quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Os Cinco Princípios do Reiki - Gokai

   Mikao Usui é mais lembrado pela criação do sistema de cura Reiki, mas para além da técnica, uma de suas maiores contribuições para a humanidade é a filosofia dos Cinco Princípios, ou Gokai - valores e atitudes que podem ser praticadas e usufruídas por qualquer pessoa para uma vida mais satisfatória, não somente praticantes sintonizados de Reiki.
   A prática do Gokai é o núcleo vital do sistema Usui, essencial para garantir qualidade de vida e harmonia cotidiana. O Gokai visa elevar a consciência de quem se dedica a ele diariamente, tornando a meditação, a oração e a gratidão sempre presentes na vida do indivíduo. Entretanto, é fundamental refletir a respeito dos princípios durante a prática, não apenas repeti-los de forma mecânica e desatenta. Contemplar a aplicação no cotidiano, relacionar com momentos vividos, trazer para a realidade esses valiosos conselhos para que norteiem a vida.
   Segundo os ensinamentos do Mestre Usui:

"A arte secreta para atingir a felicidade (Shofuku no hiho)
A cura natural para todas as doenças (Manbyo no rei yaku)
Só por hoje (Kyo dake wa)
Não se zangue, (Ikaru na)
Não se preocupe, (Shinpai suna)
Seja grato, (Kansha shite)
Trabalhe com dedicação, (Gyo o hage ne)
Seja gentil com as pessoas. (Hito ni shinsetsu ni)

De manhã e à noite, sente-se com as mãos em oração (posição Gassho),
Tenha isso em mente e diga-o em voz alta.
Para a melhoria da mente e do corpo."

   Na modernidade, muitos praticantes de Reiki Tradicional Usui traduzem e simplificam o Gokai da seguinte maneira, mantendo a essência principal dos ensinamentos do Mestre:

"Só por hoje, sou calmo,
Não me preocupo, sou grato,
Trabalho honestamente,
Sou gentil com todos os seres."

   Cada elemento contido nos princípios possui um sentido filosófico profundo e prático, para uma boa qualidade de vida. Vamos entrar em detalhes sobre cada um deles!

0. Só por hoje - Kyo dake wa
A introdução para os cinco princípios do Reiki é uma invocação para trazer nossa atenção e foco ao presente. Antes de colocar qualquer coisa em prática em nossas vidas, devemos estar cientes de que a vida é vivida dia após dia, e cada momento importa. O único tempo em que podemos agir é o presente, e não podemos garantir o amanhã - mas podemos dar nosso melhor e estarmos presentes no agora. Quem vive remoendo o passado ou se preocupando com o futuro não consegue ter uma vida plena e feliz. Essa frase também nos lembra que é impossível ser uma pessoa calma, livre de preocupações e gentil o tempo inteiro, mas que é importante retomar a consciência sobre nossas atitudes sempre que possível, e se comprometer com os princípios um dia de cada vez. Hoje você não conseguiu, e se irritou? Tudo bem! Medite sobre o Gokai e se responsabilize a se manter calmo pelo decorrer do dia. Não deixe para amanhã, que é incerto e pode não ser como o esperado.

1. Não me zango - Ikaru na
Em japonês, o kanji para a palavra raiva é formado pelas palavras "escravo" e "coração", significando que é um sentimento que escraviza nossos sentimentos e nos torna incapazes de dominar nossas emoções, agindo de acordo com impulsos irracionais e impetuosos. A raiva machuca quem a sente, e faz com que o indivíduo machuque as pessoas próximas, que muitas vezes não tem culpa do ocorrido. Repetir esse princípio é uma forma de reforçar para sua mente que ela deve resistir aos acessos de fúria, e que esse sentimento descontrolado só prejudicará seu crescimento e suas relações, resultando em atitudes injustas, nocivas e egoístas. A raiva é nosso poder de conquista deturpado, sem um direcionamento adequado para uma finalidade construtiva, e se zangar pelas coisas que acontecem é um indício de imaturidade e falta de autocontrole.

2. Não me preocupo - Shinpai suna
Esse princípio é similar ao anterior, e devemos proceder de forma similar quanto às preocupações: retomar o domínio sobre nossa mente, e averiguar qual é o medo que se esconde por trás dessa preocupação. Abrir espaço para a ansiedade é um caminho sem volta, que nos prende em uma vida de incerteza. Se algo lhe preocupa, faça o que estiver ao seu alcance para tentar resolver; se não houver o que fazer a respeito, então se preocupar é uma perda de tempo, e ainda terá uma impacto negativo em você.

3. Sou grato - Kansha shite
Todas as situações que a vida nos apresenta vem para nossa evolução e aprendizado. É importante ser grato pelo que temos, pelas pessoas que estão em nossa vida, e pela nossa capacidade pessoal de lidar com as circunstâncias que nos cercam. Se temos um teto, alimento, saúde, afeto e educação, já há muito pelo que agradecer! Através de um posicionamento de gratidão, desenvolvemos a apreciação, aceitação e harmonia - pois deixamos de reclamar, se frustrar com posses ou anseios materiais, ou agir de maneira egoísta.

4. Trabalho com dedicação - Gyo o hage me
Também traduzido como "trabalhe honestamente" ou "cumpra seus deveres", esse princípio se refere a diversos aspectos relativos à responsabilidade e ao comprometimento pessoal. Esse princípio aborda a questão de empenho e dedicação na profissão que se escolhe, tendo uma fonte de sustento que seja digna, respeitosa e, principalmente, feita com esmero. Ou, sobre a boa disposição quanto às suas tarefas (não apenas profissionais!), desempenhar bem as responsabilidades do cotidiano, sem deixar que a preguiça, a procrastinação ou a desatenção impeçam você de comparecer em suas atividades. Desde o asseio do corpo, até o cuidado com a casa, dedique-se por inteiro ao que precisa fazer, esteja presente no momento - como incita a introdução para os princípios, "Só por hoje".

5. Sou gentil com todos os seres - Hito ni shinsetsu ni
A gentileza gera um ambiente saudável e harmônico, e deve ser aliada à compaixão, a bondade, e a compreensão para que possa se manifestar com plenitude. Perceba como esse é o último princípio, e depende de todos os outros - estar calmo, despreocupado, grato e comprometido, para que se possa ser genuinamente gentil quanto aos próximos. E consigo mesmo também, afinal, é imprescindível estender para si o carinho e o cuidado que oferecemos para aqueles que amamos, para que possamos estar em plenas capacidades mentais, emocionais e físicas de agir com gentileza com o universo ao nosso redor.

A praticar os princípios,
   Alannyë Daeris.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Resenha: A Magia no Mundo Greco-Romano, de Henri Hubert

   Sinopse: O sétimo volume da coleção Biblioteca Durkheimiana traz o estudo monográfico de Henri Hubert sobre a magia na Antiguidade clássica, em edição bilíngue francês/português acompanhada de estudos de especialistas e anexos que ampliam o alcance da obra. A Magia no Mundo Greco-romano foi publicado originalmente como verbete de um dicionário em 1902, e nele Hubert procura entender o que é a magia e como se manifestou na Antiguidade clássica, a partir de ampla documentação e da análise de fontes não textuais, como as representações picturais, os amuletos e as esculturas as mais variadas. O verbete tornou-se referência obrigatória sobre o tema no âmbito francófono logo após sua publicação, observa o organizador e tradutor da obra Rafael Faraco Benthien. A obra compõe um retrato preciso acerca de tudo o que se sabia sobre a documentação mágica antiga no início do século XX.

Ficha Técnica


   Autor: Henri Hubert
   Ano: 2021 (publicado originalmente em 1902)
   Editora: EdUSP
   Páginas: 280
   
   Essa obra, que originalmente se destinava a compor o verbete de "Magia" em um dicionário sobre o mundo Greco-Romano, é um verdadeiro compilado de referências históricas, e conta com uma extensa bibliografia consultada, o que denota o amplo conhecimento do autor acerca do tema - muitas dessas referências remontam ao período da Antiguidade ou mais tardio, e raramente dispõem de uma tradução para o inglês (grande parte dos títulos citados nas notas de rodapé estão em latim, alemão ou francês).
   A linguagem pode se mostrar densa e cansativa em certos momentos, e a quantidade massiva de notas com as fontes bibliográficas torna a leitura um processo significativamente mais complexo caso você queira conferir quais são as obras referidas, ou se há algum raro comentário. Essa é uma versão bilíngue, com as páginas à esquerda no idioma francês, e as páginas à direita traduzidas para o português, mas meu progresso ainda assim foi vagaroso e desafiador.
   Há muitas informações interessantes, e o respaldo arqueológico e histórico de Henri Hubert - apesar de tornar a leitura laboriosa - confere convicção e factualidade ao texto, deixando pouco espaço para dúvidas quanto à veracidade do que está sendo tratado. É um tratado descritivo sobre a magia com fundamentos sólidos, que mesmo dispondo de poucas páginas considerando a extensão do tema, consegue explicar suas diversas nuances, a relação com a religião, e o que a caracteriza.
   A percepção do autor sobre alguns aspectos da magia e religiosidade pode ser percebida em determinadas passagens, e reflete o contexto histórico e o pensamento mais conservador da época em que estava inserido - uma compreensão acerca disso deve impedir pequenas frustrações ou incômodos em leitores que, assim como eu, tenham uma relação pessoal com os temas abordados. Mas num geral, o extenso embasamento bibliográfico deixa pouco espaço para opiniões pessoais ou visões tendenciosas, sendo um verbete verídico e bem elaborado, ainda que relativamente arcaico, a respeito da magia no mundo Greco-Romano.

A adicionar pilhas de referências às futuras leituras,
   Alannyë Daeris.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Método Oracular - Jogo da Chave Mestra

   A leitura que trago hoje foi parcialmente inspirada em outra tirada que aprendi há um tempo e não me recordo a autoria. Mantive a estrutura e algumas posições, mas outras alterei por completo. Ela funciona como uma leitura geral, adequada para obter orientações práticas para a vida e previsões. O nome foi dado pois é uma leitura perfeita para abrir um atendimento e revelar os pontos principais da vida do consulente, sem que seja necessário dialogar muito antes.
   Esse método é ideal para ser usado com a Vera Sibilla, mas também apresenta ótimos resultados com o Petit Lenormand e o Tarot. Outros oráculos também podem ser usados, mas num geral cartas temáticas ou muito simbólicas não respondem tão bem a essa estrutura específica.
   Para aplicar a leitura, basta dispor todas as cartas em uma fileira de 7x3, no sentido de cima para baixo, como representado na imagem que ilustra o post. Devido à quantidade de lâminas utilizadas, diversas técnicas de leitura (em especial as da Mesa Real do Petit Lenormand) podem ser utilizadas nesse jogo, após uma maior familiaridade do oraculista com ele.

O Método


1, 2 e 3 - Indivíduo. A personalidade do consulente, sua atual situação mental e emocional, e informações que o definem no momento.

4, 5 e 6 - Cotidiano. A vida doméstica e no lar, rotina, preocupações do dia a dia.

7, 8 e 9 - Anseios. As ambições, planos, vontades, sonhos e intenções de futuro.

10, 11 e 12 - Amor. Como está a relação amorosa, o amor na vida do consulente.

13, 14 e 15 - Profissional. Como estão o trabalho e as finanças.

16, 17  e 18 - Futuro imediato. Acontecimentos próximos, para até duas semanas.

19, 20 e 21 - Futuro distante. Influências a longo prazo, para mais de 30 dias.

A destrancar mistérios,
   Alannyë Daeris.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Como Iniciar no Kemetismo

  As perguntas que mais recebo nas mídias giram em torno do Kemetismo e o culto aos Deuses Egípcios: "Como começar? Por onde estudar e aprender mais? Tenho medo de ofender ou não ser 'aceito' pelos Deuses, como saber se estou no caminho certo?" Muitos se interessam pela religiosidade egípcia, mas poucos encontram direcionamento suficiente para dar os primeiros passos.
   Todas essas dúvidas já foram minhas, e entendo a enorme frustração quando não encontramos as respostas em lugar algum - ou quando não sabemos se há coerência naquilo que falam por aí. E espero não amolecer as esperanças de ninguém, mas a verdade é que não existe uma única fonte confiável que responda todas essas dúvidas. Quando elas existem, raramente estão disponíveis em português, e mesmo em fontes estrangeiras, requerem paciência, persistência e foco até que se tornem conhecimentos práticos.
   Portanto, esse texto visa introduzir os conceitos básicos de um culto Kemético, para quem não tem noção alguma, mas deseja muito se aproximar dos Deuses Egípcios, e começar a estruturar seu culto pessoal. Sob a minha perspectiva particular, existem três pilares que sustentam o Kemetismo, e são eles:

1. Conhecer
• Mitos e lendas egípcias, para compreender quem são os Netjeru e como se manifestam.
• Epítetos, sincretismos, associações entre Divindades.
• Conceitos chaves da espiritualidade kemética, como Ma'at, isfet, henu, execração, Heka, Akh, Duat, Netjer.
• Cultura, história e política egípcia. Sem entendimento do povo e de como se comportavam, não há um entendimento real da religião.
• Linguagem egípcia, termos frequentemente utilizados e expressões, hieróglifos.
• Calendário egípcio e as festividades celebradas.
• Ortodoxia Kemética (originalmente Kemetic Ortodoxy), uma instituição religiosa estrangeira que visa resgatar o culto aos Netjeru de forma tão tradicional quanto possível na modernidade. Ótimo ponto de partida para qualquer pessoa interessada no Kemetismo.

   Você não precisa ser um expert em Egito para começar a cultuar os Netjeru, mas se não souber absolutamente nada sobre eles, fica difícil construir uma relação, não é? Portanto, o estudo é o primeiro passo, mas precisa andar lado a lado com as práticas de devoção. Pesquise, faça anotações e crie o hábito de registrar aquilo que descobre sobre o Kemetismo e o Egito, para ter acesso fácil sempre que for necessário consultar uma informação.
   As fontes que recomendo são artigos e livros acadêmicos sobre Egiptologia, Arqueologia e História, ou cursos/workshops ministrados por professores das áreas citadas. Use ferramentas como o Google Scholar e o SciHub para ter acesso a esses conteúdos, e paciência para fazer avanços por meio da pesquisa. O domínio da língua inglesa é essencial, pois a grande maioria das informações não estão disponíveis em português.
   Alguns egiptólogos são referência em publicações sobre o Kemet, e dentre eles podemos citar Wallis E. A. Budge, Geraldine Pinch, Raymond O. Faulkner e Richard H. Wilkinson. Não recomendo leituras que não tenham embasamento histórico e arqueológico, num geral. Mas mesmo quando tratamos de egiptólogos, devemos manter uma análise crítica em relação às informações apresentadas, pois há muitas obras obsoletas (como é o caso de livros mais antigos do Budge), mas que ainda servem como um ponto de partida para a compreensão do tema.

2. Interagir
• Orações.
• Meditações.
• Diálogos cotidianos com os Deuses.
• Conversar com outros keméticos para trocar experiências, dicas e recomendações.

   Tão importante quanto conhecer quem são os Netjeru, é buscar uma conexão com eles, de forma espontânea e sincera. Qualquer atividade serve para lhe aproximar dos Deuses, desde que feita com intenção e foco. As orações, meditações e afins podem ser elaboradas por você, ou adaptadas a partir de outras já existentes, encontradas na internet e em livros. O Kemetismo não é uma religião sólida e distante, mas um caminho vivo, que pode e deve ser incluído no seu dia a dia, pois os Deuses estão em tudo, sempre.
   Dessa forma, ter o hábito de interagir com Eles é essencial, mesmo que seja através de práticas simples e cotidianas, como ofertar um café pela manhã enquanto faz uma oração. Diariamente, se possível, tente realizar atividades em honra e/ou na presença dos Deuses que você sente afinidade, convidando-os em mente e espírito para que se façam presentes. Você pode conversar sempre que desejar com Eles, abra seu coração sem medo de julgamentos ou de rejeição. Com o tempo, conseguirá perceber os sinais e as respostas para suas conversas (que raramente são audíveis e explícitas como gostaríamos!).

3. Louvar
• Estabelecer um altar.
• Oferendas.
• Rituais.
• Celebração de festivais e datas comemorativas.

   Ainda que a interação possa se bastar no segundo pilar para uma parcela dos devotos, o culto devocional como era praticado pelos egípcios exige alguns passos a mais para sua realização - sendo elas a criação de um altar pessoal ou espaço sagrado para as oferendas e práticas, e ocasionais celebrações de festivais ou rituais mágicos.
   O estabelecimento de um altar é simples e não esconde muitos mistérios, podendo ser dentro de um armário, sobre uma cômoda, numa mesinha de canto, ou em um criado mudo. O importante é que seja em um local tranquilo onde você possa se sentir a vontade para seus momentos de conexão. Oferendas podem ser tão singelas quanto um copo de água gelada, pão ou alguns biscoitos, uma dança intuitiva, uma poesia ou desenho.
   Não há necessidade de celebrar todos os festivais e aniversários dos Deuses, mas é interessante observá-los sempre que possível, para reforçar seus laços e conexão. Assim como as oferendas, as celebrações não precisam ser complexas e elaboradas, basta que sejam feitas com sinceridade. Rituais são opcionais, e devem ser conduzidos apenas quando já houver certa familiaridade com o culto kemético e os Netjeru, portanto não os recomendo para quem ainda estiver "engatinhando".

   Para complementar as instruções, traduzo uma inscrição no Templo de Heru em Edfu (e encontrada no livro Eternal Egypt de Richard J. Reidy), que orienta os devotos dos Netjeru a serviço no templo:

"Ó profetas, sacerdotes wab sêniores, chefes dos mistérios, purificadores do Deus, todos que entram nos Deuses... Não iniciem erroneamente; não entrem quando impuros; não pronunciem falsidades em sua casa; não cobicem a propriedade (do seu templo); não contem mentiras; não recebam subornos; não discriminem entre um homem pobre e um rico; não adicionem ao peso (da balança) ou à corda de medidas, mas reduzam-nos; não adulterem o medidor de milho; não prejudiquem os requerimentos do Olho de Ra; não revelem o que viram em todos os mistérios dos templos... Cuidado, ademais, para não abrigarem um desejo ingrato no coração, pois vivem na abundância dos Deuses."

A conduzir pelo Caminho,
   Alannyë Daeris.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Oração a Khnum

Seja louvado, Khnum!
Oleiro de perfeitas mãos
Outorgador de habilidades
Patrono do construtor e minerador
Seu é o trabalho hábil do artesão
Sua é a obra que busca perfeição
Seu é o esforço do trabalhador
Perfeito é Khnum, o Provedor!
Aquele que moldou o homem
E os definiu um por um
Senhor do Nilo fértil
Dos argilosos bancos dos rios
Magnífico doador da vida
Louvo sua gloriosa manifestação
Louvo sua cíclica inundação
Ouça meu louvor em oração!

A agradecer por meu Khat e Ka,
   Alannyë Daeris.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Epítetos de Khnum

   Hoje, apresento uma lista de epítetos keméticos tradicionais conferidos a Khnum, traduzidos e adaptados para nossa língua. Podem ser usados em orações, rituais, meditações e em quaisquer situações que você queira evocar ou invocar esse aspecto de Khnum que está retratado no epíteto escolhido.
   Essa lista não contém todos os títulos associados com esse deus, e há muitos outros que podem ser encontrados, ou desenvolvidos na sua própria interação e culto a Khnum.

Epítetos Tradicionais

• Oleiro Divino
• Senhor das coisas criadas para si mesmo
• Senhor da primeira catarata
• Guardião da Nascente do Nilo
• Guardião de Elephantine
• Pai dos pais
• O Multiforme
• Grande Moldador
• Grande Vitorioso
• Carneiro de Grandiosa Majestade
• Carneiro lutador que persegue seus inimigos
• De chifres afiados
• Senhor de Esna (Neb Ta-Senet)
• Criador da humanidade na roda de oleiro
• Senhor do Outro Mundo
• Senhor da vida
• Senhor dos campos
• Senhor do grito de guerra
• Autoconcebido
• Protetor dos falecidos
• Pai de Serket
• O Ba de Ra
• Líder dos pastores
• Assassino de rebeldes
• Senhor das águas do mundo e do submundo

A louvar o Carneiro, Pai Divino de todos os Pais,
   Alannyë Daeris.

sábado, 27 de novembro de 2021

Feitiço de Nós para Proteção de Negócios, Estabelecimentos e Autônomos

   Há cada vez mais empreendedores autônomos em todos os ramos da prestação de serviços e comércio, inclusive nos meios esotéricos. E todo empreendedor, independentemente se possui um estabelecimento próprio ou se trabalha virtualmente de seu home office, eventualmente irá se deparar com "clientes-problema", que agem de maneira desrespeitosa e podem causar as mais variadas situações desagradáveis.
   Esse feitiço de nós (knot spell, em inglês) se destina a afastar clientes inconvenientes, desrespeitosos e problemáticos, e proteger seu negócio de pessoas que possam prejudicá-lo - seja impedindo que cheguem até você, ou gerando desinteresse e afastamento. Algumas adaptações podem ser feitas, mas sugiro que não se exclua nenhum dos elementos abaixo, apenas adicione (por exemplo: pingentes de cristais, com símbolos protetores, mini ferraduras, outros ramos de ervas, enfim).

Você precisará de:
• Um barbante de aproximadamente 45cm.
• Tinta preta, nanquim ou canetinha preta.
• Um ramo de arruda, para banir clientes inconvenientes ou desrespeitosos.
• Dois pregos de ferro, para proteção.
• Uma chave velha, de uma fechadura que não seja utilizada.
• Azeite de oliva, para proteção, boa sorte e segurança.

🕒 Horas e dias de Saturno ou Marte.
🌖 Lua cheia ou minguante.

   Reúna todos os materiais em seu altar ou em um ambiente onde não será perturbado. Purifique a si mesmo, ao recinto, e aos ingredientes do feitiço, com o método de sua preferência. Comece pintando o barbante de preto, representando a proteção que deseja elaborar para seu empreendimento. Espere secar enquanto se concentra em seu feitiço e intenção.
   Assim que estiver seco, dê um nó na ponta (de aprox. 7cm de distância da extremidade), visualizando o afastamento de clientes inconvenientes e indesejáveis. Dê um nó na outra ponta, visualizando o afastamento de clientes desrespeitosos e causadores de problemas. De um nó no meio, visualizando você realizando seu trabalho satisfeito e com uma "bolha" ou cerca de proteção lhe circundando, representando a defesa que deseja.
   Unte os pregos com o azeite de oliva para conjurá-los para sua proteção, amarre-os ao lado dos nós que acabou de dar nas extremidades do barbante, um prego do lado de cada nó. Unte a chave e amarre-a em uma das pontas, para somente abrir as portas do seu negócio para quem possuir respeito e afinidade com seu trabalho. Segure a arruda entre suas palmas, e peça a ela que afaste e proteja seu negócio de todos que possam causar situações prejudiciais ou desagradáveis. Amarre na outra ponta, e está pronto. Caso queira, você pode finalizar com uma consagração de sua escolha, como esse encantamento verbal sugerido:

"Para proteção da minha empresa,
A arruda e o ferro faz a defesa,
Meu escudo é forte e rigoroso,
Afasta todo cliente desrespeitoso,
No meu negócio eu tenho paz,
Prosperidade e amor, aqui se faz."

  E está feito. Você pode guardar em um local escondido dentro da sua loja, ambiente de trabalho ou home office, como no topo de um móvel alto, dentro de um vaso de plantas, ou transferir para um saquinho que oculte o conteúdo e você possa pendurar ou guardar em uma gaveta, por exemplo. Se você perceber que alguns clientes desrespeitosos estão voltando a surgir, refaça o feitiço, pois ele se expirou.

A desencorajar a manifestação da desordem,
   Alannyë Daeris.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Método Oracular de Análise Trimestral

   A estrutura oracular a seguir foi elaborada para fornecer um panorama geral de um período de três meses no futuro - sem focar em campos específicos, apenas em direcionamentos e perspectivas que ajudem o consulente a se preparar para enfrentar o trimestre com assertividade e confiança.
   Para quem gosta de explorar assuntos como amor, profissional, e afins, é possível adicionar cartas correspondentes a cada campo que deseje analisar nas três primeiras posições, observando como será a evolução dos temas nos três meses seguintes. Adapte o método de acordo com suas necessidades, incluindo ou modificando as posições.
   Você pode usar qualquer oráculo de sua preferência para realizar a leitura, desde que permita a configuração apresentada na imagem e texto. O Tarot com o método europeu, o Petit Lenormand em pares e a Vera Sibilla são aqueles que recomendo, mas escolha o que considerar mais adequado.

O Método


1. Primeiro mês. Como será o início do trimestre?
2. Segundo mês. Como será a metade do trimestre?
3. Terceiro mês. Como será o final do trimestre?
4. Resumo do trimestre. Síntese e energia geral do período.
5. Conquista. O que você deseja alcançar nesses três meses?
6. Oportunidades. Quais oportunidades específicas você busca? Como torná-las mais prováveis?
7. Desafios. Quais desafios lhe preocupam? Como superá-los?
8. Continuidade. O que você quer que continue como está? Como manter assim?
9. Mutabilidade. O que você quer que mude? O que fazer para atingir mudanças desejadas?
10. Visão. O que você almeja em longo prazo?

A ajustar o foco para dias vindouros,
   Alannyë Daeris.

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Bênçãos Keméticas - Ankh Udja Seneb e Ankh Was Djed

   Os hieróglifos e a língua do Egito antigo despertam muita curiosidade e interesse por parte de aspirantes ao Kemetismo ou neopagãos com um culto egípcio. Hoje, vamos falar acerca de duas frases keméticas com o propósito de abençoar em saudações, e sua correspondência em hieróglifos.
   Além do possível uso como mantras no cotidiano e em orações, meditações e rituais keméticos, os hieróglifos de ambas as frases (ou "fórmulas") abaixo podem ser desenhados em diversos locais (velas, instrumentos mágicos, objetos decorativos e afins) para abençoá-los, da mesma maneira que sigilos e símbolos sagrados. E também podem ser utilizados em bênçãos e benzimentos de outros indivíduos, como em práticas oraculares ou terapias energéticas.

Ankh, Udja, Seneb (ꜥnḫ wḏꜢ snb) - 𓋹𓍑𓋴

Tradução: "Vida, prosperidade e saúde". Há algumas variações possíveis, que interpretam Udja como "controle" no sentido financeiro ou "força", e Seneb como "vitalidade" ou "ausência de debilidades".

É uma frase kemética que costuma aparecer logo após os nomes de Faraós, ou em referência às casas reais. No período do Império Novo, se tornou uma frase popularmente usada como uma benção de despedida, bastante usada no final de cartas particulares. Ankh se refere à vida e à essência vital que está sempre sendo renovada e que pode ser fornecida à nós pelo Divino, o prazer pela vida, a plenitude da existência e do ato de viver. Udja se refere à estar inteiro, intacto, e além de prosperidade pode denotar o bem-estar e o conforto. E Seneb se refere à estar bem e saudável, livre de fraquezas ou enfermidades, que são os três pilares de uma vida satisfatória.

Ankh, Was, Djed - 𓋹𓌀𓊽

Tradução: "Vida, domínio e estabilidade". Os termos Was e Djed podiam ser trocados de ordem, como indicado na imagem abaixo, sem uma mudança no sentido.

Baixo-relevo da tumba mortuária
de Hatshepsut em Deir-el-Bahn.
Outra frase kemética antigamente usada como uma benção ao Faraó e à sua capacidade de proteger o Kemet e mantê-lo sob controle. Na modernidade, pode ser usada como uma saudação ou despedida, ou como um mantra, nos momentos em que for necessário se centrar, aterrar, edificar, proteger, ou reunir força e firmeza. O Was é o cajado de poder que certos Netjeru carregam para indicar sua dominância, regência e controle, e também são símbolos de sacerdócio, autocontrole e sorte. O Djed (cujo símbolo representa a espinha dorsal de Wesir) está relacionado à resistência, estrutura e sustenção que temos perante a vida, a capacidade de se manter firme e "reto" em nossas atitudes.

Mais informações sobre Ankh, Udja e Seneb.
Informações sobre Ankh, Udja e Seneb no site da Kemetic Ortodoxy.

A abençoar,
   Alannyë Daeris.

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Resenha: Magic in Ancient Egypt, de Geraldine Pinch

   Sinopse (na língua original): The Egyptians were famous in the ancient world for their knowledge of magic. Religion, medicine, technology, and what we would call magic coexisted without apparent conflict, and it was not unusual for magical and practical remedies for illness, for example, to be used side by side. Everyone resorted to magic, from the pharaoh guarding his country with elaborate magical rituals to the expectant mother wearing amulets to safeguard her unborn child. In this book, Geraldine Pinch examines the connections between myth and magic and the deities--such as the goddess Isis, and the protective lion-demon Bes--who had special magical importance. She discusses the techniques of magic, its practitioners, and the surviving magical texts, as well as the objects that were used in magic: figurines, statues, amulets, and wands. She devotes a chapter to medicine and magic and one to magic and the dead. Finally, Dr. Pinch shows how elements and influences from Egyptian magic survived in or were taken up by later societies, right down to our own century.

Ficha Técnica

   Autora: Geraldine Pinch
   Ano: 1995
   Editora: Univ of Texas Pr
   Páginas: 191
 
   Uma obra de alto nível para uma genuína compreensão de diversos aspectos relativos à magia e à espiritualidade egípcia, dois temas intimamente relacionados e explorados com maestria, sem uma complexidade linguística desnecessária, apenas objetividade e clareza de ideias, resultando em uma leitura leve e fluida. O respaldo arqueológico é essencial, e reflete aspectos valiosos para a compreensão das práticas mágicas dos antigos egípcios, sejam os ritos efetuados por sacerdotes nos templos, ou de forma particular por magos e/ou pessoas comuns.
   Os textos mágicos e papiros são frequentemente referenciados em todos os capítulos, elucidando de maneira pragmática mas não simplista as fórmulas, encantamentos e visões por trás da magia kemética. Independentemente do nível de conhecimento do leitor sobre o assunto, há muito a se descobrir e explorar a partir desse livro, cuja riqueza de detalhes é impressionante, e se beneficia de uma coleção de imagens de artefatos em museus para auxiliar na visualização dos diversos objetos citados e como eram utilizados.
   A organização temática é bem elaborada e realiza uma progressão de saberes coesa e gradual, fornecendo uma percepção consistente acerca da magia praticada pelos keméticos, sem um misticismo indevido nem um academicismo limitante e preconceituoso. Os detalhes e informações levantadas são incríveis, pois revelam muitas características práticas (e úteis para magistas) de feitiços e encantamentos, amuletos, estátuas, gestos, varinhas e papiros, e faz uma análise precisa e bastante abrangente quanto às técnicas mágicas para diferentes finalidades, e como elas se encaixavam dentro da mentalidade kemética, usando sempre de fontes arqueológicas e históricas.
   O último capítulo aborda o impacto e a influência que a sabedoria oculta egípcia teve na cultura e nas crenças dos povos antigos e medievais, esclarecendo inclusive as infundadas teorias sobre o Tarô ter uma origem egípcia, e a errônea associação dos povos Romi (coloquialmente denominados ciganos) com o Egito. Aqui há algumas referências a sistemas mágico-filosóficos como o Hermetismo, a Cabala e outras tradições do período, mas apenas a um breve título de informação.
   Uma crítica que tenho em comum com outros leitores é que a autora menciona as datas em formatos que são pouco comuns na Egiptologia (para facilitar para o público geral, imagino) e não costuma indicar qual a dinastia ou período específico a que se refere, o que seria substancial para estudiosos e facilitaria na compreensão do contexto histórico. Mas dada a complexidade do tema, que se alterou bastante no decorrer da história egípcia e é complexo de se analisar quando adicionamos o viés temporal, julgo que o trabalho de Geraldine Pinch está impecável.

A ansiar por uma releitura,
   Alannyë Daeris.