terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Método Oracular para Oraculistas, Tarólogos, Cartomantes e Runólogos


   A estrutura que montei para mim e que compartilho nesse post serve para oraculistas, tarólogas, cartomantes, e para análises de outras carreiras profissionais, como terapeutas holísticas, bruxas, e diversas áreas de atuação que prestem serviços a terceiros - inclusive as que não possuem relação direta com o campo esotérico, bastando para isso fazer algumas adaptações.
   Escolha seu oráculo preferido para essa tirada, e oriento que use pares de cartas ou peças em cada posição, a fim de responder apropriadamente a ambas as perguntas que são apresentadas nas casas sugeridas dessa leitura. É um método ideal para combinar oráculos diferentes, aqueles que você mais emprega em seus atendimentos ou tem maior afinidade.

O Método 


1. Essência. O que me define como oraculista. Características principais do meu ofício.
2. Abordagem. Qual meu estilo como profissional? De que maneira exerço melhor meu trabalho com os oráculos?
3. Talento. No que sou bom? Quais são meus pontos fortes e minhas facilidades naturais?
4. Bloqueio. No que tenho dificuldades? Quais são minhas limitações e pontos fracos?
5. Clientela. Por que as pessoas se interessam por meus serviços? Que tipo de consulente eu atraio? 
6. Harmonia. Meu trabalho está alinhado com minha proposta? Preciso fazer ajustes para que reflita mais minha essência?
7. Mudanças. Preciso efetuar mudanças no meu profissional? De que tipo? Por exemplo, alterar os serviços oferecidos, arrumar valores, mudar alguns planos, etc.
8. Perspectivas. Quais as tendências para minha carreira no geral? Terei êxito e prosperidade ao longo desse semestre?
9. Orientação. Aconselhamento final para o trabalho com os oráculos.

A compartilhar experiências,
   Alannyë Daeris

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Divinação e Oráculos no Egito Antigo

   É atribuída ao historiador e geógrafo grego Heródoto a afirmação de que nenhum outro povo descobriu mais presságios que os egípcios, e a aura de mistério emanada pelas areias do Nilo tem forte relação com as diversas artes oraculares que a cultura kemética desenvolveu em seu seio ao longo de milênios. Tratemos a seguir dos dois assuntos que mais me são queridos: divinação e Egito Antigo. Em geral, entende-se o ato oracular nesse contexto como divinação, que consiste na orientação obtida de uma fonte divina; é a divindade consultada (ou ancestral honrado) que fornece a resposta para a pergunta do consulente.
   A crença e uso de Oráculos se comprova por meio de decretos oraculares gravados nas paredes de templos, e em papiros que eram então usados como amuletos pelos receptores da mensagem divina, armazenados em pequenos recipientes. Também existem petições originais que foram entregues aos Deuses em papiros ou ostracas - fragmentos de barro usados para escrever -, somadas a referências a orientações oraculares em documentos administrativos e privados, e estátuas e relevos relacionados a divinação.
   As questões formuladas tinham o padrão de resposta "sim" ou "não", e podiam envolver a previsão de eventos, confirmação de dúvidas ou informações sobre o passado e o presente, atestar identidade de indivíduos que estejam sob suspeita de algo, escolhas, decisões, e outras perguntas que pudessem ser estruturadas para obter uma resposta afirmativa ou negativa. Algumas das divindades relacionadas com oráculos são Heru-Khau em el-Hiba, Seth em Dakhla, Aset (Isis) em Koptos, Ahmose em Abydos, Amun em Karnak, Het-Heru (Hathor) em Edfu, Sobek e Aset em Faiyum, dentre outros. Alguns faraós também eram consultados para respostas oraculares, e persistiram sendo cultuados e inqueridos por centenas de anos após sua morte, como Amenhotep I, especialmente em Deir el-Medina.
   O formato de consulta divinatória mais associado ao Egito antigo são as orientações obtidas por sacerdotes ao interpretarem as movimentações de imagens divinas que eram carregadas em procissões, ou que ficavam em templos. A evidência mais antiga desse tipo de prática no Egito são algumas inscrições reais enigmáticas da metade da 18° dinastia, e relatam que o faraó Thutmose III e a rainha Hatshepsut receberam a comunicação de Amun por meio de sua barca portátil. Outros tipos de meio de receber as mensagens divinas também existiam, como frequentar os templos que abrigavam os animais sagrados vivos e interpretar seu comportamento após a pergunta - por exemplo, as ibises de Thoth, os falcões de Horus ou os crocodilos de Sobek.
   No período Ramessida que se seguiu, os documentos relatando sobre os oráculos se proliferam, e existem numerosas ostracas (fragmentos de barro) que registram as perguntas elaboradas e, ocasionalmente, as respostas oferecidas pela divindade para tal questão. Muitas dessas perguntas se relacionavam à identificação de ladrões, predizer a futura distribuição das rações e alimentos, localizar itens perdidos, e revelar informações sobre seres cuja manifestação de teor espiritual estaria perturbando o vilarejo. Cada região possuía suas próprias divindades patronas, que eram consultadas também para propósitos políticos e religiosos, como decidir quem seria escolhido como sacerdote, na eleição de oficiais e inclusive de faraós, na transferência de múmias para outros locais, e no retorno de exilados. A tradição persistiu por mais de quinze séculos, e sobreviveu inclusive ao declínio da religião kemética nativa.
   Porém, a divinação podia ser realizada de maneira particular ou individual, seja no lar ou em templos, sem a necessidade do intermédio de um sacerdote. O PGM (Papyri Graecae Magicae, ou Papiros Mágicos Gregos) contém uma variedade de fórmulas para divinação com lamparinas, tigelas com água ou óleo, e reanimação de falecidos para fins oraculares, mais conhecida como necromancia. Também havia a possibilidade de frequentar um templo e dormir lá para receber a mensagem da divindade por meio do sonho, o que era muito recorrente com relação ao deus Bes.
   Uma das práticas oraculares necromânticas individuais envolviam a tradição das cartas para os mortos (leia mais nesse texto), em que familiares escreviam para seus Akhu (Ancestrais) e entregavam as cartas na tumba do falecido, ou em outro local apropriado, e então aguardavam por um sinal que representasse a resposta para a pergunta, seja por um acontecimento mundano ou um sonho subsequente. Intermediários como escribas e sacerdotes eram procurados para elaborar as cartas no caso do indivíduo não ser letrado, e também podiam ser consultados para interpretar as respostas.
   Além da interpretação de sonhos, e de práticas divinatórias particulares, os calendários de dias de sorte e azar eram muito consultados no cotidiano, inclusive para tomar decisões e fazer determinadas atividades ou tarefas. As prescrições diárias eram divididas em manhã, tarde e noite, e podiam ser favoráveis ou desfavoráveis, geralmente de acordo com os eventos mitológicos que teriam ocorrido no dia em questão, como aniversários de Deuses ou outros acontecimentos marcantes na religiosidade egípcia. Tratarei mais a respeito dos calendários em outra oportunidade, com mais detalhes.

Referências
- Oracles, Pharaonic Egypt, por Teresa Moore
- The Oracle in Ancient Egypt, por Marie Parsons

A divinar no óleo de Yinepu,
   Alannyë Daeris

sábado, 7 de janeiro de 2023

Resenha: The Mechanics of Ancient Egyptian Magical Practice, de Robert K. Ritner

   Sinopse: The first critical examination of magical techniques and the practice of the magician in Ancient Egypt, revealing their widespread appearance and pivotal significance for all Egyptian 'religious' practices from the earliest periods through the Coptic era, influencing as well the Greco-Egyptian magical papyri.

Ficha Técnica


   Autor: Robert Kriech Ritner
   Ano: 1993
   Editora: Oriental Institute of the University of Chicago
   Páginas: 322

   O livro sobre o qual tenho imenso prazer de falar se trata de uma edição expandida e revisada da dissertação de doutorado de Robert K. Ritner - uma publicação acadêmica estupenda, ganhadora do Prêmio Heyman (1994) da Universidade de Yale. Ela se destaca por buscar compreender o conceito de magia (Heka) e suas mecânicas ritualísticas dentro do contexto egípcio, considerando a visão que os próprios praticantes tinham com base na mitologia, escritos da Antiguidade e achados arqueológicos.
   O autor, um renomado especialista no assunto, traça um panorama consistente e fidedigno do que era composta a magia dos egípcios, como ela se manifestava, e quais eram os princípios mitológicos que sustentaram essa prática por mais de cinco milênios, desde os períodos pré-dinásticos até a era copta, entrando em muitos detalhes a respeito de atividades realizadas, e explorando diversos aspectos que influenciaram no tema.
   É uma abordagem revisionista sobre a magia egípcia, que surge de análises metódicas de registros textuais e arqueológicos, revelando o fato de que não existia uma clara diferenciação entre a medicina, a religião e a magia, diferentemente do que os pesquisadores modernos concluíam até então - todas essas áreas de conhecimento estavam profundamente interligadas entre si. Somado a isso, desfaz a noção de que a magia egípcia era uma atividade marginal, realizada por indivíduos nefastos excluídos da sociedade; a magia era uma ocupação de sacerdotes e era acessada por todos da sociedade, sem exceções.
   A linguagem acadêmica empregada ao longo dessa obra requer uma significativa atenção e paciência, pois algumas passagens são de entendimento complexo, e mesmo a linguagem objetiva de Ritner nem sempre facilita para o leitor. Como uma boa dissertação, há uma quantia massiva de referências e notas de rodapé, que por vezes ocupam praticamente toda a página e desaceleram ainda mais o ritmo da leitura, mas são extremamente valiosas como um todo e fornecem a possibilidade de maior aprofundamento nas informações levantadas, com frequência nas suas fontes originais.
   Se você realmente se interessa pelas práticas mágico-religiosas do Egito antigo, e deseja compreender de maneira completa o que se pode afirmar com consistência e veracidade a respeito desses saberes arcanos e sagrados, The Mechanics of Ancient Egyptian Magical Practice é o melhor desafio intelectual que chegará em suas mãos. É uma fonte primorosa de estudos e boas referências para apaixonados por magia, mitologia, religião, e história antiga.

A encarar uma aparentemente infindável lista de referências,
   Alannyë Daeris

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Oração a Yinepu, Senhor da Necrópole

Dua Yinepu, O Senhor da Necrópole
Que abre os caminhos perante todos
E confere no salão o peso da índole
Guardião das Almas dos falecidos

Dua Yinepu, Regente da Eternidade
Orienta espíritos perdidos para seus destinos
Pois conheces em essência as Duas Verdades
Traga o fim definitivo aos seres malignos

Yinepu, Belo Guardião, Defensor Perfeito
Que põe a mão sobre os que estão no caixão 
Proteja-me e guarda-me na vigília e no leito
Faça descansar os que na terra estão

Yinepu, Mestre do Embalsamento
Oculta-me do mal, Senhor das Coisas Escondidas
Afasta o que é prejudicial, Chacal Magnificente
Rogo pelo Teu olhar zeloso do alto de Tua colina

Dua Yinepu, Senhor dos Produtos de Grãos
Que alimenta e nutre meu espírito faminto
Guia-me, dá-me o suporte das Tuas mãos
Amor e gratidão é tudo que sinto,
Louvado seja, Excelso Cão.

A empunhar a chave que abre os portões,
   Alannyë Daeris

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Compilado de Receitas de Poções e Elixires

   Uma lista de poções bem simples e práticas para incrementar seu grimório, com ingredientes fáceis de serem encontrados em supermercados, feiras ou lojas de produtos naturais. As primeiras são receitas de chás para ingestão, cuja quantidade de ervas é a gosto, arbitrária - siga sua intuição, mas sugiro medir em colheres de chá ou de sopa. Depois, poções de cafés e de chocolates quentes, e por fim, alguns elixires com cristais acompanhados de ervas para lhe inspirar.
   As receitas abaixo podem ser feitas em qualquer fase da lua, dia da semana ou horário planetário, mas se você as combinar com horários e dias favoráveis de acordo com a intenção específica, e ativar essa influência invocando-a no preparo ou na consagração, poderá obter uma eficácia mais expressiva ou alinhada com seu intento.

Poções Herbais para Beber


Poção para Aliviar Dores de Cabeça


Você precisará de:
• Raíz de gengibre
• Hortelã-pimenta
• Meio limão

   Adicione as ervas em uma panela com água suficiente para seu chá, acenda o fogo e espere ferver. Quando estiver borbulhando, aguarde 2 minutos e desligue o fogo. Em seguida, esprema uma metade do limão sobre o chá e deixe essa metade do limão (com casca e tudo) descansar por 1 ou 2 minutos na água. Coe tudo e beba, visualizando uma energia densa na área da cabeça se dissipando no ar.

Poção do Sono


Você precisará de:
• Camomila
• Lavanda
• Melissa
• Opcional: Botões ou pétalas de rosa
• Opcional: Açúcar ou mel

   Adicione as ervas sobre água quente e deixe descansar de 3 a 7 minutos. Acrescente açúcar ou mel a gosto, e mexa em sentido horário, mentalizando o sono tranquilo que você deseja. Beba calmamente quando já estiver pronto para dormir, faça suas orações, e vá para a cama.

Poção de Amor Próprio


Você precisará de:
• Água de rosas ou chá de rosas
• Açúcar ou mel
• Leite ou algum substituto vegetal

   Prepare o chá de rosas um pouco mais forte que o normal, ou aqueça a água de rosas. Acrescente leite e açúcar a gosto e mexa em sentido horário, para convidar o seu amor por si mesmo. Enquanto mexe, pense nas suas qualidades e nas coisas que você gosta em si mesmo. Beba enquanto faz alguma atividade que aprecia, ou cuida de si.

Poção de Libertação de um Dia Ruim


Você precisará de:
• Meio limão
• Chá verde
• Erva-gateira
• Opcional: Açúcar ou mel.

   Prepare o chá verde e acrescente a erva-gateira. Esprema o limão e mexa em sentido anti-horário para banir a negatividade do dia, mentalizando que você agora ficará leve e tranquilo. Adoce a gosto.

Poção de Força Emocional


Você precisará de:
• Chá preto
• Casca de laranja
• Mel

   Prepare o chá preto e acrescente junto a casca de laranja. Deixe descansar por 5 minutos. Acrescente o mel e mexa em sentido horário, mentalizando a maturidade e força emocional que você deseja. Enquanto bebe, concentre-se em imaginar o que resultará de uma maior fortaleza sentimental, pense em você sempre calmo e com as emoções sob controle.

Poção da Percepção Mental


Você precisará de:
• Chá preto
• Canela em pó
• Leite ou substituto vegetal
• Uma pitada de artemísia

   Prepare o chá preto com água bem quente e acrescente as ervas, aguardando 2 minutos antes de coar. Sente-se em um local confortável e tranquilo e beba o chá calmamente, concentrando-se nas sensações e centrando-se. Se possível, medite. Essa poção é ótima para divinação, se consumida antes de efetuar leituras ou atendimentos.

Poção de Purificação


Você precisará de:
• Água lunar
• Alecrim
• Tomilho
• Opcional: açúcar.

   Aqueça a água lunar e antes de levantar fervura derrame sobre as ervas, deixando descansar por dois minutos, para então beber. Adoce a gosto. Ao ingerir, mentalize que o chá está lhe purificando por dentro e ajudando a expelir as energias prejudiciais ou negativas, imagine uma massa densa de energia escura sendo dissipada de dentro para fora de você.

Proteção contra Parasitas Psíquicos e Vampiros Energéticos em Geral


Você precisará de:
• Água lunar
• Alecrim
• Hortelã
• Eucalipto

   Aqueça a água lunar até levantar fervura e derrame sobre as ervas, deixando descansar por 5 minutos. Mexa um pouco em sentido horário e coe. Beba no início do dia ou antes de estar em contato com vampiros energéticos, e ao ingerir, visualize uma aura protetora se formando em volta de você. Essa poção também protege contra larvas astrais e obsessores, e em alguns casos, pode ajudar a eliminá-los.

Poções Cafeinadas


   Essas poções são perfeitas para quem não troca um cafezinho por nada nesse mundo! Se chá não é muito a sua praia, confira essas receitas a seguir. Para saber mais sobre as incríveis propriedades mágicas do café, leia mais aqui.

Poção de Força e Energia para Enfrentar o Dia


Você precisará de:
• Café
• Canela
• Opcional: Açúcar a gosto

   Prepare seu café de maneira usual e acrescente algumas pitadas de canela (ou coloque um pauzinho dentro o quanto antes no preparo). Adoce como quiser. Mexa em sentido horário, enquanto pensa em você realizando suas atividades com facilidade, concluindo todas as tarefas com sucesso, em seu ápice de motivação e entusiasmo.

Poção de Confiança


Você precisará de:
• Café
• Canela
• Casca de laranja
• Opcional: Uma colher de chá de creme de avelã
• Opcional: Açúcar a gosto.

    Aqueça a água com um pau de canela e a casca de laranja até ferver, e com ela, prepare seu café de maneira usual. Se isso não for possível (como no caso de quem tem cafeteira italiana, que não leva água quente), adicione canela em pó e raspas de laranja no final do preparo. Mexa em sentido horário, visualizando uma energia dourada e vibrante sobre seu café, sua autoestima no máximo. Coe se preferir, e beba.

Poção de Criatividade


Você precisará de:
• Café
• 2 gotas de extrato de baunilha
• Raspas de laranja
• Opcional: Uma colher de chá de caramelo
• Opcional: Açúcar a gosto.

   Prepare seu café de maneira usual, e acrescente os outros ingredientes, pensando na criatividade que deseja, ou em você fazendo suas atividades criativas de forma satisfatória, conseguindo concluir suas tarefas com perfeição. Deixe descansar por alguns minutinhos, e beba.

Poções Achocolatadas


Poção para Lidar com Dias Difíceis


Você precisará de:
• Chocolate quente
• Canela
• Uma folha de hortelã fresca

   Prepare seu chocolate quente de maneira usual, e acrescente a canela e o a hortelã, visualizando uma energia leve e acolhedora lhe envolvendo, você obtendo o suporte e a força de que necessita para enfrentar o dia. Beba sem pressa, concentrando-se nas sensações e na experiência.

Elixires


Nota: Os elixires geralmente não são feitos para beber! São usados em banhos mágicos, para ungir objetos, em divinações, para outras poções não-comestíveis ou atividades mágicas em geral. Porém, há alguns que podem ser ingeridos, como é o caso do último elixir que ensino por aqui.

   Você não deve colocar os cristais dentro da água, pois diversas pedras se danificam quando em contato prolongado com a água; coloque-as em volta do recipiente ou sobre a tampa do pote com a água. Lembre-se de purificar e energizar os cristais antes do uso. Se possível, use água lunar sempre.


Poção de Beleza


Você precisará de:
• Água, de preferência água lunar de lua crescente
• Quartzo transparente
• Quartzo rosa
• Algumas gotas de óleo de coco, ou um pouco de coco ralado

   Misture a água com o óleo ou as raspas de coco em um recipiente de vidro. Coloque as pedras em cima da tampa ou em volta do recipiente e deixe por algumas horas. Após isso, consagre e passe em seu rosto.

Poção de Pensamentos Tranquilos


Você precisará de:
• Água
• Ametista
• Lavanda
• Pedra da lua

   Aqueça a água e transfira para um recipiente com a lavanda. Coloque as pedras em volta, visualizando energias de positividade e bons pensamentos. Deixe carregar por algumas horas e depois derrame a água em sua cabeça ou espalhe na testa.

Poção de Divinação


Você precisará de:
• Água
• Ametista e/ou fluorita
• Casca ou gomos de laranja

   Aqueça a água com a laranja até ferver, desligue o fogo, e transfira o líquido para uma vasilha ou xícara. Quando esfriar, coloque uma ou mais ametistas e/ou fluoritas próximas do recipiente, circundando-o, e deixe energizar por algumas horas. Você pode lavar as mãos na água, beber a poção (gelada ou aquecida), ou derramá-la em sua cabeça.

A colher ervas frescas,
   Alannyë Daeris 

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Conhecendo o Oráculo - Nefelomancia, Divinação com Nuvens

   A Nefelomancia é a arte divinatória realizada pela observação e análise de nuvens, bem como o céu ao redor. O termo deriva do grego 'nephele', nuvens + 'manteia', divinação, e pode ser considerada uma subcategoria da aeromancia, a divinação atmosférica. É uma forma de scrying (escriação/vidência) muito antiga, e uma das mais acessíveis, bastando ter acesso a uma visão ampla do céu, em que exista pouca ocultação por edifícios e vegetação.
   Desde a Antiguidade, os prognósticos são obtidos pela interpretação de cor, padrões, posição no céu e a direção em que as nuvens se movimentam. Gregos, romanos, e principalmente os celtas tiveram muito contato com essa arte oracular - que os povos célticos denonimavam Neladoracht, e havia uma técnica específica que consistia em uma amálgama de nefelomancia e hidromancia, em que os druidas averiguavam poças de água da chuva em pedras ou depressões no chão, predizendo por meio dos padrões de nuvens formados na superfície reflexiva da água.
   Tradicionalmente, a Nefelomancia é praticada ao ar livre, em espaços abertos, mas na modernidade ela também passou a ser praticada em janelas, usando a moldura como os limites para a área de observação para fins oraculares. Assim, a análise se torna mais objetiva, se restringindo apenas às nuvens e elementos observados dentro da área da janela. Da mesma forma, o céu pode ser averiguado por um reflexo em um espelho no chão, que também define um limite para o espaço analisado, e torna a observação mais confortável.
   Para quem deseja praticar, é recomendável ter um caderno voltado para os registros dos formatos e das impressões que o firmamento lhe transmite, especialmente pois nuvens são transitórias e mudam rapidamente de forma, podendo criar novos padrões. Você pode inserir pesquisas a respeito das nuvens e da atmosfera, as análises que faz e quais respostas obtém, e até desenhar os padrões que observa. 


Guia Básico de Nefelomancia


   Em primeiro lugar, a análise deve ser iniciada sem que o oraculista tenha observado o céu nos últimos 15 ou 30min, para evitar interferência, e não se deve "escolher" o céu - assim que se elabora ou se toma conhecimento da pergunta, e há intenção de oracular, a leitura do céu deve ser feita o quanto antes. Você pode ficar um tempo em um recinto fechado, ou de olhos fechados por algum tempo, meditando, orando, ou concentrando-se na questão que será transmitida aos céus.
   Quando estiver pronto(a), mentalize ou fale sua pergunta em voz alta, e observe o céu. Veja o que lhe chama atenção de imediato, identifique os desenhos e onde se encontram. Anote o que vê, a cor da nuvem, onde está localizada no céu e se está se movimentando, se há outros símbolos ou nuvens próximas. Você pode fotografar o céu ou gravar um vídeo para analisar novamente depois, principalmente caso seja um dia de muito vento, em que os padrões mudam rápido.
   Existem algumas diretrizes básicas que auxiliam na compreensão das respostas, e são elas:

• A velocidade das nuvens pode indicar o quão rápido ou lento um acontecimento se manifesta, quanto tempo falta (muito ou pouco) para a resposta ocorrer, ou se o tema da questão terá uma curta duração.
• A direção para onde as nuvens se destinam pode demonstrar o que ocorre após o evento, ou o que será resultante dele. É importante observar os padrões que se apresentam nesse local.
• A maneira como as ondas se mesclam ou se dissipam também fornece o resultado dos fatos, ou o sentido que o futuro tomará.
• Nuvens brancas indicam períodos de alegria e respostas positivas, enquanto as nuvens mais escuras trazem complicações e dificuldades, aumentando conforme a tonalidade mais escura da nuvem.
• Nuvens tonalizadas pelo amanhecer ou pôr-do-Sol também podem adquirir conotações simbólicas específicas - por exemplo, amarelo para prosperidade e alegria, laranja para questões sociais e ânimo, rosa para questões afetivas e emocionais, dourada para vitória e sucesso, conforme sua percepção pessoal a respeito das cores.
• Quando as nuvens são mais finas ou quase transparentes, indicam resultados simplificados e objetivos, ou situações pouco relevantes. Quando são grossas e volumosas, falam de questões complexas e elaboradas, muito importantes para o consulente.
• Quanto mais alta a nuvem, maior a probabilidade de acontecimentos daquilo que elas predizem, enquanto nuvens muito baixas no céu fornecem tendências frágeis. O oposto também é relatado por alguns nefalomantes, portanto, fica a critério pessoal qual você considera mais apropriado.
• Os formatos e símbolos criados pelas nuvens são a parte mais intuitiva e considero o âmago da nefalomancia. O que cada oraculista vê em cada símbolo varia muito, e deve sempre levar em consideração sua percepção pessoal acerca dos desenhos e o que eles podem representar - afinal, não existem regras universais, cada pessoa entende os símbolos de maneira única, e mesmo uma faca pode simbolizar violência, sobrevivência ou defesa, só depende de quem vê.
• Raios solares transparecendo, feixes de luz e iridescência nas nuvens indicam clareza, iluminação, boa sorte e bênçãos relacionadas às nuvens que estão próximas e seus significados, são um augúrio muito positivo no céu.
• Dias sem nuvens representam um momento inadequado para a pergunta, que a resposta não pode ser fornecida nesse momento, ou que ainda é indefinida.

Tipos de Nuvens 


   É essencial conhecer mais sobre as nuvens e seus tipos para identificar facilmente os conceitos básicos associados com cada formação nebulosa, permitindo maior profundidade na interpretação ao adicionar mais detalhes para o uso do nefalomante. Podemos estabelecer 10 tipos principais de nuvens e suas atribuições oraculares - e para não se tornar um post demasiadamente extenso, deixo a pesquisa sobre as características físicas de cada tipo de nuvem como lição de casa.

Cumulus - inocência, ingenuidade, alegria, infantilidade, leveza.
Stratus - Intenções secretas, algo oculto, mistério, informações escondidas, coisas que se passam fora do conhecimento do consulente.
Stratocumulus - Força, coragem, bravura, sabedoria, proteção.
Altocumulus - Conforto, preservação, segurança, acolhimento.
Nimbostratus - Poder, abundância, influência, uniformidade, constância.
Altostratus - Estabilidade, prosperidade, coesão, firmeza, estrutura.
Cirrus - Liberdade, aventura, viagem, férias, pouco envolvimento, independência.
Cirrocumulus - Intuição, sonhos, investimento, plantio de sementes, dedicação, planejamento.
Cirrostratus - Começos, inícios, novidades, renovação, recuperação, chamado interno, propósito.
Cumulonimbus - Mudança, tempos difíceis, tormento, turbulência, preocupações, desconfortos, sofrimento.

Direções


   De acordo com o sentido em que as nuvens se movimentam, há alguns valores oraculares a serem acrescidos na análise. Os conceitos abaixo são associados aos quatro elementos da natureza, mas não há obrigação de segui-los à risca.

Norte - Ar. Adaptabilidade, fluidez, movimentação, ideias, pensamento, comunicação, criatividade.
Leste - Terra. Força, firmeza, estrutura, prosperidade, crescimento, confiança, sinceridade, inspiração.
Oeste - Água. Fertilidade, intuição, emoções, carinho, relações pessoais, amor, desejos, nostalgia.
Sul - Fogo. Energia, ímpeto, força, intenções, lealdade, evolução, vitalidade, fé, autoconfiança, intensidade.

Algumas referências adaptadas daqui.

A ponderar sob o firmamento nebuloso,
   Alannyë Daeris

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Epítetos de Nut, pt. 2

   Epítetos são títulos dados a divindades, que servem para representar certas faces específicas deles, e invocar determinadas características. Para saber mais, veja esse texto que trata sobre o assunto.
   Hoje, apresento uma lista de epítetos keméticos tradicionais conferidos a Nut traduzidos e adaptados para nossa língua. Podem ser usados em orações, rituais, meditações e em quaisquer situações que você queira evocar ou invocar esse aspecto de Nut que está retratado no epíteto escolhido.
   Essa lista é um complemento ao post anterior (veja aqui), e não contém todos os títulos associados com essa deusa, havendo muitos outros que podem ser encontrados, ou desenvolvidos na sua própria interação e culto a Nut. Agradeço à Shemsu W'ab Tanebet da Kemetic Orthodoxy pela tradução dos epítetos para o inglês com base no guia Lexikon der ägyptischen Götter und Götterbezeichnungen.

Epitetos Tradicionais


• A grandiosa no céu
• O céu
• O céu que carrega Ra
• Ela que se espalha sobre o céu
• Senhora do céu
• O céu daqueles que aparecem na Enéada
• Os dois grandes deuses do céu
• Rat no céu
• Senhora do céu
• O céu
• Ela que está elevada no horizonte
• A luminosa
• Ela que eleva o disco solar na manhã
• Ela que dá a luz ao disco solar
• Ela que ilumina Bigga
• Ela que eleva suas estrelas em sua circulação 
• Ela que dá a luz às estrelas como a grande unidora
• Ela que brilha para Ptah
• Ela que está mais acima de seus filhos que suas estrelas
• Ela que dá ar a aquele com a garganta seca
• Ela que dá a luz ao deus na água
• A poderosa na terra
• A regente da terra e do Duat 
• A mulher que se curva sobre a terra
• Ela que funda a terra com o que ela está criando
• Os grandiosos do Duat
• A mestra do Duat
• A mestra do Duat secreto
• A regente da terra e do Duat
• A esplêndida no nome de Nit
• Ela que está dentre o primeiro nome
• A chefe no nome de Dendera
• A chefe de Abydos
• A grandiosa dentre Hwt-Snit
• Ela que pare a luz (Wesir) em Thebas
• A mãe de Deus na casa de ébano
• A mãe dos Deuses em Ssn
• Senhora de Philae
• Chefe de Philae
• Senhora de Kom Ombo
• A ninhada de Heliópolis
• Mestra de Philae
• Ela que está dentre Abydos
• Ela que está dentre Armant
• Ela que está dentre Edfu
• Ela que está dentre Coptos
• Chefe do trono de Heru (Edfu)
• Chefe de Edfu
• Chefe de Bhdt do sul (Edfu)
• Chefe de Bigga
• Chefe de Dendera
• Chefe de Mendes
• Chefe da casa dos dois...
• Ela cujo trono está na casa do princípio (Philae)
• Ela que ilumina Bigga
• Ela que resgata Aset em Abydos
• A altiva em Busíris
• Ela que cria o rei do Alto e Baixo Egito no templo do grande Ipet
• A senhora das duas terras
• A mestra das duas terras
• A mestra das margens das terras da cesta
• A regente das duas margens (Egito)
• A regente das duas margens de Heru
• A regente das duas terras
• Ela que funda ambos os santuários com seus filhos
• A Líbia no deserto oeste do mar da vida
• Ipet no templo de Ipet
• Ela que envolve protetivamente a capela da criança
• O Olho de Ra em Iat-dit (Templo de Aset em Dendera)
• Ela que cria a consorte do rei na casa da purificação
• Ela que cria a proteção de seu filho na casa de Nut
• A grandiosa que está na casa inferior
• Ela que pare seu filho no grande santuário
• Ela que pare a luz dentro do templo Opet
• A Senhora do destino e fortuna no grande trono
• A grande mestra na casa de nascimento
• A mestra de Per Ankh
• A mestra de Per Nefer
• Ela que está na Per Ankh (Casa da Vida)
• Ela que está na Per Nefer (Casa da Beleza/Mumificação)
• Ela que está dentre o templo de Sethos I
• Ela que está dentre a casa de Henu
• Chefe da casa de Henu
• Chefe do templo de Khnum
• Chefe da casa do falcão (Kom Ombo)
• Chefe da casa de nascimento
• Chefe da casa de nascimento de Nut
• Chefe da casa dos nobres
• Chefe de Maa-Hr
• Chefe de Hwt-krht (santuário no 8º nome do Baixo Egito)
• Chefe do santuário Shetit
• A filha de Ra em Iat-dit
• Ela que faz seu filho Wesir estar são e salvo na casa do príncipe
• A esplêndida e poderosa na casa da forma (templo ou recinto em Kom Ombo)
• A esplêndida e poderosa na casa de sua criação
• A esplêndida na casa da esplêndida
• A esplêndida no local de nascimento
• Ela que eleva o rei dentro do templo de Amun (Opet) no trono de seu pai Amun
• Ela que constrói o local de nascimento
• Ela que está dentre água pura (Gebel El Sisila)
• Mestra do Oeste
• Mestra do Oeste divino
• Mestra das oferendas no Oeste
• Mestra do deserto no Oeste
• Regente das 4 direções nas duas terras
• Chefe do Oeste
• Chefe das montanhas do oeste
• Deserto do Oeste
• Ela que está dentre a Necrópolis
• Os senhores da Necrópolis
• A mestra da Necrópolis
• Ela que causa a proteção da Casa
• Ela com muitos nomes em cidades e nomes
• Ela que dá a luz aos seus filhos dentre o Egito para que sejam reis
• A mestra do deserto no Oeste
• A mestra de todas as terras
• A mestra de ambas as montanhas
• Ela que está dentre a colina
• Ela que cria cidades e nomes para seu Ka
• Ela que funda as margens com seus filhos
• A Deusa hipopótamo
• Ipet a Grande
• A vaca
• A porca ou hipopótamo fêmea
• A hipopótamo fêmea do tesoureiro
• A porca que come seus porquinhos
• A baiacu/peixe-balão (Tetrodon fahaka)
• O sicômoro
• O grande sicômoro
• A primeva do princípio
• A mãe primeva esplêndida
• Ela que cria as deusas
• Ela que cria o rei do Alto e Baixo Egito
• A Mãe
• A Mãe da água
• A Mãe das mães
• A Mãe dos poderes divinos
• Ela que dá a luz ao disco solar
• Ela que dá a luz à Enéada
• Ela que dá a luz ao rei
• Ela que dá a luz a Deus
• Ela que dá a luz aos Deuses
• Ela que dá a luz a todos os Deuses
• A mestra que dá a luz aos Deuses
• Ela que dá a luz aos seus filhos para povoar Geb
• Ela que começou o parimento
• Ela que funda a terra com o que ela cria
• A mãe
• A perfeita mãe
• A perfeita mãe da Enéada
• Ela que é forte no corpo de sua mãe Tefnut antes de nascer
• Ela com prole esplêndida
• Ela com chifre amplo
• Ela com cabelo longo
• Ela cuja boca lança brasas nos inimigos
• Ela que estende seus braços
• Senhora do seio
• Ela com face perfeita
• Ela com seios transbordantes
• Ela com a mecha de cabelo
• Ela com seios pendentes
• Ela com altos chifres
• Ela com alto tom em Busíris
• A Cobra de Ra
• A Cobra
• A Cobra de seu Pai
• A esplêndida
• Ela que ama dar vida
• Ela que dá seus braços ao reverendo
• Ela que dá água a todos que tem sede
• Ela que mantém os Deuses vivos
• Ela a quem os Deuses suplicam
• A grande guia
• Ela que esconde seu herdeiro nos braços
• Ela que esconde o misterioso, que não se deve saber
• Ela que cria sua proteção
• Ela que causa a proteção da casa
• Ela que causa a proteção daquele que emerge de Aset
• Ela que causa a proteção de seu filho Wesir
• Ela que protege seu filho Wesir
• Proteção do filho de Wesir
• A protetora
• Ela que protege seu filho
• Ela que protege o corpo na manhã
• Ela que dissipa a fúria
• O celeiro
• Ela que faz a criança estar sã e salva
• Senhora do Júbilo
• Ela que se une com Deuses e Deusas
• Ela que faz as coisas se elevarem
• Ela que acende a tocha
• Mestra das oferendas
• Em frente dela o disco solar ascende
• Regente dos Deuses
• A rainha regente
• A regente
• A perfeita regente
• Regente das duas terras
• A útil para seu filho
• Ela que dá a luz aos seus filhos
• Ela que dá a luz aos filhos-Ra
• Mãe do rei
• Mãe do Deus de Wennefer o Justificado
• Mãe de Deus dos Deuses e Deusas
• Mãe dos deuses dos 5 deuses
• Mãe de Deus dos que se unem com a vida
• Mãe dos Deuses de grandes poderes
• Mãe dos Deuses
• Mãe do regente
• Mãe dos regentes
• Ela que dá a luz a Ra
• Ela que dá a luz a Ra diariamente
• Ela cujo filho aparece como criança esplêndida
• Filha de Ra
• Ela que cria seus filhos para popularem Geb
• Mãe de Wennefer
• A perfeita mãe de Werethekau
• A perfeita mãe de quem tem o focinho vivo
• A perfeita mãe da mãe do Deus do falcão de ouro
• A perfeita mãe da mestra de Rekhyt
• A perfeita mãe do que tem o signo Mekes
• A perfeita mãe do regente
• A perfeita mãe do príncipe com a coroa branca
• Mãe do brilhante
• Mãe do regente
• Mãe de Atum
• Esposa do príncipe
• A Esposa de Geb
• A grandiosa
• A grande e esplêndida
• A muito grandiosa
• A bela esplêndida
• A única
• Não há segundo como ela
• A grande misteriosa
• A dourada dos Deuses
• Ela com grande terror nos corações
• Ela com grande terror dentre os Deuses
• A mestra da Fúria
• Senhora dos Rekhyt
• Os Deuses que abrangem os Rekhyt
• A Mestra
• A Mestra da Enéada
• A perfeita Mestra
• A Mestra dos Deuses
• A Mestra de todos os Deuses
• A Mestra de todos os Deuses e Deusas
• A Chefe dos Deuses
• A esplêndida de Geb
• Ela que está em Atum 
• Ela que causa a proteção daquele emergindo de Aset
• O aroma divino de Khentiamentiu
• O Céu que carrega Ra
• A ama de leite do regente no trono de seu pai
• A ama de leite da mestra dos Rekhyt
• Ela que brilha para Ptah
• A ama de leite
• A ama de leite dos Kas 
• A ama de leite da Enéada
• A ama de leite de grandes e poderosas imagens
• Ela que julga bem
• Ela que julga perfeitamente
• A mestra do Salão do Julgamento
• A Tumba
• O Funeral
• O sarcófago
• O caixão
• Ela que esconde os mortos que não tem uma tumba
• Ela que calcula o tempo
• Ela que protege o corpo na manhã
• Ela que se torna na noite
• Amaunet
• A grande Nekhbet
• Rat
• Rat no céu
• A grande Heqat
• A Senhora do destino
• A Senhora do destino e saúde em seu grande trono
• A cama
• A filha
• Ela de St-pt

A observar o corpo da Perfeita Mãe se estendendo,
   Alannyë Daeris 

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Método Oracular da Paquera (Crush), para Romances em Potencial

   Por ser um tema extremamente rotineiro em consultas oraculares, tenho essa estrutura de análise para interesses românticos e "crushes" mais ou menos estabelecida há algum tempo, e venho aperfeiçoando-a desde então conforme minhas experiências de leituras para potenciais paqueras. A tirada serve tanto para quem já tem algum contato com o crush, incluindo ter trocado carícias, quanto para quem ainda não tomou nenhuma iniciativa e permanece distante. 
   Esse método se destina a averiguar se vale a pena se aproximar de uma pessoa em específico para tentar algum tipo de relação, seja ela casual ou séria. Por isso mesmo, a avaliação inicial se ocupa de identificar o que cada um deseja para sua vida amorosa, se há interesse por parte dela, e outras posições para ajudar a esclarecer se a pessoa em questão seria um bom partido ou se está mais para uma furada ou, quem sabe, para uma amizade colorida.
   Para essa tirada, são sugeridos pares de cartas/peças em cada uma das posições, para obter maior aprofundamento e para que cada lâmina responda a um dos dois questionamentos contidos nas casas. Qualquer ferramenta oracular de sua preferência pode ser usada para a leitura, desde que possam responder adequadamente às questões propostas. Também podem ser combinados oráculos diferentes, de acordo com a posição e a pergunta.

O Método


1. Você. Seu campo amoroso, o que você busca para sua vida afetiva.
2. A pessoa. Seu interesse romântico, e o que ele busca no momento.
3. Interesse. Ele(a) tem interesse em você? O que acha, que opinião possui a seu respeito.
4. Tendências. Quais as perspectivas para uma relação amorosa? Há compatibilidade?
5. Desafios. Há obstáculos para firmar algo como você espera? Quais são eles?
6. Viabilidade. Vale a pena investir nessa paquera? Pode dar certo conforme suas expectativas de romance?
7. Conselho. Como agir quanto à essa pessoa? Orientação final.

A revelar o melhor ângulo para o disparo da flecha,
   Alannyë Daeris

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

O Renascimento da Alma e o Pós-Vida no Kemetismo


Tomb of Ramesses VI, 1137 B
C
   Existe uma grande diferença na visão das religiões que creem na reencarnação, e as religiões cuja visão de pós-vida é a de renascimento, como é o caso das crenças religiosas do Egito Antigo. De maneira largamente resumida, a reencarnação envolve o retorno do espírito para a Terra, em um novo corpo que passará por experiências particulares à sua nova jornada, enquanto o renascimento ocorre somente uma vez - a alma renasce para a eternidade, e não volta a "encarnar" para viver como um outro humano.
   Ou seja, a imortalidade na visão egípcia não consistia em retornar várias vezes para a Terra, e sim transicionar para uma vida eterna como um espírito luminoso, um Akh (plural Akhu), ao lado dos Deuses, no Campo de Juncos. Já exploramos o tema nesse texto sobre o Duat e o Sekhet-Aaru, que recomendo a leitura para quem gostaria de maiores informações sobre esses planos espirituais e o processo do desencarne na religiosidade kemética.
   Inicialmente, o pensamento religioso egípcio os levava a acreditar que assim como Ra renasce diariamente nos céus, seu corpo físico (o khat) acordaria novamente após completar a jornada pelo submundo, e essa noção ficou fortemente inserida no imaginário popular como se todos os egípcios achassem que as múmias reviveriam e se levantariam de suas tumbas em dado momento. Entretanto, com o passar do tempo, os antigos egípcios puderam observar que os corpos dos falecidos não despertavam, somente se decompunham mais e mais, e assim compreenderam que os restos dos falecidos serviam apenas como um receptáculo para seu espírito, que não necessariamente seria reanimado.
   Sendo assim, é importante discernir que em meu entendimento tendo como base diversas fontes de pesquisa, o Kemetismo enquanto religião não se concilia tradicionalmente com questões relacionadas a reencarnações, vidas passadas, registros akáshicos ou crenças afins, que pressupõem a reencarnação do espírito, ou essa possibilidade da alma se destacar do corpo no desencarne e posteriormente habitar um novo receptáculo material.
   Os Akhu podem frequentar a Terra eternamente após serem julgados dignos no Salão de Ma'at e renascerem nos Campos de Juncos, e além de visitar os locais que desejarem na superfície, podem também interferir nos assuntos mundanos, e se comunicar com seres humanos, Netjeru e outras entidades. Entretanto, não passarão por uma nova vida no plano material (nem como humanos, nem como animais ou outras manifestações quaisquer!). Isso não significa que a crença na reencarnação seja completamente incompatível em uma perspectiva moderna, mas que não há um embasamento para isso em mitos e crenças egípcias originais.
   Os conceitos chave para compreender o além numa perspectiva kemética são "renascimento" e "transfiguração", ideias complementares que abordam o aspecto biomórfico e espacial do pós vida, respectivamente. O embalsamento, por exemplo, era uma prática funerária que se destinava não apenas a preservar os restos mortais, mas principalmente a transfigurar o corpo do falecido em um corpo "preenchido de magia" (Assmann 1969, p. 196), a múmia tornando-se assim um receptáculo sagrado para o espírito luminoso (Akh) que ascende aos céus.
   Há outras atribuições simbólicas que ocorrem na transição da vida para a morte, com o despertar para a vida eterna estando fortemente interligado com a ideia da ascensão para o céu, que no Egito era concebido como uma divindade feminina, Nut, a manifestação da Grande Mãe. Um aspecto central que ressalta essa crença é o imaginário popular egípcio em que os falecidos eram tidos como filhos da Mãe-de-todos - uma relação que só podia ser alcançada na morte, quando o falecido se integrava à Deusa, tornando-se uma estrela no corpo de Nut, o céu noturno. Sendo assim, o sarcófago que envolve o falecido é simbólico do útero.
   O conceito de renascimento permanece muito visível, como em inscrições nos sarcófagos em que Nut diz ao falecido: "Eu te nutrirei/carregarei novamente, rejuvenescido" (veja mais exemplos em Rusch, 1922). Em um desses textos, ela diz: "Eu nunca te darei à luz" (Schott 1965, 81-87), indicando explicitamente que a intenção não era o retorno da alma para a vida material, mas a permanência em Nut, o céu, como um espírito transfigurado e luminoso.
   De acordo com as crenças keméticas de corpo e alma (que você pode ler em detalhes aqui), o processo de morte gera uma dissociação dos elementos essenciais que compõem o ser humano, dentre eles o Ka e o Ba, que são espíritos nutridores de vida, o Khat (corpo físico) passa a se deteriorar, a sombra deixa de estar atrelada ao corpo e precisa ser recuperada, o Ren (nome) fica fragilizado e dependente das inscrições físicas, dentre outros conceitos que precisavam ser reunidos magicamente ao falecido por meio do ritual da Abertura da Boca na entrada da tumba. Após desperto, o Akh (espírito luminoso transfigurado) tem liberdade de transitar no plano material e no plano espiritual, mas não retorna à vida em outro corpo, permanece sendo um espírito.
   Alguns elementos constitutivos do indivíduo sobrevivem após a transfiguração, e são cinco: o nome (Ren), a sombra (Sheut), a magia (Heka), e os já referidos Ka (força vital) e Ba (personalidade/caráter). As Máximas de Any sugerem que se deve "satisfazer o Akh, fazer o que ele deseja, e se abster de abominações para ele, para que esteja livre de seus males", ou seja, os Ancestrais podem interferir como quiserem no plano material, e possuem meios de julgar as atitudes dos vivos. Muitas cartas foram recuperadas em tumbas pelos arqueólogos, que atestam os pedidos de intervenção de pessoas para seus Akhu, pois consideravam que eles estavam mais próximos dos Deuses e tinham poder de atuação nos assuntos mundanos. Ou seja, o Akh permanece no plano divino, e somente retorna à terra na forma de espírito, nunca encarnado em outro indivíduo.
   A rememoração e as posteriores celebrações, festivais, rituais e banquetes realizados em nome dos Ancestrais em diversos períodos do ano, garantiam um pós-vida de sucesso para os falecidos, e as bênçãos de prosperidade na existência material dos que permanecem vivos. 

Referências
• The Egyptian Ways of Death - Lynn Meskell em Archeological Papers of the American Anthropological Association 10 (1), 27-40, 2001
• Death and Initiation of Ancient Egypt - Jan Assmann em Religion and Philosophy in Ancient Egypt, Yale Egyptological Studies 3, 1989, S. 135-159

A contemplar o anoitecer,
   Alannyë Daeris

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Resenha: Aradia, o Evangelho das Bruxas - Charles G. Leland

   Sinopse: Em Aradia: O Evangelho das Bruxas, Charles Godfrey Leland nos presenteia com o que podemos chamar de capítulo inicial de uma coletânea de cerimônias, feitiços e encantamentos. Nele, o autor traz a história de Aradia, bruxa enviada à Terra para propagar os ensinamentos da Bruxaria. No decorrer do livro, também são descritos os encantamentos, conjurações e invocações, no original em italiano, ensinados por sua mãe Diana, deusa das bruxas. Leland foi uma figura marcante para a história da Bruxaria. Poucos dias após o seu nascimento, uma velha ama holandesa levou-o ao sótão de sua casa e realizou um ritual. Ela colocou seu seio sobre uma Bíblia, uma chave e uma faca e, então, pôs velas acesas, dinheiro e um prato com sal sobre a cabeça. O propósito do rito era que o menino vencesse na vida e tivesse sorte para ser um escolástico e um sábio. Quando ainda criança, foi presenteado com histórias e contos de fantasmas, bruxas e fadas, o que o deixou fascinado pelo folclore e pela magia. Sua família vivia em uma casa que possuía empregados e, com um deles ― uma imigrante holandesa ―, ele aprendeu a respeito de fadas, e com outro ― uma negra que trabalhava na cozinha ―, acerca de vodu. Mudando-se para a Inglaterra, Leland deu início aos seus estudos a respeito dos ciganos ingleses, pois era particularmente interessado no folclore deles. Com o decorrer do tempo, ganhou a confiança do 'Rei dos Ciganos' na Inglaterra, Matty Cooper, com quem aprendeu a falar o romani, a língua dos ciganos, embora isso tenha ocorrido muitos anos antes de o povo cigano tê-lo aceito como um deles. Durante esse período, escreveu seus dois livros clássicos a respeito dos ciganos, sendo um deles Bruxaria Cigana, lançado no Brasil pela Madras Editora, e estabeleceu-se como a autoridade máxima nesse assunto. O leitor certamente irá se encantar com a bela história narrada em Aradia: O Evangelho das Bruxas. Boa leitura!

Ficha Técnica


   Autor: Charles Godfrey Leland
   Ano: 1889, 2004 (1° Ed. brasileira)
   Editora: Madras
   Páginas: 120

   Aradia, o Evangelho das Bruxas, é um compilado de mitos e encantamentos italianos reunidos pelo folclorista Charles G. Leland, que revelam a antiga tradição de Bruxaria que foi preservada secretamente no norte da Itália. É uma obra extremamente conhecida por seu impacto e relevância no movimento esotérico moderno, tendo sido publicada antes do renascimento e reavivamento da Bruxaria como uma prática conhecida, responsável portanto pelo resgate de saberes folclóricos e tradicionais sobre o Ofício das Bruxas.
   Histórias e mitos que foram transmitidos a Leland por informantes italianas preenchem as páginas, em sua linguagem italiana original e na tradução para o português. Pode-se observar nas entrelinhas dos textos algumas sugestões de encantamentos antigos, práticas mágicas tradicionais italianas, e todo um imaginário simbólico que se moldou através das influências de diversas tradições e culturas na antiguidade. Referências são traçadas pelo próprio Leland, que encontra paralelos em outras obras antigas.
   O mito de Aradia e os conceitos em torno dessa figura, principalmente focados na deusa Diana e em seu consorte Dianus Lucifero é instigante, delineado com auxílio de uma linguagem poética, vívida e com detalhes que incitam a curiosidade e a imaginação criativa. Apesar do título levar alguns a entenderem que seja um livro de instruções ou orientações sobre a prática de magia, o Evangelho das Bruxas se dedica a contar o folclore por trás das tradições de Bruxaria tradicional (Stregheria) que sobreviviam secretamente nas áreas rurais da Itália no século XIX.
   Considero esse livro uma leitura interessante e quiçá essencial para praticantes de Bruxaria, pois se trata de uma pesquisa antropológica e histórica que por meio da coleta de contos antigos e histórias nos ilumina a respeito da continuidade de determinadas práticas mágicas mesmo em períodos de censura, perseguição e ignorância. Alguns questionamentos são levantados sobre a veracidade das fontes e dos relatos obtidos pelo folclorista, mas pesquisadores da área consideram genuínos os relatos angariados por Leland, ainda que envoltos em mistérios.
   A essência da Bruxaria como uma arte dos indomados, uma ferramenta de necessitados e oprimidos é encontrada em sua plenitude nos versos rimados sobre a Deusa das Bruxas, que incita a resistência contra a tirania e a opressão, marcantes do contexto histórico em que a tradição se originou. Aradia é uma figura messiânica que representa os desfavorecidos em sua luta constante, e vem para nos ensinar os caminhos e os sortilégios de amor e liberdade da Grande Deusa.
   
A fazer dos limões um feitiço,
   Alannyë Daeris