não se deve arrancar o galho da árvore nem as penas do animal (muito menos matar uma ave apenas para retirar suas penas!).
   É recomendado que os objetos-totem tenham uma harmonia energética. Para cada tipo de pena que você usar, tente acrescentar elementos relacionados aos pássaros que simbolicamente tragam o equilíbrio. Por exemplo, se você pretende criar um abanilho com penas de papagaio, use a madeira de uma árvore frutífera para o cabo, pois frutas são o principal alimento dessa ave. Se você usará penas de gavião, acrescente penas de aves pequenas ou entalhe no cabo algum dos animais que formam a base da alimentação desse animal (lagartos, peixes, crustáceos, serpentes, etc). Se usará penas de coruja, acrescente pêlo de roedores, ou fixe um pingente de aranha, que também são parte da rotina alimentar das corujas. Se não tiver o objeto que traz maior harmonia ao seu abanilho para decorar seu abano, entalhar ou desenhar funciona da mesma maneira.

Breve lista de aves e suas principais simbologias: 


Aves de rapina (Águia, Gavião, Falcão): Força, grandeza, majestade, artes, astúcia, iniciativa, visão.
Avestruz: Coragem, entusiasmo, alegria, fé.
Calopsita: Amizade, doçura, conforto.
Canário: Alegria, proteção e assuntos relacionados à crianças.
Coruja: Sabedoria, mistério, conhecimento.
Galinha: Proteção do lar, maternidade, conforto, amor, fertilidade.
Galo: Segurança, proteção.
Ganso: Transição, lealdade, coragem, companheirismo, liderança, sincronicidade.
Papagaio: Comunicação, energia solar, alegria, inconsciente.
Pardal: Fertilidade, alegria, hospitalidade, astúcia, cooperação.
Pato: Honestidade, união, felicidade conjugal.
Pavão: Sorte, proteção, renovação, beleza, prosperidade, realeza, harmonia, amor.
Pomba: Amor incondicional e sublime, pureza, confiança, harmonia, paz, devoção, esperança.
Urubu: Banimento, purificação, mistérios, dons proféticos, proteção, ciclo da vida, necromancia.

Algumas informações do livro  "In the Shadow of the Shaman: Connecting with Self, Nature, and Spirit", de Amber Wolfe.

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A espalhar boas energias,
   Alannyë Daeris.

quarta-feira, 11 de março de 2020

Culto aos Ancestrais - Voltando às Raízes

"The Obsequies of an Egyptian Cat", por John Weguelin. 1886, óleo sobre tela. Editada pela autora.

   O culto aos ancestrais é presente em muitas culturas pagãs e era parte essencial do cotidiano religioso de civilizações antigas. Em nosso mundo moderno, poucas pessoas levam em consideração a proteção e o auxílio que os ancestrais nos fornecem, e todas as formas em que podem nos ajudar no nosso cotidiano - tanto quanto divindades ou entidades em geral.
   Ancestrais não são apenas as pessoas de nossa linhagem sanguínea que vieram antes de nós, mas também amigos e companheiros animais que já passaram para o outro lado. Retornar às raízes é muito importante, pois através delas conseguimos compreender muito mais profundamente o que nos faz sermos o que somos hoje! O culto aos ancestrais traz orientação, compreensão e um senso de entendimento do nosso lugar no universo.
   Se você tem interesse em recuperar seus laços com os ancestrais, saiba que esse é um processo que requer esforço e paciência, pois pode ser um pouco complicado estabelecer uma conexão logo de cara. O motivo para isso é simples: estamos tão distantes da natureza e das nossas origens que, depois de anos de negligência, é como tentar acordar um vulcão dormente. Considere suas motivações e o seu estado mental e emocional ao interagir com os espíritos, pois eles certamente conseguem ver além do que você aparenta por fora.

Como Começar - Montando um Altar Ancestral


   Simples: monte um altar, mesmo que simples. O mais recomendado é que seja na sala ou na cozinha, em algum lugar mais público da sua casa. A cozinha é o coração da casa, e a sala é onde nos reunimos com nossos entes queridos; portanto, ideais para um cantinho especial aos ancestrais. Evite fazer no quarto. Tradicionalmente, o altar ancestral fica na direção do Oeste, que é considerada a direção dos portões para os submundos, e também é onde o sol se põe.
   O mais importante é que seu altar seja bonito, mesmo que contenha apenas um vaso de flores e uma vela branca. Seja criativo e adapte da forma que funcionar melhor; tenha em mente a praticidade, pois é melhor um altar bem pequeno do que um enorme que você vai ter preguiça de tirar o pó e utilizar. Tenha pelo menos uma vela para ser acesa regularmente, deixe sempre um copo com água fresca, decore com imagens de seus ancestrais - mas nunca coloque fotos de pessoas ou criaturas vivas.
Altar de Samhain para homenagem aos
ancestrais, com Hekate ao centro.
   Você pode acrescentar outros objetos que tenham sido de parentes ou amigos falecidos, como joias da família, acessórios, relógios, enfim; se não tiver nada disso, use coisas que lhe façam se sentir conectado com a terra e com sua linhagem. Ossos, vasos de flores, pedras simples ou cristais, etc. Esses itens naturais representam que viemos da terra, e são nossos ancestrais mais antigos.
   Se você costuma prestar culto a divindades, é uma ótima ideia acrescentar estátuas ou referências de entidades psicopompas, para facilitar a comunicação e a interação com os espíritos. Algumas sugestões são Anúbis (Yinepu), Hekate, Hermanubis, enfim.
   Depois de pronto, basta consagrar o altar e convidar seus ancestrais para que sejam honrados por você. Não há necessidade de honrar ou convidar aqueles ancestrais que você não se dava bem, pois a energia deles não será compatível com a sua mesmo após a morte. Não se sinta culpado por deixá-los de fora; é melhor assim, para que não acabem influenciando em sua vida negativamente.

Oferendas


   Faça oferendas aos ancestrais com regularidade. Não precisa ser todo dia, mas é bom que oferte com uma certa frequência, pois é uma forma de fortalecer seus laços e nutri-los com a energia das coisas que está ofertando. 
   Escolha comidas e coisas que eles gostavam em vida. Se sua tia sempre usava o mesmo perfume, borrife sobre a foto dela; se sua vó tinha uma receita tradicional marcante, cozinhe e oferte a ela! Você pode colocar a música preferida de algum parente para tocar, ou ofertar presentes da cor preferida deles, enfim.
   Se você estiver trabalhando com sua linhagem em geral, ou com espíritos de pessoas que não chegou a conhecer, oferte coisas que você goste, desde que seja feito com generosidade genuína. Depois que você estabelecer laços, é possível perguntar diretamente aos ancestrais quais suas preferências para oferendas. É melhor ter a aprovação do espírito na hora de substituir uma oferenda do que ofertar algo que ele pode não gostar.
   Não precisa ser nada muito elaborado, pois a intenção vale muito mais do que uma oferenda caríssima e rebuscada. Você pode deixá-las no altar de um dia para o outro, ou por alguns dias a mais. No caso de oferendas não-perecíveis, você pode deixar por tempo indeterminado.
   Embora comida seja uma oferenda prática e acessível, existem muitas outras coisas que podem ser ofertadas aos ancestrais. Espíritos geralmente são atraídos por cheiros, então comidas quentinhas com um aroma marcante ou incenso funcionam muito bem. Outras ideias gerais para oferendas são:

Fonte. Altar nórdico para Odin,
e para culto aos ancestrais.
• Velas
• Flores e ervas
• Café, bebidas alcoólicas
• Poemas e hinos
• Arte (desenhos, pinturas)
• Chás
• Objetos artesanais variados
• Ações de caridade, trabalhos voluntários
• Leite
• Mel
• Sobremesas
• Frutas
• Música (você tocando, cantando ou assoviando)
• Água de fontes naturais
• Moedas, dinheiro
• Tabaco/cigarro 

   As oferendas alimentícias feitas aos ancestrais podem ser ingeridas ou não - isso é uma prática bem pessoal. Há espíritos que se ofendem, outros não. Há pessoas que consideram ofensivo, outras consideram que é mais ofensivo desperdiçar alimento. Reflita sobre o que você acha "mais certo", e não tenha medo de consultar diretamente os seus ancestrais para saber o que eles também acham sobre isso. Pode ser que eles nem se importem...
   Algumas maneiras de descartar oferendas para ancestrais:

• Enterre no seu jardim ou em um lugar bonito;
• Faça uma composteira e misture, no caso de alimentos;
• Faça libação, no caso de líquidos;
• Deixe na natureza, desde que seja biodegradável;
• Coloque em encruzilhadas;
• Deposite em um cemitério;
• Jogue no lixo. Pode parecer ofensivo, mas não é!

Datas Propícias para Lidar com os Ancestrais


   É claro que você pode fazer isso nos dias em que estiver mais disposto, mas há momentos em que a interação com os falecidos se torna mais facilitada e intensificada. Para começar um altar ou um culto ancestral, a melhor época se dá entre o Equinócio de Outono (Mabon) e o Samhain, quando o véu entre os mundos está mais fino. No geral, tente estabelecer e conciliar suas práticas nas seguintes ocasiões:

• Na Lua Nova, durante a noite. 
• Sábados, nos horários de Saturno.
• Terças à noite, em horários de Saturno.
• Na época do Samhain (ou em festivais similares, como o Día de Los Muertos)
• Qualquer feriado ou data voltada para a família, como o Yule (Natal) ou Mabon. 
• Datas de nascimento ou aniversário de morte dos seus ancestrais.
• Seu próprio aniversário, ou no aniversário dos seus familiares vivos.

Construindo Laços


   Como qualquer tipo de relação, nada acontece de uma hora pra outra. Depois de convidá-los para seu altar, mantenha uma rotina de orações e meditações, pois é a única maneira de conhecê-los de fato. Você também pode fazer um travesseiro de sonhos com ervas para lhe auxiliar a se conectar com eles durante seu sono. Pode levar um tempo, mas não desista, pois é muito recompensador!
   Construir um relacionamento com os ancestrais é de fato incrível, e num sentido geral, fará sua vida fluir mais suavemente - quando são bem "alimentados", ou seja, quando você se dedica a honrar o espírito dos seus ancestrais, eles podem fazer inúmeros favores que não foram solicitados, como prevenir coisas ruins de acontecerem com você, proteger seus filhos e o resto da sua família, evitar danos à sua casa, agir como wards, comunicar coisas importantes através de sonhos ou presságios, aumentar sua sorte, lhe dar conselhos construtivos e comentários honestos sobre o que você está fazendo de certo ou errado em sua vida, ou seja, vão querer o seu melhor.
   Por isso, não tenha medo! Não há motivo algum para se sentir amedrontado perante seus ancestrais; eles são parte de sua história, e parte de você também, pois foi a partir dos genes e células deles que você foi formado e está vivo hoje. Ou seja, gratidão é um dos sentimentos que você deve sentir perante sua linhagem. Mas é claro, prudência e pesquisa são aliados essenciais de qualquer tipo de trabalho mágico. Nem todos os seus ancestrais podem ser bem-intencionados, ou compatíveis com sua energia; como dito antes, há espíritos que não valem a pena serem convidados, e é melhor que fiquem apenas no seu passado.
   No geral, os ancestrais só querem de você um pouco de atenção e serem reconhecidos, portanto, não costumam ser tão exigente quanto divindades ou outras entidades, e podem se satisfazer com pouco, não se ofendem tão facilmente, enfim. Além disso, considere que entidades famosas e requisitadas possuem mais poder para interferir ao seu favor, mas também são mais ocupadas do que os seus ancestrais.
   Dessa forma, se você se dedicar regularmente ao seu relacionamento com seus ancestrais, eles continuarão sempre olhando por você, pois além de não terem muito o que fazer para se ocupar, vão se interessar pelo andamento de sua vida e por facilitar as coisas pra você, em troca da interação e do carinho que você ofertá-los.
   Considere as três perguntas abaixo, e reflita sobre elas. Se possível, medite e busque o conhecimento que está dentro de você mesmo.

- Qual minha motivação para conhecer e refazer os laços com meus ancestrais?
- Em qual base desejo construir esses relacionamentos? 
- Qual espero ser o resultado da conexão com meus ancestrais?

Ritual Simples de Honra aos Ancestrais


   Por último, como de costume, uma ideia de ritual bem simples para facilitar um pouco sua vida. É claro que você pode criar suas próprias formas de lidar com os ancestrais, e desenvolver suas práticas baseadas nas suas crenças. Essa estrutura abaixo é bem maleável, e você pode omitir algumas passagens ou partes de acordo com seu foco no momento. Leia tudo pelo menos uma vez e depois adapte para suas necessidades.

1. Preparação e Abertura


   Você pode se ungir com óleos ou sprays aromatizadores que tenham relação com purificação, aumentar suas capacidades psíquicas e sensitivas, ou específicos para conexão com os mortos. O incenso também pode ser escolhido para alguma dessas finalidades.
   Acenda a vela principal e o incenso a partir da chama da vela. Se você tem velas específicas para familiares individuais, espere até o momento de convidá-los para acender a vela. Sente-se por um momento, se concentre, fique receptivo. Não há necessidade de convidar um psicopompo para auxiliar, mas facilita muito, portanto, se não quiser, pule o passo 2.

2. Convidando seu Psicopompo


   Esse momento depende muito da divindade com a qual você trabalha; recite algum hino relacionado a ela, ou crie uma invocação própria para suas práticas ancestrais. O melhor que você convide entidades que já conhece e trabalha, mas se não tiver contato com nenhum psicopompo, considere começar agora!
   Segue abaixo um exemplo de invocação para Hermanubis (sincretização de Hermes com Anúbis). Certifique-se, porém, de que suas palavras sejam sinceras.

"Hermanubis, Hermanubis, Hermanubis, Eu lhe chamo, Trismegistos!
Venha até mim, nesse espaço em que ocupo, que servirá como uma encruzilhada e ponto de encontro para mim e meus ancestrais. Aja como uma porta e como a luz que guiará aqueles que busco encontrar. Rasgue o véu entre esse mundo e o dos falecidos, o Duat/Amenti. Busque aqueles por quem chamo, de onde quer que estejam, e certifique-se de que receberão minhas palavras, presentes e intenção.
Aceite essas oferendas de fogo, luz, incenso, (nome da comida que está ofertando dentre outros presentes), por seus serviços. Dissemine essas oferendas para os falecidos que convido e compartilhe com eles, e não permita que nenhum intruso que não tenha sido convidado encontre o caminho para meu altar.
Louvado seja Hermanubis! Dua!"

   Se você tiver alguma imagem de seu psicopompo, banhe-a na fumaça do incenso e unja-a com óleo, ou borrife um aromatizador sobre ela. Coloque as oferendas sobre o altar, envolvendo-as na fumaça do incenso antes. Faça um gesto indicando que as oferendas estão postas (por exemplo, com as duas palmas estendidas em sua frente voltadas para cima).

3. Convidando os Ancestrais - Chamado Matrilinear


   Independentemente da relação que você tinha com sua mãe ou avó, geralmente inicia-se pela linha matriarcal, visto que é a elas que devemos mais honras ancestrais. Elas nos carregaram fisicamente em seu corpo, sofreram no processo do parto, e provavelmente foram as pessoas que mais lhe cuidaram.
   Você pode fazer uma invocação simples, como "Convido os espíritos de minha linhagem matrilinear", ou fazer algo mais complexo - e efetivo. A invocação simples funciona no cotidiano, mas para as primeiras vezes ou para rituais mais elaborados, é melhor que você invista um pouco mais na interação.
   Comece pelos que faleceram mais recentemente, e pule quaisquer pessoas que estejam vivos, ou que você não queira convidar por quaisquer motivos. Se você souber os nomes completos, use-os, ou identifique-os pela relação que tinha. Vá no mínimo até 3 gerações anteriores, e no máximo 7. Se tiver velas representando essas pessoas, acenda-as enquanto chama seus nomes ou indica seu relacionamento. Agora sim, vamos ao exemplo:

"Eu chamo, aqui e agora, as honradas e bem-intencionadas mulheres de minha ancestralidade. Minha mãe, de nome ________ (se for falecida), minha avó, de nome ________ (se for falecida), minha bisavó, minha tataravó, a mãe dela, e assim por diante!
Toda mulher que pariu uma mulher que pariu uma mulher que pariu uma mulher, cujo sangue corre em minhas veias!
Venham a esse altar, e aceitem meu agradecimento de coração pelos sacrifícios que fizeram pela nossa família. Aceitem essas oferendas de (indique as oferendas que está fazendo - fogo, luz, incenso, alimentos), juntamente com meu amor e gratidão sincera. Que elas tomem a forma que mais lhe agradar!"

   Faça uma reverência em apreciação e novamente um gesto indicando que as oferendas estão postas. Passe o tempo que achar necessário conversando com elas e se conectando com elas, tudo que tiver que fazer com o lado feminino de seus ancestrais.

4. Convidando os Ancestrais - Chamado Patrilinear


   Você pode falar "Convido os espíritos de minha linhagem patrilinear", ou, como anteriormente, algo mais complexo. Igualmente, se tiver velas representando algum ancestral masculino, acenda a vela conforme chama cada um dos seus familiares.

"Eu chamo, aqui e agora, os honrados e bem-intencionados homens de minha ancestralidade. Meu pai, de nome ________ (se for falecido), meu avô, de nome ________ (se for falecido), meu bisavô, meu tataravô, o pai dele, e assim por diante!
Todo homem que gerou um homem que gerou um homem que gerou um homem, cujo sangue corre em minhas veias!
Venham a esse altar, e aceitem meu agradecimento de coração pelos sacrifícios que fizeram pela nossa família. Aceitem essas oferendas de (indique as oferendas que está fazendo - fogo, luz, incenso, alimentos), juntamente com meu amor e gratidão sincera. Que elas tomem a forma que mais lhe agradar!"

   Faça uma reverência em apreciação e novamente um gesto indicando que as oferendas estão postas. Passe o tempo que achar necessário conversando com eles e se conectando com eles, tudo que tiver que fazer com o lado masculino de seus ancestrais.

5. Convidando os Ancestrais - Chamado Estendido


   Aqui você chamará os outros familiares falecidos, que não foram diretamente responsáveis por sua concepção, como tios, irmãos, primos e parentes em geral.

"Eu chamo agora os honrados e bem-intencionados falecidos de minha família, cujo sangue corre em minhas veias!
Venham a esse altar, e aceitem meu agradecimento de coração pelos sacrifícios que fizeram pela nossa família. Aceitem essas oferendas de (indique as oferendas que está fazendo - fogo, luz, incenso, alimentos), juntamente com meu amor e gratidão sincera. Que elas tomem a forma que mais lhe agradar!"

   Se você estiver fazendo uma veneração ancestral exclusiva de laços sanguíneos e familiares, vá diretamente para o encerramento, pulando os dois passos seguintes.


6. Convidando os Ancestrais Escolhidos


   Sim, você pode escolher honrar ancestrais de qualquer área específica, como os patronos de sua profissão, ancestrais com mesmos interesses, magia, esportes que pratica, hobbies que você tem, amigos, vizinhos, enfim. Esse é o momento em que você os convida para seu altar. Se achar desnecessário, basta ignorar esse passo.

"Eu chamo agora (nome das pessoas que você conhecia em vida), e os simpatéticos, honrados e bem-intencionados falecidos da área de (sua profissão/astrologia/bruxaria/magia natural/etc)! Aqueles que passaram suas vidas honrando seus ofícios, e que tem tanto para ensinar!
Venham a esse altar, e aceitem meu agradecimento de coração pelos sacrifícios que fizeram pelo seu (ofício, profissão, paixão, interesse, hobby, arte, enfim). Aceitem essas oferendas como um símbolo de minha apreciação por seus esforços e conhecimentos. Que elas tomem a forma que mais lhe agradar!"

7. Anima Sola (Almas Solitárias) - Caridade aos Falecidos


   Os Anima Sola são almas solitárias, que ainda não encontraram seu caminho. Espíritos que se perderam em seu caminho para o submundo, que estão presos em nosso mundo, vagando em confusão. 
   Esse ato é uma caridade, pois seus espíritos serão alimentados e você pedirá que o psicopompo interceda por suas almas, para que encontrem seu caminho e possam finalmente descansar. Além das oferendas, você pode ofertar algumas moedas (pelo menos duas, de qualquer valor) para isso, como um tipo de "pedágio" ou pagamento pelo favor. E sim, isso pode gerar muitas bênçãos para você, pois é um ato de caridade - e como todo ato de caridade, deve ser feito com honestidade e intenção sincera.

"Eu chamo agora os Anima Sola bem-intencionados. Qualquer alma falecida desventurada, que ainda não encontrou seu caminho para seu descanso final, desde que me queiram bem, estão convidados para compartilhar das oferendas para meus entes queridos falecidos.
Venham a esse altar, e aqueçam-se próximos da chama da vela. Deixem que o fogo revigore seus espíritos, e que ilumine seus caminhos. Saciem sua sede com essa água, e alimentem-se com esse pão. Estejam confortados pela conexão humana que nos une, e sejam guiados por Hermanubis (ou outro psicopompo) até seu destino. Fiquem bem, fiquem em paz!"

8. Encerramento


   Passe quanto tempo se comunicando com os falecidos quanto achar necessário. Medite, faça orações, cante, enfim. Os mortos apreciam oferendas de tempo e atenção tanto quanto qualquer outra. Você pode conversar com eles, falar sobre seu dia, suas ambições e preocupações, como conversa com pessoas vivas. Ouça música, escreva, desenhe, faça arte na presença deles, e deixe que compartilhem de seu tempo e espaço com você. Você também pode tentar métodos divinatórios, especialmente aqueles que estejam em áreas de necromancia.
   Quando estiver pronto para encerrar, fale o encerramento abaixo, ou algo similar:

"Muito obrigada a todos os meus ancestrais e falecidos que vieram comungar comigo nesse momento tão especial. Eu espero que tenham desfrutado das oferendas e se saciado! Continuem a me auxiliar e proteger em minha vida e trabalhos, e saibam que sou muito grata.
Eu lhes dou licença para que partam. Retornem para seus locais de descanso aos quais pertencem, não demorem indevidamente, e venham rapidamente na próxima vez que forem chamados. Meu amor e gratidão estão com vocês, sempre!
Hermanubis, assegure-se de que as almas de todos os que foram chamados hoje aqui sejam levados até onde devem estar, e ajude os perdidos a encontrarem seus caminhos. O rito agora está fechado."

   Bata palmas ou toque um sino. Apague a vela. Você pode borrifar algum aromatizador de banimento, ou fazer algum outro tipo de banimento, se considerar que o encerramento foi insuficiente e ainda há alguém por perto.
   Remova as oferendas antes que elas apodreçam. Não há necessidade de retirar coisas não-perecíveis.

Cuidados pós-ritual


   Interações com os mortos podem ser cansativas, pois suas energias são um tanto pesadas (não-intencionalmente, é claro) e podem sugar muito de você. Se sentir que está cansado ou drenado, troque de roupas, tome um banho, ou purifique-se de alguma maneira. Se ainda se sentir meio cansado, coma alguma coisa, faça um aterramento, beba um chá energizante.

Ritual de Honra aos Ancestrais adaptado daqui.

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A honrar minha ascendência,
   Alannyë Daeris.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Necromancia - Lidando com o Outro Lado do Véu

Still Life with a Skull and a Writing Quill - Pieter Claesz, 1628. Óleo em madeira.

   Necromancia é como se denomina toda e qualquer prática mágica relacionada a aqueles que já se foram - espíritos, fantasmas, ancestrais, há várias denominações. Apesar de estar envolvida em desinformação, clichês incorretos e mistérios, especialmente sobre ser uma prática nefasta e maliciosa, a Necromancia não deve ser considerada "magia negra" - até porque esse conceito está errado. Ela é frequentemente usada para guiar quem precisa de conselhos, descobrir segredos de família ou informações sobre ancestralidade e para divinação, e mesmo quando utilizada para feitiços ou outras finalidades mágicas, não são todos os espíritos que vão ter interesse em ajudar uma pessoa com más intenções.
     A magia com os mortos não é recomendada para iniciantes. Há rituais e meditações que alguns novatos são capazes de realizar, além das oferendas e homenagens que não possuem restrições de experiência, mas não são todas as práticas mágicas necromânticas que podem ser realizadas por aqueles com pouca experiência. Além disso, é preciso que o praticante que saiba se proteger e realizar um banimento corretamente para evitar que os espíritos ou ancestrais envolvidos fiquem presos ao lugar e/ou ao próprio praticante. Por esse motivo, muitos preferem realizar rituais necromânticos em encruzilhadas, bosques afastados, cemitérios ou outras localidades que não sejam a própria casa - embora isso não resolva o problema por completo.
   Lidar com a morte e utilizá-la para fins mágicos não é exclusividade da necromancia. Oferendas de alimentos com carne, ervas utilizadas nos incensos e rituais, magia com sangue ou ossos e até mesmo o culto de algumas divindades - que podem ser ancestrais que já caminharam sobre a Terra - são exemplos de como a morte está presente na Bruxaria, mesmo quando não se está praticando necromancia de fato.
   Muitos tabus envolvem essas práticas mágicas, e aqueles que possuem interesse na necromancia devem, antes de qualquer outra coisa, encarar a morte com naturalidade e compreender que ela é uma transição necessária no ciclo da natureza, tanto quanto o nascimento. O medo da morte, ou sentimentos negativos em relação a ela tornarão suas tentativas de praticar necromancia frustradas.
   Mantenha em mente também que essa passagem pode ser traumática e dolorosa tanto para quem deixa o mundo material quanto para quem fica, portanto nem todos os espíritos a serem contatados estarão em paz e conscientes de seu estado. O papel de um necromante também envolve auxiliar espíritos perdidos e libertá-los de lugares ou pessoas aos quais estão presos por conflitos pendentes.
   Embora seja recomendável praticá-la com familiares falecidos, necromancia não precisa ser feita somente com aqueles que você conhecia e já partiram dessa para melhor. Qualquer espírito pode ser contatado, mas não há como saber de antemão se ele será amigável ou hostil em relação ao necromante; a forma como essa pessoa morreu - se foi de forma tranquila ou violenta -, sua personalidade, disposição e interesse em ajudar são alguns dos fatores que influenciam nesse ponto.
   A conexão com os finados pode ser feita através de meditações e sonhos, mas nem sempre vontade sozinha é o suficiente para isso; portanto, é comum que necromantes busquem links mágicos que fortaleçam seu vínculo ao falecido. Exemplos são a casa em que a pessoa morava, objetos e roupas pertencentes a ela, o lugar onde morreu, sua cova ou a terra sobre ela, e seus restos mortais.
   Atualmente, a necromancia é feita quase que exclusivamente através dos espíritos que partiram para o submundo. No entanto, é possível e recorrente em registros medievais sobre Bruxaria as práticas realizadas com corpos e restos mortais. Divinação através de ossos, cura através de rituais com membros e maldições de todo o tipo são citadas dentre as utilizações de cadáveres. Existem inúmeras outras aplicações, mas ter acesso ao material necessário para aprendizado e prática é algo extremamente difícil - já que revirar túmulos além de anti-ético é crime.
   É normal entre pagãos e neo-pagãos que suas práticas mágicas relacionadas à morte sejam unidas ao culto de divindades do submundo, pois são os guardiões dos mortos e conhecedores dos mistérios da pós-vida. Essas divindades podem agir como intermediários durante interações e atividades mágicas, como também guiá-lo durante as mesmas. Porém, como todo culto prestado aos Deuses, deve ser feito somente por afinidade e vontade genuína; interagir com uma divindade somente por interesse nos aspectos cujos quais ela domina é um ato muitas vezes mal visto e até mesmo passível de consequências dependendo da entidade em questão.
   O festival pagão do Samhain possui a tradição de prestar homenagem aos ancestrais e pessoas queridas que já faleceram, sendo um ótimo momento para aplicar seus estudos sobre essa arte. O véu entre os mundos durante a noite desse sabbath está mais fino, facilitando a interação entre vivos e mortos.
   Em várias culturas existem entidades conhecidas como psicopompos - que podem ou não ser divindades -, responsáveis por conduzir os mortos até o submundo. Essa simbologia se estende à outras transições além daquela feita da vida para a morte, mas a palavra em seu sentido original se refere a aquelas entidades que acompanham a passagem para o submundo. Alguns exemplos de psicopompos são Exu, Papa Ghede, Anúbis e as Valquírias.
   No Xamanismo, a necromancia é uma arte bastante desenvolvida e comum a todos os praticantes, especialmente pelo aspecto de ancestralidade que é bastante forte nesta cultura. Transes ritualísticos induzidos por música, dança e substâncias enteógenas para o contato com os espíritos são essenciais dentre os xamãs, e podem ser exercidos de maneira similar por outros praticantes de necromancia.

   Dicas para quem deseja aprender necromancia:


 Os melhores espíritos são aqueles com quem você tinha uma ligação sentimental boa, como parentes queridos. Se antes do falecimento da pessoa em questão vocês estavam em situação de hostilidade, evite contatá-la até possuir maior experiência no assunto, e apenas procure-a quando estiver pronto para solucionar os conflitos pendentes.

 Antes de partir para meditações e evocações, pratique através de oráculos como o tabuleiro ouija ou o pêndulo - optando, é claro, por um oráculo com o qual você já tem experiência. Qualquer oráculo serve, embora o pêndulo e o tabuleiro ouija sejam tradicionais na necromancia e bastante práticos para responder perguntas.

 A personalidade não muda após a morte. Se uma pessoa era egoísta em vida, continuará sendo egoísta após ela, e o contrário é verdadeiro. O mesmo serve para os gostos; oferendas podem ser facilmente encontradas quando se conhece as coisas das quais a pessoa gostava em vida.

 Sempre purifique o lugar antes e depois de realizar sua atividade mágica necromântica. Não importa se foi somente uma meditação rápida; a purificação pós-necromancia é imprescindível.

 Purifique também a você mesmo após o término de suas atividades. Um banho de sal grosso ou de água consagrada costumam servir, mas existem várias outras maneiras - práticas complexas requerem purificações mais fortes, enquanto práticas simples podem ser seguidas de purificações simples.

 Círculos mágicos são bastante úteis, especialmente aqueles feitos de sal ou ervas e flores relacionadas à purificação e proteção. Se você não gosta de círculos protetores, não é obrigado a empregá-los, mas precisará de banimentos mais poderosos após realizar suas atividades.

 Espíritos requerem respeito da mesma maneira que qualquer outra entidade. Não espere que terá algo de graça sem haver uma troca; portanto, esteja preparado para negociar uma oferenda equivalente ao que você deseja, que pode ser material ou em forma de atitudes ou favores.

Feitiço de Comunicação com os Ancestrais


   Esse feitiço pode ser realizado por iniciantes em necromancia, desde que tenham experiência em purificações e meditações. É preferível que você faça com espíritos ou ancestrais com os quais tem alguma conexão, especialmente familiares. Escolha uma pergunta que tenha a ver com a pessoa falecida, ou um conselho que você queira para sua vida. Deve ser feito à noite, antes de ir dormir.
   Você precisará de um pertence pessoal e/ou imagem da pessoa e um incenso, além de uma fruta ou alimento que essa pessoa gostava. Se você quiser ofertar outra coisa que sabe que ela gostaria de ganhar, substitua a fruta.
   Após purificar o local, trace o círculo mágico ao seu redor e acenda o incenso, convidando seu ancestral para fazer parte desse ritual. Mentalize suas feições, observe bem seu retrato ou o objeto dele. Se for alguém próximo a você, converse como conversava normalmente. Se você não souber o que falar, diga algo como:
"[Nome do ancestral], eu lhe convido em busca de conhecimento. Lhe oferto esse incenso e esse alimento, para honrá-lo e pedi-lo que me diga [o que você quer saber]."
   Observe o incenso, e mantenha seu foco na fumaça. Permita que sua mente se esvazie, e medite com o ancestral, enquanto continua prestando atenção no incenso queimando. É possível que ele não interaja tanto com você, e somente responda a pergunta. Após receber a resposta, agradeça ao ancestral e oferte a fruta ou o presente que você separou para dar a ele. Deixe em seu altar ou em uma janela, e no dia seguinte deposite na natureza. Caso o incenso não tenha terminado de queimar, você pode deixá-lo queimando enquanto termina o ritual e purifica o ambiente e a si mesmo.
   Se você não obter uma resposta até o incenso estar chegando ao fim, sopre a fumaça enquanto mentaliza sua pergunta sendo enviada até o ancestral, e encerre como indicado acima. Então, durma com a imagem ou o objeto próximos de sua cama, ou junto de você. É provável que você sonhará com a resposta, e se isso não acontecer, medite pela manhã com o ancestral - ele pode querer negociar algo em troca da resposta, ou não querer respondê-lo por algum motivo.

A honrar o outro lado do véu,
    Alannyë Daeris.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Magia Natural: Mar!


   A magia existe de diversas formas, e são inúmeras as formas de realizarmos feitiços e rituais. Embora as práticas comuns demandem um altar elaborado, você pode fazê-lo de maneiras improvisadas, com elementos da natureza. Nesta série de Magia Natural, veremos diversas formas de utilizar da própria natureza para realizarmos diferentes formas de magia. O primeiro post, então, será com a praia!
   Morando ou não na praia, você pode acabar notando que muitos dos instrumentos mágicos possuem similaridades com os utilizados na pesca, ou encontrados na beira do mar. Pode não ser necessário que se comprem instrumentos em lojas, mas sim que se façam de maneira simples. Por exemplo, uma varinha pode ser adaptada de um pedaço de madeira. Um incensário pode ser feito a partir de uma concha, a areia da praia pode ser o próprio altar, e o pentáculo ser desenhado no chão. Velas e outros objetos mais elaborados podem vir a ser comprados normalmente.

   Para realizar rituais na praia, você deve atentar para o horário e o local. Em praias movimentadas, é preferível que não se realizem rituais nos momentos de pico, pois isto atrai muitas atenções indesejadas. Os melhores horários são durante a manhã ou a noite, porém é preciso cuidado com as marés e o tipo de ritual que será realizado. Se você for realizar um ritual com a Lua, faça-o durante a noite. Se não houver uma especificação, pode fazê-lo no horário que for melhor.
   Além disto, é importante que se tenha discrição, não somente para sua segurança pessoal, mas também para não ser atrapalhado com perguntas ou olhares que desviarão seu foco do ritual. Evite usar roupas ritualísticas caso sejam chamativas, e se for realizar em alguma praia movimentada, monte seu altar da maneira mais simples possível.
   Os rituais realizados na praia podem ser feitos para todo o tipo de finalidade. No entanto, aqueles com objetivo de banimento, purificação ou proteção são incentivados pelas propriedades contidas na água do mar - que são exatamente estas!

As marés!


   Se você planeja realizar rituais em praias, deve atentar para as marés. Alguns locais são impossíveis de ser acessados após determinado horário por virtude da maré, e portanto, pode vir a ser perigoso arriscar um ritual nestes locais.
   Mas as marés podem ser utilizadas de forma mágica também! São resultantes da atração gravitacional da Lua em maior proporção, e do Sol em proporção menor. Existem marés específicas de algumas localidades, como as marés terrestres e as atmosféricas. 
   Para saber mais sobre como são as marés na praia que você mora ou frequenta, em algumas casas de pesca é comum que se encontrem tabelas indicando o movimento do mar no local. Conversar com os pescadores locais também pode ajudar bastante! 
   Atentando para estes detalhes científicos, vamos ver as características mágicas do movimento oceânico:

   ☾ Maré enchente: É a que começa a subir, relacionada à Lua Crescente. Ou seja, pode servir para finalidades de início, criação, expansão, começar projetos e planos, atrair prosperidade, amor, entre outras coisas. 
   ☾ Maré alta: Dura aproximadamente 12 horas, e tem as propriedades similares à da Lua Cheia. Qualquer forma de magia pode ser feita com a maré alta. 
   ☾ Maré vazante: Banimento, autoconhecimento, introspecção, meditação, final de ciclos, afastamentos, términos. É similar à Lua Minguante.
   ☾ Maré baixa: É a resultante da vazante, que tem correlação com a Minguante também - embora magicamente possa-se correlacioná-la com a Deusa Negra. Suas características são de destruição, término, banimento - mas de forma mais forte e poderosa do que na maré vazante.

Instrumentos mágicos!


   Com uma caminhada na beira do mar, pode-se observar vários e vários objetos e instrumentos que podem ser adaptados para a magia. Sempre agradeça à natureza pelos presentes quando os encontrar, deixando uma pequena oferenda ou realizando alguma atitude positiva para a praia - coleta de lixo, cuidado com os animais, uma reverência antes de entrar no mar ou pisar na areia.

   ☾ Água do mar: É um dos elementos mais abundantes na praia. Pode ser utilizada em libações, ao se banhar no mar, ou como representante do elemento água em seu altar. Suas principais propriedades são purificação, banimento e proteção. A água do mar possui as características em conjunto com o sal, por sua composição possuir cristais salinos de maneira natural.
   Pode-se criar uma conexão com o mar através de colocar um pouco de sal em um copo d'água - mas as propriedades serão menores, ainda que seja uma boa forma de realizar magia com o mar enquanto distante do mesmo.

   ☾ Areia: Também um elemento abundante na praia, pode ser usada como base para qualquer ritual realizado na beira do mar. Costuma-se desenhar o círculo de forma física, e também fazer o pentáculo ao centro utilizando-se da areia da praia. Pode substituir o sal por possuir as mesmas propriedades, ou ser usada no altar como representante do elemento terra.

   ☾ Búzios: São as conchas que possuem estrutura espiralada. Através de um búzio, podemos ouvir o som do mar, sendo um instrumento de conexão com o elemento ar e também com a própria energia marítima. Possuem conexão com os Deuses, em oposição às conchas que são símbolos das Deusas.

   ☾ Conchas: São símbolos do Sagrado Feminino e de todas as Deusas. Seu elemento é a água e simbolizam fertilidade. Podem ser utilizadas para armazenar água, ervas ou terra (barro, areia, sal), como cálices ou incensários improvisados, assim como outros instrumentos mágicos.
   Também podem ser matéria-prima para oráculos como runas, assim como utilizadas para realizar scrying em um recipiente contendo água, ou como talismã para atrair fertilidade, amor e beleza.

   ☾ Cordas: Por vezes são encontrados resquícios de cordas utilizadas em redes de pesca na beira da praia. Estas cordas podem ser utilizadas para a Magia de Nós, ao substituir os barbantes e fitas. As cordas encontradas na praia já foram banhadas em água do mar, possuindo energias de banimento e proteção muito mais fortes do que as compradas no comércio. O elemento das cordas é o ar.

   ☾ Espinhos, ferrões, pinças e garras: Costumam ser encontrados sozinhos ou em animais já mortos na beira do mar - siris, caranguejos, ouriços. Se isto acontecer, colete do animal e deixe uma oferenda ao espírito do animal, agradecendo pelo presente.
   Estas partes de animais podem ser utilizadas como talismãs de proteção, ou como objetos principais em feitiços e rituais para banir e proteger. O elemento que representam é o fogo.

   ☾ Estrelas e bolachas do mar: São animais diferentes, mas com a mesma característica de possuírem o formato de uma estrela de cinco pontas - no caso da bolacha do mar, contém no centro de seu corpo, e também em seu interior é formada uma pequena estrelinha. Se você se incomoda com o sacrifício animal, recomendo que não os capture caso os encontre, a menos que se certifique que estejam mortos.
   Podem ser usados para todo o tipo de magia, como um representante ou substituto do pentagrama. Sua maior correspondência é prosperidade, e seu elemento é a terra.

   ☾ Galhos e pedaços de madeira: São componentes de árvores que permaneceram flutuando até chegar à praia. Não são muito comuns em alguns locais, então considere-se sortudo caso encontre vários.
   Podem ser utilizados para varinhas mágicas, para desenhar na areia o que se deseja, traçar o círculo de maneira física na beira da praia, ou para confecção de oráculos - como as Varetas Saxônicas. Representam o elemento terra.

   ☾ Globos ou bolas de vidro: Um pouco mais raras atualmente, eram muito utilizadas por pescadores no passado - o que significa que dificilmente você encontrará um globo de vidro na praia. No entanto, ainda é possível comprá-los.
   Servem muito bem para a divinação, em substituto à bola de cristal. Banhe o globo na água do mar durante uma maré alta para que adquira os poderes de adivinhação e intuição da água, e também para purificá-lo de suas energias. Seu elemento é o éter, mas pode considerado do elemento terra também.

   ☾ Pedras, rochas e seixos: São os pedaços de pedra que foram lapidados pela ação da água e das marés através dos anos. Podem ser pintados com símbolos de Deuses e de bruxaria, como também usados em feitiços e rituais de prosperidade, ou como representantes do elemento terra no altar.
   Algumas pedras específicas que possuem furos no centro, conhecidas como "hagstones", podem ser utilizadas para divinação, proteção e conexão com as Fadas. Podem ser usadas para a cura também.

   ☾ Penas: Algumas espécies de aves marítimas podem deixar para trás suas penas, o que pode ser utilizado como instrumento de purificação em um ritual. Também podem ser usadas para invocar o espírito animal do qual pertenciam, para pedir que ajudem em uma atividade mágica - mas com todo o devido respeito e reverência. Representam o elemento ar.


Rituais e feitiços para fazer na praia!


   ☽❍☾ Banho de mar para banir e purificar!

   Vá para a beira do mar sozinho, e feche os olhos ao se aproximar da água. Pense naquilo que quer afastar de sua vida, foque-se nisso com total convicção. Mentalize, sinta, visualize. Quando sentir que tiver acumulado o máximo de energias em relação a isto, entre no mar de cabeça erguida, caminhando normalmente.  
   Deixe que as ondas lhe banhem, sinta a corrente, a água lhe atingir e molhar por completo. Ande até onde tenha a água até seu umbigo mais ou menos, e então mergulhe na primeira grande onda que notar se aproximando ou se formando. Mergulhe de cabeça contra ela, e sinta-a levando embora de si tudo aquilo que você desejou se livrar.
   Levante-se de seu mergulho e balance a cabeça, sinta-se livre e leve. Sinta-se purificado, limpo do que queria banir de sua vida. Caso queira, pode continuar banhando-se, ou saia da água. Agradeça ao mar por sua ajuda.

   ☽❍☾ Feitiço para realização de objetivos!

   Enquanto estiver andando pela beira do mar, escolha um lugar próximo à água pela sua intuição. Pare e desenhe um símbolo que represente o que você deseja no momento, enquanto visualiza seu desenho sendo imbuído com sua energia. Se você desejar um romance, por exemplo, pode desenhar um coração.
   Espere que a água chegue e banhe seu símbolo, apagando-o com a água do mar. Quando isto ocorrer, as energias já estarão lançadas, e seu feitiço ocorrerá em breve. Atente para as oportunidades!

   ☽❍☾ Para meditar!

   Se você tem dificuldades para meditar, pode realizar esta técnica que auxilia muito. Sente-se na beira da praia de forma confortável e descanse seus olhos na linha da maré. Veja o oceano, foque sua atenção até onde é possível observar, na junção do céu e do mar. Respire fundo e realize uma respiração compassada e ritmada para relaxar.
   Quando se sentir relaxado, feche os olhos e apenas ouça o som do mar, das ondas, o fluir do oceano e o quebrar das ondas na costa. Se desejar meditar com uma deidade ou ser específico, convide-o neste momento.

   ☽❍☾ Garrafa de proteção!

   Junte vários elementos naturais que encontrar na beira da praia: conchas, búzios, cordas, penas, pedras. Pegue um pouco de areia e água do mar também. Coloque tudo em uma garrafa de vidro, e consagre a garrafa para que proteja sua casa e seu lar, sua família e a você mesmo.
   Peça que a energia do mar seja acolhedora com a família e com quem os visita com amor, e que seja brava e revoltosa com os que desejam o mal. Enterre-a em seu quintal, próximo à sua casa, ou deixe-a dentro de casa em um local onde não será vista.

Inspirado neste texto e no livro "Magia Natural" de Scott Cunningham.
A banhar-me nas águas salinas do oceano,
   Alannyë Daeris Aiodunn.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Servidores Mágicos

Criado com o site Weavesilk.
   Os servidores mágicos são seres feitos puramente de magia, criados pelo bruxo ou magista para que atue em determinadas situações, desempenhe tarefas, que podem ser as mais variadas possíveis. São formas-pensamento que se tornam reais, dotadas de energias.
   A noção de servo mágico provêm da Magia do Caos, e é como um sigilo que toma forma, que torna-se um elemental criado pelo praticante. Ele pode ser feito a partir de qualquer material, e designado para realizar qualquer função escolhida pelo praticante.

   Criando um servidor: Teoria!


   É preciso levar em consideração muitos aspectos. O servidor se tornará um ser mágico dotado de ação, e alguns cuidados devem ser tomados.

   ☽❍☾ Primeiramente, você deve delimitar para que ou onde este servidor atuará. Ele será seu protetor? Atuará em cura? Trará prosperidade financeira? Sucesso? Auxiliará em feitiços?

   ☽❍☾ Por quanto tempo este servidor lhe auxiliará? É para atingir um objetivo único, ou para estar com você a maior parte do tempo? Este é um aspecto importantíssimo, pois servidores não devem viver por mais de um ano, visto que podem passar a prejudicar o criador. Depois de certo tempo, servidores tomam consciência e podem acabar por prejudicar o magista propositadamente ou sem querer, através do karma (que recairá todo sobre o criador).

   ☽❍☾ Muito bem, digamos que você escolheu no que seu servidor lhe auxiliará e por quanto tempo. Agora, você precisa especificar como. Você deve deixar sua intenção clara, específica e direta, sem margem para erros ou dúvidas. Seja bastante claro, e lembre-se que se você direcioná-lo somente para uma finalidade, será somente aquela finalidade, a menos que você o reprograme (mais abaixo constará a reprogramação). 
   Por exemplo, se eu quiser que meu servidor realize minha proteção, ele servirá somente para a minha proteção, e a de mais ninguém. É preciso especificar neste momento como será a atuação, de uma forma que abranja tudo o que você necessita com o servidor.

   ☽❍☾ Se você já escolheu o tempo de atuação, e no que seu servidor atuará, então provavelmente já tem uma ideia de como ele será, de qual elemento será feito. Você precisará escolher símbolos para definir e reforçar as funções do servidor; por exemplo, um servidor de proteção pode ter um pentáculo como símbolo. Um servidor para lhe auxiliar em filas (engarrafamentos, bancos) pode ter um símbolo de rapidez, como um raio. Um servidor para a fortuna financeira pode ter um cifrão como símbolo, por exemplo.
   Além do símbolo para representar o servidor, escolha outro símbolo que lhe represente e demonstre sua ligação/autoridade com o servidor, e há também a possibilidade de criar um sigilo para representá-lo, se assim você desejar.

   ☽❍☾ Crie as frases que serão os comandos principais para o servidor. Por exemplo, para um servidor para proteção frases como "Impeça energias negativas de alcançarem a mim", "Reforce meus escudos mágicos", "Permita-me perceber os perigos muito antes que aconteçam", "Atue em todo o momento que eu estiver vulnerável a perigos ou influências negativas" podem ser utilizadas.
   Depois de escolher as frases que serão os comandos do servidor, você as transformará em sigilos para inseri-las no âmbito de atuação de seu servidor. Para transformá-las em sigilo, você pode retirar as vogais repetidas nas palavras e alterar a ordem, criar palavras desconhecidas.
   Por exemplo, "Reforce meus escudos mágicos" pode tornar-se "Sedomaeres Fogiaosce". Utilize do método que você preferir, desde que reduza as ações para sigilos.

   ☽❍☾ Selecione o material de que seu servidor será feito. O material geralmente é escolhido através do que serão as funções do servidor. Por exemplo, posso optar por definir que o corpo de meu servidor para proteção será uma faca. Pode ser qualquer objeto, desde que sua finalidade seja restringida somente ao servidor enquanto ele existir. 
   Este objeto deve ter algo relacionado à finalidade do servidor, podendo ser qualquer coisa material: uma caneta, um frasco de perfume, um boneco, um carro de brinquedo, um copo, enfim. Tendo relação com as atividades que seu servidor desempenhará, pode utilizar.

   ☽❍☾ Você deve nomear seu servidor para conferir-lhe poder sobre ele, autoridade e capacidade de controlá-lo. Escolha um nome qualquer, que novamente tenha relação com a atividade que ele desempenhará.
   Se meu servidor for para proteção, posso chamá-lo de "Guardião", "Guarda-costas", qualquer nome que remeta à tarefa.

   ☽❍☾ É preciso definir qual a energia ele será feito. É com esta energia que você o construirá, e moldará sua existência. Você pode retirar esta energia da natureza - água, terra, fogo ou ar -, ou de arquétipos. Geralmente cria-se os servidores com elementos, pois você precisará apenas acessar essas energias puras e brutas e moldar. Veja mais abaixo para compreender como isto será feito.

   ☽❍☾ Além de nomear, deve-se escolher como você alimentará seu servidor. Você deve definir a energia para a alimentação do servidor pois se não o fizer, ele se alimentará da sua própria energia. Escolha algo que nunca será escasso, e de preferência, que você não precisará lembrar de realizar a alimentação, que ele possa fazer sozinho. 
   Por exemplo, você pode alimentá-lo com luz solar, com elementos (vento, chuva, vapor, fogo, terra), com sentimentos como amor e ódio, com as energias negativas que lhe enviam, enfim. Pode ser algo mais abstrato ou algo físico, é de sua escolha. 

   Criando um servidor: Prática!


   Se você já fez todos os itens citados acima, é hora de criá-lo. Este será um exemplo de ritual bem explicado para criar seu servidor da maneira mais simples e funcional.

   Você precisará de:

   ☽❍☾ Os sigilos com os comandos para o servidor, preferencialmente escritos;
   ☽❍☾ O objeto que será o corpo físico de seu servo astral;
   ☽❍☾ Um objeto que sirva para representar a energia que você utilizará para moldar o servidor (vela para fogo, incenso para ar, copo d'água para água, um cristal, sal ou terra para terra)

   Comece fazendo uma purificação do local. Purifique a si mesmo também. Utilize um incenso, ervas em ramalhete, enfim, o que você preferir. Depois de purificado, trace o círculo mágico e convoque os elementos/quadrantes como de costume. 
   Coloque o objeto que você escolheu para ser o corpo físico do servidor em seu altar ou no local que estiver realizando o ritual, e atrás dele, o objeto que represente o elemento. Se seu servidor será de elemento terra, coloque um pouco de sal, um cristal ou a terra. Se ele será de fogo, coloque uma vela acesa, e assim por diante.
   Foque-se no objeto que está abrigando o elemento. Vamos dar um exemplo que você esteja criando um servidor para proteção e quer a energia do elemento fogo em seu servidor. Então, você se concentrará na chama da vela, e sentirá a energia do fogo. Coloque suas mãos próximas, sinta o calor emanando. Quando sentir que tem o controle e que já consegue manipular aquele elemento, puxe-o para o objeto, preenchendo-o com as energias do fogo. Molde seu servidor com aquela energia, da forma que você imaginar que ele deva se parecer.
   Enquanto faz isto, diga ao servidor qual será seu nome, onde ele atuará, para que você precisa dele, quando ele se ativará, por quanto tempo ele existirá, como ele se alimentará, e todos os outros detalhes importantes. Tudo o que estiver citado nos tópicos lá em cima deve ser citado para o servidor. Quando terminar de moldá-lo, pegue os sigilos que você criou para os comandos que seu servidor deve seguir.
   Dite as palavras codificadas para seu servidor três vezes. No caso do exemplo citado lá em cima, você concentraria-se em seu servidor, na forma que ele tomou, e recitaria com firmeza "Sedomaeres Fogiaosce" três vezes. Se seu sigilo estiver na forma de desenho, visualize-o sendo fixado no corpo físico de seu servidor, como se o integrasse, fizesse parte dele.
   Neste momento, seu servidor estará pronto para começar a agir. Defina os últimos detalhes, caso ainda falte alguma coisa para acertar. Ao terminar, agradeça ao elemento que você utilizou para criá-lo, e também pela presença de todos os elementais/quadrantes. Desfaça o círculo no sentido contrário que traçou, e faça um aterramento para livrar-se das energias que podem ter permanecido ainda.

   Considerações finais e dicas importantes sobre servidores:


☽❍☾ Servidores não são brinquedos! São uma ferramenta mágica, que deve ser tratada com seriedade, como qualquer outra forma de magia. E como ferramenta, tem um tempo de vida limitado, que não deve ser prolongado.

☽❍☾ Quando o tempo definido para que o servidor seja destruído chegar, faça-o. Aumentar este tempo pode acabar trazendo prejuízos a você.

☽❍☾ Evite colocar cláusulas de auto-destruição para o servidor. Ele pode tentar contornar isto, mudar as situações para não ser destruído. Quem deve fazê-lo é você.

☽❍☾ "Posso criar um servidor sem delimitar na hora quais serão as funções dele? Como um "faz-tudo"?" Sim, pode. Mas recomendo que o faça depois de já ter uma afinidade com servidores, com os métodos de criação. Isto porque você precisará programá-lo e reprogramá-lo de acordo com suas necessidades, utilizando os sigilos.

☽❍☾ "E como eu reprogramo?" Crie uma cláusula em cada sigilo para especificar isto. Por exemplo, quando for adicionar uma finalidade, defina que ela pode ser anulada se você realizar uma ação - mais ou menos como seria quando você fosse desativar o servidor, mas separadamente.
   Se eu colocar uma ação como "Rebater energias negativas", por exemplo, posso definir que esta cláusula será anulada caso eu rasgue o papel com o sigilo, queime-o, que eu fale o nome do servidor em voz alta uma vez, etc.

A controlar o caos,
   Alannyë Daeris.