terça-feira, 27 de setembro de 2022

Kemetismo - Reversão das Oferendas

   Em outras oportunidades, já discursei a respeito das oferendas comuns no Kemetismo, e também sobre as fórmulas tradicionais para o ato da oferta. Hoje, portanto, aprofundarei no tema da reversão das oferendas, a qual citei superficialmente no primeiro texto referido.
   A reversão de oferendas é o termo usado para caracterizar uma etapa específica das práticas ritualísticas egípcias, próximo ao final da atividade, em que uma parcela ou toda a oferenda, libação ou oferta feita aos Netjeru (Deuses) é consumida ou utilizada; isso também pode ser realizado posteriormente, no caso de objetos e matérias primas. O embasamento consiste no fato que as oferendas na Antiguidade não eram desperdiçadas ou descartadas - o que seria ilógico considerando a relativa escassez de alguns alimentos, como a carne -, e sim consumidas e usadas pelos trabalhadores e sacerdotes dos templos, e divididas entre os fiéis. 
   Nos festivais e celebrações públicas, os registros arqueológicos e estudos subsequentes geralmente apontam para uma disponibilização das oferendas alimentícias para o público participante.
As oferendas de itens costumavam ser usadas pelos sacerdotes e funcionários do templo, e eram distribuídas dentre diversos departamentos dentro dos templos, então não há problema algum em utilizar aquilo que foi ofertado. No caso das jóias, elas costumavam ser dispostas sobre estátuas dos Deuses, ou guardadas em caixinhas para ocasiões especiais, pois haviam numerosos exemplares de ornamentos em metais preciosos e cravejados de gemas nos templos, para adornar as estátuas no cotidiano.
   No Kemetismo, é comum acreditar que as divindades imbuem as oferendas com seu Ba, portanto ingeri-las é uma forma de absorver e ser abençoado com tais energias divinas, como uma forma de comunhão - a eucaristia cristã atua de forma similar, se considerarmos a hóstia como imbuída espiritualmente das bênçãos de Cristo e tornando-se seu corpo. Podemos afirmar que tudo aquilo que é ofertado acaba imantado de bênçãos e boas energias, e seria uma desfeita não receber as bênçãos dos Netjeru. É uma simbologia ritual para a relação de troca e reciprocidade que existe entre a humanidade e a divindade. Como o renomado autor Richard Reidy afirma em seu livro Eternal Egypt (pg. 221):

"O alimento traz a nós e aos Netjeru em contato com os misteriosos e criativos poderes da vida. A oferta de comida, portanto, representa bem mais que um gesto amável de generosidade em relação aos Netjeru. Ela representa de forma material a renovação da vida."

   A exceção para a reversão são as oferendas de Akhu (ancestrais), que eram dispostas nas tumbas e portanto parecem ter se mantido intocadas, ou consumidas somente por quem atendia aos ritos funerários e dessa forma já estaria em contato com a energia da morte. Há quem defenda que não há problema em consumir as oferendas dos ancestrais, mas costuma ser bem mais aceito o costume de deixá-las intactas e somente reverter as oferendas para Netjeru e Netjeret (Deuses e Deusas).
   Em outros caminhos pagãos e neopagãos, é frequente a entrega de oferendas em locais naturais, encruzilhadas ou o descarte no lixo, mas dentro de um viés kemético, "descartar" as oferendas abençoadas pelos Deuses pode ser tido como uma ofensa, ou descaso para com o sagrado, uma quebra do ciclo de reciprocidade. Portanto, é sempre indicado que se ofertem alimentos e bebidas que o praticante goste de ingerir, ou que possa empregar em receitas e outras atividades. Evite fazer oferendas "só por fazer", que não poderão ser reaproveitadas posteriormente, pois mesmo uma boa intenção não compensa o desperdício desnecessário.

A me alimentar do que é mais sagrado,
   Alannyë Daeris 

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Epítetos de Ra-Horakhty

   Epítetos são títulos dados a divindades, que servem para representar certas faces específicas deles, e invocar determinadas características. Para saber mais, veja esse texto que trata sobre o assunto.
   Hoje, apresento uma lista de epítetos keméticos tradicionais conferidos a Ra-Horakhty (Ra-Heru-Akhety) traduzidos e adaptados para nossa língua. Podem ser usados em orações, rituais, meditações e em quaisquer situações que você queira evocar ou invocar esse aspecto de Ra-Horakhty que está retratado no epíteto escolhido.
   Essa lista não contém todos os títulos associados com esse deus, e há muitos outros que podem ser encontrados, ou desenvolvidos na sua própria interação e culto a Ra-Horakhty. Agradeço à Shemsu W'ab Tanebet da Kemetic Orthodoxy pela tradução dos epítetos para o inglês com base no guia Lexikon der ägyptischen Götter und Götterbezeichnungen.

Epítetos Tradicionais


• O Akh no céu
• O Akh no horizonte
• O Horizontino
• O Horizontino que está ascendendo
• Pilar no céu
• Que cria o céu
• Que voa para o horizonte como escaravelho alado divino
• Que voa para o horizonte após envelhecer
• Que voa para o céu
• Que vive no horizonte 
• Que levanta o céu como caminho dos seus olhos
• Que levanta o céu para exaltar seu Ba
• Que ascende no horizonte
• Que ascende no seu horizonte
• Que ascende no céu
• Que ascende no céu inferior
• Que ascende diariamente no céu
• O Ba no céu
• O Ba, Senhor do céu
• Quem vem do horizonte
• Quem vem do horizonte leste do céu
• Quem vem do horizonte como Behedety
• Quem vem do horizonte do céu
• Quem vem do belo horizonte
• Que passa pelo céu
• Que atravessa os céus
• Que brilha no céu
• Que ilumina no céu
• Que preenche céu e terra com sua beleza
• Senhor do céu
• Senhor do céu e dos deuses
• Senhor do céu e terra
• Senhor do céu, terra, água, e das montanhas
• Senhor do céu, terra, água, e do Duat
• Que vagueia pelo céu
• Rei do céu
• Rei no céu
• O deus divino dentro do céu
• Que carrega o céu
• Que se mostra no céu sem que conheçam sua forma
• Que se mostra no céu
• Que jubila no horizonte
• Que ascende como Khepri ao céu
• Que está acima do horizonte
• Que está nos dois horizontes
• Que parte para o céu
• Que se põe no horizonte oeste
• Que aparece em meio ao céu
• Chefe do horizonte
• Chefe do céu
• Chefe do Santuário do céu do Alto Egito
• Chefe do céu do Egito
• Que ilumina o céu e a terra com sua perfeição
• O poder, que está no céu
• A grande imagem no horizonte do céu
• Que cria o céu
• Que cria o céu e a terra
• Que ascende ao céu nos braços de Heh e Hehet
• Que ascende ao céu com o aroma de incenso
• Que circunda o céu
• Que navega os céus em largura e comprimento
• Que navega no baixo céu
• Que navega o céu em paz
• O luminoso na luz solar
• Que brilha na casa do trono (templo em Edfu)
• Que cria a luz
• Que cria a luz em todo lugar
• Que cria a luz quando abre sua face
• Que faz a Terra o jardim de seus raios
• O disco solar
• O disco solar vivo
• O grande disco solar
• O belo disco solae
• O belo disco solar de turquesa
• O mais velho sol
• O esplêndido disco solar
• Cujo brilho é os dois santuários (Egito)
• Os deuses vivem de sua luz
• Todos vivem de sua ascenção
• Todos vivem de seus raios
• Aquele que está ascendendo
• Que ascende na montanha leste
• Que ascende em Edfu
• Que ascende em Nun
• Que ascende como o dourado
• Que brilha em perfeição sobre o oeste
• Que brilha da flor de lótus
• Aquele com a luz que ascende
• As videiras enverdecem quando ele ascende
• Que ilumina o Egito com seus dois olhos udjat
• Que ilumina com seu brilho as duas terras
• Que ilumina as duas terras com pó de ouro
• Que envia a luz de seus dois olhos divinos
• Aquele com raios iluminadores
• Que ilumina o mundo
• Que ilumina
• Que preenche a terra com pó de ouro
• Sua irradiância não para depois de se pôr
• Que reluz para si mesmo na montanha dos montes do leste
• Que reluz como ouro cedo na manhã
• Senhor da radiancia
• Senhor do brilho
• O grande deus em seu disco
• Que dá seus braços a quem ele ama e seu júbilo é quem ilumina seu disco solar
• Que dá a luz
• Que dá a luz após a escuridão
• O reluzente
• Que ilumina diariamente as duas terras e os bancos (do Nilo)
• Que está reluzindo desde o começo primordial
• Que se põe no reino dos mortos
• Que ilumina a terra onde ele ascende
• Aquele com grande irradiância
• Seus raios dissipam tempestades
• Que dissipa a escuridão na manhã
• Que dissipa a escuridão
• Que ilumina o submundo com seus raios
• O grande iluminado
• Seus raios iluminam todos os países
• Que ilumina a todos com seu brilho
• Que ilumina o corpo de Wesir
• Que ilumina a terra com seus olhos reluzentes
• Que ilumina com o brilho de seus olhos brilhantes
• Que ilumina as duas terras com sua beleza
• Que ilumina as duas terras com sua aparição
• Que ilumina as duas terras com ouro
• Que ilumina o submundo com seus dois olhos
• Que acelera a elucidação da terra
• Que faz as faces brilharem
• Cuja imagem é a luz do sol
• O viajante que está em seu disco solar
• Que passa o Duat dentro de seu disco solar
• A luz
• A perfeita luz
• Que cria os risos de sol como chamas de seus olhos
• Que cria o Duat com sua radiância
• Aquele com raios cintilantes
• Através de sua radiância os deuses vêem
• A luz na noite
• Senhor das estrelas e peixes
• Que dá ar e água
• Que está na inundação
• Que emerge de Nun
• Que se puxa para fora de Min
• Que faz da Terra o jardim de sua radiância
• Regente na Terra
• Que domina a terra
• Que é poderoso na Terra
• O primevo da terra
• Que preenche céu e terra com sua beleza
• Senhor da Terra
• Senhor de toda a terra
• Que retorna à terra na hora marcada
• Que está sobre a terra
• Que aparece na terra
• Que mantém a terra viva com sua nutrição
• Que faz a Terra ampla para sua forma
• Que abre o Duat
• Senhor do Duat
• O grande deus do Duat
• Que dá aos Akhu no Duat sua venerabilidade
• Que está em meio ao Duat
• Regente do Duat
• Que está descansando no Duat na colina de Djeme
• Que atravessa o Duat com seus feitiços mágicos
• Que cria o Dust com sua luminosidade
• Senhor do Nome de Mendes
• Senhor do princípio dos Nomes (1° Nome do Alto Egito)
• Que repousa como escaravelho alado no Egito
• Chefe de Heliópolis (13° Nome do Baixo Egito)
• O Heliopolitano
• Que voa no assento do trono (Edfu)
• O Tebano
• Aquele em Behedet (Edfu)
• Senhor de Dendera
• Senhor de Heliópolis
• Senhor de Edfu
• Senhor de Mesen
• Senhor de Deir El-Hagar
• Que se esconde no local sagrado
• Que está em meio a Abydos
• Que está em meio a Armant
• Que está em meio a Bubastis
• Que está em meio a Aniba
• Que está em meio a Nigga
• Regente de Tebas
• Regente de Heliópolis
• Chefe de Dendera
• Chefe de Karnak
• Chefe da fundação da terra (lugar no 13° Nome do Baixo Egito)
• Chefe da casa de batalha (lugar no 4° Nome do Alto Egito)
• Touro de/em Heliópolis
• Que está em sua montanha, Senhor do baú, que está no norte de Memphis
• Cujo trono é exaltado no Egito
• O grandioso nas duas terras
• Que ilumina as duas terras com seu glamour
• Senhor dos dois santuários
• Senhor de Punt
• Senhor da Núbia
• Senhor dessa terra
• Senhor dos dois bancos
• Senhor da terra dos deuses
• Que protege ambas as terras com suas asas
• Chefe do céu do Egito
• Que mantém ambas as terras vivas
• Que ilumina ambos os bancos
• Que ilumina as duas terras com a radiância dos seus olhos reluzentes
• Que ilumina as duas terras em Mesen
• Que ilumina as duas terras depois de emergir
• Que ilumina as duas terras com raios
• Aquele com grandes aparições na casa Benben
• Que entra sozinho no palácio
• Senhor da grande casa
• Senhor da casa de Benu
• Senhor do lugar de Ma'at
• Heru do Leste no grande assento
• Que está em meio a Abaton
• Que está em meio ao palácio
• Que está em meio a sombra de Ra
• Chefe do horizonte da Eternidade
• Chefe de I3t-dit (templo de Aset em Dendera)
• Chefe do lugar de Ra
• Chefe do seu santuário
• Chefe do santuário do céu do Alto Egito
• Chefe do trono de Ra
• Chefe da grande casa
• Chefe da casa do regente
• Chefe do grande assento
• Chefe do local onde Heru se tornou rei do Alto e Baixo Egito
• Que guia os portões do deserto oeste
• Aquele com forma oculta na casa do príncipe
• Com cujos nomes os templos são inscritos
• O grande milhafre preto no templo de Ra
• O exaltado que está na casa Benben
• Que está em meio ao poço
• Que está no oeste
• Que brilha em perfeição sobre o oeste
• O Ba do leste
• Senhor da vida no horizonte oeste
• Senhor das montanhas do leste
• Heru do Leste
• Heru do Leste no grande assento
• A grande imagem do oeste
• Regente do oeste
• Chefe das montanhas do oeste
• Juiz dos que estão no reino dos mortos
• Senhor da terra sagrada
• Soberano do distrito do reino dos mortos
• Que se põe no reino dos mortos
• Que ilumina o submundo com seus raios
• Que cria cada país
• Senhor dos lugares de Heru
• Que protege as cidades dos inimigos
• Cuja função é a fundação de nomes e cidades
• Soberano do distrito
• Chefe das cidades e nomes
• Chefe do lugar onde ele se estabelece
• O escaravelho alado
• O grande escaravelho alado de ouro
• O esplêndido escaravelho alado
• O falcão
• O Grande falcão
• O divino falcão
• O poderoso falcão
• O esplêndido falcão
• O leão
• O grande leão
• O misterioso leão
• De plumagem salpicada
• O grande falcão sagrado
• O touro
• O belo touro
• O poderoso touro
• O exaltado touro
• O touro na noite
• O milhafre preto
• Que por seu desejo vem como inundação
• Que cria o milho
• Cujo nascimento não existe
• Pai dos Pais
• Pai dos deuses
• Pai dos deuses e deusas
• Que cria a si mesmo
• O primevo
• O primevo da terra
• Que se dá a luz
• Que se cria diariamente
• Que reluz desde o princípio primevo
• Que gera vida para Deuses e humanos
• Que cria o tempo-neheh (eternidade)
• Que cria o que é
• Que cria tudo que existe
• Criador dos Deuses
• Que cria os humanos
• Que cria os superiores
• Criador dos superiores e inferiores
• De seus olhos os Deuses provém
• Mãe das mães
• Que cria Deuses
• Que cria seus membros
• Que cria a luz
• Que cria os raios
• Que deixa os mais inferiores virem a ser
• Que deixa a escuridão na noite vir a ser
• Que cria o ser
• Que cria o céu e a terra
• Que cria o Duat por seus feitiços mágicos
• Que cria o tempo-djet (eternidade)
• O jovem divino
• O rapaz na casa do trono de Ra
• A criança
• A criança perfeita de ouro
• A criança esplêndida
• Criança da manhã
• A criança na manhã
• Que voa para o horizonte ao se tornar velho
• O velho
• O velho no anoitecer
• Que não perece
• Que vive por toda eternidade
• Que viverá em perpetuidade
• Que torna os anos numerosos
• Que abre a bola de esterco
• Que repete as aparições
• Que nasce cada dia rejuvenescido
• O rejuvenescido
• Senhor da Cida
• O Vivo
• Regente da vida
• Senhor da vida no horizonte oeste
• O deus vivo
• Que atravessa o tempo de vida
• Que cria sua proteção com o que sai de sua boca
• Ele com grandes poderes mágicos
• Que vive em Ma'at
• Que vive diariamente em Ma'at
• Que vive somente em Ma'at
• Que ama Ma'at
• Que cria Ma'at
• Que odeia roubo
• Senhor de Ma'at
• Que está aprazido com Ma'at
• Ele com grande força com face de milhafre
• Ele com grande força
• Quem não cai desmaiado
• Quem não possui cansaço
• Ele com braço forte
• Que atravessa o céu
• Que passa pelo céu
• Ele com passada estendida
• Cuja passada não cessa
• O viajante em direção sul
• O vagante
• Ele com bela face com a lança
• Através de cujos olhos reluzentes os deuses estão vivos
• Ele com muitas cores
• Ele com muitas formas
• Que ilumina o Egito com seus dois olhos udjat
• Ele de grande estatura
• Ele com poderosa testa
• Ele com o braço erguido
• Que envia a luz de seus dois olhos divinos
• De quem vêm os Deuses
• Senhor dos dois chifres
• Cujos membros são feitos de ouro real
• Ele com linda face
• Ele com formas radiantes na barca de milhões
• Cujo corpo é feito de ouro
• Que protege a terra com suas asas
• Ele com chifres pontudos
• Que está perto do corpo
• O mais masculino dos Deuses
• Ele com formas cintilantes
• Ele com plumagem cintilante
• Para cujo Ka se fazem oferendas de incenso em frente a todos os Deuses
• Que levanta o céu para exaltar seu Ba
• O Ba
• O Ba do Leste
• O grande Ba
• O Ba vivo
• O grande carneiro/Ba
• O Ba de Bas
• O Ba no céu
• O Ba dos Deuses
• O Ba esplêndido
• O Ba masculino
• O Ba exaltado
• Ele com Akh viajante
• Que nutre a si mesmo
• Que derrota seus inimigos
• Que derruba o rebelde
• Que se volta para a piedade
• O que existe vive através de sua visão
• Por sua visão se vive
• Os Deuses vivem por seus olhos brilhantes
• Todos vivem por causa dele
• Todos vivem por ele ascender
• Seus raios fazem todos viverem
• Senhor da orientação/guiança
• Que está dando aos Akhu no Duat sua venerabilidade
• Que está dando seus braços a quel ele ama e sua alegria a quem ilumina seu disco solar
• Que põe seus dois braços ao redor de sua forte filha
• Que está dando vida aos vivos
• Que dá a cada humano a habilidade de ver
• Que mantém todos vivos
• Que mantém tudo vivo
• Que mantém a terra viva com sua nutrição
• Que mantém as duas terras vivas
• Que faz as rotas da barca noturna navegaveis
• Que responde ao chamado de Deuses, humanos, Akhu e os mortos
• Que cria sua proteção com o que sai de sua boca
• O pastor
• O bom pastor
• O corajoso pastor
• Que protege sua filha, a poderosa
• Que se protege
• Senhor da proteção
• Que protege as cidades dos inimigos
• Que protege a cobra no grande trono (Edfu)
• Que protege as duas terras com suas asas
• A proteção de seu filho Wesir de seus inimigos
• Que protege seu trono dos inimigos
• Que elimina o dano 
• Que jubila no horizonte
• Senhor da alegria do coração
• Cujo coração está feliz com sua tripulação
• O que ordena
• O belo músico dentre a Enéada
• Que vê a multidão
• Que acorda cada cabeça viva
• Que abraça seu filho
• Que se aproxima da face
• Que deixa os humanos ficarem na frente
• Que ouve aos Deuses
• Que encontra os Deuses
• Que é celebrado com Ma'at
• O regente
• O grande regente
• Regente de todos os Deuses
• Regente na Terra
• Aquele com grande realeza
• As duas senhoras
• O Rei do Alto Egito
• O Rei do Alto e Baixo Egito
• Rei do céu
• Rei no céu
• Rei da Enéada
• Rei de Ma'at
• Rei dos Deuses
• Regente de Heliópolis
• Regente sobre o oeste
• Regente dos dois bancos
• Regente de Tebas
• Regente da grande Enéada
• Regente do Duat
• Regente da eternidade
• Príncipe dos Deuses
• Príncipe durante o dia
• Herdeiro da Eternidade
• Que dá seu poder ao seu herdeiro aparente
• Que dá ao seu amado filho a soberania
• Que coloca o filho no trono do seu pai
• Senhor da coroa de penas duplas (atef)
• Aquele com a coroa de penas largas
• Aquele com a coroa de penas pontudas
• Que está em seu trono
• Que descansa em seu trono
• O chefe do grande assento do trono desde o começo
• Que nasceu de Mht-wrt
• Que é removido de sua mãe
• Cujo filho descansa ao seu lado
• Filho de Nit
• Que põe seu filho como criança na terra
• Que esconde seu corpo daquele que emergiu dele
• Que reluz para fora da flor de lótus
• Aquele com coração bem disposto
• Aquele com grande popularidade
• O amado
• O confiante
• Senhor do Amor
• O que descansa
• Que é maior que os Deuses
• Ele com grandes formas
• O grandioso
• Mais antigo dos Deuses
• Ele com formas mais grandiosas que as dos outros Deuses
• O grande deus vivo da Enéada
• O Deus extremamente grande
• O Deus exaltado
• Que santifica suas estaturas
• O esplêndido da Enéada
• Cuja estatura é mais exaltada que as dos outros Deuses
• O inalcançável
• Que não é conhecido
• Não há um segundo a ele
• Que está em segredo
• O oculto
• Ele com estatura oculta
• Que está escondido em secreto
• Cujo corpo está escondido como Amun
• O extremamente distante nas faces
• O único
• Cujo reconhecimento é desconhecido
• Cuja imagem secreta é desconhecida
• Cujo corpo é desconhecido
• O não-rivalizado
• O Deus único
• O leão misterioso
• Que está sobre o segredo
• Que emerge sozinho
• Que se esconde
• O secreto
• Ele com face secreta
• Ele com estatura secreta na casa do príncipe
• Que está em cada par de olhos
• Ele com aparência perfeita
• O Deus perfeito
• O perfeito
• Senhor da chama
• Que conquista a terra
• Cujo poder é grande
• Ele com muitas maravilhas
• Ele com aparências poderosas
• Que não se perde
• O grande poderoso
• Poder de milhão
• Poder dos poderes
• Poder exaltado
• O Senhor
• Senhor daqueles onde ele fica
• Senhor da venerabilidade
• Senhor dos Deuses 
• Senhor em sua divindade
• Senhor dos Senhores
• Deus dos Deuses
• O Deus divino
• Ele com aparência divina
• Que está acima dos Deuses
• Cabeça da grande Enéada
• Cabeça dos Deuses
• Chefe de suas estaturas
• O mais velho
• Seguidor dos Deuses
• Que está em sua Enéada
• Que emerge no horizonte como Behedety
• Que ascende ao céu como Khepera
• Chefe do céu de Tem
• Que aplaca a deusa solar com sua fala
• Que aplaca o dourado dos Deuses
• Que ilumina o cadáver de Wesir
• Que ascende ao céu nos braços de Heh e Hehet
• O maior dos que vêem
• Juiz daqueles que estão no reino dos mortos
• Ele com face alerta
• Senhor da Purificação
• Senhor do festival Sed
• Ele com imagem exaltada
• Que está na barca
• Que está na barca noturna
• Ele com aparições brilhantes na barca de milhões
• Khepera, que está dentre sua barca
• Que viaja na sua barca
• Pilar no céu
• Que está na sua montanha, Senhor do baú, que está ao norte de Memphis
• Que repete o enterro
• Que está em seu momento
• Que está nos limites do tempo-neheh
• Que cria o tempo-neheh
• Que cria a eternidade neheh e djet
• Que vive diariamente em Ma'at
• Que vive em toda a eternidade
• Que ascende cada dia
• Que ascende cada dia e reluz
• Que ascende cada dia no céu
• Que existirá eternamente
• Que reluz na aurora em ouro
• Que nasce cada dia rejuvenescido
• Cujo passo não para
• Senhor das horas
• Senhor que atravessa a eternidade
• Senhor do tempo djet
• O tempo-neheh
• O velho no anoitecer
• Que está pertencente ao ano
• Que retorna para a terra no tempo apontado
• Cabeça do tempo-neheh
• Criança da manhã
• Khepera na manhã
• Que dissipa a escuridão na manhã
• Príncipe durante o dia
• Que permite a escuridão da noite vir a existir
• Luz na noite
• Que cria o tempo-djet
• Touro na noite
• Atum na noite
• Criança na manhã
• Que liga os meses
• Cujo corpo está oculto como Amun
• Ptah o Grande
• Montu o Forte
• Ra no seu ascender
• Ra-Atum-Khepera
• Ra Ele mesmo
• O Heru do Leste
• Heru do Leste no grande trono
• Heru dos Deuses Heru
• O mais velho mago
• Khepera em sua barca
• Seth
• Atum
• Atum-Heru
• Atum na noite

A louvar o Mais Velho Senhor e Eterno,
   Alannyë Daeris 

Método Oracular do Panorama Espiritual

  A tirada que ensino hoje tem o propósito de fornecer um panorama geral sobre o campo espiritual, analisando os principais aspectos que tangem esse assunto. Não importa qual o nível de conhecimento ou experiência que o consulente tenha a respeito da espiritualidade, pois a leitura se destina a revelar os pontos de maior relevância em qualquer que seja o contexto espiritual específico do indivíduo.
   Você pode optar por qualquer ferramenta oracular de sua preferência para essa análise, mas algumas podem apresentar um desempenho melhor que outras. O Tarot, Petit Lenormand (Baralho Cigano) e as Sibillas são alguns que recomendo, mas outros oráculos podem ser igualmente produtivos se usados nessa estrutura sugerida.
   É ideal que se selecionem duas cartas, pedras ou peças para cada posição, pois assim cada símbolo estará respondendo a uma das duas questões propostas em cada posição, trazendo maior profundidade e detalhes importantes para a leitura.

O Método

1. Espiritualidade. Sua vida espiritual. Como está sua relação com a espiritualidade atualmente?
2. Mediunidade. O estado das suas habilidades mediúnicas. Como está sua percepção, intuição e comunicação com o plano espiritual.
3. Laços. Sua relação com guias, guardiões, Ancestrais. O que esperam de você?
4. Influências. Há alguma influência energética negativa sobre você? Se sim, de que tipo? Quebranto, feitiços, encostos, etc.
5. Análise. Há algo que você precise saber sobre sua espiritualidade nesse momento? Um recado, aviso, esclarecimento, informação...
6. Empecilhos. O que lhe bloqueia espiritualmente? Como superar esses empecilhos?
7. Atitude. Qual o curso de ação recomendado a partir de agora? Como agir em relação a esse tema?
8. Mensagem. Orientação da espiritualidade.

A iluminar sendas,
   Alannyë Daeris.

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Feitiço da Parede Flamejante de Proteção (Fiery Wall of Protection)

   O Fiery Wall of Protection, traduzido livremente como "Parede/Barreira Flamejante de Proteção", é um feitiço tradicional do Hoodoo que desfruta de uma imensa popularidade em terras estrangeiras por sua história e eficácia. Por aqui, há quem o conheça, mas permanece relativamente desconhecido... Me esforço para que isso não continue por muito tempo!
   Como é de costume na magia popular norte-americana, há uma infinidade de formas diferentes de realizar o Fiery Wall, e é disponibilizado à venda por conjures na forma de pó, óleo, ou em um kit com os ingredientes necessários. A versão que compartilho aqui é uma adaptação pessoal para o feitiço completo com materiais acessíveis no contexto brasileiro, totalmente passível de alterações conforme sua prática pessoal. Mesmo com as diversas variações existentes, esse feitiço segue uma estrutura tradicional, que é composta por:

1 - Sua representação, ou a taglock de quem será protegido, geralmente uma vela e o nome.
2 - A barreira de proteção em torno da pessoa a ser defendida, criada fisicamente com auxílio de ervas, pós, ingredientes mágicos e simbólicos.
3 - A representação do inimigo, também por costume uma vela com o nome do alvo do feitiço e/ou um taglock.
4 - O Ajudante, representação de uma entidade favorável à sua proteção.

   Como se nota no quarto item acima, muitos rootworkers e praticantes estrangeiros sugerem que a Parede Flamejante de Proteção seja erguida com auxílio de seres espirituais favoráveis à sua segurança pessoal, seja uma Divindade de culto, Ancestral, guia, espírito, anjo, daemon, ou entidade amistosa. Se você não desenvolve laços de confiança com nenhum tipo de ser espiritual ou divino, pode realizar o feitiço sem esse suporte, mas é altamente recomendável que seja convidado um mediador que possa manifestar justiça e proteção na medida correta para a situação, sem exageros.
   É importante deixar claro que esse feitiço não tem o propósito de amaldiçoar ou prejudicar, e sim de proteger você de pessoas que queiram lhe causar algum tipo de mal. Pode ser erguido para toda sua família caso esteja sendo prejudicada por alguém, por exemplo, ou para amigos e pessoas que estejam vulneráveis aos atos negativos de outros, desde que lhe concedam permissão para interceder magicamente em seu favor.

O Feitiço


Você precisará de:
• Sal negro ou sal grosso com cinzas de incenso ou de caldeirão.
• Café moído.
• Pimenta caiena ou vermelha em pó.
• Uma vela vermelha ou preta para o inimigo (grupo ou indivíduo de quem você deseja se proteger).
• Uma vela branca para lhe representar, com o mesmo tamanho e formato que a vela vermelha.
• Azeite de oliva, ou óleo para fins de proteção ou purificação.
• Vinagre ou óleo de banimento.
• Arruda, angélica, gengibre ou alecrim para vestir sua vela.
• Símbolo que represente seu ajudante espiritual nessa proteção. Pode ser um objeto simbólico, uma carta de tarô, algo consagrado a esse ser, uma vela de cor correspondente, etc.
• Dois pratos ou castiçais resistentes ao calor.

🕒 Horas e dias de Marte ou Sol.
🌒 Lua cheia ou crescente (pela intenção de criar uma barreira, gerar proteção).

   Comece se purificando com um método de sua escolha, e organizando os itens no altar. Entalhe o seu nome na vela branca, mentalizando sua proteção, e o nome do alvo da magia na vela preta/vermelha, mantendo as feições e características dessa pessoa (ou pessoas) vívidas em sua mente, e os motivos para precisar se proteger dela(s).
   Unte a sua vela com o óleo, e espalhe pedacinhos das ervas escolhidas no corpo da vela. Firme sua vela untada e vestida com ervas sobre um prato, e ao redor dela, faça um círculo de sal negro misturado com o café, e um outro círculo maior com a pimenta em pó. Os círculos ao redor da vela que lhe representa configuram a parede flamejante de proteção, que pode ser incrementada com outros elementos, como cascas de ovo moídas, arame farpado, pregos, alfinetes, cravos-da-índia, paus de canela, espinhos, cristais e pedras, etc.
   Molhe a vela do inimigo no vinagre, ou unte-a com o óleo de banimento, e firme sobre outro o prato. Por motivos óbvios, essa segunda vela deve ficar do lado de fora da barreira, representando o indivíduo incapaz de lhe acessar ou prejudicar. Você pode atar um cordão ao redor da vela do inimigo dando vários nós, para representar a pessoa impotente, sem ação, incapaz de causar prejuízos. Disponha a vela do inimigo bem na sua frente, e a sua vela verticalmente paralela a ela, mais distante de você, como no esquema abaixo:

O Ajudante         Prato com a sua vela e com a barreira
                          A vela do inimigo
                           Você

   Acenda a vela do inimigo, e concentre-se na chama enquanto pensa nos problemas que essa pessoa lhe causou. Diga o nome em voz alta, e manifeste sua intenção de acabar com as situações negativas que essa pessoa gera, torná-la incapaz de lhe prejudicar, afastá-la de sua vida definitivamente sem prejuízos a ninguém. Escolha palavras que se encaixem na situação e que façam sentido quanto ao seu propósito.
   Depois, acenda a sua vela dentro do círculo protetor, e visualize a luz da chama preenchendo o espaço e incendiando a barreira, tornando-se um anel de fogo. Acesse as emoções mais intensas que essa pessoa lhe instiga, todo o ódio e irritação que você sente. Diga:
   
"Diante de você, (alvo), sou forte e imponente,
Minha proteção é absoluta, ígnea e flamejante,
Derrete as intenções nocivas dos irritantes,
Nenhum mal atravessa minha barreira ardente,
Seus atos falhos contra mim lhe são frustrantes,
E que se mantenham distantes de mim, contente."

   Agora é o momento de convidar o ajudante espiritual para que amplifique sua intenção. Coloque essa representação mais acima das outras, sobre um suporte que a mantenha elevada, pois é uma força superior. Então, evoque o ajudante para a ritualística com suas próprias palavras e da maneira usual que realiza seu contato, pedindo o auxílio nessa situação, para que lhe defenda e proteja contra as pessoas que visam lhe afetar negativamente. Aproveite para orar, meditar e se conectar com esse ser, podendo também consultar algum oráculo para averiguar o resultado do feitiço, e obter orientações sobre o tema, ou mensagens diretas da entidade. Ao final, quando as velas houverem queimado praticamente por completo, encerre a atividade da forma que está acostumado. Descarte os restos em um saco plástico, que deve ser levado assim que possível para um lixo distante da sua casa, indo embora sem olhar para trás.

A erigir as mais abrasadoras defesas,
   Alannyë Daeris

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

O Sacrifício na Espiritualidade

   O conceito do sacrifício, central em inúmeras culturas e religiões ao redor do mundo, foi sendo lentamente abandonado conforme a sociedade se permitiu tornar líquida, desapegada, tecnológica e extremanente aversa a todo tipo de sofrimento ou dor. O quadro geral é de pouca profundidade nas relações, e distrações que impedem que reais esforços sejam feitos em qualquer sentido construtivo.
   A constante fuga da realidade e a rejeição das experiências tidas como negativas ou tediosas não é compatível com o autoconhecimento e a verdadeira vivência da espiritualidade. Todo e qualquer caminho religioso tem suas diretrizes éticas, sociais e comportamentais sobre seus devotos, e o sacrifício é um tema recorrente, principalmente ao considerarmos as diversas manifestações religiosas pagãs da Antiguidade, ou as religiões abraâmicas.
   Refiro-me aqui não somente ao sacrifício estereótipico que consiste na oferta de sangue, de carne, grãos, ervas, materiais ou itens variados, mas aos sacrifícios de tempo, esforço, recursos, e tantos outros que se mostram necessários ao longo da jornada espiritual. Sacrificar o lazer em prol dos estudos, os momentos livres em atos de caridade, priorizar a espiritualidade acima da vida mundana - um sacrifício não pode ser fácil por via de regra, e por isso mesmo configura um ato profundo de devoção.
   A etimologia da palavra sacrifício remonta ao latim, em que "sacer" significa "sagrado", e a raiz "facere" significa "fazer". Tornar sagrado, fazer o que é sagrado. O sacro ofício - damos e recebemos. É inerente na relação entre humanidade e divindade o gesto de se doar espontaneamente ao Divino, e o sacrifício cumpre esse papel, seja ele concreto ou simbólico. Abrimos mão de coisas importantes em prol de algo ainda maior em nossas vidas, e provamos nossa fidelidade e consideração para com as forças que cultuamos, pois é assim que a reciprocidade se consolida.
   Oferendas pomposas e caras não substituem um sacrifício honesto, feito de maneira singela mas com muito amor. Não podemos "comprar" o fortalecimento dos nossos laços espirituais com ofertas materiais, nem o avanço de nossas habilidades apenas com atitudes rasas e de pouca importância. Se queremos uma vida profindamente integrada ao Sagrado, o sacrifício de si é a tônica absoluta.

A estabelecer prioridades,
   Alannyë Daeris 

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Dúvidas Comuns sobre a Prática da Cartomancia

   Algumas das perguntas mais frequentes que recebo sobre a leitura de oráculos de cartas envolvem o tema do embaralhamento e a disposição das cartas. Quantas vezes é correto embaralhar? E se caírem cartas durante o processo, devo considerar? Com qual mão espalho o baralho sobre a mesa ou seleciono as cartas? Preciso usar sempre uma toalha branca?
   Vamos falar sobre essas dúvidas comuns dentre os iniciantes na Cartomancia e em práticas oraculares como um todo. E para começar esclarecendo sobre o tema, a verdade é que não existem regras universais que se apliquem a todos os cartomantes e suas abordagens com os oráculos, mas muitas pessoas seguem tradições que lhe foram ensinadas por professores e mestres, ou desenvolvem as suas próprias práticas pessoais com o tempo.

Embaralhando: É essencial que as cartas sejam bem embaralhadas antes de uma leitura, portanto, sugiro que embaralhe no mínimo 7 vezes, ficando livre para optar pelo número de preferência para quantas vezes as cartas serão sortidas entre si. Há quem embaralhe 9, 10, 13 ou até 22 vezes, de acordo com o que considera mais simbolicamente apropriado. Se você possui um número que considera sagrado ou particularmente poderoso, tente embaralhar esse número de vezes e observe o resultado. O importante é que você ou o consulente não sejam capazes de influenciar (conscientemente ou não) na escolha das cartas, runas ou objetos que compõem a ferramenta oracular.

Cartas saltadas: Quando uma carta ou mais caem para fora do baralho enquanto ele é embaralhado, é comum que cartomantes observem qual é a carta que saltou, e considerem a mensagem que ela pode estar transmitindo dentro do contexto da leitura. Porém, essa não é uma regra geral, e vai do oraculista identificar uma sincronicidade atuando nessas situações para revelar mais detalhes, ou concluir que foi apenas um mau jeito no manuseio, sem um propósito maior no ocorrido.

Mão de prática: Em verdade, eu sugiro que se use a mão dominante (a que você escreve) para espalhar e escolher as cartas, pois é a que pode imantar intenções e perguntas no oráculo de forma mais direta num ponto de vista espiritual. Mas como tudo na cartomancia, se você segue uma tradição que determina uma mão específica para essa finalidade, ou dita que as mãos precisam estar devidamente preparadas antes de tocar no baralho - limpas, com perfume, ungidas, com anéis ou acessórios específicos, etc -, siga sua tradição. É sempre recomendável que as mãos sejam lavadas logo antes do manuseio dos Oráculos, para evitar que a sujeira e a oleosidade das mãos seja transmitida para a ferramenta.

Permissão de toque: Em leituras para outras pessoas, há oraculistas que permitem que o consulente escolha e pegue as cartas que serão interpretadas, mas também há os que preferem que não haja contato físico de outros indivíduos com seu baralho. Há diversos fatores que podem ser levantados aqui, como as já citadas sujeiras físicas e também energéticas que podem ser transmitidas para o instrumento por meio do toque, o manuseio descuidado que algumas pessoas exibem (entortando ou amassando as cartas com movimentos bruscos), e também o fato de que boa parte dos cartomantes estão acostumados a escolher as cartas enquanto mentalizam a questão, da forma como acreditam surtir uma melhor resposta. Mas cabe acrescentar que os consulentes gostam da experiência de interagir com o oráculo durante a consulta presencial, e há aqueles que não aprovarão a ideia de serem proibidos de escolher as cartas que serão interpretadas, então vale a pena refletir sobre sua política quanto a essa questão.

Superfície de leitura: Toalhas e panos para tiragens são úteis pois protegem as cartas da umidade, sujeira e outros danos que podem ser causados pelo contato com algumas superfícies. Porém, não há obrigatoriedade quanto à cor, o formato, o tecido ou o tamanho da toalha, só precisam ser adequadas à sua prática. Há quem opte por tecidos de cores que representem determinados propósitos mágicos (branco = harmonia e clareza nas leituras, preto = proteção energética, roxo = espiritualidade, sabedoria e intuição, etc), ou escolha símbolos que tenham relação com seu caminho, mas esses detalhes vão de cada oraculista. Também há tradições que sugerem o uso de toalhas de cetim, veludo ou tecidos similares, possivelmente pela qualidade dos mesmos, e/ou por atribuições simbólicas que podem vir a ter.

A sanar dúvidas que já tive,
   Alannyë Daeris 

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Conhecendo o Oráculo - Osteomancia (Oráculo dos Ossos)

   A Osteomancia, prática de divinação por meio do lançar de ossos, é uma das artes oraculares mais antigas de que temos registro. Foi praticada ao longo da história por diversos povos ao redor do mundo, dentre eles os Chineses, Egípcios, Gregos, Romanos, Babilônicos, e numerosas tribos Africanas, nas quais boa parte dos sistemas de leitura dos ossos praticados atualmente se baseiam.
   Diferentemente de outras ferramentas de divinação ou previsão, o Oráculo dos Ossos é um instrumento de comunicação e conexão direta com os Ancestrais, sendo creditada a Eles a movimentação das peças sobre a mesa do osteomante durante uma leitura. É um oráculo que passa por purificação, consagração e apresentação, necessita ser alimentado e energizado com regularidade, e o oraculista deve manter uma devida relação com os próprios Ancestrais para que possa fazer uso da ferramenta.
   Há diferentes formas de utilizar, interpretar e lançar os ossos, denominados "sistemas". Alguns sistemas de leitura empregam somente ossos de uma mesma espécie animal (galinha, gato e cachorro estão dentre os que eu conheço), outros sistemas usam ossos de espécies animais diferentes, e há também os sistemas que elaboram conjuntos de ossos adicionando a eles outros itens variados, como conchas, penas, dados, moedas, cristais, sementes, curios e objetos similares.
   Além do conjunto de ossos, um elemento central na leitura de osteomancia é o tablado, a superfície em que os ossos serão lançados e que determina maiores informações, podendo indicar a área da vida que se analisará, conceitos e ideias simbólicas (como os quadrantes, que são relacionados aos quatro elementos e que tratam de temas pertinentes a cada um deles), ou o passado, presente e futuro. Esses tablados podem ser peles de animais, tábuas de madeira, ou tecidos circulares com as marcações correspondentes.
   A osteomancia serve para responder a perguntas objetivas e específicas, fornecer conselhos, ou para abrir panoramas gerais sobre a vida do consulente. É ideal para revelar as mensagens e orientações dos Ancestrais para a pessoa em questão e o momento em que ela vive e viverá em breve. Portanto, é uma ferramenta versátil que funciona para divinação, leitura de sorte, aconselhamento, ou para previsões de futuro. Tudo depende das peças que caem, a posição em que param sobre o tablado, e o sistema de leitura.
   É importante esclarecer que os ossos usados pela maioria dos praticantes tem origem natural, sendo encontrados na natureza e posteriormente higienizados pelo osteomante, ou adquiridos de outras pessoas que fazem esse serviço de procura, coleta e higienização, como taxidermistas. Grande parte dos osteomantes não sacrifica animais para retirar seus ossos, pois se usam para fins oraculares os restos de animais que falecem de causas naturais ou acidentais, sem causar danos a nenhum ser vivo. Obviamente, há indivíduos que fogem a essa regra, mas são uma exceção. E também noto que sob hipótese alguma se usam ossos humanos, pois isso configura crime e é passível de punições legais em solo brasileiro.

A consultar os Luminosos,
   Alannyë Daeris.

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Amuletos e Talismãs Keméticos (Meket, Nehet, Wedja, Sa)

   Amuletos são parte essencial da religiosidade kemética, existindo desde os primórdios da cultura egípcia para diversos propósitos: proteção contra espíritos, doenças, crimes, prejuízos, pessoas mal intencionadas, e também para fertilidade, cura, prosperidade, saúde, e outras intenções de importância em épocas antigas. Eram usados pelos vivos e pelos falecidos, como é o caso do tradicional amuleto de escaravelho que era colocado no peito das múmias após o embalsamento, para que seus corações não testemunhassem contra si mesmos no julgamento final.
   Por amuleto, entendem-se pequenos objetos que são carregados ou usados no corpo, geralmente em forma de pingentes, pulseiras, braceletes ou brincos; porém, os egípcios estendiam essa definição para abranger itens que ficavam em contato com o corpo, como os descansos de cabeça. Era comum ser feita uma distinção entre amuletos e talismãs, sendo os primeiros destinados a proteger, e os segundos a enaltecer alguma qualidade do usuário, ou gerar um resultado esperado. As palavras "sa", "meket" e "nehet" costumam se referir a amuletos protetores, enquanto "wedja" serve para objetos que concedem proteção e também qualidades desejáveis, como saúde, força ou fertilidade. Podemos dividi-los em sete categorias principais: 
  1. Amuletos de divindades e animais sagrados;
  2. Amuletos de proteção ou aversão;
  3. O escaravelho para os vivos e falecidos;
  4. Amuletos de assimilação;
  5. Amuletos para obtenção de poderes;
  6. Amuletos de posses, propriedades, ou como oferendas;
  7. Simbolismo de materiais (sem necessariamente um formato).
   Muitas das informações que temos disponíveis sobre os amuletos egípcios, como eram utilizados, e quais eram suas funções, provém de fórmulas/spells registradas nos Textos das Pirâmides (Pyramid Texts), Textos dos Sarcófagos (Coffin Texts), e no famoso Livro dos Mortos (Book of Coming Out by Day). Há outros registros arqueológicos conhecidos, como inscrições em paredes de templos com listas de amuletos, e papiros funerários de dinastias tardias que indicam como os amuletos deviam ser colocados nos sarcófagos e múmias. A coletânea de feitiços Greek Magical Papyri editado por Hans Dieter Betz também é uma grande referência para o processo por trás dos amuletos mágicos de períodos mais tardios, já mesclados com elementos provindos de outras culturas e religiões próximas.
   A enorme presença de amuletos e talismãs em casas, tumbas, templos e altares onde oferendas votivas eram realizadas implica que esses objetos eram considerados necessários para a manutenção da vida, utilizados por todas as classes sociais - mesmo aquelas de menor poder aquisitivo. Enquanto indivíduos nobres e abastados podiam investir em amuletos variados e de confecção superior, as pessoas mais pobres dispunham de poucos exemplares, que eram usados por toda a vida e levados para as tumbas quando faleciam, fornecendo suas benesses também no pós-vida.
   Embora toda a sociedade fizesse uso de acessórios consagrados para proteção, vitalidade e outros benefícios, e amuletos temporários fossem usados por todos na iminência de combater doenças, proteger durante viagens ou em situações perigosas, há uma expressiva maioria de amuletos destinados ao uso permanente por mulheres e crianças, que se acreditavam estar mais vulneráveis às forças sobrenaturais. A mortalidade infantil era uma ocorrência preocupante em tempos antigos, e a suscetibilidade dos infantes às doenças gerava uma atenção especial ao tema no aspecto espiritual. Muitos feitiços do segundo milênio antes da Era Comum enfatizam o perigo dos mortos possuindo ou afetando negativamente as crianças, por terem inveja da vida. O processo da menstruação também era visto como um período de "impureza", que por sua vez, presumidamente gerava brechas para a atuação de entidades mal intencionadas.
   O material utilizado na confecção do amuleto era de suma importância, pois a cor confere certas relações simbólicas - amuletos vermelhos, por exemplo, estavam ligados à energia, poder, agressividade e ao sangue. O material mais conhecido é a faiança, um tipo de cerâmica azul acessível e facilmente moldável, com significativa importância religiosa pois é reluzente como os egípcios acreditavam ser seus Deuses e Ancestrais honrados. Porém, nem todos os itens usados como amuletos e talismãs eram confeccionados; os egípcios acreditavam que Heka (magia) também estava contida em objetos raros ou estranhos, que podiam ser naturais, como conchas provenientes do Mar Vermelho, pedras de rios com formato fálico ou de vagina para fertilidade, e búzios, que eram usados como amuletos contra o mau olhado por diversas culturas e muito populares no Egito.
   Além da faiança, uma lista extensa de materiais pode ser citada, cada qual com suas simbologias particulares. Desde os tempos mais antigos, materiais orgânicos como osso, conchas, marfim e garras foram usados, e mais raramente madeira. Mas o material mais utilizado foram as pedras, com evidências de que a pedra-sabão já era entalhada nos períodos pré-dinásticos (~5000AEC) no formato de amuletos e envidraçada em cor verde para imitar a turquesa e o feldspato.
   Num geral, citemos as pedras: sárdio, lápis lázuli, turquesa (em especial as verdes), jaspe verde e vermelho, ametista, hematita, esteatita, serpentina, pedra calcária, alabastro, quartzo leitoso, quartzo transparente, calcedônia, crisoprázio, ágata, olivina, obsidiana, diorito, basalto e siltito. Após a Primeira Dinastia, amuletos começaram a ser feitos em metal, como ouro, prata, electrum, cobre, e raramente bronze até o primeiro milênio antes da Era Comum (a.C.).
   A partir do Império Novo (dinastias 18 a 20, 1548-1086AEC), temos evidência de que os amuletos também passaram a ser elaborados com textos inscritos sobre papiro e linho, e na Era Romana em lamelas de ouro e prata, folhas bem finas que podiam ser enroladas. Porém, a prática de usar textos mágicos como amuletos é certamente mais antiga, pois há uma referência no Papiro Edwin Smith, escrito na transição entre o Segundo Período Intermediário e o Império Novo, meados de 1600AEC - e possivelmente já sendo uma fórmula antiga que foi copiada, pois a maior parte dos formulários mágicos consistem em cópias de receitas antigas e editadas, ou procedimentos já estabelecidos no momento da elaboração do papiro.
Pingente de metal para
amuletos do Império Médio
(1850-1800AEC) no British
Museum (EA24774)
.

   Como eram usados em uma base diária no cotidiano, os amuletos estavam sujeitos a sofrerem desgastes ou se tornarem ineficazes (especialmente aqueles de materiais mais delicados, como linho e papiro), portanto, muitos amuletos eram carregados em recipientes para se manterem intactos. Era comum o uso de saquinhos de linho, couro e a partir do primeiro milênio antes da Era Comum, em tubos de metal com as extremidades removíveis. Poucos exemplares de linho ou couro foram encontrados até então pelos arqueólogos, mas há uma quantidade considerável de tubos de metal para amuletos conhecidos e sendo estudados. Além dos textos mágicos para proteção, os tubos de amuletos também podiam carregar outros itens apotropaicos, como fragmentos de ossos, resina, pedras como granadas e cornalinas, cera de abelha, dentre outros materiais usados como amuletos.
   Diversos formatos de amuletos existiram no Egito, e alguns se destacam ainda hoje por sua popularidade e importância simbólica no contexto mitológico e cultural kemético. Dentre eles, o principal e arquetípico é o Olho de Hórus (Wedjat), mas também dispunham de enorme popularidade a Ankh (hieróglifo da vida), o Sa (nó de proteção), o Tyet (Nó de Ísis), o Djed (pilar de Osíris), o Ib (coração), dentre outros. Segundo um levantamento da egiptóloga Geraldine Pinch, há pelo menos 275 principais tipos de amuletos egípcios, que foram exportados e copiados por todo o mundo antigo. Também há exemplos de amuletos confeccionados em formato de plantas, animais, divindades, partes do corpo humano, móveis e objetos cotidianos, ferramentas, objetos ritualísticos e entidades em geral. A intenção geralmente era de transferir alguma característica ou qualidade desejada do objeto sendo retratado, variando de acordo com o propósito ou necessidade.
   Numa próxima oportunidade, tratarei em maiores detalhes a respeito dos amuletos citados acima, como os talismãs e amuletos de papel com textos mágicos, e os tradicionais Sa, Tyet, Djed, o Escaravelho, e afins.

Referências
• Amulets of Ancient Egypt (1994), por Carol Andrews
• The Materiality of Magic (2015) - The Materiality of Textual Amulets in Ancient Egypt, por Jacco Dieleman, pg 23-58
• Magic in Ancient Egypt (1995), por Geraldine Pinch

A proferir encantamentos sobre preciosos pingentes,
   Alannyë Daeris.

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Resenha: Bruxaria e Magia na Europa - Grécia Antiga e Roma, de Daniel Ogden, Georg Luck, Richard Gordon e Valerie Flint

   Sinopse: Você sabe como a 'demonização' política da magia no fim do Império Romano se compara à associação da Bruxaria com o diabo? Sabe por que a magia chamou a atenção dos imperadores e príncipes? Será que eles não estavam mais satisfeitos em governar apenas os corpos e o trabalho de seus súditos, querendo controlar também suas paixões e credos? É possível que a magia antiga tenha sido afetada pelas várias influências de uma multiplicidade de deuses e cultos pagãos? Os gregos realmente acreditavam em seus mitos? Essas e muitas outras indagações serão respondidas em Bruxaria e Magia na Europa - Grécia Antiga e Roma, um livro que se vale de filosofia, direito e religião para fazer um percurso na história da Bruxaria, abordando desde a era heroica de Homero até o fim do império ocidental de Augustino e Teodósio. Encantamentos de amarração: placas de maldições e bonecas de vodu nos mundos grego e romano, Bruxos, bruxas e feiticeiros na literatura clássica, Magias imaginativas grega e romana, Demonizando a magia e a feitiçaria na Antiguidade Clássica: redefinições cristãs das religiões pagãs - estes e muitos outros assuntos são o ponto de partida deste livro que traz um registro histórico a respeito da Bruxaria e da Magia na Europa.

Ficha Técnica


   Autores: Daniel Ogden, Georg Luck, Richard Gordon, Valerie Flint
   Ano: 1994 (1° Ed.), 2004 (Trad.)
   Editora: Madras
   Páginas: 320

   Antes de mais nada, admito: tive algum receio ao adquirir esse livro, por experiências anteriores de cunho desagradável com obras da editora Madras, que conta com alguns títulos de conteúdo no mínimo duvidoso. Mas, ufa, esse não é um deles: trata-se da tradução de uma obra acadêmica composta por quatro autores reconhecidos na área, que exploram em profundidade diversos aspectos da magia no mundo greco-romano para fornecer um panorama consistente ao leitor.
   Magia e Bruxaria na Europa é dividido em quatro partes, cada qual de autoria de um dos co-autores, todos renomados professores e pesquisadores de história e antiguidades. O primeiro capítulo, por Daniel Ogden, faz a recepção introduzindo o conceito das placas de maldições greco-romanas, ou "defixiones", que estão interrelacionadas às famosas bonecas de cera. O segundo, por Georg Luck, explora a literatura clássica para delinear como eram imaginadas e percebidas as bruxas, magos e feiticeiras em obras do século V e VI, passando pelas personagens de mitos mais famosos da época (Circe, Medeia, Ericto, Canídia) e textos de Platão, Eurípedes, Heráclito, Hipócrates.
   No terceiro capítulo, composto por Richard Gordon, o foco se volta para uma análise da magia sob os parâmetros da lei, averiguando o casos de condenações por magia e em que se fundamentou a crescente criminalização de atividades místicas e mágicas na Grécia e Roma antigas, usando como evidência os registros que se tem acesso da época. E na última parte, a pesquisadora Valerie Flint elabora sobre o processo de "demonização" da magia, especialmente dos daemons gregos e as redefinições das atividades pagãs para um contexto cristão que ocorreu a partir do desenvolvimento do cristianismo, a partir do século II, fazendo referências interessantes às escrituras da Bíblia, textos de pensadores cristãos, e comentários de críticos contemporâneos.
   Como um todo, esse livro traduz de maneira acessível as conclusões do pensamento histórico moderno sobre esse assunto tão debatido no último século, mas há um aumento de passagens com significativa complexidade intelectual conforme os temas se aprofundam em cada uma das partes, desacelerando o ritmo de quem não está tão acostumado com certas terminologias. Certamente uma leitura mais densa em alguns momentos, mas extremamente produtiva para entender como a magia era praticada e percebida pelos Antigos, por meio de registros e fontes confiáveis de pesquisa.
   Quanto ao design, como era de se esperar de uma publicação de responsabilidade da Editora Madras, infelizmente há erros ortográficos e passagens com uma tradução duvidosa - em pelo menos 3 ocasiões, percebi traduções literais de palavras do inglês com mudança no sentido da frase. A qualidade da capa é péssima, em menos de um mês a minha já estava desbotada e desgastada como se eu tivesse lido o livro exaustivamente ao longo de muito tempo. Mas o conteúdo é impecável e recomendado a qualquer pessoa que se interesse pelo tema.

A averiguar fatos e opiniões,
   Alannyë Daeris

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Oração a Khepri

Nas profundezas do Duat
Está a caverna de Khepri
Nasce grandioso em forma
No interior da gruta secreta
Para ascender das águas de Nun
Das pétalas da lótus azul
E descansar no ventre de Nut
Ó Escaravelho da manhã
Que ascende em luz
Ilumine meus passos
Abençoa meus atos
De necessária renovação
Na constância do amanhecer
Gratidão pelas bênçãos
E alegrias que vens prover

A agradecer pelo Khat,
   Alannyë Daeris.