sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Tempo ao Tempo – Deixando a Magia Correr seu Curso

Publicado originalmente na Revista A Folha da Íbis, edição de Abril de 2020, por Alannyë Daeris. Revisado e atualizado em 05/2023.

   Como é difícil lidar com a ansiedade pós-magia, não é mesmo? Aquela sensação de nervosismo... ter dúvidas sobre se vai mesmo funcionar, se os resultados serão rápidos e da forma como você espera, se você fez tudo certo ou errou em alguma etapa... Nós vivemos presos ao conceito de tempo e espaço, mas para o espiritual, o tempo funciona de forma diferente. Portanto, quando colocamos nossa preocupação e ansiedade sobre nossos feitiços, criamos bloqueios inconscientes sobre as intenções, enviando uma mensagem contrária – de que aquilo não é o que queremos de verdade, associando a intenção a algo ruim. A energia que foi direcionada antes se torna conflituosa com a energia que foi enviada depois, e dependendo do contexto, as duas podem acabar por se anular.
   Isso não significa que você deve se desesperar toda vez que se pegar pensando algo como “nossa, espero que esse banho de ervas funcione mesmo”, ou “o que eu faço se esse feitiço não funcionar?”. Esses questionamentos são normais e até necessários, para que consideremos com nosso senso crítico o que foi feito, e possamos analisar com honestidade e transparência nossas atividades mágicas. Inclusive, são ponderações que podem ser acrescentadas em seu diário mágico (ou grimório, livro das sombras, etc), e que fornecem um bocado de compreensão sobre sua jornada espiritual, tanto na hora do registro quanto em oportunidades posteriores de rever tais anotações e compará-las com os resultados obtidos.
   Entretanto... se você frequentemente fica considerando as possibilidades de como seu feitiço pode falhar, ou procurando os erros que cometeu na hora H, isso já configura uma autossabotagem! Considere que você está gastando seu tempo, sua energia e seu esforço criando sentimentos negativos e direcionando-os para o feitiço que fez, e isso às vezes pode ser o suficiente para diminuir ou até anular o efeito do feitiço que criou, se for feito com frequência, ou se você ficar muito ansioso nesses momentos específicos! Longe de querer lhe instigar medo e ainda mais insegurança sobre suas práticas, a proposta aqui é ajudar você a evitar circunstâncias desfavoráveis para conseguir concretizar seus desejos, tendo consciência dos fatores que atuam contra eles.
   Algo similar pode acontecer quando você faz um feitiço e conta para outra pessoa, seja ela a favor das suas práticas no geral ou não. Se ela pensar ou sentir algo que não seja positivo, mesmo que seja inconscientemente ou sem intenção, são bloqueios que podem ser acrescidos sobre sua magia, e que quando se somam em quantidade, podem acabar por atrapalhar os resultados que você tanto queria. Evite compartilhar seus feitos mágicos abertamente, você pode não saber de fato qual será a reação íntima do ouvinte – a exceção são os casos em que você deseja energizar o feitiço através da interação da outra pessoa, mas é necessário propósito e um cuidado redobrado para isso!
   É importante comentar que se você é assombrado por preocupações, de maneira intensa e frequente, isso deve estar enraizado em algo mais profundo e desconhecido para você, então vale a pena tentar encontrar onde está a raiz do problema. Lembrando que ansiedade, medo extremo, paranoia e preocupação excessiva com sintomas físicos são assuntos sérios e requerem o devido acompanhamento de profissionais da saúde. O ideal nesses casos é buscar indivíduos capacitados para ajudar a reestabelecer sua saúde mental e emocional ao melhor estado possível. O autoconhecimento opera maravilhas quando bem conduzido, mas nem tudo pode ser resolvido de forma solitária, na base da reflexão isolada e sem o devido amparo.
   Na prática, não se preocupar com feitiços e resultados é muito mais fácil dito do que feito, todos sabemos muito bem disso... Minha recomendação é que você encontre maneiras de redirecionar seu foco sempre que perceber as dúvidas se aproximando, e recorde-se dos resultados positivos que já obteve em seu passado, como banhos de ervas eficazes, feitiços ou práticas mágicas em geral que manifestaram um efeito tangível e significativo - tenho certeza de que você possui um histórico com momentos impressionantes relacionados à magia! Quanto antes você se afastar de pensamentos duvidosos sobre os resultados, melhor, pois menos negatividade estará no caminho das suas intenções. Não devemos tentar reprimir os questionamentos, e sim aceitá-los com naturalidade, entendendo que fazem parte do processo e são compartilhados por todos nós no caminho oculto, mas também compreender que está em nosso poder evitar que o medo leve ao fracasso. Algumas dicas simples de feiticinhos para isso são:

• Acenda seu incenso preferido, ou algum com propriedades de purificação, clareza, limpeza. Concentre-se na fumaça, intencione que ela renove suas energias e dissipe os pensamentos adversos.
• Faça um aterramento, se possível, andando de pés descalços na grama. Estar na natureza é ótimo para se distrair das preocupações.
• Escreva todas as coisas que lhe preocupam conforme elas surgem em sua cabeça e queime-as para banir de sua vida. Pode ser feito em uma simples vela preta, sem necessidade de ervas e caldeirão.
• Coloque uma música que lhe faça se sentir bem para tocar bem alto, concentre-se nela com presença e se deixe levar.
• Medite com uma entidade ou divindade que você cultua, converse sobre a situação.
• Leia um poema que você gosta, ou entoe um hino para uma divindade/entidade de quem você é devoto.
• Faça um exercício físico simples e rápido. Corra pela casa, faça agachamentos ou polichinelos. Dê uma alongada antes, claro.
• Exerça alguma atividade de limpeza ou organização - varra um recinto, lave a louça, arrume aquele cantinho bagunçado, tire o pó da estante. Concentre-se e intencione que está reordenando seus pensamentos por meio dessa tarefa.
• Registre em seu diário mágico (ou livro das sombras, enfim) sobre a experiência, buscando ser honesto consigo mesmo(a).
• Pergunte a oráculos sobre a prática que foi realizada; se foi eficaz, se trará os resultados esperados, se algo foi feito inadequadamente, se há necessidade de um reforço posterior, orientações. Reflita sobre as respostas com atenção e evite abrir um monte de jogos em sequência sem analisá-los com calma, faça como se estivesse abrindo o oráculo para outra pessoa.
• Tire um cochilo, descanse, leia um livro. Faça uma atividade diferente, conforme o que você estiver precisando mais no momento. Quem sabe tomar uma ducha (ou um banho de ervas!), um chá, passear com o cachorro. Direcione seu foco para algo mais produtivo, coloque em dia aquilo que está procrastinando há dias.

A desapegar das certezas,
   Alannyë Daeris

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Método Oracular do Conflito na Relação

   Iniciar um relacionamento pode ser difícil... mas ninguém avisa que manter um namoro em harmonia também não é lá um mar de rosas! Esse jogo se destina a elucidar com profundidade sobre as raízes e as implicações de conflitos ou brigas em relações afetivas, e orientações sobre como resolver esses desentendimentos de forma saudável.
   A tirada a seguir foi criada originalmente para envolvimentos românticos, no entanto, pode ser aplicada com outros tipos de relações: análise de conflitos com amizades, familiares, colegas de trabalho, etc. E claro, é possível utilizar uma grande variedade de oráculos para esse método (Tarô, Lenormand, Sibila, Runas...), ao seu critério e gosto.

O Método


1. Você em relação ao parceiro(a).
2. O(a) parceiro(a) em relação a você.
3. Por que estão se desentendendo?
4. Há alguma razão oculta, não explícita, para esse conflito?
5. Expectativa. O que ele(a) espera que você faça.
6. O que você espera que ele(a) faça.
7. O que levará a um acordo.
8. O que pode piorar a situação.
9. O que fazer sobre esse conflito.
10. Existe algum outro fator influenciando nesse desentendimento?
11. Como encontrar um meio-termo e ajustar os desequilíbrios.
12. Tendência de futuro da relação.

A apaziguar ânimos e âmagos,
   Alannyë Daeris

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Epítetos de Nebetuu (Nebtuwi)

   Epítetos são títulos dados a divindades, que servem para representar certas faces específicas deles, e invocar determinadas características. Para saber mais, veja esse texto que trata sobre o assunto.
   Hoje, apresento uma lista de epítetos keméticos tradicionais conferidos a Nebtuwi (Nbt-ww), traduzidos e adaptados para nossa língua. Podem ser usados em orações, rituais, meditações e em quaisquer situações que você queira evocar ou invocar esse aspecto de Nebtuwi que está retratado no epíteto escolhido.
   Essa lista não contém todos os títulos associados com essa deusa, e há muitos outros que podem ser encontrados, ou desenvolvidos na sua própria interação e culto a Nebtuwi. Agradeço à Rev. Ma'atnofret da Kemetic Orthodoxy pela tradução dos epítetos para o inglês com base no guia Lexikon der ägyptischen Götter und Götterbezeichnungen, volume 8.

Epítetos Tradicionais


• A grande no céu
• Que preenche céu e terra com sua perfeição
• Senhora do céu
• O céu oposto
• A cabeça do horizonte
• Sol
• Ela com raios luminosos
• Deusa solar
• Que ilumina para si mesma as duas terras em frente a sua face
• Senhora da luz
• Raet na luz
• Que ilumina as duas terras
• A luminosa
• Vento
• O vento norte
• O belo vento norte
• Sétima terra/mundo
• A poderosa na terra
• Atribuindo vidas pelo país 
• Que preenche os céus e a terra com sua perfeição
• A regente das vizinhanças do sol
• Mantendo o país vivo pela ação de seus braços
• Por quem o país inteiro está em humor festivo
• Cabeça do distrito de Abydos em Abydos
• A magnífica e esplêndida do Templo de Khnum
• O Wedjat no campo de Khnum
• A senhoria de Esna
• Mestra de Abydos
• Mestra de Edna
• Mestra de Buto
• Mestra de Elkab
• Mestra de Pelusium
• Eles estão em Heliópolis
• Eles que em Thinis estão
• Está no meio de Tebas
• A casa está no meio dos Bas
• Que chegou em Esna
• Que chegou em sua festa em Esma
• Vinda de Kenset
• O olho de Ra na totalidade das Duas Terras
• Que iluminaram para si mesmos os dois países em frente de suas faces
• Senhora das Duas Terras
• Que ilumina as Duas Terras
• Que lidera as Duas Terras
• Em cuja corte o regojizo reina
• Que preencheu o palácio com sua beleza
• Senhora do palácio.
• Senhora de Bubastis em sht-ntr
• Senhora do pr-wr
• Mestra da casa do pai
• Mestra da casa da mãe
• Mestra do templo de Neith
• Enfermeira da casa de nascimento
• Mestra da família real
• Mestra da casa da chama
• A regente excelente na casa da mãe 
• A cabeça da Casa da Alegrias
• Que deixa Deus ascender em Seu templo
• Mestra das águas Isrw
• Ela com a grande margem
• Mestra do jardim de árvores
• Mestra do campo perfeito
• A primeira do vale
• Sua Majestade Ipet
• A vaca celestial
• Senhora das árvores
• Sua fragrância exala da flor de lótus
• Seu aroma consiste da planta de papiro
• Que vem como a água da inundação
• Deusa dos campos
• Que cria as plantas
• Mestra do país das frutas
• Mestra da nova terra
• Mestra das plantas
• Mestra do campo
• Mestra das Pradarias (Campos elevados)
• Regente do campo
• A cabeça da vegetação
• A cabeça do campo
• O campo cravejado de lápis lazuli
• Que faz a madeira da vida crescer
• A que cresce toda a comida
• Que eleva o grão completamente
• Que faz as plantas para sua casa
• Que amadurece o grão 
• A riqueza que está no grão
• Que ascende no começo
• Que cria a todos
• Toda boca come o que provém dela
• Que dá a completa altura ao grão 
• Que dá a luz ao que existe
• Que faz todas as coisas acontecerem
• Que faz todas as coisas ascenderem em seus locais
• A menina
• A grande menina
• Que induz as plantas para sua casa
• Ela com planos excelentes
• Ninguém entra no palácio sem seu conhecimento
• Um passo a frente na barca noturna
• A bela face
• Ela com face perfeita
• Ela com aroma agradável
• Seu corpo é feito de ouro
• Cujo cabelo é feito de lápis lazuli real
• Sua fragrância vem da flor de lótus
• Ela com face atentiva 
• As bochechas festivamente decoradas
• Seu aroma consiste na planta de papiro
• Ela atira sua flecha contra Apófis
• A perfeitamente decorada
• A Magnífica ou a Útil 
• A grande Magnífica
• A grande queima 
• A grande cobra
• A cobra de Ptah
• A coroa wrrt
• A serpente na testa de Ra
• A serpente frontal na testa de cada divindade
• A cobra
• A cobra de quem a criou
• A grande cobra
• A cobra de Ra
• O belo olho
• O Olho de Rá
• O olho de Ra no semblante das Duas Terras
• O grande Olho de Heru
• O Olho Wedjat
• O Olho Wedjat no campo de Khnum
• Para o Ka que você faz um banquete
• Para cujo Ka você abre a caneca de cerveja
• Seu nome é maior que o dos deuses e deusas
• Que cria as coisas úteis 
• Que cria a necessidade para todos
• Que toma a cabeça dos seus inimigos
• Que queima o inimigo de seu pai
• Que queima o inimigo com sua labareda de fogo
• Ela atira sua flecha contra Apófis
• Que derrota seu inimigo
• Seu desgosto é fome e sede
• Que dá a idade para quem ela ama
• Retorna o ar para as narinas do cansado de coração
• Mantendo o país vivo pela ação de seus braços
• Escoltando os Grandes Deuses
• Que atende aos pedidos 
• Que ouve o pedido de qualquer um
• A Protetora de Ra-Horakhty
• Que protege seu filho a quem ela ama
• Cujo coração está cheio de alegria
• A Senhora do Júbilo
• Regente do Júbilo 
• Sob cujo comando o Senhor aparece
• Que ama a dança 
• A Senhora da dança
• Senhora da canção (ou: da adoração)
• Senhora da música
• Para quem seu irmão dança
• Que dança para Shu
• Para cuja majestade se começou a dançar
• Para quem se começou a celebrar
• Mestra do campo
• A excelente regente na casa da mãe
• A regente na casa da vaca
• A regente nas vizinhanças do sol 
• Que manda seu filho para Rei
• Ela que no trono está 
• Que está sobre o grande assento do trono
• Seu trono é mais distante que o dos Deuses 
• Ela vem com seu irmão
• Seus filhos prosperam mais que os Deuses e Deusas
• O inimigo é seu irmão
• O Ra deu à luz
• A confidente de seu irmão
• A cobra de quem a criou
• Ela protege seu filho quem ela ama
• Quem conecta com seu pai Atum
• Que une com seu irmão
• Que une com seu irmão Khnum
• Seu filho é Hk3-p3-hrd
• A filha do mestre
• A filha de Ra
• A irmã de seu irmão
• Que satisfaz o coração de seu pai, Ra
• Que faz seu filho se tornar rei
• Que cria seu filho Heru com/em (...)
• Ela com grande popularidade
• Ela com grande popularidade entre os Deuses
• A muito popular
• Senhora do amor
• À visão dela Ra regozija
• Vê-la faz celebrar
• Senhora da dignidade
• A grande divindade
• A maior Deusa
• A Magnificente
• A Magnificente e Poderosa
• A Magnificente e Poderosa dos Deuses e Deusas
• A bela magnificente
• A mais sublime que os Deuses
• Ascendendo sobre os Deuses e Deusas
• Uma segunda não existe no céu e terra
• A sem igual
• A Bela
• A Dourada
• Senhora da beleza
• A grande queima
• Ela com grande calor
• Senhora da chama
• A mais poderosa que os Deuses
• A senhora perfeita
• A senhora dos Deuses
• A Senhora de todos os Deuses
• A Senhora dos Deuses e Deusas
• A Senhora das Deusas
• A Senhora das mulheres
• A Senhora de todas as coisas
• A Senhora das mulheres nobres
• A Senhora de homens e mulheres
• A Grande Anciã
• A Cobra de Ptah
• Olho de Ra
• Olho de Ra em todos os dois países 
• O grande Olho de Heru
• Que se localiza no peito de Ra
• A grande ao lado de Khnum
• Quem dança para Shu
• Cuja visão Ra ama
• O amor de Ra
• A amada de Ptah
• A amante de Ra
• A amada de Khnum
• A confidente da Senhora do Campo
• A serpente na testa de Ra
• A serpente na testa da cabeça de seu mestre
• A protetora de Ra-Horakhthy
• Sua visão faz Ra regojizar
• Retorna o ar ao nariz do cansado de coração
• Com quem o coração de Atum está satisfeito
• A Cobra de Ra
• Que se une com a cabeça do seu campo
• Enfermeira 
• A Enfermeira no local de nascimento
• A Nutridora
• Que abre/rasga as coisas
• Senhora da limpeza
• Para cujo Ka você faz uma festa
• Ela com numerosos festivais
• Que ama o dia agradável
• A Senhora do Festival
• Senhora dos festivais
• Senhora da embriaguez
• Que chegou em sua festa em Esna
• Para cuja majestade se começou um festival
• Para quem todo o país está em clima festivo
• Ela um passo a frente na barca noturna
• Ma'at na cabeça da barca de Ra
• Senhora dos Menits e do Sistro
• Ela com numerosas oferendas
• Para cujo Ka você abre a caneca de cerveja
• Senhora do grão
• Senhora da comida
• Senhora da comida e do alimento
• Que está no alimento 
• Que vem durante o dia
• Senhora do começo do ano
• Que aparece no início de cada década
• Que faz o ano perfeito
• Wadjet
• Wenut do Baixo Egito
• Wenut do Alto Egito
• Ma'at
• Menhit, a grande
• Raet na luz
• A grande Repit
• Rivenutet, a colorida de papiro
• Hathor a Grande
• As Deusas do campo
• Seshat a Grande
• Tefnut
• Temet
• Milhões, centenas de milhares e dezenas de milhares são
• No fim de quem estão milhares, centenas, dezenas e um

A abrir a cerveja para a Senhora Perfeita das Oferendas,
   Alannyë Daeris 

terça-feira, 3 de outubro de 2023

Senet, o Jogo Egípcio da Travessia

   O Senet é um jogo de tabuleiro egípcio, mencionado desde 2620 a.E.C., com representações e sinais hieroglíficos que datam de períodos anteriores, como no início da Era de Bronze II. Existem outros jogos de tabuleiros egípcios, como o Mehen e o Shen (ou "Cães e Chacais"), mas o Senet é o mais conhecido, sendo referido inclusive na cultura popular e no entretenimento contemporâneo. Esse jogo variou muito pouco ao longo de sua história de aproximadamente 2000 anos, tendo sido deixado de lado somente no tardio Período Romano. Algumas evidências sugerem que tenha continuado a ser jogado por algum tempo na era romana, devido a grafites encontrados no telhado do Templo de Dendera, que data dessa época.
   Ele é popularmente traduzido como "jogo da travessia da alma" - referindo-se ao Ba, a essência vital que é representada por um pássaro com cabeça humana; saiba mais sobre os conceitos de corpo e alma no Kemetismo nesse texto. O propósito do Senet é efetuar com êxito a perigosa jornada pelo Duat (o submundo egípcio), alcançando assim os Salões das Duas Maa'ti, onde ocorre o julgamento da alma e a pesagem do coração - uma etapa necessária para ser agraciado com o renascimento e uma subsequente vida eterna nos Campos de Juncos. Tal associação simbólica com a travessia do espírito no além parece ocorrer em um momento posterior, após o jogo ter sido criado e difundido na civilização egípcia como um passatempo.
   O Senet é composto de 10 ou mais peças, dispostas em um tabuleiro retangular com 30 divisões quadriculadas, num formato de 3 colunas, cada uma contendo 10 casas. O tabuleiro costuma indicar a direção de início do jogo, geralmente no topo superior esquerdo, e era comum que as casas fossem decoradas com padrões ou desenhos simbólicos. As decorações das últimas 5 casas do tabuleiro eram distintas, e faziam menções à água ou conceitos benéficos; entretanto, a posição dessas casas e os hieróglifos nelas contidos variam de tabuleiro para tabuleiro. Junto aos tabuleiros de Senet, é comum a presença de "casting sticks", palitos lançados ao acaso, ou ossos (astragalos), que serviam como dados e eram usados para determinar a quantidade de casas percorrida pelos peões.
   Diversos tipos de tabuleiros têm sido encontrados por arqueólogos, alguns altamente sofisticados e decorados, com imagens de Deuses e cenas mitológicas nas laterais da caixa, gavetas para armazenar as peças. Os materiais usados para a confecção de tabuleiros variam entre pedras preciosas (como lapis lazúli) e outros tipos de pedras, faiança, marfim, madeira, ostraca ou pratos de terracota. Também há evidências de tabuleiros de Senet mais simples, sem inscrições, ou riscados no chão e em edifícios, possivelmente para partidas improvisadas. Nem todos os tabuleiros dos quais há registro acompanhavam peças como peões, palitos ou dados.
   Até o presente momento, não foi possível reconstruir de forma fidedigna o conjunto original de regras do jogo, pois não existem registros escritos ou instruções remanescentes sobre como era jogado, somente representações visuais de partidas, que trazem informações limitadas sobre a estrutura e funcionamento do jogo em si. Alguns parâmetros gerais sobre as partidas são mais aceitos; considera-se que cada um dos dois jogadores recebe uma quantia igual de peões no início da partida, e que o objetivo é alcançar o final do tabuleiro, a última casa. As peças provavelmente se movem em padrão de S, da esquerda para a direita e vice-versa. Algumas casas parecem causar efeito positivo ou negativo sobre os peões.
   O Senet é citado em textos, como no Capítulo 17 do Book of the Dead (Livro dos Mortos), e em outros papiros, que relatam muito pouco sobre a execução de uma partida. Ainda assim, os historiadores Timothy Kendall e R. C. Bell efetuaram reconstruções das regras, estimadas por intermédio de fragmentos de informações em textos egípcios, que dificilmente representam a jogabilidade original, mas sugerem possibilidades interessantes para uma adaptação moderna e "jogável". Você pode acessar nesse link, em inglês. Um outro material escrito, disponibilizado gratuitamente pela Universidade de Chicago, oferece um guia completo para fazer o seu e regras para jogar - leia nesse link.
   Os egípcios acreditavam que a travessia pelo Duat era repleta de desafios e povoada por entidades nefastas, que poderiam impedir a chegada do falecido ao local do julgamento, ou roubar partes de seu corpo e alma, condenando o indivíduo à danação - literalmente, uma questão de vida ou morte eterna. Em murais e afrescos em tumbas egípcias, existem cenas de partidas de Senet sendo jogadas por falecidos no além e seus familiares vivos, atestando que a temática do jogo por simples correlação simpática era suficiente para estabelecer uma ponte entre esse mundo e o próximo, conectando os vivos e os mortos por representar a transição entre os planos, trazendo os ancestrais para perto com auxílio do lúdico.
   Sendo assim, o Senet é um artefato que perpassa o secular para adentrar e se consolidar no sagrado, representando a importância do aspecto mágico-religioso em uma civilização que abraça com estima seus mitos, símbolos, invenções, brincadeiras, e percebe a imanência do divino em todas as camadas da realidade.

Referências

The Egyptian Game of Senet and the Migration of the Soul - Peter A. Piccione
Passing from the Middle to the New Kingdom: A Senet Board in the Rosicrucian Egyptian Museum - Walter Crist

A lançar dados com Shai,
   Alannyë Daeris 

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Resenha: Ancient Egyptian Magic, de Bob Brier

   Resenha: Ancient Egyptian Magic is the first authoritative modern work on the occult practices that pervaded all aspects of life in ancient Egypt. Based on fascinating archaeological discoveries, it includes everything from how to write your name in hieroglyphs to the proper way to bury a king, as well as:
- Tools and training of magicians
- Interpreting dreams
- Ancient remedies for headaches, cataracts, and indigestion
- Wrapping a mummy
- Recipes for magic potions and beauty creams
- Explanations of amulets and pyramid power
- A spell to entice a lover
- A fortune-telling calendar
These subjects and many more will appeal to everyone interested in Egyptology, magic, parapsychology, and the occult; or ancient religions and mythology.

Ficha Técnica


   Autor: Bob Brier
   Ano: 1998
   Editora: William Morrow & Company
   Páginas: 320

   Antes de partirmos para os elogios, conheçamos o autor - Bob Brier é um egiptólogo de renome e grande divulgador do tema, que já publicou outros sete livros, conduziu pesquisas em sítios em quinze países e é um pesquisador sênior na Long Island University. Ancient Egyptian Magic é um ótimo livro de introdução sobre a magia no Egito Antigo, abrangendo diversos assuntos que tangem esse tema tão amplamente inserido na vida da civilização kemética.
   Não espere uma obra fantasiosa e repleta de misticismo sobre a magia egípcia - esse é um trabalho literário sério, fidedigno e de altíssima qualidade, embasado em fontes confiáveis, pesquisas acadêmicas, e informações obtidas via registros históricos e arqueológicos. Os capítulos de Ancient Egyptian Magic são bem organizados e criam uma progressão de assuntos substancialmente engajante, que captura a atenção do leitor conforme transita por diferentes áreas de interesse, que complementam umas às outras.
   O único defeito desse incrível exemplar literário é a falta de uma tradução para o português até o momento dessa publicação - nada relacionado ao conteúdo impecável! -, que torna mais difícil seu acesso para quem não domina o idioma. Ainda assim, Briar apresenta temas complexos com um linguajar descomplicado, simplificando a compreensão para todas as variedades de leitores, e facilitando o desafio para quem engatinha nessa língua.
   O livro possui um dos raros calendário de dias de sorte e azar com suas fortunas, trata sobre os principais mitos egípcios, amuletos, sonhos, como funcionava o funeral do faraó, bem como práticas mágicas e medicinais variadas que eram empregadas por essa civilização na Antiguidade. Se destaca por proporcionar um contato bastante próximo com a magia e a ritualística antiga, demonstrando frequentemente com imagens e traduções de textos egípcios.
   Vale muito a leitura para interessados em conhecer mais sobre o tema mágico-religioso, e como foi o cerne que fundamentou a cultura e sociedade kemética ao longo dos milênios. É também uma fonte de referências importantes para aprofundamento de estudos sobre o Antigo Egito. Um dos melhores livros que já li sobre o assunto até então - se não o melhor!

A adaptar fórmulas obscuras,
   Alannyë Daeris

terça-feira, 29 de agosto de 2023

Conhecendo o Oráculo: Daphnomancia, Divinação com Louro

   A Daphnomancy (na versão aportuguesada, Dafnomancia) é uma prática oracular de pouquíssimo renome atualmente, que foi concebida e desenvolvida pelos povos greco-romanos na Antiguidade. Ela consiste na queima de folhas de louro em uma pira ou fogueira para obtenção de respostas para os questionamentos apresentados ao oráculo. O louro é uma planta associada mitologicamente a Apolo, deus responsável pela divinação e pelos oráculos - como no conhecidíssimo Oráculo de Delfos, a ele consagrado.
   A prática leva esse nome pois segundo algumas versões comuns do mito, Dafne era uma ninfa que fugia das investidas amorosas de Apolo, após uma confusão realizada pelo deus Eros ao disparar suas flechas. Rejeitado, Apolo a transformou na primeira árvore de louro, que se tornou sagrada em seu culto. Numa outra versão da história, a ninfa pede ajuda ao seu pai, o rio Peneo, para que a livre da perseguição de Apolo, e é o pai quem a transforma em louro. É a planta cujos galhos eram utilizados em coroas de campeões e imperadores, o que se reflete em expressões populares ainda hoje, como os "louros da vitória".
   Os prognósticos favoráveis ou desfavoráveis da dafnomancia se baseiam na presença de sons e estalos na queima das folhas. O procedimento consiste na realização da pergunta, e o lançamento de um galho de louro sobre o fogo; quanto mais as folhas estalam ao queimar, mais positiva a resposta. Se as folhas queimam silenciosamente, a resposta é negativa. É sugerido que os galhos são lançados frescos, pois folhas secas de louro estalam com muita facilidade, impedindo a variabilidade necessária em quaisquer estilos oraculares funcionais.
   Por ser uma arte composta de dois elementos, e as chamas naturalmente configurarem meios divinatórios desde períodos muito remotos, o fogo também possui um papel importante na leitura de dafnomancia. Por exemplo, se as labaredas queimam vivas e altas, indicam uma tendência favorável; mas se o fogo diminui, fica consistentemente baixo, ou se apaga, as perspectivas para a questão são ruins. Quanto pior o desempenho do fogo, pior a resposta, e o contrário também é verdadeiro.
   Outras possibilidades na interpretação da dafnomancia se dão ao final, pela análise dos restos da erva queimada. Se o louro tiver sido completamente transformado em cinzas, não restando nada da planta, é um prognóstico positivo. Quando restam folhas ou partes intactas do louro após o fogo se extinguir, obtém-se uma tendência negativa, de que a situação não se resolverá ou que haverão muitas dificuldades na questão. Quanto mais restar do louro, pior a perspectiva.
   Por fim, existia também uma forma alternativa de praticar a dafnomancia - os áugures mascavam as folhas de louro e entravam em um transe ritualístico, proferindo seus prognósticos aos ouvintes através da inspiração concedida pelo deus Apolo. É sugerido em algumas fontes que essa técnica divinatória, tal qual a anterior, eram realizadas pelos sacerdotes que presidiam o Oráculo de Delfos - como menciona o autor Francisco José Folch em seu livro "Sobre símbolos" (2000).

A inalar o aroma do louro,
   Alannyë Daeris

terça-feira, 18 de julho de 2023

A Magia da Repetição: Feitiços de Dias Consecutivos

Texto publicado originalmente na revista A Folha da Íbis, edição de Abril de 2020, de autoria de Alannyë Daeris.

   Todo mundo que pesquisa sobre o Oculto já se deparou com feitiços e rituais que exigem vários dias para sua realização, ou seja, que não são feitos de uma vez só. Você faz o primeiro feitiço, e precisa continuar nos dias seguintes por uma quantidade de tempo pré-determinada. Vamos abordar a fundo o funcionamento e diretrizes básicas para tais feitiços, e principalmente, de que maneiras podemos empregá-los na prática.
   Considere que os feitiços consecutivos são como uma cascata de energia fluindo em direção ao objetivo que determinado. Cada vez que você completa uma parte do feitiço, é como se um novo rio de energia fluísse para a cascata. No final, você terá uma cachoeira com um fluxo mais forte, mais rápido, e muito maior que a cascata original. Essa cachoeira reforçada terá energia abundante para alimentar sua magia, pois basta alguns dias para que as ações repetidas gerem uma força energética considerável.
   Feitiços consecutivos podem ser feitos para qualquer intenção, e na prática, não há tanta diferença para um feitiço normal, apenas a adição de práticas ou a repetição de atividades. O número de dias costuma ser relacionado à simbologia do número, ou podem completar um ciclo específico de dias (uma semana, um mês, enfim). Como todo tipo de magia, há pontos a serem considerados, para que você determine qual a melhor situação para utilizá-los.

1. Clareza de Intenção


   Em cada parte do feitiço, será necessário foco e atenção, o que resultará no desenvolvimento do seu objetivo, esclarecendo o que você realmente quer conseguir. Até as inseguranças ou medos que você poderia ter serão descartadas após tantas atuações ritualísticas, pois você terá mais certeza do que quer, e uma maior confiança em suas habilidades mágicas. Muitas vezes, quando pensamos em fazer um feitiço, não temos o objetivo bem formado em nossa mente ainda, e podemos ser influenciados pelas emoções do momento. A repetição garante um tempo para refletir e considerar, trazendo uma ideia mais concreta sobre suas motivações. Se você tem dificuldade de delimitar objetivos sólidos e claros para sua magia, essa é uma alternativa viável, que lhe fará contemplar o que realmente deseja com o feitiço durante vários dias. No final, as chances são que você terá compreendido o que quer e como quer que isso se manifeste em sua vida.

2. Disciplina e Ritualística


   A repetição é importante de um ponto de vista mágico, e é o que faz os rituais serem tão poderosos. Além disso, é preciso disciplina para ter compromisso com suas atividades mágicas, e para conseguir realizar tudo de acordo com o que foi planejado. Ao usar da repetição, você estará mais consciente sobre suas práticas mágicas, fortalecendo sua autoconfiança e ajudando você a evitar pensamentos e atitudes que possam atrapalhar sua magia - principalmente em vezes que pensamos ou fazemos coisas por impulso, sem perceber.

3. Menor Gasto Energético


   Há pessoas que, por vários motivos (como debilidades mentais ou físicas), se sentem muito mais exauridas ao praticar simples atos de magia. Pode ser muito difícil para alguns indivíduos ter a motivação ou o foco para gerar e manipular grandes quantidades de energia, portanto, dividir um feitiço em várias partes pode ser sua salvação! Assim, você gastará um pouco de energia de cada vez, mas terá um resultado tão poderoso quanto se tivesse feito em uma única parte, com a vantagem de não ficar tão exausto no final. Ademais, é mais fácil desocupar 15min na sua rotina em alguns dias da semana ou do mês, do que ter várias horas disponíveis para efetuar uma magia mais elaborada e complexa.

Na Prática


   Feitiços consecutivos não precisam ser super elaborados, pois boa parte de seu poder reside na repetição. Mas tenha em mente que a complexidade está sim frequentemente relacionada com poder, e uma quantidade maior de ingredientes bem escolhidos (sejam ervas, velas, óleos, pós ou encantamentos) pode resultar em um feitiço mais poderoso, ainda que não seja regra. Para aproveitar o máximo do efeito do feitiço, é melhor que sejam em dias consecutivos mesmo, evitando pular datas durante o processo. Entretanto, isso não é obrigatório, e há feitiços consecutivos que são feitos dia sim/dia não, ou em repetições numéricas específicas que estejam relacionadas simbolicamente ao objetivo de alguma forma. O essencial é que as datas sejam escolhidas intencionalmente, ainda mais se houver alguma intercalação de datas ou espaçamento entre uma e outra.
   A data de início e fim são as mais importantes por virtude das fases da Lua, e devem ser levadas em consideração, juntamente com a regência planetária dos dias e horas. A ideia é tentar combinar o máximo de influências positivas (e evitar as que sejam contrárias à sua intenção, é claro!). E sim, divindades e entidades podem ser convidadas para auxiliar e fortalecer os feitiços consecutivos, o que é algo recorrente na Bruxaria moderna. Também é uma maneira de gerar mais intimidade com a entidade e sua energia, trazendo uma aproximação pela interação diária e ritualística. Lembre-se sempre de trabalhar apenas com entidades com as quais já tem algum relacionamento, mesmo que breve, pois nem todos os Deuses (ou espíritos) gostam de ceder sua atenção e energia sem nem conhecer a pessoa em questão, ou sem ter alguma boa motivação para isso.
   A criação dos feitiços consecutivos não difere muito de feitiços convencionais, havendo apenas alguns detalhes a mais para se definir. São eles:

Qual a melhor data para o início?
Considere a fase da Lua e a regência planetária do dia e da hora.

Quantos dias o feitiço durará?
Aqui, é válido consultar a numerologia para determinar o número de dias. Ou, usar de um ciclo pré-determinado que você considerar mais apropriado, como “uma semana”, “uma quinzena”, “um mês”.

• Em quais momentos do dia o feitiço será executado? Quantas vezes?
Por exemplo, aqui você pode escolher horas planetárias específicas - por exemplo, só em horas de Vênus. Ou, um período do dia cujas correspondências se alinhem com o propósito de cada etapa, como uma parte ao acordar para aproveitar a energia de início, e uma parte no dia seguinte antes de dormir, para representar a conclusão.

As partes serão o mesmo feitiço, repetido? Ou serão feitiços diferentes, combinados para obter um resultado?
As duas opções funcionam, embora os feitiços consecutivos geralmente sejam compostos do mesmo feitiço repetido. Se você quer concentrar suas forças em um único objetivo, simples e direto, é a melhor opção. Mas se a sua intenção é mais complexa, e envolve várias coisas diferentes, pode ser interessante variar as partes do feitiço para alcançar o objetivo desejado.

Considere os exemplos:

1. “Estou em busca de um compromisso sério, e já sei o que eu busco em um relacionamento. Sei o que me agrada e o que me desagrada em um parceiro. Não tenho pressa, pois quero que seja a pessoa certa.”
   - Primeira parte do feitiço: Um banho mágico de amor bem reforçado todas as sextas-feiras pela manhã em uma hora de Vênus, durante um mês. Acenderei uma vela cor-de-rosa (ou vermelha) durante o banho.
   - Segunda parte do feitiço: Queimarei os restos do banho mágico no caldeirão, na noite da sexta-feira. Tentarei fazer durante uma hora de Vênus, e acenderei a mesma vela durante a queima das ervas no caldeirão.

2. “Quero ser feliz no amor, mas me sinto presa ao meu passado, e sei que preciso melhorar minha autoestima, pois sinto que preciso gostar mais de mim e me conhecer melhor para saber o que realmente quero da minha vida amorosa.”
   - Primeira parte do feitiço: Um banho mágico de amor próprio, na manhã de uma sexta-feira, para fortalecer minha autoestima. Usarei uma vela cor-de-rosa, um cristal de quartzo-rosa e um incenso de hortelã para intensificar os efeitos.
   - Segunda parte do feitiço: No mesmo dia, durante a noite, uma petição para uma divindade que cultuo, pedindo a ela que me ajude em minha busca pela felicidade amorosa. Queimarei a petição junto com os restos do banho mágico (as ervas e a vela) no meu caldeirão.
   - Terceira parte do feitiço: No dia seguinte, em uma hora de Vênus, um feitiço de banimento para me livrar do passado, das minhas inseguranças, e para impedir influências prejudiciais na minha vida amorosa.
   - Quarta parte do feitiço: No mesmo dia, durante a noite, consultarei um oráculo para descobrir o que o amor me reserva, e farei uma oferenda para agradecer à divindade por sua ajuda. Está feito.

Numerologia Simples


   Segue uma lista bem simples e resumida de significados para ajudar na decisão dos dias. Começando no número 2 pois, para ser um feitiço consecutivo, é necessário que seja composto de dois ou mais dias.

2 – Dualidade, equilíbrio, mas também opostos e contraposição. Harmonia, igualdade, diplomacia, cooperação, paciência.
3 – Crescimento, criatividade, otimismo, arte, inteligência, magia lunar. Número do equilíbrio completo, dos ciclos.
4 – Natureza, ordem, praticidade. Elementos, pontos cardeais, estações do ano.
5 – Saúde, luz, vitalidade, poder pleno. Energia em transformação, conexão com o divino, paixão, criação, mudanças, desafios, conflitos, persuasão, versatilidade.
6 – Intuição, memória, comunicação, educação, compreensão, perfeição, sabedoria inata, compartilhamento.
7 – Sorte, meditação, espiritualidade, plenitude, ordem perfeita, intuição, dons, autoconhecimento e ocultismo.
8 – Prosperidade, força interior, estabilidade, boa vontade, regeneração, ambição, perseverança, infinito, fortuna, riqueza, abundância.
9 – Realização, idealismo, imaginação, romantismo, inícios, altruísmo, humanidade, recomeços, maternidade.
10 – Finais, encerramento, vitória, totalidade, plenitude, fé, perfeição, memória, reflexão, novidades, novos ciclos.

A planejar datas auspiciosas,
   Alannyë Daeris

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Oração de Invocação a Khonsu

   A oração de invocação a seguir, direcionada para o deus lunar Khonsu, foi traduzida e adaptada para o português a partir de um Heka para divinação que está disponível no The Demotic Magical Papyrus of London and Leiden (Papiro Mágico Demótico), editado por F. Ll. Griffith e Herbert Thompson, mais especificamente na página 67, Col. IX.
   Mantive os termos egípcios em itálico, incluindo alguns de significado obscuro, e findei a invocação na parte em que se iniciam as instruções mágicas para o acesso de conhecimentos por meio da divinação. Diversos epítetos de Khonsu podem ser identificados no corpo da oração, que se mostra valiosa na atualidade por oferecer uma perspectiva tradicional sobre como os antigos egípcios se referiam aos Deuses em suas práticas mágico-religiosas.

A Oração


Louvado seja, em hotep,
Khonsu em Tebas, Nefer-hotep,
Nobre criança que emergiu da lótus.
Heru, Senhor do tempo, argênteo amo,
Senhor de Shentei, Senhor do Disco.
Ó Grande Deus, Touro vigoroso
Filho do Etiópio¹, venha a mim.
Você que apraze os homens², Pomo,
Que é chamado de touro poderoso,
Grande deus que está no Wedjat,
Que veio dos quatro cantos da eternidade.
Ó punidor da carne,
Cujo nome é desconhecido,
Cuja natureza e aparência são misteriosas...
Eu sei seu nome! Eu sei sua natureza!
Eu sei sua aparência!
Grande é seu nome, Herdeiro é seu nome,
Excelente é seu nome, Oculto é seu nome,
Aquele poderoso dos Deuses é seu nome,
Ele cujo nome é oculto de todos os Deuses é seu nome,
Potente Am é seu nome, Todos os Deuses é seu nome,
Lótus-leão-carneiro é seu nome,
Loou vem, Senhor das terras é seu nome,
Amakhr do céu é seu nome,
Flor de lótus das estrelas é seu nome
Ei-io Ne-ei-o é seu nome.
Sua forma é a de um escaravelho com face de carneiro,
Sua cauda é a de um falcão usando duas peles de pantera,
Sua serpente é a serpente da eternidade,
Sua órbita é um mês lunar,
Sua árvore é a videira, sua erva é a erva de Amen,
Sua ave do céu é a garça-real,
Seu peixe das profundezas é o lebes negro³,
Eles estão estabelecidos na terra.
Yb é seu nome em seu corpo no mar,
O céu é seu templo, a Terra é seu adro,
É minha vontade lhe convocar aqui hoje,
Pois eu suportei fome de pão e sede de água,
E Você me resgata e me faz prosperar,
E me dá louvores, amor e reverência diante de todos os homens.
Pois eu sou o Touro poderoso,
O Grande Deus que está no Wedjat,
Que emergiu das quatro regiões do espaço.
Eu sou Hune (jovem), o grande nome que está no céu,
A quem eles chamam, Amphoou, Ma'at, 
Ele que é louvado em Abydos, 
Ra, Heru menino é meu nome,
Chefe dos Deuses é meu correto nome,
Preserve-me, faça-me prosperar,
Quando eu assim o desejar, 
Abra para mim Arkhah diante de todos os Deuses
E homens que emergiram da pedra de Ptah.
Pois eu sou a serpente que veio de Nun,
Eu sou um etiópio orgulhoso, a serpente erguida de puro ouro,
Há mel em meus lábios,
E o que eu falo se manifesta de imediato.

¹ "O Etiópio" se refere a Amen, deus de Meroe.
² Está relacionado ao epíteto de Khonsu "Senhor da Alegria".
³ Possivelmente se refere ao Labeo niloticus, a carpa do Nilo.

A viajar no crepúsculo,
   Alannyë Daeris

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Epítetos Divinos no Kemetismo

   Os epítetos são uma peça chave no Kemetismo e em outras vertentes do Paganismo pelo mundo, essenciais para o estabelecimento de um culto, devoção, e real entendimento acerca da natureza dos Deuses. É um termo usado em várias áreas de conhecimento, como a biologia, linguística, retórica, e história.
   Religiosamente, é definido como uma alcunha: palavras ou expressões complementares acrescidas a um nome, e que refletem um determinado aspecto ou característica da divindade em foco. Por meio deles, passamos a compreender mais a fundo a natureza imanente dos Deuses, e como em qualquer relação, o resultado é uma maior aproximação, desenvolvimento de laços mais profundos e da compreensão sobre as expressões individuais dos Nomes de Netjer.
   Portanto, em essência, os epítetos são títulos que explicam e demonstram as manifestações divinas, as esferas de influência do deus ou deusa em questão, relações com outros deuses, e fornecem profusa informação sobre como era realizado seu culto, locais onde era reverenciada, seus domínios, bem como a participação em mitos. Há uma diferença entre os epítetos pessoais, que citam uma característica particular da divindade, um aspecto único da sua personalidade que a define, e os epítetos situacionais, que estão relacionados a atividades ou situações, e podem ser compartilhados por outras divindades.
   Os epítetos situacionais costumam estar fundamentados em uma cena (visual ou textual) em que a divindade está inserida, estabelecendo uma relação entre a identidade divina e o contexto imediato. Por exemplo, em cenas ritualísticas de oferendas, havia inúmeras possibilidades de relacionar os itens ofertados com a divindade, utilizando de expressões variadas para explicitar o assunto da cena. Os epítetos pessoais, por sua vez, remontam a períodos muito antigos, e permaneceram praticamente inalterados em sua estrutura e predicação, pois a natureza divina muda pouquíssimo com o passar dos milênios, mesmo que as esferas de influência dos Deuses se expandam e diversifiquem. Como Anúbis, que em seu atributo de deus das necrópoles carrega o epíteto "Senhor da terra sagrada" (nb-tA-Dsr), e Seshat, que em seu papel de arquiteta das tumbas e templos é denominada "Senhora dos construtores" (nbt-qdw).
   A quantidade de epítetos keméticos conhecidos pelos pesquisadores é descomunal, e tende a crescer conforme os avanços das áreas arqueológica e egiptológica. As fontes para epítetos são extremamente abrangentes, pois são encontrados em quase todos os gêneros textuais do Egito Antigo, não apenas em escritos religiosos como o Livro dos Mortos, os Livros dos Sarcófagos ou das Pirâmides, mas também objetos funerários, textos literários, hinos, litanias, em estelas, na parede das tumbas e templos, em correspondências pessoais, documentos legais e administrativos, ostracon, e até mesmo como parte dos títulos dos sacerdotes.
   Os epítetos abrangem três principais domínios, que se caracterizam por:

1 - Natureza e função.
2 - Iconografia (características físicas, postura e atributos)
3 - Proveniência e cultos locais. Pode ser dividido em outros três subdomínios: 
    4 - Genealogia
    5 - Idade e status
    6 - Mitos e cosmogonias

1 - A natureza de uma divindade costuma estar expressada em seu nome (Sekhmet = a poderosa, Khonsu = o viajante), mas são os epítetos que revelam maiores informações sobre suas esferas de influência, sejam elas naturais ou referentes a atividades humanas. Os epítetos projetam as qualidades ideais do mundo no Divino, e concedem aos Deuses atributos humanos em sua forma mais elevada, como sabedoria, senso de justiça, amizade, fidelidade, compaixão, honestidade. Porém, características distintas ou até sobre-humanas também são comuns, como regeneração, força física e fraquezas, destreza e liberdade de movimento, proximidade ou distância da humanidade. Por exemplo, divindades como Amun, Hathor e Ma'at compartilham o epíteto situacional "que ouve orações" (sDm(t)-sprw/snmHw), que reflete a atenção e receptividade aos devotos e suas necessidades.

2. As características físicas e atributos externos das divindades pelas quais podem ser identificadas na iconografia são adereçadas com frequência, e também estão associadas a gestos e posturas que refletem determinada qualidade - como o epíteto "De braço estendido" (fAj-a, awt-a), característico de Amun-Min, deus que é costumeiramente representado com seu braço levantado como um sinal de sua fertilidade e potência, e também conferido à deusa urubu Nekhbet, que estende sua asa para representar onde ou a quem concede sua proteção.

3. As alcunhas divinas associadas a locais geralmente são formadas de duas partes: "Senhor(a) de" (nb/t), "Regente de" (HqA/t), "Primeiro de" (xntj/t), "Que está/habita em" (Hrj/t-jb), seguidos do nome do lugar. Os dois últimos epítetos costumam indicar deuses ou deusas que recebiam culto local e possuíam devotos nessas cidades, enquanto Senhor(a) e Regente (nb/t, HqA/t) são títulos exclusivos da divindade principal da área.

4. Uma das funções mais comuns dos epítetos é ilustrar as relações familiares, e por isso é tão frequente encontrar títulos que denominam deuses como sendo irmãos e irmãs, pais, mães, filhos e filhas, herdeiros (sn/t, jtj, mwt, zA/t, jwaw) e muitos outros, somados ao nome e/ou outras características divinas.

5. Por status, refere-se aqui ao prestígio ou posição de uma divindade na hierarquia, como sendo "Grande", "Pequeno(a)", "Primeiro(a)" (wr/t, aA/t, nDs/t, Srj/t, tpj/t). No quesito idade, alguns exemplos são "O mais antigo" e "Filho pequeno" (jAw/smsw, Xrd-nxn). Nessa subcategoria, também se enquadram os epítetos que discernem certos deuses e deusas e os separam dos outros, como "Único(a)" (wa/t), "Além do qual ninguém existe" (jwtj-mAA-Hrj-tp.f/.s), "Cuja semelhança não existe (dentre os deuses)" (jwtj-sn.nw.f/.s, jwtj-mjtt.f/.s, n-wnn-mjtt.f, nn-Hr-xw.s-m-nTrw), ou "Que é maior que todos os outros deuses" (wr-r-nTrw-nbw).

6. Inúmeros epítetos se destinam a citar as funções mitológicas e domínios naturais das divindades. As divindades criadoras são designadas pelo lema SAa ("começar"), e assim são explicitados seus atributos primevos e ancestrais. Podem estar associados à cosmogonia, como o epíteto compartilhado de Khnum, Ra, e do sincretismo Khnum-Ra: "Que cria o céu, a terra, a água e as montanhas" (jr-pt-tA-mw-Dww). A participação em mitos é bastante variada, e um exemplo muito comum é o epíteto situacional "Olho de Ra" (jrt-Ra), que foi relacionado a diversas deusas no panteão, para citar algumas: Hathor, Neith, Sekhmet, Tefnut, Bast, Aset (Isis), Mut, Wadjet, Renenutet, Meretseger, Weret-hekau, Sothis, Anuket, até divindades femininas mais obscuras, como Mestjet, uma deusa-leoa que aparece em uma única inscrição conhecida.

Nota importante referente aos epítetos tradicionais do blog:


   A fonte utilizada para as listas de epítetos mais recentes publicadas no blog é o Lexikon der ägyptischen Götter und Götterbezeichnungen, ou "Léxico de Deuses Egípcios e Nomes de Deuses", em idioma alemão - ou seja, foi traduzida da língua egípcia original por um corpo de estudiosos entre os anos de 1995 e 2003. Obtive acesso às listas do Léxico disponibilizadas em inglês em fóruns virtuais; assim sendo, é uma tradução realizada três vezes, e esse processo gera uma margem de inconsistências considerável. Também deve-se levar em conta o alto grau de simbolismo na linguagem egípcia, havendo casos em que mesmo sendo feita uma tradução acurada, o resultado é um epíteto obscuro e cujo sentido se parece perdido ou desconexo. Optei por manter as traduções tão fiéis quanto possível, com adaptações menores e somente efetuadas para preservar o sentido aproximado do título. Também mantive a conjugação encontrada no inglês, que em muitos casos se refere à divindade no plural, e não no singular.

Referências
- Budde, Dagmar. (2011). Epithets, Divine. In Jacco Dieleman, Willeke Wendrich (eds.), UCLA Encyclopedia of Egyptology, Los Angeles. http://digital2.library.ucla.edu/viewItem.do?ark=21198/zz0028t1z4
- Wikipedia contributors. (2023). Eye of Ra. Wikipedia. https://en.wikipedia.org/wiki/Eye_of_Ra

A reconhecer seus infinitos nomes,
   Alannyë Daeris

sábado, 27 de maio de 2023

Especial: Cinco Feitiços de Amor - com Mahadeva Mandalas Store

   Em uma parceria mais que especial com a loja Mahadeva Mandalas, preparamos cinco receitas de feitiços para o Dia dos Namorados, que está bem pertinho! Pensamos em todas as possibilidades de intenções amorosas para que você tenha um dia 12 maravilhoso - feitiços para quem precisa desapegar e seguir em frente, para quem está em busca de um amor, quem já tem uma relação e quer manter, para ajudar na autoestima, e claro, para quem deseja mais contatinhos e pretendentes mas não pensa em compromisso agora.
   As cinco práticas mágicas usam como base as mandalas originais da loja, potencializando e direcionando as energias por meio das simbologias das cores, geometria sagrada, símbolos e elementos. Os ingredientes sugeridos contemplam várias opções de ervas e cristais, para que você possa adaptar sua magia conforme o que tem em casa. A base teórica dessas práticas são as grades de cristais, e a combinação de vela de cor apropriada com ervas que vibram nas mesmas propriedades. Se você sente que duas ou mais finalidades de feitiços abaixo serviriam para você nesse momento, sinta-se à vontade para realizar mais de um, na mesma ritualística ou em momentos separados.
   Antes de começar os feitiços, faça os procedimentos preparatórios de seu costume, à sua maneira - pode purificar ao ambiente e a si mesmo(a), realizar banimentos, lançar o círculo mágico, convidar forças espirituais como divindades ou entidades. Você também pode incluir na magia arcanos do Tarot, ou de outros oráculos, que reflitam o resultado ambicionado. Ao final, você pode purificar os cristais utilizados para reempregar em outros feitiços; jogue fora somente os restos de ervas, vela, e cinzas das petições.


Feitiço de Amor nº1

Libertação e limpeza de amores passados, abrir espaço para o novo

Com a Mandala Morpho azul

Você precisará de:
• Uma vela roxa (transformação), azul ou branca;
• 5 ou 10 cristais de sua escolha, como selenita, ametista, quartzo verde e azul, turmalina rosa, quartzo fumê e translúcido, amazonita, malaquita, cianita azul, cianita preta, quartzo branco, mica rosa, sal rosa do himalaia;
• Alfazema, lavanda e/ou violeta;
• Sal grosso;
• Papel e caneta.

🕒 Horas e dias de Lua, Vênus ou Mercúrio.
🌓 Lua minguante ou nova.

   Prepare o ambiente, reúna os ingredientes, e escreva no papel o seguinte encantamento, ou use suas próprias palavras para intencionar o feitiço:

"Estou liberta(o) dos meus amores do passado, levo comigo somente a experiência e o aprendizado. Eu me despeço do que vivi, ciente de que esses ciclos acabam aqui. De agora em diante, uma vida amorosa melhor eu terei, repleta do amor e da plena felicidade que sempre sonhei."
Mandala Morpho Azul

   Assine o papel no verso da folha, podendo incluir sigilos e outros símbolos relacionados, dobre o papel três vezes e espalhe o sal grosso por cima da petição. Escreva no corpo da vela, de baixo para cima, as palavras: "Libertação, renovação e abertura de caminhos amorosos", e firme a vela em um castiçal ou pratinho. Disponha a vela sobre a petição e o sal e acenda.
   Organize os cinco cristais sobre a mandala, colocando-os em sentido anti-horário em cima das fases lunares. Caso opte por utilizar 10 cristais, disponha os sobressalentes nas extremidades da borboleta (ponta superior e inferior das asas e entre as antenas). Visualize a borboleta emanando uma energia azul de transformação e renovação emocional, imagine-se livre do seu passado, vivendo novas experiências sem receio nem amarras.
   Quando sentir que é o momento, queime a petição na chama da vela. Cuidado para não se machucar; coloque-a em um caldeirão ou recipiente que comporte altas temperaturas. Aguarde a vela terminar de queimar e enterre os restos do feitiço. Está feito.


Feitiço nº 2

Amor próprio, para trabalhar a autoestima

Com a Mandala Amor Próprio verde

Você precisará de:
• Uma vela rosa, verde ou branca;
• Ervas como hibisco, rosa cor-de-rosa ou branca, limão, erva-doce, hortelã, camomila, hortênsia, calêndula;
• Seu perfume preferido, ou óleo (mágico, essencial, de massagem, etc) que você aprecie o aroma;
• 6 ou 12 cristais como jaspe vermelho, granada, quartzo rosa, ametista, rodocrosita, rodonita, olho de tigre, calcita laranja, citrino, turmalina rosa, cornalina, unakita, malaquita, mica rosa.

🕒 Horas e dias de Sol, Vênus, Lua ou Júpiter.
🌓 Lua cheia, crescente ou nova.

Mandala Amor Próprio
   Prepare o ambiente, reúna os ingredientes, e escreva/entalhe seu nome no corpo da vela, no sentido da base para o pavio (para aumentar, atrair, manifestar). Espalhe o perfume ou óleo na vela, no mesmo sentido que escreveu. Firme em um pratinho ou castiçal, e espalhe as ervas escolhidas ao redor da vela, pedindo com suas palavras que lhe auxiliem a ter mais amor-próprio, aumentem sua autoestima e autoconfiança, lhe ajudem a trabalhar suas questões pessoais.
   Disponha os cristais escolhidos em círculo sobre as pétalas verdes da mandala. Caso opte por 12 cristais, coloque as 6 pedras sobressalentes nas pétalas mais externas. Acenda a vela e visualize uma linha de energia verde conectando os cristais, pense na pessoa que você gostaria de ser, confiante, de bem com a vida, determinada, etc. Aguarde a vela terminar de queimar, e jogue os restos em um jardim florido, aos pés de uma árvore, ou em um vaso de flores saudáveis. Está feito.


Feitiço nº3

Para atrair um amor compatível e recíproco

Com a Mandala Amor

• Uma vela vermelha ou rosa;
• Uma vela verde;
• 3 ou 5 ervas de sua escolha, como coentro, orégano, erva-doce, camomila, verbena, melissa, manjerona, laranja, calêndula, jasmim, hortelã, hortênsia, tomilho.
• Cristais como aventurina, quartzo rosa, unakita, mica rosa, rubi, rodocrosita, quartzo verde, malaquita, esmeralda, jade;
• Papel, caneta e tesoura.

🕒 Horas e dias de Vênus, Lua ou Júpiter.
🌓 Lua cheiacrescente ou nova.

Mandala Amor
   Prepare o ambiente, reúna os ingredientes, e concentre-se. Corte o papel em formato de coração, e escreva nele o que você espera de um relacionamento, quais as características desejadas para um parceiro ideal - preferências físicas, objetivos em comum, estilo de vida, etc. Seja realista em seus critérios, quanto mais complexa ou restrita é a intenção, mais difícil também é sua concretização. Do lado inverso da folha, escreva: "Atraio um romance que satisfaz minhas expectativas, um relacionamento recíproco, fiel e duradouro, para viver um amor verdadeiro". Coloque a petição no centro da mandala.
   Escreva na vela vermelha: "atração de um amor verdadeiro", e na vela verde: "um romance recíproco e duradouro", ambos no sentido da base para o pavio. Firme as duas velas em um mesmo pratinho ou castiçal, bem juntinhas, e coloque sobre a petição no centro da mandala. Ponha as ervas escolhidas no pratinho, ao redor das velas, e intencione o romance que você deseja viver, conjurando as ervas com suas palavras.
   Acenda a vela, e mentalize as cenas amorosas que espera para sua vida, a realização dos seus planos ao lado de alguém, envelhecendo juntos, viajando, etc. Quando sentir que é o momento, retire a petição debaixo da vela, e queime-a - com cuidado para não se machucar, disponha sobre um recipiente que comporte fogo. Aguarde a vela terminar de queimar, e despeje os restos do feitiço em um jardim, nos pés de uma árvore ou num vaso de flores saudável.


Feitiço nº4

Para fortalecer e aproximar o relacionamento

Com a Mandala Flor da Vida azul

Você precisará de:
• Uma vela verde ou vermelha;
• Ervas como coentro, manjericão, stévia, dill, rosa cor-de-rosa, louro, erva-doce, verbena, camomila, manjerona, limão;
• Açúcar mascavo ou refinado;
• Azeite de oliva, girassol, ou um óleo de sua preferência.
• 4, 8 ou 10 cristais como quartzo verde ou rosa, jaspe vermelho, hematita, malaquita, aventurina, água marinha, rubi, quartzo branco, lápis lazuli, granada, sal rosa do himalaia. 

🕒 Horas e dias de Vênus, Lua ou Saturno.
🌓 Lua cheia ou crescente.

Mandala Flor da Vida Azul
   Prepare o ambiente, reúna os ingredientes, e concentre-se em sua relação afetiva. Escreva/entalhe na vela, no sentido da base para o pavio, seu nome e o da pessoa com quem você se relaciona. Unte-a com o óleo no mesmo sentido que escreveu, e polvilhe o açúcar para que grude no corpo da vela. Firme sobre um pratinho ou castiçal e coloque no centro da mandala.
   Espalhe as ervas escolhidas ao redor da vela, fazendo seus pedidos para o relacionamento, use suas próprias palavras para conjurar as ervas. Acenda a vela e disponha os cristais na mandala, dependendo da quantia escolhida: 4 em padrão de retângulo, 8 em padrão de dois retângulos, e 10 adicionando os dois cristais sobressalentes na linha do meio, formando setas que apontam para os lados (deixando os pontos centrais acima e abaixo livres).
   Mentalize o futuro que deseja para sua relação amorosa, as melhorias que gostaria de ver acontecendo. Aguarde a vela terminar de queimar, e enterre os restos do feitiço. Está feito.


Feitiço nº5

Para sedução, magnetismo, atração e desejo

Com a Mandala Poder Pessoal

Você precisará de:
• Uma vela vermelha;
• 2 ou 3 ervas de sua preferência, como cravo-da-índia, canela, café, calêndula, rosa vermelha, hibisco, maçã, gengibre, laranja.
• 8 cristais como granada, rodonita, cornalina, mica roxa, jaspe vermelho, ágata de fogo, magnetita, berilo, olho de tigre, esmeralda;

🕒 Horas e dias de Vênus ou Marte.
🌓 Lua cheia ou crescente.

Mandala Poder Pessoal
   Prepare o ambiente, reúna os ingredientes e concentre-se. Entalhe seu nome na vela e as palavras: "poder de atração, sedução e desejo", no sentido da base para o pavio. Firme a vela em um pratinho ou castiçal e espalhe as ervas escolhidas ao redor, pedindo que intensifiquem seu poder magnético, que tragam os pretendentes aos seus pés, que fortaleçam o desejo por você.
   Coloque a vela no centro da mandala, e acenda-a. Disponha os 8 cristais escolhidos nas pontas azuis das pétalas do meio. Visualize-se sendo alvo de paqueras, recebendo várias mensagens com flertes, a atenção que você espera para sua vida amorosa e/ou íntima. Espere a vela terminar de queimar, e jogue os restos do feitiço em um local movimentado, como em um canteiro ou aos pés de uma árvore em uma avenida. Está feito.

A apreciar a beleza das parcerias,
   Alannyë Daeris