quinta-feira, 28 de julho de 2022

Método Oracular do Templo de Hefesto

    A tirada a seguir foi elaborada por Edson Previato e compartilhada em seu blog há 10 anos - e como sou uma ávida apreciadora de métodos oraculares, tive o prazer de conhecê-la há algum tempo e praticar uma boa quantia de vezes até perceber que merece visibilidade pela estrutura sucinta e eficaz, útil em diversas situações de análise do campo profissional.
   Esse método oracular originalmente se destina ao uso com o Tarô, mas nada impede que outros oráculos sejam optados para a leitura, como o Petit Lenormand (Baralho Cigano), Sibillas, ou ferramentas de sua preferência.

O Método


1. Síntese. Qual a energia ou tendência do campo profissional do consulente no momento. Serve de referência para a interpretação das outras posições.
2. Social. Como os colegas de trabalho e subordinados vêem o consulente. O que comentam a respeito.
3. Autoridade. Como o chefe direto o vê. Peça para que identifique antes da leitura, para que saiba de quem a leitura está falando e a que se refere.
4. Passado. Como estava a situação profissional no passado recente (3 a 6 meses).
5. Presente. Como está a situação profissional agora (últimos 30 dias).
6. Futuro. Como ficará a situação profissional no futuro próximo (3 a 6 meses, como se preferir).
7. Satisfação. Como o consulente se sente em relação ao seu trabalho. O que o mental e emocional concluem sobre a carreira.
8. Lado positivo. Qual característica o destaca enquanto profissional, o que exibe de qualidades.
9. Lado negativo. Qual característica o coloca em situação de desvantagem em relação aos outros profissionais, e que pode ser melhorado.
10. Conselho. Orientação do oráculo para a área da carreira. Deve ser interpretada junto à posição 1 e 6.

A manifestar prosperidade com planejamento,
   Alannyë Daeris

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Ritual Egípcio do PGM para Coleta e Uso de Ervas Mágicas

   O PGM, ou Papyri Graecae Magicae, é uma compilação acadêmica de diversos feitiços encontrados em papiros mágicos e outras fontes arqueológicas datando do século II d.C até V d.C. Apesar do nome especificar a forte influência grega nesses manuscritos, há elementos de diversas outras culturas do Mediterrâneo e das proximidades, dentre elas, a egípcia, hebraica, babilônica, e cristã. Em algumas fórmulas (spells) do PGM, a origem egípcia é evidente e/ou mencionada diretamente, como é o caso da prática ritualística da qual falaremos a respeito nesse post.
   Realizei a tradução para o português a partir do inglês, e tentei relacionar as divindades keméticas que estavam sendo referidas pelos nomes gregos, como era de costume segundo a Interpretatio Graecae, relação de sincretismo efetuada pelos sábios gregos na Antiguidade. O ritual a seguir se trata de um método para coleta e consagração de ervas que terão fins ritualísticos, associando-as com as partes do corpo dos Deuses de maneira simbólica, numa ritualística tradicional kemética.

PGM IV. Spell 2967 - 3006
Dentre os Egípcios, as ervas são sempre obtidas assim: o herbalista primeiro purifica seu próprio corpo, então asperge com natron, e fumiga a erva com resina de uma árvore de pinho após caminhar com ela ao redor 3 vezes (circunanmbulatio). Então, após queimar kyphi (incenso) e verter uma libação de leite enquanto ora, ele coleta a planta enquanto invoca o nome do daimon a quem a erva está sendo dedicada e chama por ele para ser mais efetiva para o uso para o qual está sendo adquirida. A invocação para ele, que ele fala sobre qualquer erva, geralmente no momento da coleta, é o seguinte:

'Você foi semeada por Geb (Kronos), você foi concebida por Mut (Hera), você foi mantida por Amon, você foi parida por Isis, você foi nutrida por Amon (Zeus) o deus da chuva, você foi fornecida de crescimento pelo Sol (Ra) e pelo orvalho. Você é o orvalho de todos os Deuses.
Você é o coração de Thoth (Hermes), você é a semente dos Deuses primordiais, você é o olho de Ra (Helios), você é a luz da Lua (Iah/Khonsu), você é o ardor de Wesir, você é a beleza e a glória de Nut (Ouranos), você é a alma do daimon de Osíris que se revela em todo lugar, você é o sopro de Amon. Assim como você exaltou Osíris, então seja exaltada, se estique e ascenda como Ra ascende diariamente. Sua altura é igual ao zênite de Ra (Helios), suas raízes estão em Nun, e seus poderes estão no coração de Thoth.
Suas fibras são os ossos de Mnevis, e suas flores são o Olho de Hórus, sua semente é a semente de Min (Pan). Estou limpando você em resina como eu limpo os Deuses, e como também o faço para minha própria saúde. Esteja também limpa por oração, e nos forneça poder como Ra-Horakhty e Neith (Ares e Athena) nos dão.
Eu sou Thoth (Hermes). Eu a estou coletando com Boa Fortuna e Bom Espírito tanto em uma hora propícia e em um dia propício, que é efetivo para todas as coisas.'

Depois de dizer isso, o herbalista enrola a erva coletada em tecido de linho limpo. No lugar das raízes e da planta que foi retirada, ele coloca sete grãos de trigo e sete grãos de cevada, depois de misturá-los com mel. Então, após tampar o buraco que estava aberto na terra, o herbalista vai embora."

*Tr.: E. N. O'Neil

A coletar minhas companheiras de ofício,
   Alannyë Daeris

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Epítetos de Khepri

    Epítetos são títulos dados a divindades, que servem para representar certas faces específicas deles, e invocar determinadas características. Para saber mais, veja esse texto que trata sobre o assunto.
   Hoje, apresento uma lista de epítetos keméticos tradicionais conferidos a Khepri, traduzidos e adaptados para nossa língua. Podem ser usados em orações, rituais, meditações e em quaisquer situações que você queira evocar ou invocar esse aspecto de Khepri que está retratado no epíteto escolhido.
   Essa lista não contém todos os títulos associados com esse deus, e há muitos outros que podem ser encontrados, ou desenvolvidos na sua própria interação e culto a Khepri. Agradeço à Shemsu W'ab Tanebet da Kemetic Orthodoxy pela tradução dos epítetos para o inglês com base no guia Lexikon der ägyptischen Götter und Götterbezeichnungen.

Epítetos Tradicionais


• Ele que está sob o Horizontal (Imy-3htyw)
• Ele que cria o céu (Ir-pt)
• Ele que ascende de Nun ao céu (Pr-m-Nwn-r-nnt)
• Ele que brilha no Horizonte (Psd-m-3ht)
• Ele que preenche o céu e a Terra com pó de ouro (Mh-pt-t3-m-nkr)
• Ele que se move pelo céu como um escaravelho aladao (Nmt-hrt-m-py)
• Ele que descansa no Duat no corpo da Deusa Celeste (Htp-m-dw3t-r-ht-nnt)
• Ele que aparece no Horizonte (It-m-3ht)
• Ele que atravessa o céu (D3-hrt)
Aquele que Reluz/Ilumina (I3hw)
• Ele que ascende no leste (Wbn-m-i3btt)
• Ele que ascende nas Montanhas do Leste (Wbn-m-B3hw)
• Ele que ascende em Abydos (Wbn-m-T3-wr)
• Ele que pertence à ascensão (?)
• Ele que reluz no Horizonte (Psd-m-3ht)
• Ele que brilha como/em ouro (Psd-m-nbw)
• Ele que acende [a partir] do dourado (Psd-m-nbwt)
• Ele que acende na manhã (Psd-m-nhpw)
• Ele que brilha no céu (Psd-m-di-mrt)
• Ele que preenche o céu e a terra com [pó de] ouro (Mh-pt-t3-m-nkr)
• Ele que repele a escuridão com Seu belo disco solar (Hsr-kkw-m-itn.f-nfr)
• Ele que mantém a terra viva com Sua claridade (S'nh-t3-m-im3w.f)
• Ele que ilumina as Duas Terras (Shd-t3wy)
• Ele que ilumina as Duas Terras e os bancos [do Nilo] com Seus raios (Shd-t3wy-idbw-n-stwt.f)
• Ele que ilumina as Duas Terras com Sua beleza (Shd-t3wy-m-nfrw.f)

A apreciar o brilho do Escaravelho quando ascende,
   Alannyë Daeris

terça-feira, 19 de julho de 2022

Banho Mágico para Descarrego, Harmonização e Purificação

   Se você é oraculista, terapeuta holístico, trabalha em contato com o público, ou frequenta ambientes com muitas pessoas e com as energias oriundas delas, e se sente "carregado" com frequência, eis um banho mágico que virá a calhar. É uma receita ideal para qualquer situação em que necessitamos de um descarrego, uma boa limpeza energética, e uma harmonização para equilibrar as coisas.
   Esse banho não possui contra-indicações num geral, e pode ser repetido a cada 2 semanas para quem tem uma necessidade regular de purificação por estar sempre em contato com outras energias, ou mensalmente para quem leva uma vida menos movimentada no campo energético.
   
Você precisará de:
• Algumas folhas de arruda ou boldo.
• Cinco folhas de eucalipto.
• Um punhado de lavanda (flores ou folhas).
• Uma colher de açúcar.
• Opcional: uma pena branca ou de outra cor.

🕒 Horas e dias de Saturno, Sol ou Lua
🌘 Qualquer fase lunar

   Em uma panela com 1l de água, acrescente o açúcar e as ervas, levando ao fogo médio. Imagine a harmonização que deseja manifestar em sua vida, ponha as duas mãos sobre a panela, e visualize uma luz branca sendo emanada do líquido. Segure a pena em mãos (ou uma colher, um athame, um cristal de ponta devidamente purificados) e mexa o banho em sentido horário por 10 vezes.
   Assim que o banho levantar fervura, desligue o fogo e tampe, aguardando amornar para uma temperatura agradável. Coe as ervas e leve o líquido para o banheiro. Após seu banho higiênico normal, derrame o banho sobre seu corpo, intencionando a limpeza energética e se imaginando envolto por uma luz branca de paz e tranquilidade. Está feito. Descarte as ervas nos pés de uma árvore.

A manifestar o equilíbrio de Ma'at,
   Alannyë Daeris 

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Resenha: Vivendo a Wicca, de Scott Cunningham

   Sinopse: Vivendo a Wicca traz um olhar filosófico diante de questões teóricas e práticas da religião Wicca. Com este livro, você aprenderá a criar seus próprios rituais e símbolos, a desenvolver um Livro das Sombras e até mesmo se tornar um Sumo sacerdote ou Suma Sacerdotisa. Este clássico de Scott Cunningham também aborda ferramentas, nomes mágicos, iniciação, mistérios e a importância do sigilo em sua prática.

Ficha Técnica


   Autor: Scott Cunningham
   Ano: 2002 (1ª Ed. 1993)
   Editora: Gaia
   Páginas: 203

   Vivendo a Wicca é a continuação pouco conhecida para o clássico Guia Essencial da Bruxa Solitária, referência absoluta quando o assunto é introduzir a Bruxaria Moderna de maneira leve, objetiva e adequadamente inspiradora. Aqui, Scott Cunningham abrange outros pontos muito importantes na elaboração das práticas pessoais de quem não está inserido em um coven ou não deseja essa experiência grupal tão cedo, complementando aspectos que não haviam sido citados ou elaborados na primeira obra.
   Ainda que o título sugira que o foco é a Wicca, afirmo sem medo que as orientações contidas nesse breve mas maravilhoso livro são de enorme utilidade para praticantes solitários de diversos caminhos espirituais relacionados, e podem ser aplicadas em qualquer tradição de Bruxaria pela qual o leitor tenha afinidade, não somente a religião citada no título.
   Há orientações objetivas a respeito dos estudos e o processo de aprendizagem na Bruxaria, sobre o caminho devocional, informando sobre as orações e oferendas, como realizar rituais simplificados, e por fim, um capítulo inteiro dedicado para a elaboração de uma tradição própria, o que traz muitas ideias e sugestões interessantes para quem está nessa senda buscando evoluir suas práticas de maneira alinhada com os próprios princípios.
   Cunningham instrui sobre como desenvolver sua própria tradição pessoal de Bruxaria, incentivando e dando um precioso suporte para a criatividade de cada praticante - é uma leitura instigante, que sempre lhe fará refletir sobre os temas abordados, abrindo espaço para que você chegue às próprias conclusões sem proselitismo intelectual. Particularmente, considero uma obra perfeita para quem ainda está começando ou já pratica há algum tempo, mas ainda não se sente confiante para se considerar um praticante avançado na Arte.
   O único defeito de Vivendo a Wicca é sua quantidade de páginas, compondo um livro diminuto que poderia ser muito bem prolongado e aprofundado. Evidentemente a proposta é apenas fornecer panoramas para orientar e inspirar Bruxas e Bruxos solitários em sua senda, mas é uma leitura tão prazerosa e repleta de sábias instruções, que a li contando as páginas e desejando que não chegasse ao fim! E se você tem receio de ser um livro que fala apenas "mais do mesmo", afirmo que alguma coisa de bom você conseguirá extrair dessa leitura sim, mesmo que não seja de imediato.

A chegar mais perto de completar a coleção,
   Alannyë Daeris

terça-feira, 28 de junho de 2022

Conhecendo o Oráculo - Runas da Bruxa

    As Runas da Bruxa - também conhecidas como Pedras da Bruxa ou Oráculo das Bruxas -, são uma ferramenta divinatória altamente intuitiva, composta por 13 símbolos. O número 13 possui forte conexão com a Bruxaria por ser equivalente a quantidade de luas cheias num ano. Há quem remonte a origem das Runas da Bruxa aos povos Pictos da Europa, mas não são conhecidos vestígios arqueológicos ou registros históricos que confirmem essa relação.
   Seguem o mesmo princípio de qualquer oráculo: prever acontecimentos, responder perguntas, indicar as influências e energias atuantes em uma situação, ou buscar orientação e esclarecimento perante questões que mereçam a atenção do(a) consulente. É comum que sejam lançadas sobre toalhas oraculares com espaços pré-determinados que ajudam a direcionar e detalhar a leitura; ou, as pedras podem ser sortidas e retiradas do saquinho em uma quantia específica, para fornecer conselhos e respostas.
   Também é possível dispô-las em métodos oraculares pré-definidos simples, frequentemente criados exclusivamente para uso com as Runas, envolvendo a análise de temas (como a tirada de passado, presente e futuro, ou a tirada do pentagrama). As tiradas com esse oráculo podem ter no máximo 13 posições, reduzindo a popularidade dessa forma de leitura dentre os oraculistas, mas a ferramenta em si não é limitada somente aos lançamentos mais comuns.
   Atualmente, as Runas da Bruxa são encontradas com facilidade à venda em lojas esotéricas virtuais e físicas, nos mais variados materiais naturais, como madeira, pedras e cristais, conchas, sementes, e também sintéticos, como resinas e epóxi. Há algumas variações estéticas na grafia de alguns símbolos, como o da Colheita, e na denominação, como a do Casamento ou do Romance, mas nada que necessariamente altere o sentido oracular nas interpretações.
   Por sua pequena quantidade de peças e fácil aquisição ou confecção, as Runas da Bruxa são um oráculo acessível e de aprendizado descomplicado, muito produtivo para trazer um panorama da questões, ou direcionamentos gerais. Seus símbolos são intuitivos, amplos e ricos em atribuições, não necessitando estudo intelectual demasiadamente aprofundado para a compreensão, e sim um foco na prática e na própria percepção simbólica. E por sua conexão direta com a Bruxaria, as Runas são perfeitas para atividades mágicas, meditações e feitiços, bem como para leituras voltadas para temas espirituais.

A lançar as pedras sobre o campo,
   Alannyë Daeris

terça-feira, 7 de junho de 2022

Ideias Simples para Ativação e Energização de Sigilos

   Sigilos são práticas desenvolvidas no sistema da Magia do Caos que têm ganhado cada vez mais espaço na Bruxaria e no Ocultismo moderno, e se integrando em outras vertentes mágicas. Podem ser entendidos resumidamente como "intenções condensadas" na forma de símbolo, ou seja: um propósito mágico representado por um desenho específico, criado e consagrado para tal manifestação.
   As etapas de um sigilo podem ser categorizadas em três: primeiro, definir o intento; segundo, criar o símbolo; terceiro, a ativação. No blog já existem outros conteúdos voltados para as técnicas de criação de sigilos, como a Roda das Bruxas e os Sigilos Celestiais, portanto falaremos hoje somente de ideias para a ativação e a energização de sigilos.
   A energização é uma "quarta etapa" possível mas não obrigatória, importante para sigilos com propósitos contínuos (proteção, harmonização de ambientes, sorte, baterias energéticas) e que serão reutilizados, ou para intentos de maior complexidade, exigindo uma carga energética mais elevada. As sugestões abaixo servem tanto para ativar um sigilo quanto para energizá-lo, e podem ser combinadas ou adaptadas conforme sua prática pessoal.

Ativação e Energização


• Meditar com o sigilo. Visualize os traços e formas do sigilo se formando em sua tela mental, com cor ou textura apropriada se sua imaginação permitir. Por exemplo, pode ser visualizado com traços de fogo se for um sigilo para paixão, ou com ondas se o propósito for o desenvolvimento da intuição.

• Desenhar na pele e deixar se desmanchar. Enquanto desenha, mentalize o propósito do sigilo, e dê preferência a tintas atóxicas com pigmentos que enfraqueçam com facilidade. Reserve esse método para sigilos que tenham atuação sobre você pessoalmente, por exemplo: para carisma, melhorar o humor, proteção, atrair sorte, banir azar ou mau olhado, etc.

• Diluir em líquido. Escreva o sigilo em um pedaço de papel e coloque dentro de uma tigela ou taça com líquido. Pode ser água, chá, café, água lunar ou solar, uma poção ou qualquer outro líquido de sua preferência, se possível com uma simbologia e/ou propriedades que fortaleçam o intento do sigilo. Mentalize sua intenção enquanto o papel se desmancha, e você pode misturar com o dedo em sentido horário ou anti-horário (dependendo do propósito do sigilo) para que se desfaça completamente.

• Queimar em uma vela ou no caldeirão. Um método clássico e amplamente utilizado. Escolha uma vela de cor relativa ao intento do sigilo, ou branca. No caso do caldeirão, você pode adicionar ervas correspondentes para potencializar a ativação. Além de queimar o papel na chama da vela, é possível entalhar o sigilo no corpo da vela e deixar queimar até o fim, ou assentar a vela sobre o papel com o sigilo, queimando o papel somente quando a vela estiver quase no fim.

• Enterrar. De forma geral, pode-se enterrar papéis com sigilos em jardins, ou em um local relacionado com a intenção. Por exemplo, sigilos de conexão com ancestrais podem ser ativados e energizados ao enterrar em um vaso de flores sobre o túmulo de um parente falecido. Sigilos para justiça podem ser enterrados em frente a um tribunal, e por assim em diante. Enterre sempre na terra, a menos que não seja possível.

• Potencialização com cristais. Ideal para energizar, e há a possibilidade de utilizar apenas um ou dois cristais cujas propriedades se alinhem com o propósito do sigilo, ou elaborar uma grade ao redor do papel com o sigilo, combinando vários cristais adequados em uma disposição simbólica (círculo, quadrado, hexagrama, pentagrama, espiral, triângulo, coração, etc).

• Untar com um óleo. Pode ser azeite de oliva, de girassol ou de outros grãos, óleos essenciais, óleos abençoados/para unção, e outros unguentos mágicos apropriados. Você pode usar o óleo para traçar algum símbolo sobre um papel com o sigilo desenhado (como um pentagrama ou uma espiral), ou retraçar a forma do sigilo. Essa pode ser uma etapa anterior à queima do papel com o sigilo, dissolução na água, e outras formas de energizar.

• Desenhar em alimentos, como pães e biscoitos antes de assar. Ou, traçar o formato do sigilo mentalmente (ou com o dedo, athame, varinha) antes de ingerir uma refeição. Recomendo cautela nesse último, que é mais sugerido para os sigilos com propósitos que afetam nosso corpo físico diretamente.

A alimentar conhecimentos,
   Alannyë Daeris

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Método Oracular da Torre do Amor

   O dia dos namorados já está logo ali, e para quem não possui um par amoroso, essa pode ser uma data consideravelmente incômoda e desconfortável. Pensando nos corações solitários que buscam entender suas chances no amor e saber mais sobre como encontrá-lo, compartilho essa estrutura oracular elaborada pela cartomante Jucy, que mantinha um blog de tiradas infelizmente já finado.
   O método abaixo pode ser utilizado com diversas ferramentas, especialmente o Tarot, o Petit Lenormand (Baralho Cigano), as Sibillas, e outros oráculos que forneçam previsões e permitam a configuração disposta abaixo e na imagem que ilustra o post. Fiz algumas adições na estrutura original, a fim de detalhar melhor as posições, e incluí uma casa conselho ao final, para encerrar a leitura com um direcionamento pertinente ao tema.

O Método

1. A Torre. Como me sinto enquanto solteiro(a)?
2. Esperanças. O que espero da vida amorosa? Aqui estão os anseios, desejos, sonhos românticos e perspectivas.
3. Ambientes. Quais são os possíveis lugares onde encontrarei um amor? Será num shopping, cinema, supermercado, universidade, pela internet, restaurante, ao ar livre, no trabalho, enfim?
4. Pretendente. Como ou quem é a pessoa? Características gerais, como magro, alto, solteiro, com filhos, bonito, parente da vizinha, do meu trabalho, já o conheço, etc...
5. Tempo. Encontrarei este amor nos próximos 3 meses? Qual o prazo aproximado para que entre em minha vida.
6. Aconselhamento. Como agir com relação ao campo amoroso? Quais atitudes tomar daqui em diante.

A munir Rapunzel de uma escada,
   Alannyë Daeris

terça-feira, 31 de maio de 2022

As Cartas Egípcias para os Mortos

   A expressão Cartas para os Mortos/Ancestrais (Akhu) é uma denominação moderna conferida a um conjunto de escritos egípcios dedicados aos espíritos dos entes falecidos, que abrangem fragmentos arqueológicos datando desde o final do Império Velho (aproximadamente 2686 a.C - 2181 a.C), até o Império Novo (1550 a.C - 1069 a.C). A prática de escrever cartas ao mortos tinha a intenção de rogar para que os ancestrais amados - mais próximos dos Deuses e, portanto, aptos a interceder em causas humanas - operassem favores, bênçãos e ajuda espiritual ou material a quem os pede.
   Os propósitos mais frequentes nas petições tinham como finalidade a cura de doenças, questões de fertilidade, fortuna e heranças. Homens e mulheres podiam ser remetentes e recipientes de Cartas, contudo, há uma maior representação do gênero feminino nelas. Além de terem sido inscritas em papiros, os principais achados arqueológicos são compostos de tigelas de cerâmica, e também em pedaços de linho, estatuetas, estelas de pedra e ostraca (fragmentos de barro). Quando usadas como cartas, é provável que as tigelas de cerâmica também contivessem oferendas alimentícias para os recipientes falecidos.
   A escrita era primariamente hierática, e a disposição das inscrições no objeto podia se dar em colunas ou em círculos no caso das tigelas, começando na borda e espiralando para o centro. Não há como determinar com certeza se eram os próprios remetentes que escreviam suas cartas, mas é certo que algumas foram feitas por escribas profissionais, contratados para isso. O Brooklyn Papyrus - uma Carta para os Mortos extensivamente estudada pelos arqueólogos -, sugere pela presença de uma linha de texto, que elas eram recitadas em voz alta na hora de "entregar" ao ancestral correspondente.
   Os locais de depósito das Cartas eram as tumbas dos falecidos citados na petição. Quando não era possível enterrar junto ao falecido que estava sendo peticionado para ajudar, os egípcios enterravam as Cartas em outras tumbas, com a crença de que o próprio ato de enterrar cria uma conexão entre a terra e o divino, permitindo a comunicação. Poucos egípcios sabiam ler e escrever, mas isso não parecia ser capaz de impedir o entendimento entre vivos e mortos - provavelmente, o ato de se tornar um Akhu (espírito luminoso) concede capacidades ao falecido, que passa a poder entender as cartas direcionadas a si, mesmo que não soubesse ler enquanto vivo.
   São consideradas de cunho íntimo e emocional, pois essas cartas tratavam de súplicas honestas em situações de angústia, em que só restava a ajuda dos mortos, ou problemas que somente eles poderiam resolver. Os egiptólogos consideram difícil determinar a quantia existente de Cartas devido às características particulares que variam entre si. Entretanto, elas costumam seguir um padrão, uma combinação dos componentes a seguir:

1. Citação do falecido pelo nome, geralmente incluindo seus títulos e a relação que esse ancestral tinha com a pessoa que está realizando a petição. Sempre eram indivíduos que haviam morrido recentemente e de um parentesco próximo.
2. Saudação do falecido, que assumia a forma de uma fórmula de oferenda (Hetep di Nisut), de boas intenções, ou outro tipo de invocação.
3. Constatação do problema que a pessoa enfrenta. Geralmente são explicações vagas, mas elas fazem menção a uma injustiça que entende-se ter sido gerada por forças espirituais.
4. Petição pelo resultado desejado para a situação. Às vezes, esse desejo é bem articulado e a pessoa relata inclusive o que fará em troca da ajuda do ancestral.

   A elaboração desses artefatos foi perdendo a popularidade com o passar das dinastias, como evidenciado pela diminuição de itens conhecidos contendo Cartas para os Mortos. Doze são conhecidas do Primeiro Período Intermediário e Império Médio, quatro do Segundo Período Intermediário e Império Novo, nenhuma do Terceiro Período Intermediário e apenas uma do Período Tardio. A possibilidade levantada por historiadores é que as Cartas tenham sido substituídas por outras práticas religiosas, como as estelas votivas para Deuses locais e ancestrais deificados (Akhu), ou cartas diretamente para os Deuses.

Referências

A escrever para meus Akhu,
   Alannyë Daeris

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Hino Tradicional de Amanhecer a Khnum

   O hino a seguir é uma tradução do hino matutino a Khnum do templo de Esna, um dos principais centros de devoção e culto ao Oleiro Divino no Egito Antigo. Diversos epítetos e aspectos de Khnum podem ser identificados nessa composição tradicional, incluindo algumas de suas conexões com outros Netjeru.

Despertar de Khnum, diga:

Acorde bem e em paz, acorde bem e em paz,
Khnum-Amun, o ancião,
Emitido de Nun,
Em paz, acorde pacificamente!

Acorde, senhor dos campos,
Grande Khnum,
Que faz seu domínio no prado,
Em paz, acorde pacificamente!

Acorde, senhor de deuses e homens,
Senhor do grito de guerra,
Em paz, acorde pacificamente!

Acorde, potente planejador,
De imenso poder no Kemet,
Em paz, acorde pacificamente!

Acorde, senhor da vida,
Galanteador de mulheres,
A quem vão homens e deuses sob seu comando,
Em paz, acorde pacificamente!

Acorde, carneiro de grande majestade
De plumas altas e chifres afiados
Em paz, acorde pacificamente!

Acorde, grande leão,
Assassino de rebeldes,
Em paz, acorde pacificamente!

Acorde, rei-crocodilo, possante vencedor,
Que conquista como deseja,
Em paz, acorde pacificamente!

Acorde, ó de face velada
Que fecha seus olhos para os inimigos,
Enquanto carrega armas,
Em paz, acorde pacificamente!

Acorde, líder dos pastores,
Que segura o cajado,
Bate quem lhe ataca,
Em paz, acorde pacificamente!

Acorde, grande crocodilo que diz,
"Cada um de vós matará seu similar",
Em paz, acorde pacificamente!

Acorde, Shu, de braço forte,
Campeão de seu pai
Assassino de rebeldes,
Em paz, acorde pacificamente!

Acorde, carneiro lutador que persegue seus inimigos,
Pastor de seus seguidores,
Em paz, acorde pacificamente!

Acorde, ó multiforme,
Que muda de forma à vontade,
Em paz, acorde pacificamente!

Acorde, Khnum que modela como deseja,
Que coloca cada homem em seu lugar!

Traduzido a partir de Miriam Lichtheim – Ancient Egyptian Literature, vol.III, p.110-111